Sebolândia: Últimas Leituras

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Acabo de ler O Grampo de BNDES: Quando o complemento da ABIN é a mídia oficiosa, de Bruno Lima Rocha.

Pedi-o pela Internet de um sebo lá na Porto Alegre.

Chegou rapidinho por Sedex.

Eu simplesmente  queria que alguém me contasse aquela história cabeluda toda, e contava direitinho. O livro não cumpriu o prometido, mais provocava bastante.

Segundo a revista Época, em reportagems feitos entre 1999 e 2001, tratava-se de espionagem oficial do governo contra o governo, ou de agentes corruptos do Estado trabalhando no serviço de atores do setor privado.

O título do livro sugere que desmentirá essa versão.

Infelizmente, não consegui entender quase nada sobre o que o autor achou realmente aconteceu. Como o livro vem em formato de tese de mestrado, tem todo aquele aparato de metodologia e leituras preciosas de teóricos franceses, tambem. Chato. Aos fatos!

Quanto à leitura da cobertura feita do episódio, o que eu pude entender foi que a Época não apurou a possibilidade nada supreendente do que agentes do SNI estariam utilizando o aparelho do Estado para fazer bicos e outras micagens desse tipo — chegando até a anunciar seus serviços nos classificados dos principais jornais da época.

O grampo sobre autoridades e demais membros das elites operando no Brasil, são, em nossa opinião, tanto uma política do aparelho de Estado de vigilância, como uma arma do capitalismo concorrencial, seguidas vezes utilizadas por grupos de interessse.

Isso foi escrito em 2003, um ano antes de lermos (29 abril de 2004, Folha de São Paulo):

O STF (Supremo Tribunal Federal) arquivou ontem, por 9 votos contra 2, a denúncia criminal contra o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) no caso dos grampos telefônicos da Secretaria de Segurança Pública da Bahia. A denúncia — que geraria uma ação penal — foi oferecida pelo procurador-geral da República, Claudio Fonteles, em setembro de 2003, com base em inquérito da Polícia Federal. Ele acusou ACM de formação de quadrilha e escuta telefônica ilegal.

Porque não conseguiram enquadrar o ACM?

Foi mais um “lixo” de uma investigação pela policia federal, como um tal de Mário de César de Carvalho escreveu na Folha nessse sábado?

(Eu tenho uma razoavelmente boa impressão da polícia federal do Brasil. Prendem seu próprios agentes quando corruptos. Apreendem bastante pó. Fazem trabalhos de investigação tecnicamente avançados. Aos custos, conseguem desmascarar o lado mafioso do País. É feio, mais alguém tem que mostrá-lo. Senão, quem vai querer investir aqui?)

Ou mais um caso de “faclidades lá encima”?

Por alguma razão, não se convocou em 2004 uma CPI dos Grampos Clandestinos e Abusos dos Grampos Autorizados — apesar do falecido Senador ter supostatmente acrescentado os nomes de desafetos à lista de grampos autorizados por uma juiza (não foi?)  num processo na Justiça que nada tinha a ver com essas pessoas.

Só para dar uma bisbilhotada em vida alheia.

O que eu consegui entender da minha leitura do livro foi mais o menos o seguinte: No Brasil, tem o Estado e tem o Governo. Caso o aparelho permanente do Estado não concordar com o Governo de plantão, o Estado permanente manda o Governo de plantão a sifu.

Valeu para FHC, e tem valido pelo Lula.

E vale especialmente para o aparelho da chamada “segurança nacional.”

Agora, uma figura tipo Paulo Lacerda chega querendo estabelecer uma corregedoria na ABIN para apurar desvios de conduto, repetindo uma experiência bem-sucedida na PF … e portanto, Paulo Lacerda sifu.

Até agora, é a única versão desse acontecimentos que fez sentido para mim.

Aguardo o próximo capítulo.

Depois, passei a ler Lacerda x Wainer: O Corvo e o Bessarabiano, de Ana Maria de Abreu Laurenza.

Aí, eu comecei a aprender alguma coisa.

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O assunto de “jornalismo de aluguel” está muito corrente no momento, saindo principalmente da boca de Reinaldo “Caixa Para Nossa Primeira Leitura” Azevedo e o presidente do STF.

O ministro, antes e depois do famigerado Roda Viva com Azevedo e Márcio Chaer, tachava mais uma vez a revista “pistoleira” CartaCapital e outros críticos da seguinte maneira:

nós temos aí acho que gente metida em guerra comercial, incomodada com decisões do Tribunal, e estão querendo criar esse tipo de movimento. Alguns deles impressionam. Mas nós todos que somos profissionais, que estamos na vida pública, sabemos que eles não têm qualquer qualificação.

Portanto, não existe quem não tomou parte já nessa “guerra commercial.”

Eu, por exemplo!

Mais te juro, não ganho com a queda do oportunista nem com a subida dos desafetos dele!

Eu jamais dava uma figa para quem mandava no Brasil Telecom, nem vestia a camisa do F.C. Previ. Sou leitor común. Só gostaria saber o que fez esse senhor Daniel Dantas, se de fato fizesse alguma coisa de errada.

O Tio-Rei foi mais explícito:

… com fala bastante enérgica, [o ministro] repudiou a campanha de difamação que setores do subjornalismo de aluguel promovem contra ele.

Veja: na contracorrente do “subjornalismo de aluguel”

Veja: bastião da integridade profissional.

Eu, hein?

Reclamou o ombudsman da TV Cultura:

… a maior parte do tempo Azevedo usou para fazer da bancada do Roda Viva uma tribuna na qual dispensou Gilmar Mendes da obrigação de apresentar o áudio do grampo e para um constrangedor contorcionismo pelo qual transformou a ministra Dilma Rousseff e o ministro Paulo Vanhucci em pessoas que poderiam ser enquadradas atualmente como terroristas pelo fato de terem pertencido, durante a ditadura, ao grupo de esquerda liderado por Carlos Marighela.

Alguém que não sabe a diferença entre fazer um a pergunta e fazer uma longa disquisição não impressiona muito com o profissionalismo.

Em fim: Lembra muito a CPI da Última Hora da décadas das 50, não lembra?

A chapa branca da oposição chamando a chapa branca da situação de chapa branca?

O impressionante é que agora o ministro e o “chapeleiro” repitem denuncias — que a CartaCapital seria uma revista “chapa branca” da situação (a pesar de apresentar duras críticas ao governo e aos partidos da base às vezes) por exemplo — pelo qual Diogo Mainardi já foi condenado, em açaõ civil.

O D. Diego disse que, porque a revista continha anuncios do governo federal, seria um tipo de Última Hora de hoje — chapa branca da situação.

Na ação civil, que me lembro, Mino Carta alegou que a Veja às vezes recebia mais páginas de propaganda federal do que a sua revista.

Só isso, por enquanto. Continuo lendo.

Esto buscando uma frase da autora aquí que eu achei esclarecedora.

Aquí está, sobre “a clima de desinformação daquela época” (1951-1953):

Ao assumir o papel de instrumento político contra ou a favor do governo eleito, a Tribuna e a Última Hora optaram por informar a complexa realidade brasileira daquele momento sob o véu do proconceito e do interesse de  cada grupo envolvido na quebra-de-braço que dirigia a alteração do papel do Estado e suas consequências no futuro da vida política e econômica do país. Reforçando a clima de desinformação dessa época, o sociólogo Luciano Martins evidenciava a divisão entre a área de formulação e implementação de políticas estratégicas e a área política do período Vargas. “Numa o trabalho caminha, decisões são tomadas, objetivos são postos em prática. Noutra … há constante incerteza.”

Como leitor de fora, eu tenho a forte impressão do que o Brasil continua vivendo uma
clima de desinformação quanto a sua grande imprensa.

E que não seja o poderio econômico do governo, com suas verbas publicitárias, que representa a artilharia pesada.

Tudo isso constitui um enorme desserviço ao leitor comun.

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