Comunidades: Entre a Utopia e a Distopia

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Macunaimáquina, Feliz

Eu pretendi escrever um artigo no site de Under-Linux, por indicação do grupo Lingua portuguesa no mundo, do qual sou integrante no Facebook.

Estou meio ocioso hoje.

E pensei que seria bom praticar a minha prosa sobre assuntos técnicos. Assim se constroi um melhor vocabulário. Como é que Camões teria se referido ao “CPU”?

Mas cada vez que eu tentei postar, o site me informou:

Sua submissão não pôde ser processada porquê você se logou desde que a página anterior foi carregada.

Perfeito exemplo do famigerado Catch 22: Loguei para postar. O sistema parece ter me jogado fora enquanto escrevia. Faço novo “log-in” e caio num “loopback” (círculoso vicioso) infinito. Credo!

Portanto, reproduzo o texto aqui.

Deu no Blog do Nassif aquí no Brasil: A experiência real do pessoal que cuidam de um projeto federal que desenvolve software livre por orgãos públicos.

Segundo eles, ficou aquém da utopia, mas continuam  otimistas e trabalhando.

Não é por ocaso que grandes propinas estariam pagas por empresas de informática a governantes corruptos, como alegado no chamado escândalo do Panetonegate no Distrito Federal.

Somas vultuosas são envolvidas no licenciamento de tecnologia proprietária. O software proprietário muitas vezes já vem sobrefaturado. Quem dará conta de um aumento de 10% que vai voltar ao governante na forma de dinheiro vivo nas méias?

Mais o coletivismo badalado do movimento de Software Livre — tem pessoal que até chama o movimento de comunista! — não vem fácil, não.

Até uma comunidade enorme como a dos usuários de Ubuntu (meu distro de coração) às vezes não produz o apoio que você realmente gostaria ter. O multidão, todo junto, pode ser meio confuso, apesar de que fica dito sobre crowdsourcing e tudo aquilo.

O Ubuntu Linux nunca teria decolado sem o investimento do billionário Mark Shuttlesworth e o equipe profissional que desenvolveu o sistema operacional até o ponto no qual leigos podiam installar e rodá-lo sem mutio conhecimento técnico, e portanto podiam começar a aprender e colaborar.

Eu darei um exemplo disso depois, mais primeiro, Erikson Costa da programa Software Público conta ao Nassif:

São mais de 25 soluções livres, desenvolvidas no país por órgãos públicos, centros de pesquisa e iniciativa privada.

Realmente falta massa. É um tanto difícil criar uma comunidade, um ecossistema de colaboração, já observado em projetos como Drupal e WordPress.

No desenvolvimento do i-Educar, no qual participo, basicamente essa tarefa tem sido feita por 2 pessoas, num universo de 5.500 pessoas cadastradas na comunidade do projeto.

A missão é difícil. Muitos prestadores de serviços nesses softwares são despreparados e não possuem ainda a consciência de que é necessário contribuir aos projetos, nem que sejam pequenas contribuições.

Mas o objetivo é fazer com que todos ganhem: o país com redução de custos em TI, geração de emprego com o surgimento de prestadores de serviço e disseminação de conhecimento.

Agora, segundo o Software Público:

… a comunidade i-Educar [é] formada por mais de 2.800 programadores, administradores de sistemas e usuários espalhados por todo o Brasil.

Sim, mais se precisa de profissionais para coordenar e monitorar a atividade de todos esses entusiastas.

Eu tenho que relatoar, por exemplo, que, uma vez cadastrado no site de Software Público, e após entrar na comunidade do software relevante — no meu caso, i-Educar — não dava para baixar o software. Recibi a mensagem:

could not read "/var/lib/aolserver/spb/content-repository-content-files/15/79/27/96/15792970": no such file or directory
    while executing
"file size $filename"
    (procedure "cr_write_content" line 57)
    invoked from within
"cr_write_content -revision_id $content(revision_id)"
    ("uplevel" body line 9)
    invoked from within
"uplevel {
# Put the current revision's attributes in a onerow datasource named "content".
# The detected content type is "content_revision".

Ops. Mandei um e-mail para avisar o pessoal. Vale também para outros softwares. Pode ser que aconteça em função de um navegador (Firefox 3.5) não apoiado.

Mas coisas dessas são um constante desafio para qualquer comunidade, até os mais bem-sucedidas em atraer uma massa crítica de usuários, como Ubuntu e os outros distros.

Deixa-me dar o exemplo do meu calvário recente, quando de repente eu não podia mais gerenciar a frequência do meu processador (Intel Duo 2) após atualizar meu sistema com Karmic Koala (Ubuntu Linux 2.6.31.17-generic).

De repente, eu sofria uma lentidão que nunca tinha sofrido antes.

Nunca na história da minha bem-amada macunaimachine!

Para cortar a história, acontece que o equipe do kernel resolveu embutir os drivers de cpufreq no kernel mesmo em vez de manté-los na forma de módulos encarregados na hora de incialização.

Com isso, o usuário desfruta de menos controle e menos opções de configuração.

Ora, o ponto dessa história é que eu fiquei dias e dias pesquisando a problema. Fiquei bravo com o gato e a esposa. Mastiguei várias canetas. Tive pensamentos muito injustos e pouco benévolos sobre os desenvolvedores de Ubuntu.

Pesquisando muito, descubri que centenares de usuários tinham o mesmo problema, e não somente usuários de Ubuntu. Afeitava outros distros utilizando o novo kernel 2.6.31.

Centenares de pessoas observavam como a máquina inicializa bem, com as frequências, governadores e parámetros certos para processadors capazes de “speed step” (frequências intermediárias que podem ser invocadas manualmente ou controlado por um “daemon” segundo o estado da máquina — em função de temperatura, por exemplo.)

Mais entre tanta lenga-lenga e postagens dos resultados de

cpufreq-info

e

cat /sys/devices/system/cpu/cpu0/cpufreq/scaling_governor,

não havia nenhuma resposta que mostrou como consertar o problema.

Aliás, vários relatórios de defeito (bug) forma feitos, mais que eu sei, até agora só o equipe de Red Hat já distribuiu o problema a alguém competente para dar um jeito. O equipe de Ubuntu até hoje ainda não deu bola.

Moral da história: É preciso bastante paciência!

(Isso applica-se ao universo inteiro de relações humanas, aliás).

Parece que o problema vai ser resolvido pelos finlandêses que cuidam do kernel sagrado padrão de Linux na versão 2.6.32.

(Eu consegui voltar ao velho e aceitavel desempenho da minha máquina nem sei como. Apaguei todos os “daemons” e mexi com cpufrequtils um pouquinho, voltando aos parámetros originais, e pronto. Pelo menos eu consigo ler, escrever, receber e mandar e-mail, e navegar. SecondLife, porém, nem pensar!)

Mas tudo bem, o lado positivo foi que eu conheci uns novos blogs e foros, e aprendi algo sobre sysfsutils (o quê eu não teria achado possível, sendo eu um mestrado em poesia.)

A comunidade não me salvei, mais se fosse solidária comigo, foi.

E isso é muito.