Quase férias

Estou de licença médica. Peço desculpas aos leitores que ficaram sem resposta aos seus comentários. Volto em breve. Até mais!

outubro 13, 2011 at 12:59 pm

Informação Privilegiada | A al-Queda Impressa de Conrad Black

Nenhuma história do desenvolvimento de uma imprensa globalizada neoliberal-neoconservadora seria completa sem falar da subida e desgraça do Barão Conrad Moffat Black e o Grupo Hollinger, portavoz de alarmiso-terrorismos jornalísticos ideológicos tal como os pensamentos de Richard Perle, que servia no conselho do grupo após servir no governo Bush como o torcedor em chefe para a guerra no Iraque.

Traduzo alguns trechos da página Wikipédia sobre o Barão, que recentemente deu uma entrevista à revista Vanity Fair sobre as condições da sua prisão, por fraude envolvendo o abuso de informações sigilosas e “self-dealing” — o uso de laranjas para criar operações-fantasmas visando enriquecé-lo.

Conrad Moffat Black, Bãrão Black de Crossharbour (nascido dia 25 agosto de 1944) é um integrante canadense do House of Lords do Reino Unido, além de historiador, colunista e editor que por um tempo estava o terceiro magnata maior do mundo.

Black controlava Hollinger International, Inc., que, por afiliados, deu-lhe o o controle de jornais importantes como The Daily Telegraph (Reino Unido), Chicago Sun Times (U.E.), Jerusalem Post (Israel), National Post (Canada), e centenas de jornais locais em América do Norte.

O grupo é notório por uma linha editorial teleguidada pelo dono, assim como por campanhas virulentas de difamação contra opositores e concorrentes.

Muitos são clientes da consultoria Innovation Media Consulting, parece. Mas disso falo mais pra baixo.

O remarcável continua sendo o espectáculo do que vale ver um Civita ou Marinho ou Chateaubriand-Assís na cadeia por crimes financeiros, ou um ACM no xilindrô.

Black foi condenado por fraude e obrigado a servir uma sentença de seis anos e meio de prisão.

No dia 19 de julho de 2010, Black recebeu o direito de pagar uma fiança. O Corte de Apelos do Sétimo Distrito arquivo duas das três acusações mais tarde no mesm o ano. [3] Dia 24 de junho de 2011, Black foi novamente condenado por fraude utilizando os Correio, com uma sentença de 42 meses e uma multa de $125,000 (USD). Menos o tempo que já passou preso, ele deve ser preso no dia 6 de September de 2011 e passar mais 13 meses preso.

Black foi condenado em Chicago em 2007 e obrigado a pagar restituição à Hollinger de $ 6.1 milhões além de uma multa de $125,000.

Black foi condena por ter beneficiado pessoalmente de dinheiro que era para Hollinger receber quando vendeu alguns bens, alem de outras irregularidades. Em 2000, por exemplo, montou um esquema clandestino e criminoso que ganhou o apelido do “Lerner Exchange” — Bolsa de Valores de Lerner. Black comprou o Grupo Lerner de jornais e o vendeu à Hollinger.[23]

Também foi condendado pela tentativa de obstruir a justiça.[24]

O Tribunal Supremo dos EUA ouviu um apelo seu em 2009 e rechaçou seu pedido para fiança. Black’s application for bail was rejected by both the Supreme Court and the U.S. District Court judge who sentenced him.[26]

Dia 24 junho de 2010, os STF-EUA votou 9 ao 0 que a definição do crime de subornar os “honest services” — serviços honestos — de executivos foi vago demais e mandou o Sétimo Circuito revisar essas definições nas condenações de Black. Após estudar o assunto, o corte de apelos ainda pode mandar a realização de novo processo.

A teoria de “serviços honestos” é o cabo da vassoura da nossa faxina, almejando reduzir ambiguedades nas lealdades de executivos. O fechamento do episódio todo foi uma declaração na página editorial do Sun Times assim como o Barão foi defenestrado:

“Nós  [a página editorial do Chicago Sun-Times] voltamos agora a nossas raizes liberais e sindicalistas, fato que nos opõe contra o Chicago Tribune—aquele jornal Republicano e bajulador de Bush que mora na luxuosa avenida Michigan.”

O jornal quebrou em 2009 após receber uma multa do fiscal de circulação (o IVC de lá) em 2004.

Se o tempo der, eu traduzo alguns trechos da entrevista com o Black dentro da prisão.

Sobre os problemas corrents de Rupert Murdoch, por exemplo: “Faz décadas que NEWS Inc. estava uma emprensa sujeito a microgestão, enquanto o Rupert Murdoch criou e insistia num direito sem limites a intrometer-se, intimidar e, aos limites do que a lei permites, difamar pessoas alvejados por ele ou seus asseclas, ” diz Black. “O ethos da News Corp. é de anarquia e liberdade sem restrições para fazer o que bem quiser, inflado por uma autoimagem exagerada de importância e influência política. Duvido que foi ele que aprovou as escutas, mas não dar para acreditar que não sabia que alguns empregados fazia isso rotineiramente, começando com os grampos no celular do Principe do Pais de Gales.”

Foi Murdoch que criou uma empresa com tamanha autoconfiança — merecida — e foi Murdoch o responsável pelo mar de lama na qual mergulhou. Eu acho ainda mais nojento que os fatos é que as elites de Inglaterra lamberem as botas dele por décadas e só agora dá-se por chocada.

agosto 31, 2011 at 4:08 pm

Zé Dirceu é lobista e outra obviedades

Paramos no Pão de Açucar na Praça Panamericana para comprar o jantar.

A loja acaba de instalar um telão por cada dois pontos de venda — e em cada um arde o retrato de José Dirceu, de óculos escuros e fotografado por um aparelho de segurança, vazado, parece, pelo prédio onde o eminência pardo do PT mantém um escritório na Brasília.

As telas promovem as revistas da Editora Abril que ocupam a “zona de impulso” onde o consumidor, um seguindo o outro com num abatedouro,  é convidado a comprar algo a mais da categoria “comida-lixo” — uma bala, chiclete, salgadinhos, brinquedinhos, revistas.

A capa da Veja se repete cada 15 segundos, como se numa tentativa de hipnotizar o consumidor. Pena eu não ter máquina fotogfáfica comigo.  (mais…)

agosto 28, 2011 at 1:00 pm

Os Tuites de Capitão América

Cruzei recentemente como uma nova versão do manual distribuido a soldados euaenses quando daa arte e ciência da blogagens bélicas. É livremente disponível aqui em formato PDF.

A nova edição do manual do Exército sobre Mídia Social inclui uma seção mais ampla sobre segurança operacional, uma seção sobre blogs e Relatos Positivos Sobre o Exército, e uma a seção sobre como lidar com páginas apócrifas de Facebook e outras defraudadores. Ao lado dessas novas seções, fornecemos um guia rápida sobre Facebook e Twitter e um glossário da mídia social .

Além de ditar regras sobre a segurança de informações — diga apenas que você se chama Zé, e que mora no Sudeste do Brasil e não que vem de Belford Roxo — o manual encoraja a criação de perfils e blogs que ajudam na promoção de uma imagem positiva das Forças Armadas dos EUA.

Os autores e editoresdas páginas, foros e blogs recebem autorização oficial para tal e são sujeitos a fiscalização, senão a censura prévia.

O soldado-blogueiro também é avisado contra o risco de roubo de identidade.

Um sargento condecorado, e portanto famoso, por exemplo, teve seu perfil de Twitter furtado por hackers, que falavam várias coisas contrangedoras em seu nome.

O soldado-blogueiro também é ensinado como ganhar repercussão na mídia tradicional e em outra mídia social com audiência maior — amiúde num vehículo com um forte viés ideológico.

Surprendente é que o manual não faz menção do WikiLeaks.

agosto 27, 2011 at 12:15 pm

IMIL e IPES: Cria da Mesma Tia?

Carmem pela lente de Jean Manzon

Um colega blogueiro escreve perguntando se eu gostaria colaborar num trabalho sobre o IMIL e o bom  e velho IPES, vespeiro do golpe do Dia de Mentiras de 1964.

Eu gostaria fazer. Seria interessante observar como os mesmos métodos descritos pelo historia Moniz Bandeira se traduzem para nossos tempos de multimídia de SEM-SEO — a otimização de marketing para e por meio de motores de pesquisa.

Essencialmente, uma organização-rede com o Instituto Milennium e uma fábrica ou criadouro pela clonagem de cabeças-falantes cuja presença, fora de qualquer proporção com o sentimento e opinião de especialistas em determinado assunto,,  na grande mídia dá-se no nome de ser «equilibrado e justo» — mote da rede Fox lá em casa.

Mas infelizmente me faltam o tempo, a energia e a saude para fazer a leitura necessária — bibliotecas sendo escassas e livrarías sendo caras demais nessa porra de uma cidade…

Tudo que conheço sobre o IPES até agora vem de Elio Gaspari, cujo alfarrabia de quatro tomos eu  comprei  quando o dólar valia três reais.

Ainda assim, quero servir de testemunha ao fato inegável de que a mídia brasileira atua como um bloco unido de interesses compartilhados  e segue à risca os procedimentos de comunicações sociais utilizados em tantos outros casos.

O embate nos últimos anos na Tailândia, por exemplo — a loucura entre as camistas vermelhas e amarelas–  se deu entre dois presidenciáveis varões de mídia e for coordenada com e espalhada as redações. O que deu faira da rinha Wainer-Lacerda uma sessão de damas na praça pública ao meio-dia.

Considere o seguinte:

O artigo é de Leonardo Cavalcanti do Correio Brasiliense — jornal subsidiado pelo governo distrial de Arruda, eu devo dizer, para comprovar o tese do colunista. .

Falar mal da mídia é quase um cacoete do petista, uma espécie de hábito adquirido ao longo dos anos de militância sindical e depois política. E esse cacoete sempre volta aos discursos de Lula por ser de fácil compreensão, quase mecânico, sem muita elaboração teórica. Mas, apesar de tudo, eficiente.

E porque será que temsido eficaz?

Associar a mídia à entidade manipuladora por natureza, sem princípios ou critérios, é reduzi-la ao nada.

Quando a mídia se mostra tão amiúde manipuladora, é difícil não concluir que é assim por natureza. Obviamente não é manipuladora pela natureza, mas é manipuladora o suficiente que tem quer ser fervido antes de engolir.

E isso pode ser um erro amador ou uma astúcia profissional, a depender do autor de tal associação. Desconfio que um ex-presidente da República seja incapaz de se enganar assim tão fácil.

Pode ser assim, mas ainda que restrita aos exemplos mais descarados do abuso do monopólio da imprensa por fins particulares, a primeira lição a aprender é que no Brasil realmente existe umA Mídia, poderosamente concentrada e coordenada e flutuando num mar de «dinheiro mole», o seja, «soft money» — contribuições políticas lavadas por vários esquemas e brechas na legislação.

Nosso editorialista, como tantos outros, não admite que a má-fama da mídia seja merecida.

Eu li outro dia uma matéria no Globo sobre o suposto plano de fazer mudanças no conselho da Petrobras. Citando pelo menos dez fontes, o artigo não deu nome a nenhum.

Além do mais, para sustentar o tese de que tem um loteamento político da empresa, cita apenas um caso cada de pessoas com “ligações” petistas ou pemedistas.

Para falar numa enxurrada de alguma coisa — “Petrobras vira vespeiro de petistas!” —  tem que apontar mais que dois exemplos.

Quando eu encontro um abuso do anonimato desse jeito, eu paro de ler e viro a página. .

Mas voltando agora ao use de «dinheiro mole» , qualquer vantagem ou bem valioso é contabilizado como uma doação. O assim se faz entre meu tribo, se bem com algumas brechas vergonhosas. .

Assim, uma entrevista  na Rede Globo onde apenas especialistas da oposição, sem direto à resposta, constituiria uma doação de algo com algum valor comercial. Quanto custa comprar um minuto de propaganda na rede Globo?

É difícil pensar em um tempo, após o Chateaubrirand, quando não era assim. Ainda não li a história da imprensa brasileira nos anos 90 que tenho aqui em algum lugar.

.

Mas ô, para encurtar o relato, acho que eu podia ajudar meu correspondente desenvolver uma perspectiva histórica sobre o uso manipulativo da mídia de massa.

Quando do IPES,

O Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES), fundado em 29 de novembro de 1961 por Augusto Trajano de Azevedo Antunes (ligado à Caemi) e Antônio Gallotti (ligado à Light), serviu como um dos principais catalisadores do pensamento anti Goulart.

O IPES, durante seu principal período de ação, era localizado no edifício avenida Central no Rio de Janeiro, vigésimo sétimo andar, possuindo treze salas. Sua estrutura, tal qual à de sua entidade-irmã, o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD), equivale ao que hoje se conhece como organização não-governamental (ONG).

Jamais vi uma ONG com página de relações com investidores. Sendo leitor assíduo de divulgações corporativas, eu acho essa divulgação do Fundo Patrimonial, devidamente auditada pelo escritório de Moore Stephens, irrisória.

A função primordial do IPES, era integrar os diversos movimentos sociais de direita para criar as bases de uma oposição que pudesse deter “o avanço do comunismo sovietico no ocidente.”

Hoje em dia, a prefeitura de S. Paulo faz o contrário com a formação do PDS, que pregoniza centrismo e moderação mas parece ser responsável pelo pasquim que o Diário de Comércio, a Ultima Hora de Gilberto Kassab.

Mas vamos pensar. Qual seria um bom  plano de estudos sobre a questão proposta seria

  • Uma leitura completa de bons artigos académicos sobre o IPES
  • Análise de uma amostra do discurso do IPES, inclusive fazendo uso de análise de texto informatizado e comparativo
  • Um prefácio sobre o desenvolvimento da “guerra psicológica” pelas FFAA dos EUA.

Podia-se usar, por exemplo, a ferramenta extratora de palavras-chaves Alchemy, comparando uma amostra do discurso de então com o discurso de hoje. Insistem nos mesmos valores? Fazem uso dos mesmos chavões?

Se gostaria de um ponto de partida, eu sugerira esse relatório do Exército EUAense sobre a contratação de firmas de marketing para operações psicológicas militares.

A parte mais difícil, e mais importante, e o rastreamento do dinheiro, que, sendo mole que nem um jesuita com piriri, fica bem escorregadio.

julho 17, 2011 at 1:42 pm

Propaganda | Vaias e Vencedores

Brasileiro é mesmo bom de propaganda

A AlmapBBDO conquistou pela terceira vez – e segunda consecutiva – o título de Agência do Ano do Cannes Lions. Além de 2010 e 2011, a agência de Marcello Serpa e José Luiz Madeira chegou ao topo do festival no ano 2000.Esse ano, ela recebeu três Leões no Film Lions, sete no Press Lions, três em Outdoor e um em Design Lions – esse, porém, não contava para a corrida pelo prêmio.A agência conseguiu o feito mesmo passando em branco em outras quatro áreas que contavam pontos para se chegar na melhor agência de 2011 – Film Craft, Radio, Cyber Lions e Titanium and Integrated. Em segundo lugar ficou a Wieden+Kennedy Portland, com a BBDO Nova York em terceiro.

Desde 1988 BBDO é a maior rede da agência do Grupo Omnicom, cuja rede abrange 325 escritórios no mundo inteiro. .

Mas Brasileiro também pode ser ruim de comunicação de crise, segundo o Relatório Reservado de hoje, sobre o Pânico Palocci.

Uma das principais agências de comunicação do Brasil viu sua imagem virar carvão no Palácio do Planalto e na Esplanada dos Ministérios. Tudo por causa do episódio da demissão de Antonio Palocci.

O talvez o governo em poder não confie tanto no poder da emoção e a imagem.

O orçamento da União deste ano separou R$ 621,4 milhões para gastos com publicidade dos atos do poder público. Até sexta-feira, dia 24 de junho, já foram pagos R$ 163 milhões, sendo R$ 42,6 milhões em publicidade institucional e R$ 120,4 milhões na área de utilidade pública.

Isso constitui uma redução com custas de publicidade — propaganda — de 53% no ano.

Mas quando do pânico Palocci, de quem será falando? Os suspeitos de sempre, os Duda e tal?

Ah, não, deve ser o João Santana. A averiguar. E quem ganha a palam dourada pela campanha anti-Palocci?

junho 27, 2011 at 6:14 pm

Gilmar Nosso

Cresceu nos EUA nas últimas décadas um movimento chamado do Federalist Society que fica atrás de um leque de causas da extrema direita — e que acabou infiltrando o nosso STF, nas pessoas de Antonin Scalila e Clarence Thomas.

Agora, pela primeira vez em minha memória, um movimento pelo impedimento de um ministro do tribunal por ligações impóprias com partes e interesses do setor privado. As relações incestuosas foram o assunto de uma devassa discreta no New York Times do domingo passado.

Quando der tempo, eu traduzo e comento.

A New York Times expose published Sunday details the improper ties between Supreme Court Justice Clarence Thomas and influential rightwing funder and activist Harlan Crow.

Crow is a major contributor to conservative causes and a stalwart supporter of Clarence Thomas. In past years he gave Thomas’ wife, Ginni Thomas, $500,000 to exploit the Citizens United decision and start a shadowy, Tea Party-related group called Liberty Central.2 He gave Thomas a bible (estimated value $15,000) that once belonged to Frederick Douglass, and reportedly provided the Supreme Court Justice with access to his yacht and private jet.

As if that wasn’t enough, the New York Times has revealed that Thomas solicited a multi-million dollar donation from Crow to benefit one of his own pet projects near his birth place in a remote coastal community outside Savannah, Georgia.

Enough is enough. It’s time for Supreme Court Justice Clarence Thomas to resign. Click here to automatically sign the petition.

Shockingly, the Supreme Court is not legally bound by the code of conduct for federal judges, though Justices Breyer and Anthony M. Kennedy have testified to Congress that members of the Supreme Court voluntarily follow the code which explicitly prohibits justices from directly soliciting charitable donations. If Thomas can’t legally be removed from office because adherence to ethics rules for the Supreme Court are voluntary, then we must simply demand his resignation.

Crow is far from a disinterested philanthropist. He has donated nearly $5 million to Republican campaigns and rightwing groups, including a six digit donation to Swift Boat Veterans for Truth which so effectively attacked Sen. John Kerry during the 2004 presidential election. He’s on the board of the ultra conservative American Enterprise Institute which brought a case to the Supreme Court challenging federal voting rights laws, a case that found only one sympathetic vote on the court — that of Clarence Thomas.

junho 24, 2011 at 2:03 pm

O Ferro-Porco no Brasil Econômico

Sem dar o mínimo destaque ao assunto no seu sítio, o Brasil Econômico deu destaque na versão imprensa de ontem a um relatório devastador da ONG Observatório Social sobre a pirataria no mercado de carvão no Brasil, o que abastece os alto-fornos das grandes siderúrgicas de orgulho nacional.

Merecia uma nota no Observatório da Imprensa.

O notável foi que o pacote editorial do jornal cor-de-rosa seguia tão perto nas pegadas do relatório da ONG, até apresentando a mesma estrutura. Foi um exemplo do jornalismo do Ctl-C, Ctl-V, ermbora em boa causa.

A afirmação de que a indústria siderúrgica brasileira não tenha condições de sustentar seu negócio de ferro-guso — a gente fala de «ferro porco» ou pig iron — sem desmatamento, carvoarias piratas, e trabalho-escravo, não podia ter sido mais impactante .

Entretanto, na televisão, um vendaval de anúncios tentando atraer as melhores mentes jovens do Brasil à profissão de publicidade. Ainda não acredito cada vez que eu vejo um episódio de Grandes Nomes da Propaganda e sorvo a mensagen de que a propaganda e a televisão nós vão ensinar com ser consumidores conscientes e cidadãos bem-informados.

(mais…)

junho 23, 2011 at 10:07 am

«A origem nebulosa do grupo hacker LulzSec» | O Globo


Quem será o homem de chapéu negro?

Por enquanto, simplesmente anoto essa apuração do Globo, para comentar depois.

LulzSec Brazil, grupo que vem atacando os sites ligados ao governo brasileiro, é inspirado nos hackers que ganharam as manchetes mundiais no mês passado. O Lulz Security Group, mais conhecido como LulzSec, já fez ofensivas à poderosa agência americana CIA, à Sony, à rede de TV Fox e à polícia britânica. Esses ataques resultaram, em sua maioria, em retiradas temporárias do ar e na divulgação de credenciais dos usuários.

Os alvos não sugerem uma ideologia fixa.

Na segunda-feira, pelo Twitter, o grupo disse que procurava invadir sites de governos para vazar informações confidenciais. Na sexta-feira, no entanto, afirmara que ataca sites por diversão e para alertar as pessoas que suas informações pessoais não estão seguras nas mãos de companhias de internet.

O nome é uma combinação da palavra “lulz”, uma gíria para “laughs” (risadas), e “sec”, de “security” (segurança). Mas ninguém sabe ao certo a origem e a dimensão do LulzSec. Peritos em segurança on-line que pesquisaram a origem do grupo dizem que ele emergiu do Anonymous, que ficou famoso por atacar empresas e instituições inimigas do WikiLeaks, de Julian Assange. O Anonymous também atacou a Sony e governos por todo o mundo que considerou opressivos.

Não há como verificar se existir algum grupo coesivo chamado de Anonymous ao qual esse atos podem ser atribuidos.

Tal Be’ery, chefe da equipe investigação na rede da empresa de segurança eletrônica Imperva, fez um perfil do LulzSec com base no próprio trabalho e em informações de domínio público.

Segundo esse perfil, o LulzSec parece ser um ‘suproduto’ oriundo da organização Anonymous, em busca de independência. A evidência que embasa isso é que os mesmos apelidos foram usados nas discussões do Anonymous, no início deste ano, e do LulzSec agora. As formas de comunicação entre o grupo e de divulgação também são as mesmas. Ambos compartilham métodos de hackeamento.

De acordo com a Imperva, os principais membros do LulzSec seriam: Sabu (aparentemente, o líder); Nakomis (escreveria os códigos); Topiary (cuidaria das finanças, lidando com donativos e pagamentos dos serviços); Tflow e Kayla (hackers); Joepie91 (administrador do site); Barrett Brown (porta-voz, mas já declarou que não é membro do grupo); Avunit (de função não identificada).

via A origem nebulosa do grupo hacker LulzSec | O Globo.

junho 22, 2011 at 6:01 pm

«Confusão em licitação publicitária»

Do Radar Econômico.do Estadão, denúncias de cafajestimos na licitação de uma conta de publicidade valendo quase meio bilhão por ano:

Representantes de agências de publicidade procuraram jornalistas no fim de semana para dizer que houve vazamento do resultado da licitação da conta de publicidade do Banco do Brasil, uma bolada de R$ 420 milhões por ano, informa o repórter David Friedlander.

O efeito-rede, tão desejável em campanhas virais, sai nesse caso pela culatra com uma onda do boatologia:

Segundo os informantes, as propostas com as campanhas escolhidas, que deveriam ser divulgadas somente às 10 horas de amanhã pelo BB, já eram de conhecimento de várias pessoas. Ontem, circulou que a história estava escrita num e-mail apócrifo, endereçado às agências que participam da licitação.

Houve um boato que a história não passava de um boato. Boato!

Vamos tentar saber de quais agências são as campanhas seguintes, depois da divulgação amanhã, se tomar lugar.

Os conceitos das campanhas escolhidas seriam, pela ordem, “O melhor do Brasil para os brasileiros. Todo seu”, “É diferente. É todo seu” e “BB. Mais seu. Mais Brasil”. Pelas regras da licitação, a comissão de julgamento deveria julgar os conceitos sem saber quais as agências responsáveis por eles.

Aconteceu no passado também:

Numa situação igualzinha, a Petrobrás foi forçada a cancelar uma licitação para escolha de suas agências de publicidade no ano passado. Procurado no começo da tarde, o BB informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a divulgação do resultado está mantida para amanhã.

Não me lembro daquela história. Foi na verdade igualzinha?  Parece que foi.

A Petrobras informou nesta quinta-feira (4 de fevereiro de 2010), em comunicado, que cancelou a licitação para escolha das agências de publicidade cujo resultado vazou no fim do mês passado, antes da data acordada para divulgação.

A empresa afirmou, porém, que a divulgação antecipada dos resultados não comprometeu a análise das propostas técnicas, que havia sido concluída três dias antes.

Segundo a empresa, o processo de escolha de agência por meio de propostas fechadas (sem a identificação da empresa proponente) foi desenvolvido pela Petrobras em 2007.

A companhia afirma que a iniciativa é “referência para licitações públicas de publicidade”. As propostas técnicas são identificadas por número, que é de conhecimento apenas de cada agência proponente.

Ainda de acordo com o comunicado da companhia, um novo edital será lançado em breve e trará aprimoramentos no processo licitatório.

Renovo minha crítica segundo a qual cortando as verbas de publicidade oficial pela metade cortaria a corrupção oficial quase por inteiro. Cada escândalo tem seu publicitário, ou dentro nos holofotes ou trabalhando nos bastidores de emplacar “a campanha difamatória” — tudo do mais alto profissionalismo — sob a assinatura de algúm jornalista ou jornalão conceituado.

Deixa a propaganda ao setor privado. Quando governos entram nessa, só há confusão mesma.

junho 14, 2011 at 5:02 pm

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