A Balada de Diogo Mainardi, Pistoleiro

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Sendo mortos assim, então, Mainardi, ¿porque no te callas?

Eduardo Neco disse no Porta IMPRENSA que Diogo Mainardi teria dito no podcast dele que algum colunista do BBC teria dito que a arte do blog e do podcast já morreu — uma noção antecipada pelo Jarod Lanier no seu ensaio O Maoismo Digital:

Em seu podcast semanal no site da Veja Online, o jornalista Diogo Mainardi declarou a morte de blogs e podcasts. “Os blogs morreram. Os podcasts morreram. É melhor fechar a braguilha e fugir envergonhado desse ambiente escatológico, degradante”, diz parte do podcast “Os blogs e podcasts morreram”. O raciocínio de Mainardi foi inspirado por texto publicado pelo colunista Ivan Lessa, na BBC. “Acabou aquela história de escrever palavrão nas paredes dos mictórios públicos. Blogueia-se, ao invés”, escreveu Lessa.

(Interessante, o assunto da capa da Veja dessa semana sendo “A ética da nudez,” que Mainardi pensaria na sua braguilha. Só Freud explica, como se diz.)

Agora: Sendo assim, ô Diogo Mainardi, ¿porque no te callas?

O famigerado (e condenando na primeira instância, porém tenha facilidades em instâncias superiores) difamador da Veja reclama da chamada blogosfera, que só falo mal e grosso (sífu!) dos cavalheiros da imprensa profissional, respeitáveis e responsáveis, como o mesmo e muito moralista Mainardi.

A respeito da possibilidade do livre discurso dos blogs gerar ofensas desmedidas e desnecessárias, o jornalista usa o exemplo do colunista Vinicius Torres Freire, da Folha Online que foi, segundo Mainardi, “coberto de insultos pelos blogueiros lulistas”. Ainda, ironiza e diz que, até pouco tempo, este tipo de insulto era dirigido apenas a ele e a Reinaldo Azevedo.

(Se não me engano, foi o Mainardi que chamou um jornalista que eu respeito muito, o Luis Nassif, de “mascate,” referindo-se aos antecendentes árabes do mesmo, aparentemente.)

Sala de Espelhos

Ora, quanto à blogosfera, a Veja visívelmente faz a maior força para dominá-la.

Os resultados dos motores de pesquisa dos blogs são repletas de referências ao Mainardi e seu cumpádi Azevedo, por exemplo. A chamada blogosfera é o verdadeiro meio deles.

Quando convenha, eles não são da grande imprensa.

São da (faux) mídia alternativa. Existe quase uma industria de cortar e colar a sabedoria desses dois em pleiádes de outras tantas páginas de “opinião original.”

Tanto que os resultados de pesquisas sobre assuntos do dia são todos dominados pelo “olha só que Fulano apontou que Sicrano repercutiu que o Mainardi disse sobre o que o Mainardi próprio disse sobre o que Azevedo disse de Mainardi.”

Se cria assim o efeito “câmara de eco.” É uma forma de spam.

Eu, no entanto, bárbaro que sou, pretendo continuar blogando, até faltando de assunto original. Assim, eu dou o palpite: Eduardo disse que Diogo disse o que Ivan — que aliás, estava escrevendo sobre o fato dele pretender lançar um blog — disse:

Creio haver, neste mundo de blogs, espaço para mais um. Criativo e construtivo. Mais detalhes quando a ocasião estiver mais próxima.

Por falta de assunto próprio — a não ser o comportamento esquisito do meu gato e a maldição de nosso querido Timão — eu simplesmente vou repetir a repetição da repetição de uma repetição de uma repetição até o sentido se perder na repetição e virar o nhemnhemnhem vazio de Mainardismo.

É assim que se ganha a vida na imprensa pós-moderna. (Conhecendo as teclagens Ctl-C e Ctl-V, se faz jornalismo. Apuração dos fatos e sinceridade foram coisas daquela época “romántica” do jornalismo do passado. ) Tem gente que recebem por isso. Juro. A começar com Eduardo Neco do Portal IMPRENSA. Sem esquecer-se do Mainardi mesmo.

Sussurros Chineses

A reciclagem de idéias alheias aqui, sem valor agregado, lembra aquele jogo que nós (gringos) chamamos de “sussurros chineses” ou “telefone.”

Sintam-se num círculo.

Eu começo, sussurrando o frase “uma roleta para se jogar” no ouvido do próximo.

O próximo sussurra o frase no ouvido do próximo, e assim procedemos.

O último jogador na ciranda repete em voz alta o frase que resulta: “um canivete para se roubar.”

Acabamos de demostrar como o barulho — a entropia — invade qualquer canal de comunicação.

Imprensa Cantada

Falando na reciclagem, criativa ou não, de conteúdo alheio, acontece que eu estava folheando o site Domínio Público e achei um cordel que me lembrava muito do Diogo Mainardi, chamado pelos desafetos dele como “pistoleiro jornalístico” e “assassino do bom nome de outros.”

É assim que Nassif costuma tachá-lo, por exemplo, e a noção de jornalista “pistoleiro” ganhou maior atualidade quando o presidente do STF utilizou a frase para referir-se ao jornalismo de Leandro Fortes da revista Carta Capital.

Lembra-se? Quando o Leandro publicou uma devassa nas contas da empresa do ministro e questionou a lisura de alguns dos negócios do então AGU? A defesa de Mendes foi muito parecido com a defesa de Dantas: “Eu sou uma vítima de perseguição, patrulhamento ideológica, e calúnia.”

Mutatis mutandis – realmente é so trocar o nome “Mainha” paraMainardinho — eu achei os versos seguintes relevantes ao nosse assunto — a pistolagem metafórica no faroeste virtual (ou no livre mercado de idéias, se prefira).

Se trata DA CARTA DO PISTOLEIRO MAINHA À SOCIEDADE, de Guaipuan Vieira ….

Note-se bem: A imprensa cantada do sertão dá aqui um direito só concedido pela Veja após litígios sem fim, tipo Jarndyce v. Jarndyce, no romance de Dickens.

O direito à resposta.

Eu escrevi um folheto
De grande repercussão
A respeito de Mainardinho
E sobre a sua prisão
Cujo folheto atingiu
A sua quinta edição.

Por causa disso Mainardinho

Me mandou uma mensagem
E nela naturalmente
Salvaguarda sua imagem

Dizendo que não é rico
A custa de pistolagem.

Eu recebi a mensagem
Enviada por Mainardinho
E garanto aos meus leitores
Que não é invenção minha

Porque eu sou um poeta
Que nunca fugiu da linha.
O recado que transcrevo
Só mudei mesmo o estilo
Pois eu transformei em versos
Sem guardar nenhum sigilo
Transcrevo o que me foi dito
Portanto eu fico tranquilo.

Ao tomar conhecimento

Do que andei escrevendo
O detento com razão
Escreveu se defendendo
Me enviando a mensagem
Que assim começo dizendo:

–“As duas grandes famílias
Com muito orgulho pertenço
Aos Mainardis pelo meu pai
Que sempre teve bom senso
Da mamãe herdei Diego
Que tem um padrão imenso.
Muitos pensam que eu sou
Um terrível pistoleiro
Um sujeito endiabrado
Perverso e arruaceiro
Pensam que eu sou também
Um filho de cangaceiro.
A mente do nosso povo
Muitas vezes é enganada
Com especialidade
Quando é mal informada
E a vítima com as notícias
É a mais prejudicada.

Eu nunca fui pistoleiro
A todos posso provar
Se matei foi por vingança
Assunto particular
Pistoleiro que eu saiba
É pago para matar.

Se eu fosse perigoso
Não teria sido preso

Pois cabra desta maneira
Tem o olhar bem aceso
Tem ouvidos de tiú
Ninguém o pega indefeso.

Infelizmente, não se pode dizer de Mainardi que ele não recebe para assassinar. Recebe. Quanto a sentença dele — o que, aliás, eu acho uma barbaridade, enquadrando-o na Lei da Imprensa em vez da lei da difamação civil — digamos, o filho do cangaceiro aguarda os recursos na mais perfeita liberdade.

Em fim: Com a morte do blog e o podcast, eu declaro a morte profissional de Diogo Mainardi. Seria minha morte tambem se não for o caso, felizmente, que eu não sustento minha família sofrida — Mainardi vive invocando sua imagen como simpático pai de família — com essa lengalenga que eu publico aqui. Faço pelo mais puro tédio. Para ganhar meu pão tenho outros meios. Meios modestos, mais honestos e útis.