Distrito Federal: Esbouço de uma Sociometria do Poder Paralelo

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Jornalistas e o GDF

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(Não lê o inglês? Está ferrado por enquanto, meu amigo. Traduzo depois.)

Também veja:

Acontece que no momento estou traduzindo um texto enorme sobre, entre outras coisas, a grande arte de sociometria — o análise de redes de relacionamento.

E acontence que um dos meus brinquedos preferidos é o CMapTools, uma ferramenta para o “mapeamento do conhecimento,” programada em Java.

Lancei a bugiganga, portanto — java -jar cmaptools.jar — e comecei uma tentativa de mapear toda essa bagunça no Distrito Federal.

Acrescento novas conexões quando surgem na mídia, que como de costume está vazando o inquérito da PF dia atrás dia, como um livro que você assina parcelado em 12x para receber um novo capítulo cada mês.

Minha sogra está lendo as Mil e Umas Noites desse mesmo jeito agora.

Não menos labirintinos são os contos dentro de contos (e contas dentro de contas, e governos dentro do governo) que estão emergindo desse escânadalo.

Eu só tenho algumas hipóteses ténues e prelimárias até agora, mais me têm levados a querer saber mais sobre um assunto que acho de grande interesse: a composição do chamado grupo de inteligência de Arruda — todos jornalistas.

Foi denunciado recentemente, por exemplo, que Omezio Pontes (ainda DEM?) recibia uns R$5.000 por mês para 37 meses para integrar esse grupo — isso além do seu salário como Secretario de Comunicações do GDF, eu presumo.

Segundo o relatório vazado da PF, outros integrantes do grupo receberam até R$10.000 por mês.

Estamos aguardandos corroborações e mais detalhes, mais entrentanto, o samba-enredo rezaria algo assim:

(0) O governador licenciado (e preso) do DF teria utilizado caixa dois para pagar os salários de um grupo de inteligência quer teria incluido: (1) passados, presentes e futuros (nomeado antes de ser preso pela tentativa de suborno ao jornalista Edson Sombra) porta-vozes de GDF com controle sobre gastos com publicidade que passava R$200 milhões de reais em 2009, e (2) jornalistas, entre eles (a) o marido da (b) redatora-chefe do Correio Braziliense (que recebeu a maioria das verbas para publicidade do GDF no ano passado mas só conseguiu rendimento anual de R$10 milhões, segundo eu li, eu deveria checar), ele mesmo (c) o antigo editor do concorrente, O Jornal da Brasília; (d) uma jornalista virada publicitária após longa carreira como jornalista do Estado de S. Paulo, O Globo, e o Jornal do Brasil, (e) o sócio da qual trabalhava em rádio, principalmente para a Rede Globo, e o ex-marido da qual (f) foi chefe da redação do Jornal de Brasĩlia e também assessor ao parlimentar distrital (g) Fábio Barcellos.

Respira fundo. Agora, siga o dinheiro.

(2) O (a) Correio Braziliense, que recebeu a maioria dos gastos com publicidade do GDF no ano passado* divulga o conteudo da (b) TV Brasília, da propriedade do (c) governador interino do GDF**, e que apresentava (d) a programa Barra Pesada, o apresentador da qual foi (e) Geraldo Neves, depois deputado na Câmara do DF (e agora preso, mais se estiver ainda do DEM não sei. Difícil acompanhar o vai-vem no partido esses dias. Talvez recibirá o direito de lavar a honra caindo na própria espada.)

* Congresso em Foco citando a Folha de S. Paulo, 16 fev 2010:

No ano passado, o DF gastou com publicidade R$ 201 milhões -nessa conta, mais uma vez, estão excluídas empresas públicas e fundações. O jornal “Correio Braziliense” recebeu a maior parte dessa verba.

Do contrato coletivo de participação de lucros dos trabalhadores da S/A Correio Braziliense, 2009: PLR seria de 50% do sálario-base para empregados sindicalizados.

Sem bolsa-anúncios do GDF, nada de PLR?

No passado (Jornal Opção, sem data, PQP ) receberam um décimo-terceiro, num ano do governo Roriz quando o Correio lucrou R$10 milhões.

O armistício entre o governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, e o Correio Braziliense — que anuncia lucro de 10 milhões de reais e bônus para seus profissionais (um salário a mais) — não foi positivo para o Jornal de Brasília.

Com a crise entre Roriz e o Correio, o JBr — vendido pela família de Júnior Câmara para um grupo de empresários, entre eles Fernando Câmara (aliado de Roriz no negócio) — assumiu a defesa do governador do DF e, por isso, voltou a crescer. Mesmo governista, sob o comando dos editores Paulo Pestana e Sylvio Guedes, o jornal era bem-feito e não havia apenas reportagens para elogiar Roriz.

Com a paz entre o campeão de circulação, o Correio, e Roriz, o JBr perdeu espaço e importância. O próprio governador do DF não demonstra mais o mesmo interesse pelo jornal. Os executivos do jornal podem até repetir o grupo de rock: “A gente somos inútil.”

Precisa-se de corroboração.

Levanta uma pergunta sensata, porém: Qual a razão bolsa-anúncios/lucro líquido e BA/ingressos brutos do ano passado?

** cbrayton@carmenmiranda:~$ whois tvbrasilia.com.br

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person:      Cesar Garibaldi de Queiroz Limeira
e-mail:      cesar@paulooctavio.com.br
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changed:     20091103

Fiz uma bilinguiça da matéria:

Duas ironias notáveis: (3) Que (a) o GDF não somente subisidiava (b) o Correio como tambem subsidiava (e só prometeu continuar a subsidiar com propaganda oficial, segundo a defesa de Arruda)  (c)  O Distrital, do jornalista (d) Edson Sombra, cujo sócio (ou empregado, ouvi duas versões) foi (e) o Secretário de Comunicações que também teria integrado tal “grupo de inteligência” e agora está preso por ter alegadmente (denúncia acatada pelo STJ) intermediado a propina proposta ao Sombra no nome do (f) Governador do DF, uma nota manuscrita do qual levou a prisão preventiva do Governador, o assessor e outros, e logo depois foi vazado a imprensa, provavelmente por O Sombra (ele sabe! rárárárárárá …!)

Mais a coisa do que mais me estranho é o seguinte: Como e que a (g) chefe do Correio e (h)  o ex-chefe do JBr conseguem continuar casados?

(Falando em divórcio, entretanto ouvimos falar de eventuais rachas entre os sócios do Correio, um dois quais (Câmara, daquela dinastia Câmara) teria ajudado negociar a venda do JBr que levou à demissão do chefe da redação (e integrante do grupo de inteligência supostamente pago por dinheiro de caixa dois provendo do governador licenciado e preso do GDF) e redator-chefe, quanto ao apoio para o governador licenciado (e preso) do GDF e a cobertura do episódio pelo Correio?

Retomando o fio dessa questão de casamento entre redatores rivais: Ora, eu já li sobre as sacanagens praticadas pelo (i) JBr no serviço do (j) antigo governador do DF, do (k) PMDB contra (l) um jornalista do Correio que fazia apuração sobre a grilagem no DF e depois ganhou um Prêmio Esso. Isso foi em 2001. Como se chama mesmo?

O casal deve saber muito bem como separar a vida profissional da vida pessoal.

Caso para show de conselhos amorosos.

O que significa barra pesada para mim?

Aquela história do Correito e o JBr foi barra-pessadísima.

Deu no Observatório da Imprensa. Eu boto o URL depois. Hora de jantar.

(Aqui ô. Lembra caso do boato dizendo que o New York Times ia divulgar um escândalo sexual sobre o governador, quanto às denúncias preemptivas )

Eu volto depois quando der tempo para organizar as minhas anotações, que deveriam ainda conter algumas imprecisões e até maluquices, e portanto considere isso uma história, como dize Nassif, “em observação.”

Quem sabe para onde levam os tentáculos dessse otópode? O Sombra sabe?