A Pós-Vida do Meu Cadáver, Continuada

novembro 30, 2010 at 3:34 pm

Sem novidades sobre meu cadáver adotado — o vereador Romazzini de Guarujá, aleatóriamente escolhido para ser tratado com se fosse cadáver meu.

Tem algo até nos Evangelhos sobre o dever de fazer isso com o próximo.

A Alerta Google hoje traz notícias de blogs, Brasilianas, e uma velha reportagem da TV Tribuna, de sábado, sobre o velório e enterro. Nos blogs:

Deputados petistas, o presidente estadual do Partido, Edinho Silva, e o senador Aloysio Mercadante têm cobrado da Secretaria de Segurança Pública empenho para identificar e punir os assassinos do vereador Luis Carlos Romazzini, executado na madrugada da última sexta-feira (26/11).

Deveriam receber solidariedade.

Me lembro de ler que um parente radialista do governador-eleito também sofria de ameaças de morte. A não falar nas ameaças à vida e bem-estar do ex-governador de São Paulo ultimamente às mãos de arruacerios fascistas.

Juliana Brasiliana lamenta uma morte sem a devida repercussão.

Traz uma forte denúncia, muito mais forte da hipotese de uma servidora pública ressentida pela demissão — mesmo tipo de criatura que esfaqueou o ACM Neto.

Infelizmente a morte de Romazzini não foi noticiada como deveria. A Folha deu somente uma notinha sobre o caso. Alguns sites noticiaram, mas não com a gravidade que o caso merecia: Romazzini foi assassinado pela sua postura política no Guarujá. Isso mesmo. Assim como nos tempos da ditadura, ele morreu por fazer oposição à classe política corrupta e dominante que vai levando esta cidade ao caos. E com a morte dele, também morreu toda a oposição do Guarujá. Explico.

Também traz novos detalhes bem-vindos sobre a vida pregressa do meu cadáver.

Romazzini chamou a atenção quando, em 1994, ainda sargento do exército, escreveu um artigo criticando o então presidente Itamar Franco. Ficou 60 dias preso. E nem por isso cessou sua luta, pois dois anos depois, em 1996, se candidatou a vereador. Perdeu. Em 1998, tentou ser deputado, com chances irrisórias de vencer, apenas como protesto ao exército. Perdeu, claro.

Parece que A Tribuna não é uma fonte acompanhada pelo Google Notícias em tempo real. As reportagens demoram para aparecer na Alerta. Como o jornal mais importante de um dos portos mais importantes do país, merece este acompanhamento, digo eu.

A deputada Prandi e o deputado Fausto Figueira, ambos da Baixada Santista, denunciam que este não é o primeiro crime contra autoridades constituídas do Guarujá e frisam que casos cotidianos denunciam a fragilidade da segurança no município.

A fonte original da nota aparecendo em um punhado de blogs é a PT-SP.

Eu tenho um forte receio de ver meu cadáver politizado — assim como o cadáder do jornalista Luiz Carlos Barbon fora politizado pela FENAJ — sacanagem! — no ámbito da questão «Diploma?».

Até agora, nada.

O caso Barbon não foi tratado com destaque pela SSP, apesar da repercussão internacional do caso.

Vocês sambojanos deveriam ser os brasileiros mais sábios que há sobre o valor de publicidade e o risco de ignorar publicidade negativa.

Mas seus governantes vivem se mostrando surdos nesse sentido, na minha observação.

Memorável demais foi o momento quando uma jovem jornalista australiana, em entrevista com Alckmin, perguntou sobre seu sentido de responsabilidade pessoal pelos eventos de maio 2006.

Respondeu com uma mensagem ouvida muitas vezes dele — «tecnicamente, Lembo foi o responsável» — e cortou a cooperação com a entrevistadora, saindo da sala e jogando o microfone no chão.

Vocês podem fazer isso com a mídia nativa, talvez, mas deveriam pensar no olhar estrangeiro — se bem que pretendam atraer os investimentos do mesmo.

É a globalização: Tem gringos infiltrados em toda parte, observando seus cadáveres suspeitos.

E não somente isso. De vez em quando, um jornalão que nem o Estadão dará acompanhamento a um caso de chacina ou assassinato — me lembro das reportagens do Marcelo Godoy sobre estes assuntos  – até certo ponto.

Depois do qual, nada.

Apesar de esforços competentes de boa fé como este, vocês ainda não sabem manter seus cadáveres vivos. Mas eu sei.

Ainda tenho as fotos forenses daquele caso anterior no Alemão.

Se for necessário para acordar vocês, sambojanos, os divulgo.

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