Pautando o Blog

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pau.ta
Mús
As cinco linhas paralelas onde se escrevem as notas e sinais; pentagrama

Esse projeto de blogar lusófonamente falta um projeto.

Uma pauta.

É para definir um assunto e uma tarefa para ser cumprida cotidianamente, e tambem um formato — de preferência, uma coluna de curtas, como aquela de Cláudio Humberto Humberto (o jornalista-marqueteiro indignado com a sugestão que recebiria jabá da Lolita do Mensalão Mineiro).

Algo simples e crocante, como o projeto da coluna Toda Mídia na Folha de S. Paulo, que eu sempre acho informativo e útil.

Tentar ser émulo do Macaco Simão seria ambicioso demais. Ele consegue traduzir o tucanês. Eu não. Eu mal consigo pedir pizza.

A figura do flaneur projetada pelo sempre divertido Xico Sá — que saudades do no mínimo! — serviria, se  não fosse tamanho meu medo de sair de casa e passear pelas ruas Sambôdianas.

Entre uma polícia mal-paga e truculenta (de fato, segundo a vigia da nossa rua) e a fantasma do MST-PCC-FARC-PT-Anticristo e outros barbáros às portas, como a Veja sempre espalha — deveriam mudar o nome da revista para Tenha Medo! ou Toma um Rivotril! — melhor seria mudar para um Novo Alphaville na Lua para contemplar meu próprio umbigo.

Deixa ver. Não tenho cacife, não, para comentar a economia como faz o Nassif.

Eu me formei em poesia e bebericagem, décadas atrás, e sempre cochilava na aula de economia.

Eu tenho uma certa noção do que trata-se um Credit Default Swap — nos termos do famoso modelo de “você tem duas vacas …” — mais não tenho maior insight para oferecer.

A política brasileira não entendo e jamais entenderei. Parece o filhote mutante de nossa política gringa  cruzada com a política pós-PRI no México. Uma cria sinistra. O bebê de Rosemary.

Eu sinto a maior simpatia, na verdade, com os jornalistas do País — me casei com uma — e acompanho esses debates de perto, no Observatório da Imprensa, IMPRENSA, Comunique-se e coisa e tal.

O Nassif uma vez me fez a honra de me chamar de craque em mídia, mais na verdade sou viciado em mídia, como se ela fosse o craque da Cracolândia.

Padeço da écstase de comunicação. Vivo num constante crise de sobredósis. Tenho a TV Bloomberg Lusófona ligada sempre enquanto mantenho um daqueles aparelhos com duas telas.  Faz parte do trabalho que eu faço agora. Faço monitoramento de mídia.

Mais eu gostaria de fazer outra coisa. Sabe que eu gostaria fazer? Descubrir um jovem romancista que não seria na linha nem de Paulo Coelho nem de Jorge Amado, e fazer a tradução desse autor(a), ajudar a divulgá-lo (ou -la) ao mundo.

Fiz uma traduções da Obscena Sra. Hilda Hilst uns anos atrás, e cheguei a pedir licença para publicar, mas não deu certo.

Infelizmente, como disse alguma das autoridades do prêmio Nobel recentamente, nós norteamericanos não ganham muitos prêmios de letras porque nós simplesmente não traduzimos muito. Não conhecemos o mundo.

Entrando na tradução como profissão foi uma péssima escolha.

Ninguem lá liga o que você tem a dizer se não for dito no inglês com leve sotaque de surfista.

Eu sei.

Que tal fazer o projeto do Sousaphone ao revés?

Em vez de traduzir a imprensa Tupi para inglês ver, vou vertir as escrituras da civilização occidental pra lingua dos antipódicos, que nem o Padre Anchieta.

Eu vou tentar enriquecer o conhecimento do lusófono do Novo Mundo com casos e pensamentos anglófonos, e melhorar a minha lusofonia na tentativa.

Existe vida inteligente de lado encima do Equador, apesar de indícios ao contrario e apesar da risível cobertura sobre a vida nos EUA que você recebe, por exemplo, das Organizações Globo — para quem nosso enorme País se resume na Quinta Avenida ou um shopping de luxo em Miami.

Dá vontade de deixar aqueles repórters deles, sempre filmados na entrada do Central Park, no meio da vastidão de Utah com um litro de agua e sem celular. Cuidado com os cascavéis.

Tudo bem. Tá resolvido.

No espirito da revista Harpers — o Brasil tem um clone da revista The New Yorker, com Piauí (eu não consigo aguentar) mais da Harpers ainda não — vou trazer leituras interessantes e inéditas ao leitor Tupi por meio do escândalo da tradução.

Começo amanhã. Sempre amanhã.