O Inferno de Dantas, Pra Inglês Ver

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Daniel Valente Dantas. Foto: Revista Veja, Maio de 2006, quando “informou” que Dantas teria uma list que mostraria contas ilegais na estrangeira de altas autoridades. Veja sabia que “muito provávelmente não mostra” foi mais preciso do que “mostraria.” Ecce Veja

O Portal IMPRENSA mostra uma certa preguiça que prejudica a matéria Relatório de Protógenes cita 25 jornalistas e fala em conspiração da imprensa (dia 6 de abril).

Sugere, por exemplo, que no seu relatório sobre a imprensa, o paranóico delegado Protógones “indica” o jornalista inglês Jonathan Wheatley como parte da “suposta conspiração arquietetada por Daniel Dantas:

No julgamento do delegado, a suposta conspiração arquitetada por Daniel Dantas possui ramificações internacionais, por este motivo, indica Luigi Ferrarela do jornal italiano Corriere Della Sera, Jonathan Wheatley, do norte-americano Financial Times e, por fim, Giacomo Amadori, da Revista Panorama (Itália).

O Financial Times é de Londres, que fica no Reino Unido,que é uma ilha beirando a Europa. Não sei dos italianos, mas não consigo pensar num jornal menos norteamericano em estilo e atitude que o FT. São ingleses dos mais inglês.

Quáquáquá.

Mais: a reportagem da IMPRENSA obviamente não leu em detalhe o relatório do delegado doido (ou nem tanto), que tem o seguinte a dizer ao respeito do instruído profissional inglês:

A matéria do correspondente britânico aborda o assunto com neutralidade, atendo-se aos fatos e omitindo os detalhes a respeito da briga judicial entre o Citibank e o Opportunity, bem como as denúncias que pesam sobre Daniel Dantas. Isso pode ser explicado porque Wheatley escreve para o leitor inglês, o qual se interessa mais pelo aspecto geral da situação que pelos detalhes.

Na verdade, no análise de Protógenes, o Wheatley serve quase como contraponto ao atitude, por exemplo, de Marcelo Tognozzi do Correio Braziliense, que escrevia mais para o grupo de Dantas que para os leitores do jornal, atuando mais como assessor de imprensa como de jornalista.

Jornalista empresarial escreve para leitores muito mas muito ocupados. Só querem saber do «bottom line». O grande desafio para correspondente estrangeiro no Brasil e não distrair-se pelo barulho constante de escandalizações e boatos. É assim que Wheatley costuma escrever. É lacônico, como todo inglês com boa formação de Rugby e Oxbridge.

Aqui no Brasil, entretanto, vocês tem uma formação única e um único sindicato (FENAJ) para jornalistas e assessores de imprensa e relações públicas.

Eu posso trabalhar minha vida inteira como assessor e ainda me assinar de jornalista, a pesar de jamais ter feito uma reportagem segundo os padrões daquela profissão.

Assim, a confusão e mixôrdia descrita aqui pelo bom, se não muito discreto, delegado fica institutionalizada.

Por isso, vemos tantos casos como o ConJur, onde o jornalista-chefe mistura jornalismo com o negócio de assessoria. Isso porque o Chaer, o jornalista-chefe, tambem funciona como publicitário-chefe, naquele jogo duplo que conhecemos tão bem como o saudoso “sambão dos conflito de interesses doido.”

Segundo nosso dito gringo, não se pode usar dois chapeus à mesma vez.

Aqui no Brasil — pode ser por causa da chuva — o jornalista que usa um chapéu só acaba empapado.

Divulgo que eu trabalho como correspondente para um subsidiário da empresa que edita o FT. Tenho inclusive cartão de visita!

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