Reuters Mente

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Sobre o Brasil, contos de fados em vez de informações.

Foi Orwell que disse que a pior e mais deplorável tipo de mentira consiste em informações deixadas propositalmente incompletas.

Uma carta aberta pros Tupis também lerem.

Dear Reuters:

Estimados senhores da Agência Reuters:

I am constantly amazed at how systematically wrong your Brazil desk is about the major tendencies [better, “public cases and controversies”] of the day here in Brazil.

Fico pasmado com o jeito que aqueles “jornalistas” que trabalham pros Senhores aquí têm de perder o alvo sistematicamente, e quase todo santo dia, nas reportagems deles pra inglês ver.

I am a freelance translator and journalist from Brooklyn, living with my wife in São Paulo, and I follow your coverage closely.

Eu sou tradutor e jornalista de Brooklyn, New York, morando aquí com a minha mulher, uma paulistana das mais discretamente diselegântes, preparando-nos para uma moradia permanente, no São Paulo. E leio a cobertura de Reuters atensiosamente, seguindo o método comparativo, para saber se fosse confiável ou não. Não é.

To take just one example. Your Mr. Amaral files a story to the effect “Parties Dictate Slow Pace of Political Reform.”

Deixa-me só apontar um exemplo que li ontem [31. Dec. 2006]. Seu homem de confiança, Seu Amaral, publicou uma matéria em inglês com a manchete “Partidos políticos ditam um ritmo lento para reforma política.

The very next day, Mr. Cabral, governor-elect of Rio de Janeiro, ANNOUNCES THAT HE WILL FLY IMMEDIATELY TO BRASILIA TO REQUEST FEDERAL ASSISTANCE WITH HIS STATE’S PUBLIC SECURITY CRISIS.

No dia seguinte, o Seu Cabral, governador-eleito do estado de Rio de Janeiro, declarou que ia voando pra Brasília para pedir apoio federal pra lidar com a crise na segurança pública no estado.

Which his predecessor, Mrs. Garotinho, like Mr. Alckmin in São Paulo, had refused to do, even during some of the worst public security crises in Brazilian history.

Foi uma coisa que a Sra. Garotinho, como Dr. Alckmin lá em São Paulo, recusaram a fazer muitos vezes, até no meio dos maiores crises de segurança pública, como Lula gosta dizer, “na história desse país.

I cannot think of a more signficant counterexample to Mr. Amaral’s analysis. The same can be said of what was, after all, the main theme of nearly EVERY gubernatorial inauguration speech I saw on TV yesterday, on Globo, Rede TV, BAND, and the rest:

Poor isso, não consigo pensar como a análise de Sr. Amaral poderia ficar mais equivocado, senão que ele omite fatos notórios, que ele mesmo testemunhou, escrevendo-a. Por exemple, a mensagem que eu ouviu de quase todos os novos governadores do Brasil no dia 1 de Jan, na Globo, na Rede, na BAND, todas, foi o segunite:

Public security, administrative and political reform and a number of other technocratic issues are now out of bounds as political footballs.

Daquí adiante, reformas administrativas e políticas não serão mais assuntos políticos, senão assuntos técnicos.

Any Brazilian politics watcher worth his salt knows that the first thing Lula said at his victory press conference — where your Mr. Amaral posed a question, as I recall — was “there will be no more delays or obstructions to political reform.”

Qualquer espetador sensato da política brasileira hoje em dia sabe bem que a primeira coisa que saiu da boca de Lula na coletiva de vitória eleitoral dele — onde eu vi Sr. Amaral, que aliás posou uma pergunta sobre crecimento económico — foi “Não haverá mais demoras nem obstáculos à reforma política ou às programas sociais desse governo.”

And that Lula’s widely covered negotiations with the incoming Brazilian governors — which includes the epoch-making candidacy of Mr. Wagner, in Bahia, which laid to waste the last vestiges of the dictatorship-era Carlista political machine there– all insisted, repeatedly, noisily and visibly, on this point, which I repeat so that you will get my point: The states and the central government going to redefine such questions as public security and administrative corruption so that they are no longer inbounds for use as political footballs.

Nem que nas negociações com os governadores eleitos — entre eles Jacques Wagner, que acabou com o Carlismo na Bahia — foi insistido, com constante barulho, aos gritos, que, eu vou repetir aquí, para que os senhore me ouvirem, “Os estados e o governo federal vão negociar um novo quadro federativo, no qual questões como corrupção e segurança pública não vão mais servir interesses puramente políticos.

You do know that your coverage of Brazil is becoming a national joke here, do you not?

Os senhores sabem que esse tipo de cobertura já virou uma amarga piada nacional, não sabem?
I find it absurd myself that a news service premised on giving business professionals usable business intelligence could be so consistently, and it seems willfully, WRONG.

Eu acho absurdo que uma agência de informações, dados e notícias, alegadamente a mais avançada do mundo, poderia desinformar com tamanha rigurosa regularidade. E fazer isso com matérias que omitem fatos que são, não vamos nos enganar, públicos, notórios, e divulgados como toda clareza por cada canal de cada televisão e cada jornal regional desse pais.

And stay in business in the bargain, at least.

É assim que os Senhores pretendem manter o valor e o bom nome de um negocio global?

Do you really think your customers do not see what you people are up to?

Os Srs. realmente acreditem que a freguesia não percebe o que vocês andam aprontando por aí? Eu percebo.

I sincerely hope your new editor in chief understands the threat to your brand and will act with equal swiftness and decisiveness to root this sort of thing out at Reuters as well.

Sinceramente espero que o novo diretor de jornalismo global também entende que esse tipo de coisa ameaça os negocios das pessoas que antigamente confiavam na empresa dele, e a qualidade do serviço prestado. E que ele vai reagir com a mesma prontidão e pressa para jogar esse tipo de lixo fora.

Regards,

Atenciosamente,

Colin Brayton
São Paulo, Brasil
http://cbrayton.wordpress.com/2007/01/01/the-real-change-agents-go-supersonic/

Um comentário sobre “Reuters Mente

  1. Concordo plenamente, infelizmente o mundo é assim mesmo. Grande corporações “don’t give a shit” sobre a qualidade do serviço em paises de terceiro mundo, eles só querem manter os contratos com os clientes e “keep the cash flowing in..”. Até outro investidor apostar na idéia e criar algo “melhor”.
    Valeu,
    Ramon

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