Nova Nonada No. 9

Padrão

Não se deveria confundir uma nonada com um noneto.

Um noneto precisa de novo músicos para ser tocado.

Uma nonada não precisa de nenhum, pois ainda falta-lhe uma melodia.

Fica conhecida como “nonada” porque muito provavelmente lhe faltará até o fim do mundo.

Trata-se de uma composição rabiscado num guardanapo no boteco onde eu almoçava, e comemora o fato que hoje eu me comprei um novo violão, provindo de um luthier local. Esse caderno de ninherias apoia o artesanato brasileiro!

Comprei como um parabens para mim mesmo, por causa de uma daquelas pequenas vitórias, sem importância ou efeito prático alguma, sobre aquelas coisas que fazem da vida um pé no saco constante. Nem importa o que que era. Era nonada.

Ganhei um violão
Ganhei um violão
Foi isso que faltava
Ganhei um violão

Meu pai sempre tocava
Tocava mal, porem
Me pai me ensinava
Eu toco mal tambem
Tocamo Bobby Dylan
Cantamo bem ruim
Depois, tocar Ramones
Foi muito bom pra mim

Ganhei um violão …

Um dia ouvi o samba
Ouvi tambem baião
E música caipira
Eu tambem acho bão
Casei com uma tonta
E mudei pro Brasil
Terra da piada pronta
E a Editora Abril

Ganhei um violão …

Pura mentira, o estribilho encima escrito, note-se bem.

Só porque quis me referir ao Macaco Simão foi que eu descrevia a minha boa patroa como “uma tonta.”

Na verdade, o tonto sou eu. Assumo. Sem vergonha.

A vida é um saco
Trabalho não compensa
O mundo logo acabará
Segundo a imprensa
A coisa aqui tá preta
A imprensa é marrom
Mais bater nessa viola
Ué, isso sim é bom.

Ganhei um violão …

Tocar desafinado
Pra mim é natural
Eu toco lá no quarto
Eu toco no quintal
Eu toco pro meu gato
Me olha com desdém
Por mais que eu ensaio
Eu nunca toco bem

Ganhei um violão

Aguardem, que logo terminarei uma obra-mestre chamada da “Balada da Verdadeira Natureza de Homer Simpson.”

Uma amostra:

Se ouvia naqueles dias
Essa crítica à Globo:
Que ao telespectador
O tratava como bobo
Como se fosse criança
Não lhe tinha a confiança
De contar o assunto todo.

E o jornalista Bonner
Esse fato admitia
Sem nenhum constrangimento
E assim o defendia:
Telespectador mediano
Ele é muito leviano:
Homer Simpson ser devia.

Homer Simpson, se não soube
É personagem de desenho
Ele é mesmo muito bobo
Atrapalhado no empenho
Com quem assiste a programa
Como tolo ganhou fama
Tudo mundo tem desdenho

Como nem Macunaima
Homer tem baita preguiça
Luxuria, inveja
Muita gula e cobiça
Atolado em burrice
Praticando canalhice
Gosta mesmo de linguiça.

E assim pra adiante.

Mais adiante, vou contar a historia do episódio no qual descobrimos que atras da falta de inteligênica da qual o careca com o corpo em formato de pera padece é que, quando criança, enfiou um lápis no nariz, que ficou alojado no cérebro dele.

Desalojado o lapiz, Homer vira outro homem.

É uma homenagem ao film Charly, sobre um homem, deficiente mentalmente, que recebe uma cirurgia que traz uma aumenta enorme na quociente intelectual dele.

Eu gostaria sugerir que a Globo seria o lápis alojado no cérebro do público brasileiro. Metaforicamente falando, claro.

Pois assim me parece.

Vai ser brilhante. Esperem. Vão ver.

Anúncios