Globo: A Verdadeira Cobertura É a Cobertura da Cobertura

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Eu venho últimamente fazendo uma experiência midiática para testar a hipótese do Mino Carta, segundo o qual o jornalismo brasileiro deveria ser contado entre os piores do mundo.

É bem ruim, porém a televisão peruviana — comprado pelo Vladimir Montesinos — e o RCTV, na Venezuela, e a Televisa, no México, seriam mas abertamente comprometida com um jogo pólitico até mais sujo. Se for possível.
Um exemplo: A cobertura da grande “confusão” durante a Guerra da Praça da Sé durante a Virada Cultural no São Paulo.

É um lugar comun entre a grande imprensa brasileira descrever esse tipo de fato como “confusão.”

Como se a função da imprensa não fosse esclarecer em vez de confundir.

O que realmente estarrece nessa cobertura, no entanto, é o jeito que o Globo tem de destacar sua própria cobertura, que sai muito mais importante do que os fatos cobertos.

Entrevista, por exemplo, nessa reportagem, um só testemunho ocular aos acontecimentos, e por poucos segundos.

Quais informações serão que o testemunho oferce? “Isso aquí é uma bagunça.”

Não diga.

O destaque cai na “foca” do Globo — uma antiga moradora de rua, viciada em crack, que consegiu se formar no jornalismo e agora vai tentar pegar uma entrevista com seu ídolo, Mano Brown.


E note-se bem: Quando chegar a hora de fazer a reportagem verdadeira sobre os acontecimentos, e o mesmo branquelo de sempre que faz.

Nem pensar em deixar a foca mesma relatar a sua propria experiência do episódio que ela acabou de viver.

Ela foi uma testemunha ocular.

Ela é uma repórter do Globo, com carteira assinada.

Não interessa ouví-la.

En vez disso, que aprendemos daquela experiência?

“Ela sentiu muito medo e confusão.”

Divulguei um comentário mais elaborado nesse sentido aquí, pra inglês ver.

Para evitar falar mal só da televisão brasileira, no entanto, caberia admitir que essa doença — “a cobertura da cobertura é a verdadeira cobertura!” — tambem aflige a televisão norteamericana.

A CNN, por exemplo, constantamente apresenta os repórteres no meio de um desastre natural qualquer — um furacão, por exemplo.

O cara fica lá numa ventania do fim do mundo, relatando ao Bonner lá na Atlanta como é pouco comfortavel fazer isso e como ele realmente não consegue enxergar nada do que está rolando.

“As ruas estão vazias, Wolf. A natureza é cruel.”

O William Bonner da CNN, Wolf Blitzer — parece que realmente o nome do cara: O Lobo do Blitz — entretanto, responde assim: “Uma boa reportagem! Cuida-se, ô repórter.”

Deve ser uma brincadeira. Não foi reportagem porra nenhuma. Não contem nenhuma informação. Só encena um lugar comun: Furação é poderoso.

A mãe Natureza pode ser bravíssima.

Olha só, que confusão!
O conteúdo é uma simples identificação emocional com o que chamamos aquí na Gringolândia de “a cabeça faladora.”

A reportagem não passa, na verdade, de um episódio da programa Jackass — “burro” — da MTV.

Mais até a Jackass pelo menos inclui um aviso ao telespectador: “Por amor de Deus, não faça isso!”

Um serviço público de informações, no entanto, mostra pessoas fazendo coisas altamente perigosas quando realmente deveria ser oferecendo um exemplo de comportamento responsável: Vai para um ponto mais elevado e tranquem-se num porão de estrutura sólida. Escutem o radio. Ferve a agua antes de bebé-la.

Qualquer coisa, não saem nas ruas durante um furacão de categoria cinco!

Globo: Notícia. Amor. Emoção.

Mas sobretudo emoção.