FENAJ e a Historia das Relações Públicas

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O livro de Edward Bernays, de 1928.  Foi sobrinho do Freud (Sigmundo, quer dizer. Freud , injustamente tachado de “Fraude,” como aparece, Godoy ainda não nasceu.)

Nihil sub sole novum est

Eu li com muita atenção o novo manual para a profissão de assessoria de imprensa, divulgado últimamente pelo FENAJ na página eletrónica dele.

Uma leitura divertida.

Como uma obra de ficção.

Lá lê-se, p.ex., que

… foi o jornalista americano chamado Ivy Lee quem em 1906, inventou essa atividade especializada. Ele abandonou o jornalismo para estabelecer o primeiro escritório de assessoria de comunicação do mundo, em Nova Iorque. Ele o fez para prestar serviço ao mais impopular homem de negócios dos Estados Unidos: John Rockefeller. Acusado de aspirar ao monopólio, de mover luta sem quartel às pequenas e médias empresas, de combater sem olhar a meios, numa palavra, de ser feroz, impiedoso e sanguinário.

Standard Oil, foi, de fato, um monopólio.

Agora, confirem a biografia de Ivy Lee segundo SourceWatch (EUA), que cita suas innúmeras fontes académicas e jornalisticas em rodapé, para podermos conferí-las e averiguá-las..

In 1904, Lee was hired by George Parker and they founded the company Parker & Lee late in the year. They can be considered the third publicity company of the country. The first company in this line of work was created in Boston in 1900 by George V. S. Michaelis, Thomas Marvin, and Herbert Small, was named the Publicity Bureau and sought “to do a general press agent business”. Among their early clients were MIT and the American Telephone Company. The next of these companies was started by William Wolf Smith in 1902 as a response to the mounting attacks on Capitol Hill against consolidation efforts and labor issues of big business. Wolf, who had been a reporter for the New York Sun, felt corporations needed help to balance the attacks coming from the press and regulatory bills.

Em 1904, Lee foi contratdo por George Parker, e os dois fundaram a parceria de Parker & Lee no mesmo ano. Pode ser considerado a tereirca empresa de relações públicas nos Estados Unidos. A primeira foi estabelecida em 1900, na cidade de Boston, por George V. S. Michaelis, Thomas Marvin, e Herbert Small, chamava-se o Publicity Bureau, and procurava fazer “um comercio geral na área de assessoria de imprensa.” A próxima empresa desse tipo foi estabelecida por William Wolf Smith em 1902 como resposta às crescentes ataques no Congresso contra consolidação nos setores produtivos e os assuntos trabalhistas das grandes empresas. Wolf, que trabalhava antes no jornal The New York Sun, achava que as empresas precisava de ajuda para equilibrar a cobertura dessas críticas na imprensa e os projetos de lei apresentados no Congresso.

Sobre a afirmação que Lee foi contrato por Rockefeller em 1906:

Lee went to work for John D. Rockefeller in 1914, managing the public’s perspective of the Ludlow Massacre, which involved the Colorado Fuel and Iron Company, whose mines were owned by the Rockefellers.

Lee foi trabalhar para Rockefeller in 1914, e gerenciava a percepção do público sobre a Chacina de Ludlow, que involvia uma empresa cujas minas pertenciam aos Rockefeller.

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Lee tambem tem fama de ter “innovado” a fundação filantrópica como um meio de melhorar a imagen pública das grandes empresa quanto a “responsibilidade social”:

Oil monopolist John D. Rockefeller created the family-run Rockefeller Foundation in 1909. By 1929 he had placed $300 million worth of the family’s controlling interest in the Standard Oil Company of New Jersey (now called “Exxon”) to the account of the Foundation. The Foundation’s money created the medical specialty known as Psychiatric Genetics. For the new experimental field, the Foundation reorganized medical teaching in Germany, creating and thenceforth continuously directing the “Kaiser Wilhelm Institute for Psychiatry” and the “Kaiser Wilhelm Institute for Anthropology, Eugenics and Human Heredity.”

Rockefeller criou a Fundação que leva seu nome em 1909. Até 1929, tinha transferido $300 milhões da participação da familia no Standard Oil às contas da fundação. Esse dinheiro criou a especialização médica conhecida como “genética psiquiátrica.” Para promover essa nova disciplina, a fundação reorganizou a programa de ensino médio na Alemanha, criando e depois mantendo o Instituto Kaiser Wilhelm de Psiquiatria and o Instituto Kaiser Wilhelm para Antropologia, Eugenia, e Genética Humana.

The Rockefellers’ chief executive of these institutions was the fascist Swiss psychiatrist Ernst Rudin, assisted by his proteges Otmar Verschuer and Franz J. Kallmann. In 1932, the British-led “Eugenics” movement designated the Rockefellers’ Dr. Rudin as the president of the worldwide Eugenics Federation. The movement called for the killing or sterilization of people whose heredity made them a public burden.

O chefe desses institutos, escholhido pela familia Rockefeller, foi o psiquiátra fascista Ernst Rudin, de Suécia, assessorado por Otmar Verschuer e Franz J. Kallmann, seus protegidos. Em 1932, o movimento, liderado pelos inglêses, indicou o Doutor Rudin para a presidência da Federação da Eugenia, um movimento mundial. O movimento defendia a esterilização forçada e o matança de pessoas cuja constituição genética as fazia incapazes de contribuirem à sociedade.

Depois, Rudin foi condecorado por Hilter. A obra dele foi endossado pelo Partido Nazista, and a Alemanha passou a por em prática suas idéias. Com resultados conhecidos.

Alguns atribuem ao Seu Lee a invençaõ do moderno “press release,” é verdade.

Mais isso é outro assunto.

A idéia que assessoria de imprensa foi uma invenção de tempos modernos é tambem discutivel.

Scott Cutlip, por ex., tem un livro interessante chamado Public Relations History From the 17th to the 20th Century (“historia das (como) relações públicas do século 17 até o século 20.”)

Meu exemplo preferido é o grande teólogo protestante na Inglaterra que, em troco de doações fartas à igreja dele, por parte das empresas da época que organizavam, com patrocínio real, novas colonias nas Américas, passou a elogiar o Novo Mundo aos seus congregantes como se fosse um paraíso na terra, uma volta a um estado de innocência, como antes da Queda — emfim, como uma utopia.

As pessoas que chegaram nas colonias do Sul se acharam abandonadas no meio do pantanal, sem equipamento adequado, assediados por indígenos hostis e doenças imprevistas, picadas por cobras e comidas por panteras e ursos.

Morriam monte de gente. Alguns assentamentos simplesmente sumiram da face da terra.

No final das contas, essas colonias tinham que ser conquistadas utilizando mão-de-obra escrava importada da África.

E deu que deu.

Eu tambem tenho um livro de estudos — bem erudito, isso — sobre historiadores medievais que flagra, por exemplo, historiadores das Cruzada contando vitórias sobre o temido Saladino que nunca aconteceram.

Isso não é, tambem, um exemplo de assessoria da imprensa?

Naquela época, quem mandava escrever e divulgar livros eram os reis, os nobres.

Sendo que o maior jeito do fazer “assessoria de imprensa” é simplesmente ser dono dela — e ter o droit du seigneur sobre quem produze as informações.

Não é?

Pois é.

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