Donde Veio O Dinheiro? Atlas Deu de Ombros

Padrão

Atlas Network

Eu quero ser claro: meu propósito nessa série de análises de redes sociais decorre do fato de ser contribuinte dos EUA.

Como tal, eu não concordo com o uso de dinheiro público para ingerências nos assuntos internos de outros países.

(Mandar a Décima Batalhão para Afeganistão para pegar Osama, e voltar em triunfo, tudo bem. Só que eles ainda não pegaram o criminoso de lesa-humanidade.)

Mais é exatamente isso que faz o National Endowment for Democracy. Eu concordo com a afirmação seguinte — ainda que veio de um neoconservador-neoliberal notável, Ron Paul:

The misnamed National Endowment for Democracy (NED) is nothing more than a costly program that takes US taxpayer funds to promote favored politicians and political parties abroad. What the NED does in foreign countries, through its recipient organizations the National Democratic Institute (NDI) and the International Republican Institute (IRI), would be rightly illegal in the United States. The NED injects “soft money” into the domestic elections of foreign countries in favor of one party or the other. Imagine what a couple of hundred thousand dollars will do to assist a politician or political party in a relatively poor country abroad. It is particularly Orwellian to call US manipulation of foreign elections “promoting democracy.”

O dito Fundo Nacional para a Democracia (NED) não passa de um programa caríssimo que utiliza o dinheiro de contribuintes para promover políticos e partidos favorecidos no estrangeiro. O que o NED faz em países estrangeiros por meio das organizações que financia, o NDI e IRI, seria considerado ilegal nos EUA, e com toda razão. O NED injeta “dinheiro mole” nas eleições de outros paises em favor de um partido ou outro. Imagina o que alguns centenas de milhares de dólares podia fazer para um candidato num país relativamente pobre. É Orwelliano chamar manipulação de eleições no estrangeiro de “promoção de democracia.” ….

Também, como gringo morando aqui em regime de visto permanente, recebi orientação da minha embaixada de obedecer as leis locais e tentar ser um bom exemplo — um “diplomata cidadão” — em vez do “ugly American.”

Entre essas leis tem o código eleitoral, que proibe

Participar, o estrangeiro ou brasileiro que não estiver no gozo dos seus direitos políticos, de atividades partidárias, inclusive comícios e atos de propaganda em recintos fechados ou abertos

E a Internet? Seria um recinto aberto?

Também, se meu site é hospedado num servidor nos EUA, ainda estou sujeito à legislação? E se eu, do meu apartamento estilo «vagão de ferrovia» em Brooklyn, possasse de José Cardoso da Silva Sarney — sem relação — em pleno gozo dos meus direitos, e andasse promovendo a candidatura, digamos, de um psicografado Enéas?

Dei conta nas eleições de 2006, por exemplo, de sitios situados fora do país que desse jeito conseguiram divulgar até anúncios de TV vedados pelo TSE. Vive a liberdade da Internet!

Nós chamamos isso de “regulatory arbitrage.”

Assim como o operador financeiro aproveita as diferenças na cotação do peso mexicano ou que seja em distintos mercados de câmbio, aproveita-se de diferenças na marca regulatória em distintas jurisdições.

É essa possibilidade que estou buscando esclarecer com meus estudos. Eu pretendo obedecer as leis — presumindo que eu consigo entendé-las. E os outros gringos?

Os Ombros de Atlas

Hoje, resolvi enfocar a fundação Atlas Economic Research Foundation, também conhecida como a rede Atlas.

Descobri que tem relação com o Instituto Liberal aqui no Brasil, e que serve de duto que movimenta serviços pagos coo dinheiro mole de um “manancial” de fundações da ultradireita norteamericana para uma rede mundial de “institutos de pesquisas” e “organizações não-partidárias e sem fins lucrativos.”

Também é provável uma ligação com o Cato Institute, uma vez que esse instituto mantém o site OrdemLivre.org, que mantém parceria com o Instituto Liberal do Brasil. Corrijo, 10/28/5: É o Cato mesmo, descaradamente!

O mapeamento que fiz hoje (acima, faz clique para ampliar) tem tres fontes principais: o trabalho de pesquisadores dessas redes, de SourceWatch.org; informações institucionais das fundações envolvidas; e o formulário IRS 990 da Atlas Economic Research Foundation.

Vamos nesse último para começar. A leitura do formúlario — é a declaração de renda e gastos para ONGSCIPs, mais ou menos –devidamente divulgado no site da organização, mostra como brechas na lei tributária apoiam a sonegação de informações do público.

Atlas Deu de Ombros

Assim, consta que a Atlas não é obrigada a identificar beneficiados de doações no estrangeiro.

Fornece uma lista de regiões atentidas, com o valor repassado — um total de $275,872 em 2008.

Eu não consigo entender o porque dessa brecha, na luz de legislação vigente sobre a participição em “foreign corrupt practices,” que proibe apoio a organizações em violaçao das leis do país de residência.

Recipientes domésticos têm, sim, que ser identificados, para poder validar seu status como recipientes qualificadas dentro do marco do Capítulo 501(c) do Código do Dinheiro Que o Governo Só Vai Gastar.

Dá portanto para pegar o calculador e confirmar que $383,302 foram gastos em 2008 com doações a organizações ligadas com o State Policy Network, rede fundada pela própria Atlas e contando com afiliados em 37 dos 50 estados da União.

Agora, no Formulário 990 da Atlas, consta também que recebeu $6.5 milhões em doações em 2008 e gastou algo mais que $3 milhões.

Das fontes das doações, não consta nada.

Chame um advogado especializado em assuntos tributários. Não consigo entender isso.

Do balanço de gastos, além de bolsas e apoio financeiro a “institutos de pesquisa,” permanecem $2.8 milhões cujo destino não consta.

No mesmo ano, o congresso da fundação, em Atlanta, estado de Georgia, reuniu 120 institutos de pesquisa do culto da Santa Ayn Rand de 50 países, segundo um release de um dos institutos subsidiados pela fundação.

Eis a transparência gringa. Para rastrear o fluxo de dinheiro, precisa-se um trabalhoso cruzamento de vários Formulários 990 e tantas outras fontes.

O Homem Chave

Tem software de análise de rede hoje em dia que automaticamente faz várias operações sobre um representação de rede social parecido com nosso “mapa de conhecimento,” para determinar, por exemplo, nódulos de maior conectividade e de maior influência (que não são sempre a mesma coisa).

Chacoalha os fios da teia e a aranha aparece para apanhar a mosca.

Não tenho a matématica nem a paciência para fazer isso, mais dá para ver aqui, por exemplo, como o diretor-executivo da Atlas, Alejandro Chafuen, serve de homem-chave numa rede de redes de institutos de pesquisas.

Ele desempenha vários papeis: conselheiro, consultor, fundador, e, mais importante, trustee (fideicomisso).

a person (or institution) to whom legal title to property is entrusted to use for another’s benefit

… pessoa física ou juridica à qual o título de determinada propriedade é confiado para ser utilizado no beneficio de outra pessoa.

Fideicomisso:

O fideicomisso pode ser definido como espécie de substituição testamentária consubstanciada na atribuição, pelo testador, da propriedade plena de determinado bem a herdeiro ou legatário seu, denominado “fiduciário”, com a imposição da obrigação de, por sua morte, a certo tempo, ou sob condição pré-determinada, transmiti-la a outrem, qualificado fideicomissário.

Hein? Me explique, utilizando bonecas como se fosse uma conversa na Vila Sesame ou Castelo Rá-tim-bum. Acho que a palavra “fiduciário” seria o cognato do inglês fiduciary, mais ou menos.

Em fim, pode-se dizer que ele dispõe de grana alheia para tocar projetos combinados.

Eu fiquei interessado em dois fios da telaranha deste Sr.Chafuen.

O primeiro foi a fundação da Fundación Internacional por la Libertad, sediada em Madrí e chefiada por Mário Vargas Llosa, romancista e em várias ocasiões presidenciável peruano.

O domínio tem cadastro anónimo com o Register.com em Nova York. A hospedagem do sitio cabe ao CableNet de Argentina, uma operação da Interlink SRL. (Agora, sei pesquisar nos registros gringos de corporações — os secretários de estado de cada estado tomam conta — mais Argentina? Nem sei onde começar.)

Ainda não está configurado nesse domínio o sitio dela fundación, mais dá para inferir as integrantes da sua rede por meio de um release anti-Chavez distribuido últimamente no seu nome.

Quem repercutiu? Pegue um trecho do release, faz uma busca Google ou Yahoo! o que seja, e anote quais domínios reproduziram-no textualmente.

Según la agencia EFE el gobierno de Venezuela se propone clausurar 285 emisoras de radio y televisión. Esta arbitraria medida, amparada en una risible coartada burocrática, a poco más de dos años del cierre de Radio Caracas Televisión, hoy revivido en el injustificado acoso a CEDICE por sus campañas de alerta ante la actitud del gobierno contraria a la propiedad privada, es la demostración de que el régimen de Hugo Chávez se ha convertido en una dictadura militar con vocación totalitaria, francamente instalada dentro de ese modelo de eliminación de las libertades fundamentales.

Resultado na pesquisa em Google.com.br dá o Instituto Millenium — com o conselheiro do qual, Odemiro Fonseca, começamos — e a Fundación Nueva Democracia de Bolivia como as duas organizações que divulgaram a nota textualmente.

O ISP Armado de Santa Cruz

Não consta nenhuma razão social para neuvademocracia.org.bo, segundo http://www.nic.bo.

Só que está hospedado e administrado por pessoal de http://cotas.com.bo:

Trata-se da Cooperativo de Telecomunicaciones de Santa Cruz Ltda.

Presidente do Conselho: Juan Carlos Velarde Roca.

Numa nota intitulado “Cotas Vale US$200 millones” o blog TeleComBol noticiou: Velarde Roca se formou na USP.

Juan Carlos Velarde Roca es ingeniero de producción, egresado de la Universidad de San Pablo (Brasil) con una especialidad realizada en Barcelona (España).
Toda su vida estuvo ligada a la empresa privada, sobre todo en el sector industrial. Durante ocho años fue gerente de la Feria Exposición de Santa Cruz, también fue consultor de empresas nacionales e internacionales, trabajando en varios países en los sectores de los textiles, cerámica, madera, oleaginosas y aceitera. Fue director y gerente de la Cámara Agropecuaria del Oriente, tesorero y vicepresidente de la Cainco, síndico de la UPSA, catedrático de Ingeniería Industrial en la Universidad Autónoma Gabriel René Moreno y director de Fegasacruz. Es empresario ganadero y lechero.

Tanto Fegasacruz quanto Cotas são alvos de uma CPI pelo fato de gerentes dos dois terem mantidos um paiol de armamentos e explosivos, com o propósito, alegadamente, de assassinar integrantes do governo federal, inclusive Morales.

Tenho que ler mais sobre o assunto antes de dizer mais.

Em Fim, De Volta ao Começo

Durante essa divagação por várias redes comecei a vislumbrar como fecha-se o circulo.

Notei, por exemplo, que o presidente executivo do Instituto Millenium já era presidente do Instituto de Estudos Empresariais (IEE) — integrante da rede RELIAL, além do DEM-RS e Juventude Democrata, e a CEDICE.

O Sr. Chafuen e fiduciário da CEDICE, grupo da oposição Venezuelana.

Assim, atualizei minha mapa do Instituto Millenium para aprofundar duas correntes de ligações institucionais:

1. A ligação do IMIL com a rede RELIAL (DEM-CEDICE-Chafuen-Atlas-ultradireita gringa); e

2. a ligação Abril-Veja-Masters-Estadão-Innovation International (canto direito, pé da imagem).

Instituto Millenium 1.1

Instituto Millenium 1.1 (ainda na fase beta)

Um comentário sobre “Donde Veio O Dinheiro? Atlas Deu de Ombros

Os comentários estão desativados.