O Bienal do Vazio e Outras Nonadas Sambojanas

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Vai vai vai (não vou)

Como a minha querida Bicha-Preguiça está de ressaca danada hoje, cancelou-se nosso domingo no parque, com visita programada ao chamado Bienal do Vazio.

Tambem conhecido como o Bienal da Cidade Limpa — patricínio Frangobrás, Nossa Caixa, a Fundação FHC, Bill Gates (como bilionário físico) e as Organizações Tabajara.

Não ir ver o naõ-Bienal: Seria a mesma coisa que ir e ver? Ganhamos perdendo?

Eu tenho uma sugestão. Para montar um Bienal do Vazio pra valer, e conseguir uma fazanha pós-moderna inesquecível, faz o seguinte: Não convida artista alguma, não monte exibição alguma, não abra as portas para receber público nenhum.

Desse jeito, você corre risco zero de ver o vão preenchido por pixadores (vich!) do movimento sem-tela.

(Percebeu o trocadilho lá?)

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Segundo a assessoria do Bienal, o não-invasão, que deu na SPTV, encima, jamais aconteceu.

Nenhum comunicado sobre a invasão dos sem-tela, quase todos os quais arrombaram o vidro e conseguiram fugir. So um comunicado antes avisando que haveria uma forte esquema de segurança para impedir qualquer manifestação nesse sentido.

Forte mesmo. Manda o número daquela empresa, temos esquadrão de morte em nosso bairro agora.

Mais para evitar o constrangimento de ser um badalado centro mundial de arte contemporánea que não consegue exibir obras contemporáneas de arte, é só divulgar no Jornal Nacional e Fantástico que tudo isso foi, de fato, feito, e rolou.

Que o público compareceu, que havia obras para ser contempladas e comentadas, cartões postais e cachorros-quentes foram vendidos e que tudo foi da maior beleza.

Chame isso de uma exploração das fronteiras entre fato e ficção — já o coração do jornalismo Global.

Assim como, se bem que a Virada Cultura acabou em porrada na Praça da Sé no ano passado — em vez da Policia Civil, a Tropa de Choque abriu fogo nos fãs dos Racionais — isso não foi a verdadeira Virada Cultural, que foi toda uma beleza. Foi a Não-Virada Cultural. Nada virou nada senão a mesma coisa de sempre que já era.

E agora? O que fazer, estando manco ainda, e uma vez que faz um calor insuportável hoje?

Ficar lesmando no sofá com o ar-condicionado fixado em “polo do norte.”

Eu cavalgo Esputniquim — nossa Celta 50,000km — até a banca e o supermercado Mambo e volto com todas as revistas e jornais e remédios antiressacas.

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Eu não entendo por quê o Estado de S. Paulo precisava inventar uma nova palavra — megametrópole, que não consta no dicionário — quando já existe registrada a boa e velha megalópole.

O abuso de neologismo dá a falsa impressão do que trata-se de fato inédito quando na verdade nihil sub sole novum est.

Moniz Bandeira, Formula para o Caos, sobre a CIA e o golpe chileno de 1973. Primeira coisa: espalha ódio, disparates, e pânico moral pela imprensa, e sobretudo pela mídia eletrônica.

Utilizo alguns dos anuários da Editora Análise — a empresa do ex-ministro de FHC que lançava a saudosa Primeira Leitura, donde saiu (falando de ódio, disparates e pânico moral) o autor de País dos Petralhas — no meu trabalho.

Tive que comprar outra cópia porque nossa empregada ficou simplesmente doida para reciclar jornais e revistas.

Ela quer ver valer a Lei Cidade Limpa na minha mesa de trabalho, tambem.

Não entende meu jeito de esquilo, de guardar informações como nozes, para poder perceber, antecipar e sobreviver tendências invernais de longo prazo.

Supostamente bilingüe, essa, mais a tradução deixa muito, e muito, a desejar.

O indicador P/L (preço/lucro) por exemplo, e dado como P/P (price/profits).

Errado.

O correto seria price/earnings (P/E). Ninguem fala da P/P de uma empresa. Ninguem.

Obviamente contrataram tradutor(a) sem a mínima noção de terminologia financeira.

E eu, hein? Paguei R$40 para tal. Sou otário. Mais tudo bem, o cliente paga essa despesa.

Gosto do suplemento Eu, Hein? Fim de Semana, do Valor Econômico. Leio sempre.

“Choque de gestão em grupos de mídia …”

Já sobrevivi várias.

O melhor comentário sobre assunto que li últimamente foi de um compatriota que escreveu — foi na American Journalism Review, não foi? — “Então, você quer ser jornalista? Rárárá! Péssima escolha!”

Aqui termina a leitura.

A palavra do Preguiça.

Preguiça, tende piedade de nós.