A Primeira Coisa É Acabar Com Todos os Juizes Cunhados do Prefeito

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Lady Lent and Lord Flesh-season
Don Carnaval and Doña Cuaresma: Sem um, não haverá a outra.

Dick the Butcher: First thing we do, is kill all the lawyers.
— Shakespeare, Henry VI

O Estadão — cujo “jornalismo de vazamentos anónimos” (Bruno Surfistinha de novo?) últimamente sobre a Operação Navalha eu acho imperdoávelmente tendencioso, aliás — quer saber:

Governo pode fazer algo para acabar com corrupção?

Eu respondo:

A primeira coisa é acabar com todos os juizes que são primos oue cunhados ou filhos ou sobrinhos ou sócios ou até mulheres do prefeito.

Olha só: O advogado da campanha de Alckmin nas últimas eleições foi — é — um antigo ministro da Justiça Eleitoral. Nome dele: Alckmin tambem.

Não consigo pensar em situação mais republicana-bananeira.

A profissão do Direito em muitos outros paises do mundo não aceitaria nem a aparência da possibilidade de um conflicto de interesses assim.

Levaria a manchetes enormes e contínuas. Lá no Brasil: tudo bem.

Vocês tiveram ministro do STJ que antigamente foi Senador e presidente do PMDB. Faz pouco se candidatou para liderar o partido de novo e indicou um parente para uma cadiera vazia no Anatel.

E a badalada independência do Judiciário? Com toda essa vai-vem entre a Justiça e a política?

Vocês têm ministros do STJ fazendo lobby no Congreso. O quê?

Estão brincando, não estão?

Por que supõem, meus companheiros, que o Ministro de Justiça dos Estados Unidos, o Senhor Gonzáles, hoje não tem mais o apoio nem do seu próprio partido político para ficar?

Porque ele escancaradamente pretendia tornar nossa República numa republica bananeira, politicizando o Estado de Direito.

Como se fossemos o México da “ditadura perfeita” (Vargas Llosa) que era o PRI.

Um país onde só a captura do Estado interessa, e as leis e a justiça não. Um pais onde vale tudo.

“Para nossos amigos, tudo; para nossos inimigos: A Lei.”

Não, senhor.

Olhem, para mim, o mayor mal do Brasil hoje é a incertidão jurídica.

Como vão condenar políticos corruptos com certeza e transparência frente o Povão sem satisfazerem essa condição fundamental?

Maluf é condenável, por exemplo. Quantas pessoas querem discutir essa opinião? Poucas. Todo mundo sabe e resmungaram quando ele se elegeu para ganhar um foro privilegiado — utilizando grana de um caixa dois que passou pela Nova Iorque e a ilha de Jersey.

Más quem foi o primeiro a indicá-lo?

Nosso promotor aquí em Nova Iorque.

A Justiça brasileira não conseguiu e ainda não consegue.

Por que será?

Foi por isso que achei interessante ler, no mesmo Estadão, que por causa da Navalha, a Operação Hurricane II foi adiada. Agora é a hora de mudar o assunto e falar mal dos políticos.

Mas qual é, praticamente falando, a maior prioridade?

Para mim, é mais facíl achar juizes honestos num pais de políticos corruptos — olha só o Pakistã — do que o contrário.

Sem juiz isento, honesto, independente e livre de pressões políticos, não haverá jeito de saber, jamais, quem na classe política é honesto e quem não é.

Não é?

E se vocês por acaso achassem que isso e papo de izquerda, pensam melhor.

Acham que vão atraer investimentos estrangeiros quando as empresas de lá acham bem possível que o sobrinho do cunhado do parceiro da sua empresa, que é o juiz julgando o processo, e capaz de ferrar a empresa so por causa disso?

Têm que evitar essa fama a qualquer custo.


A Folha flagrou um cara — “sei lá, eles pagam, eu passo às pessoas” — distribuindo um santinho de Maluf na missa do Ratzinher lá no Pacaembu. Da pra acreditar? Acredite, meu.