Deu na Veja: Larry Rohter, o herói da liberdade de ser inútil

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Deu no Observatório da Imprensa hoje, sobre a resenha do livro de Larry Rohter, que está para chegar nas livrarias, divulgada na última Veja .

Escreve José Paulo Lanyi:

Não quero dizer que o trabalho de Larry Rohter deva ser rejeitado em bloco. Busco apenas, em consonância com os exemplos que apresentei, sugerir cautela diante de afirmações como estas do artigo da Veja:

** “Goste-se ou não, um repórter inquieto e um estrangeiro que conhece o Brasil melhor do que muitos brasileiros”;

ou:

** “Larry Rohter é um repórter inquieto, um representante da melhor tradição americana da liberdade de imprensa. É bom que o galo cante sem precisar da autorização do mandante da ocasião.”

O primeiro enunciado falha em sua tentativa de atribuir credibilidade ao jornalista. Ser um repórter inquieto e conhecer o Brasil melhor do que muitos brasileiros são asserções que, ainda que possam ser verdadeiras, não apóiam uma conclusão como: “Por isso, Rohter merece o nosso crédito”, ou “Logo, Rohter é um jornalista cuidadoso que busca ser fiel aos fatos”.

Eu não tenho o receio do autor de dizer que Larry Rohter não é um jornalista cuidadoso que busca ser fiel aos fatos.

Minha resposta (no meu péssimo português, como de costume):

Sendo assinante da Biblioteca Pública de Brooklyn, em Nova York, eu tenho acesso as obras completas do jornalista desde a década das 90. Eu ando fazendo uma amostra científica dessa oeuvre para julgar se a tese levantada aqui seria procedente.

Acho que procede, sim. Rohter sempre foi um péssimo jornalista, o trabalho dele um insulto á inteligência do leitor do Times (como sou eu, faz décadas). Para mim, os supostos méritos do jornalista não explicam como ele conseguiu ficar no emprego por tanto tempo.

Tudo bem, em nosso pais qualquer idiota pode dizer qualquer coisa. [Toque aí o hino nacional!] Tenho orgulho disso, sinceramente. Assim deveria ser. Como disse um sábio legista uma vez, o livre mercado nas idéias jamais deveria ser indevidamente impedido de funcionar.

Mais isso não quer dizer que somos obrigados a pagar um bom dinheiro ou gastar nosso precioso tempo para saber o que qualquer idiota tem a dizer.

Deixa o cara escrever um blogue. Ele tem aquele direito. Eu escrevo. Eu inclusive ensaio opiniões nele sobre assuntos do qual eu não sei quase nada — como, por exemplo, a política brasileira. Se eu for honesto comigo mesmo, eu teria que admitir: eu não entendo absolutamente nada dela. A sabedoria começa com a humildade.

Eu não recomendo a leitura do meu blogue para ninguém, portanto, nem cobro um tostão.

O bom jornalista profissional agrega valor, porém. Apura, investiga, aponta sutilezas, ironias, complexidades. Labuta para descobrir o que nós não pudessemos descobrirmos sózinhos.

É por isso que pagamos para ler.

Para o livro de Larry Rohter (nem para a revista Veja) eu não pago.

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