Tern(enh)uma(razão): Sobre Os Gêmeos Amorim

Padrão

Comrade Carvalho

Sobre o suposto crise militar do fim do ano, contradito com muita energia por Azenha hoje, Aluizio Amorim escreve no site do Ternuma:

“É lamentável o propósito dos ministros militares de abandonar seus cargos em protesto à investida do esquerdismo irresponsável, quando na verdade deveriam denunciar à Nação essa bolchevização botocuda do Brasil que vem sendo levada a efeito por Lula e seus sequazes …”

[… nhemnhemnhem …]

“No Brasil, essa nefasta tentativa de desmoralização dos militares chega a ser surrealista quando se sabe que muitos deles tombaram em combate contra a horda de celerados comunistas que desejavam cubanizar o Brasil. Esta é que é a verdade que poucos, muito poucos, têm coragem de admitir.”

Sempre com as “hordas,” como nos filmes feitos pelo francês Jean Manzon ante do golpe de 1964. (Manzon foi homenajeado recentemente pela Rede Globo como um exemplar do Padrão Globo de Qualidade (Inglês).

Se não me engano, Elio Gaspari apurou que nunca havia mais do que 800 miltantes na esquerda armada … Entre os caídos, os homens-bomba do Riocentro …

Azenha, para quem tem preguiça de ler, flagrou o Estadão se referindo a “projeto de lei” inexistente para revogar a Lei da Anistía.

Esse Amorim é, segundo a sua autobiografia:

“… catarinense e atua profissionalmente em Florianópolis. É jornalista e graduado em Direito pela UFSC onde também concluiu o Mestrado na mesma disciplina. Trabalhou por muitos anos na imprensa diária em Florianópolis, dedicando-se depois ao jornalismo empresarial com passagem pelo magistério. Atualmente exerce consultoria em comunicação …”

O site de Amorim diz ser associado com ORVEX — uma organização anti-Chávez em Miami, fonte sem fundo nem fim de desinformaçãoes histéricas — e UNOAMERICA, inimigo jurado daquele cansado mito cabeludo e homem de palha, o Foro de São Paulo:

“El Foro de Sao Paulo tiene un proyecto supranacional, que no respeta fronteras, ni soberanías nacionales. Para alcanzar sus fines, todos sus integrantes intervienen flagrantemente en los asuntos internos de las demás naciones, ya sea financiando candidatos, enviando pertrechos militares, o dirimiendo conflictos, valiéndose de organizaciones subsidiarias como la UNASUR. Mientras que las fuerzas democráticas de la región actúan aisladamente, limitándose a su propio territorio. ”

Uma jogada atribuida ao ORVEX que eu vi uma vez na RCTV (via YouTube): Mostraram um estacionamento cheio de HHMMVs, aqueles tanques de guerra que viraram SUV de luxo. Disseram que era um estacionamento do governo Venezuelano, mostrando o enriquecimento dos chavistas.

Mais algum internauta esperto comprovou além da sombra de uma dúvida que era uma foto do estacionamento de um hotel de luxo em Los Angeles, durante uma convenção de distribuidores do dito SUV (30 litros/km), com intervenções photochoppisticas cruas …

Eu sei: “Ô, Breitão, para quê dar bola a esses extremistas doidos? Para quê dar-lhes espaço?” Eu explico.

Olha, até recentamente Olavo de Carvalho — mostrado acima, com atestado de ser “inimigo do povão” — frequentava as páginas da FSP. Foi demitido do Zero Hora quando usou como fonte um blog anônimo fazendo denuncias sem fundação e destacando uma “montanha de dinheiro petista” com impressões digital que foi uma falsificaçaõ toscamente fotochoppada-fotochapada.

A importância de ficar de olho nesse grupos foi amplamente demostrado no meu país pela emergência das forças da ultradireita religiosa durante a Década de Ibn Bush. Ainda pretendem chegar lá — e às vezes até conseguem, fantasiados de “conservadores misericordiosos.” O fato de Dick Cheney ainda não ficar preso por ter mentido ao público sobre o regime Saddamista deixa eles com esperança renovada.

O Partido Republicano já entrou num período de autofagia, rachado entre os neoconveradores — que não pretendem conservar nada, mais promovem o terror que veio depois a Revolução Reagan — e os paleo-conservadores, que pelo menos querem conservar coisas dignas de serem conservadas, como as dez primeiras emendas da Constituição, enumerando os direitos do cidadão.

Aviso, então: A desinformação, até quando parece doida, inverosímil e risível a pessoas pensantes e bem-informadas, funciona melhor do que você pensa.

Uns 65% dos norteamericanos acreditivam que Saddam Hussein tinha a ver com o 11 de Setembro a certa altura do campeanato, antes da invasão de Iraque, segundo pesquisas. … E nós temos um razoavelmente bom índice de educação per capita …

World Pinko Domination

Fonte das imagens: Mídia Sem Máscaras.

Hoje, no Brasil, enquanto seguidores de Paulo Henrique Amorim tacham a mídia nativa do PIG, para Aluizio Amorim, os do PIG são, ao contrário, sequazes dos untermenschen do bolchevismo mundial (por não darem mais espaço aos artigos de Carvalho, parece …)

É por isso que eu sempre acho melhor não cair em rotulações de qualquer tipo.

A estratégia da MSM espelha a do PHA: Ambos se esforçam para minar, com chavões repetidos ad nauseam, a credibilidade do chamado “mainstream media” — mídia corporativa, por coincidência também abreviado, em inglês, de MSM — e atraer para si quem procura “a verdade sem distorções e omissões” na chamada Nova Mídia, a alt.mídia, o “jornalismo cidadão.”

A rede norteamericano FOX News, apresentando-se como o grande alternativo ao MSM liberal, por exemple, tem como lema oficial “fair and balanced” (isento e equilbrado.)

Já ficou devastadoramente comprovado que a programação da rede continua exatamente o contrário.

Por exemple, a rede, junto com o Partido Repúblicano, está fazendo de ACORN — uma organização cívica e sem fins lucrativos que atua no meu bairro em Brooklyn — o MST norteamericano, por meio de denuncias de fraude fraudulentas:

The McCain ad accuses ACORN of “massive voter fraud.” In the final presidential debate, John McCain added that ACORN “is now on the verge of maybe perpetrating one of the greatest frauds in voter history in this country, maybe destroying the fabric of democracy.” Sounds scary, but is it true? There’s no evidence of any such democracy-destroying fraud.

Propaganda da campanha de McCain acusa ACORN de “fraude eleitoral maciço.” No debate final, McCain acrescentou que ACORN “estava pronto para perpetrar o que seria um dos maiores fraudes eleitorais na história desse país, talvez destruindo o sistema democrático.” Parece assustador, mais é verdade? Não existem nenhumas provas de tal fraude. …

Fonte: FactCheck.org.

No máximo, alguns voluntários de ACORN someteram cadastros falsos de eleitor, para ganhar mais dinheiro. Como não existiam, esse eleitores-fantasmas não podiam votar.

A mesma ACORN denunciou os voluntários que fizeram isso. Também sempre tem o caso de eleitores (chapados?) que se cadastram dando informações falsas. Mouse, Mickey é um nome sempre popular. ACORN ainda tem um procedimento para filtrar tais cadastros e denunciá-los às autoridades.

(Em nosso bairro, seja dito, ACORN negociou um ótimo acordo com esse grande desenvolvedor pretendendo construir um estádio de basquete e centro empresarial na Av. Atlantic (nossa calçadão).

(Agora, o projeto vai incluir residências com alugúeis populares e bons empregos para quem mora perto. Negócio fechado, o projeto vai em frente. Quem tem imóveis na área (como nós, mas mais importantes são quem mora no bairro históricamente negro-latino-caribenho faz décadas) valorizar-se-hão. Oba!)

Ah, mais faça um Google no ACORN hoje. Você vai ver os estilhaços deixados por uma bomba de Google atómica: O nome da organização ficou ligado com a noção de “fraude” e “criminosa” em milhares de resultados com alto “ranking”.

Então, não é o caso que eu menosprezo o jornalismo cidadão — uma vez que o que fique praticado realmente é o jornalismo, e siga os padrões mínimos de jornalismo decente.

Confirmam os fatos. Corrija eventuais erros. Dá direito à resposta. Não espalhe boatos. Não trata-se da física quántica.

FactCheck.org serve como ótimo exemplo — mas dêm conta do que goza de patrocínio institucional, da fundação Annenberg. Essas coisas são dificilmente feitas sem apoio institucional.

Mais indivíduos também podem participar, sim. Compre uma cópia da Manual de redação e estilo do Estadão — ainda um ótimo guia, se meio complicado demais — e o mantenha perto quando você lê o jornal. Estão cumprindo as próprias regras? Senão, bota a boca no trombone.

Existe muito disso na Tupinet, e salve os jornalistas cidadãos, desde a comunidade de Nassif até as comunidades de programadores estilo Slashdot.

Mais também existe ainda muitos exemplos de jornalismo decente no PIG (Amorim) ou, se quiser, o complôt bolchevique (Amorim).

Um voto que eu fiz para o ano novo, portanto, é de apontar mais exemplos disso — mais modelos de como se deve fazer as coisa em vez de tantos modelos de como não se deve fazer.

E até fácil demais achar exemplos de coisas ruins.

Não apresenta desafio nenhum. Compra Veja. Leia-a. Tem trabalho para uma semana inteira.

Eu serei o Diogenes de Sinope, então, com sua lanterna, procurando jornalistas honesto(a)s — cuidando de não virar um mero bobo da corte, como eram empregados os cínicos durante a decadência da escola.

Eu sei que estão lá, passando fome nas trevas — cada notícia de uma vaga de jornalista diplomado que recibo do Catho Online tem salário que não passa de quatros mínimos, e ainda assim é acirradamente disputada — aguardando serem descobertos.