Editora Abril: Salve o Jabaculê!

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Paródia da Veja, edição de setembro de 1929: "O projeto Nazista para montar o dirigível mais seguro de todos os tempos."

Quanto vale a opinião deles: Curioso, o entusiasmo pelo jabaculê demostrado nesse artigo que apareceu na última ediçao da revista Enxame.

O paulista Tiago Dória já se acostumou a passar pela portaria do prédio onde mora, no bairro do Sumaré, na zona oeste de São Paulo, e sair abarrotado de pacotes. Recentemente recebeu, por exemplo, uma barraca enviada pela Fiat. Neste ano, sua caixa de mensagens eletrônicas também passou a ficar atulhada com convites para eventos como festas, happy hours e seminários, vindos de empresas como a fabricante de celulares Nokia e a distribuidora de energia CPFL.

Ah, é? Então, em troco de falar bem do turmê recente da banda REM, o dito blogueiro recebeu ingressos?

A Editora Abril parece sonhar com um novo jornalismo no qual jabaculê seria visto como uma virtude em vez de um vício.

É só olhar o chamado Código de Conduta que a empresa estreou com tanto alarde ainda nesse ano.

Em qualquer outra organização jornalistica mundo afora, qual seria o valor máximo dos brindes que podem ser aceitos por jornalistas?

Resposta: R$0.

O¢.

€0.

¥0.

E assim adiante.

O jornalista não pode aceitar nenhum brinde com valor comercial de ninguém.

Na Editora Abril, entretanto, segundo tal código: R$100.

Eu estou tentando imaginar com teria sido a situação de jabá lá no Abril antes dessa nova dedicação aos mais altos e exigentes padrões de ética possíveis.

Já surgiu faz tempo entre os blogueiros mundo afora esse debate: Se essa supostamente nova forma de jornalismo deveria seguir os mesmos princípios éticos que o velho jornalismo seguia quanto a preservaçao da percebida integridade do jornalista.

Confira a proposta do Cyberjournalist.net, por exemplo.

Entre os princípios sugeridos:

Disclose conflicts of interest, affiliations, activities and personal agendas.

Divulgue conflitos de interesses, afiliações, militâncias e preferências e interesses pessoais.

Deny favored treatment to advertisers and special interests and resist their pressure to influence content. When exceptions are made, disclose them fully to readers.

Não favoreça anunciantes e interesses particulares, e resista pressões no sentido de influênciar o conteúdo. Feitas exceções, divulgue o fato aos leitores.

“Estou falando essas besteiras porque senão, Ali Kamel me ameaçou com demissão.”

Be wary of sources offering information for favors. When accepting such information, disclose the favors.

Tenha cautela com fontes oferecendo informações em troco de favores. Aceitadas tais informações, divulgue os favores recebidos.

Expose unethical practices of other bloggers

Denuncie as práticas anti-éticas de outros blogueiros.

Eu divulgo: Eu não recibo nada de ninguém para falar mal da Editora Abril, nem para falar bem das coisas das quais eu falo bem.

Linux, digamos, ou Valor Econômico ou Rita Lee ou cachaça Na Tulha ou Luis Nassif ou o cupim encaquerado com arúcula lá no Sachinha, o botecão do bairro.

Juro. Esse blogue inútil não acrescenta nem um tostão à renda do nosso humilde lar.

Eu, pessoalmente e sinceramente, acho o jornalismo da Editora Abril construido encima de uma inversão de valores e uma malandragem sem fim. Assim, salve o jabaculê:

O mesmo aconteceu com Caio Novaes, um estudante de publicidade de 24 anos que escreve sobre temas variados, como decoração e videogames, e na última semana de outubro recebeu de presente da Kellogg uma caixa especial com 3 quilos de Sucrilhos, suficiente para alimentá-lo nos cafés da manhã por quase cinco meses. E com Ricardo Cobra, de 33 anos, autor do blog Homem na Cozinha e presenteado pela Brastemp com um microondas feito exclusivamente para ele. Dória, Novaes e Cobra simbolizam a transformação provocada pela internet no relacionamento entre empresas e consumidores.

E tambem a transformação provocada pela Internet no relacionamento entre empresas e o jornalismo, que passar a valorizar os interesses dos anunicantes sobre os interesses do consumidor-leitor, escondendo o fato por meio de um mar de papo-furado.

Eu faço questão de recusar a pagar um bom dinheiro — A Exame, que eu tenho que ler para meu trabalho (e que costuma oferecer alguns momentos de jornalismo empresarial e econômico que vale a pena ler, justiça seja feita), subiu para R$12! — para ser manipulado desse jeito.

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