Afirme-se e a Fantasma do Carlismo: Uma Sociometria

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Novo é notável: O Globo: For Every Affirmative Action There Is An Unequal and Opposite Reactionary.

“Para cada ação afirmativa há um reacionário oposto e desigual.”

No New World Lusophone Sousaphone, anotei para inglês ver esse epísodio vergonhoso da campanha publicitária Afirma-se.

Comunique-se resume:

O movimento Afirme-se, que defende as cotas afirmativas nas universidades brasileiras, entrou com uma representação no Ministério Público do Rio de Janeiro contra o jornal O Globo. A entidade alega que o veículo vetou um anúncio publicitário ao estipular um valor alto para a publicação de uma peça.

Segundo o jornalista Fernando Conceição, coordenador do Afirme-se, ao saber do conteúdo da campanha, o jornal aumentou o preço de R$ 54.163,20 para R$ 712.608,00 (1.300%), alegando que o texto reflete “expressão de opinião” e que, por isso, teria que cobrar a tabela cheia.

Na minha ”sociometria” — muito rápida, seja dito — da ONG que patrocinou a campanha (acima, faz clique para ampliar), Fernando consta como estudante de comunicação social na UF Bahia e coordenador de um grupo de estudos lá. Têm um blog com todos os integrantes identificados e um perfil razoávelmente completo do responsável.

A ONG trata-se de OMI-Dùdú, de Salvador, vencedor de várias licitações para realizar projetos da prefeitura, o governo estadual, e o Ministério de Cultura federal.

Portanto, a ONG se encaixa no mandato da CPI das ONGs no Congresso agora — do qual não se ouve muito, aliás.

É uma organização que recebe verbas de um governo federal cujo primeiro ministro de cultura eu já vi no Credicard Hall cantando toda qué é música de Bob Marley já gravada.

Foi inesperado. Eu estava a fim do ouvir músicas de Eu, Tu, e Ele ou O Sol do Oslo. Nada disso! Houve uma palestra interessante sobre as afinidades do xote e o reggae, é logo depois:

Life is one big road with-a lots of signs
So when you ridin’ in the ruts
Don’t you comp-ili-cate your mind …

Um dois apoiodores não-governamentais do OMI-Dùdú é a Fundação Fundo Brasil de Direitos Humanos, o responsável pelo qual, segundo o base de dados WHOIS, é Sérgio Haddad, passado presidente da ABONG e coordenador do meta-ONG Nossa São Paulo.

ABONG tem apoio internacional da Oxfam (Inglaterra), a Fundação Ford (EUA) — tambén patricinadora da Observatório da Imprensa — a fundação Kellogg (EUA), der Evangelische Entwicklungsdienst e.V. (Alemanha), e o ICCO (Holanda).

Faz anos que a ABONG empurre um projeto de lei pela melhor governança de ONGs. Do relatório 2003-2006:

A Abong e suas associadas querem  avançar em uma legislação que regule claramente as relações entre o Estado e as organizações da sociedade civil, nas políticas, ações e acesso aos recursos públicos. Tudodeve ser transparente, democrático e sob controle social, uma orientação diferente da visão burocrática que prevalece em diversos projetos de lei sobre as ONGs no Congresso
Nacional.

O contraste entre propostas vindas das organizações e projetos elaborados sem ouvi-las (a exemplo do PL 7/2003, que propõe controlar as ONGs por meio de um cadastro nacional) começou a ficar mais claro, para a sociedade brasileira e seus(suas) parlamentares, com os debates nos Regionais sobre a legislação e o papel das ONGs que resultaram, em maio de 2005, no seminário “Marco Legal em debate no Congresso Nacional”, ocorrido na Câmara dos Deputados (Brasília/DF).

Uma observação preliminária, então: todas as ONGs reunidas nessa rede social parecem aderir aos padrões de governança defendidos pela ABONG. A OMI-Dùdú bota links no site até aos editais de vários projetos realizados.

São as melhores práticas à qual eu também estou acostumado, como estudante de governança.

Interessante observar em anos recentes como o Fisco estadounidense e o GAO — auditor independente do Congresso — também estão realizando ações no sentido de fazer valer padrões comparáveis.

Não é justo comparar dois casos escolhidos aleatoriamente, é certo, mais ainda fiquei impressionada com a falta de cumprimento dessas regras quase todas pelo Instituto Millenium.

Estatuto: Não consta no site.

Relatórios de auditores: Não constam.

CNPJ: Não consta no site.

Planos e relatórios: Não constam.

Responsável: Agora que eu faço nova pesquisa de whois, de repente não consta. Juro que o nome do presidente, Uedel, foi lá a última vez que olhei. E a hoespedagem do site? KingHost Hospedagem de Sites Ltda?

Sediada em Porto Alegre (RS), a KingHost é uma empresa de hospedagem de sites inovadora, agressiva em oferecer valor para clientes, focada em oferecer inúmeros serviços da área de infra-estrutura de web. Através de uma linha exclusiva de discagem gratuita, atendemos a todo o Brasil, sem que isto onere nossos clientes para requisição de suporte ou informações.

Em 14 de Outubro de 2008 é pioneira no Sul do Brasil na implantação de link direto com o PttMetro-São Paulo, através de fibra-ótica própria atingindo velocidade de até 1 Gbit por segundo. A iniciativa liga a KingHost diretamente o datacenter da KingHost, em Porto Alegre/RS ao Registro.br (mais de 1000 km de distância) com delay de apenas 15 ms (mili-segundos). Outros provedores, como CTBC, Tivit, USP, Unicamp, Alog, GVT, Flys, Neovia, America-Net e até o Google também estão ligados ao mesmo circuito. A ativação do link com o PTT-Metro de São Paulo traz grandes benefícios para os usuários de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro que acessam sites hospedados na KingHost, como grande aumento na velocidade de acesso, uma vez que estamos diretamente conectados aos provedores citados, sem intermediários.

Tem tudo de banca lá: Ruby on Rails, Plone, Zope, hospedagem Linux e tal. Mais quem somos “nós”?

Trabalhamos com estrutura própria, junto à maior operadora de backbone do país: Intelig, além de conexões com a GVT, RNP, PTT-ANSPPTT-SPPTT-LondrinaPTT-RS e outros fornecedores de telecomunicações.

Tem cara de quem tem interesse na universalização de banda larga, não tem?

História do instituto:

Como eu odéio aquela palavra, conteúdo.

Como se bastava preencher o vão da página com Lorem ipsum ou qualquer nhemnhemnhem.

“Neque porro quisquam est qui dolorem ipsum quia dolor sit amet, consectetur 

Aqui entraria uma narrativa crível e detalhada contando as orígens, os objetivos, os princípios, os trabalhos do Instituto desde a fundação (em 2008, por integrantes do IEE, parece) até os dias de hoje.

Foi relativemente fácil, no entanto, rastrear todos os parceiros e ligações institucionais da ONG OMI-DùDú. A transparência de programas do governo federal também está melhorando.

No caso do IMIL, pórem, tem um parceiro direito, UNOAmerica, sem divulgaçao de finanças nem nada, e que aliás tem um domínio anonimizado para proteger a identidade do responsável.

Mas que fica assumidamente parte de uma rede bancada por um instituto semi-fantasma, de dois advogado-lobistas tenebrosos, e testa-de-ferro de fundações pouco transparentes da extrema direita nos EUA, fica.

E falando em fantasmas, seria paranóico demais se eu vislumbrasse nesse momento marcante a mão-fantasma do bom e velho Ministro de Comunicações, Toninho Malvadezas? Pai das sete famiglias da oligopolia da mídia no Brasil?

Já vi matérias no Jornal Nacional produzidas pela TV Bahia que não davam para acreditar.

Em um caso do que me lembro muito bem, um suposto exposé de um quilombo supostamente espúrio, eles até alteraram a transcrição do segmento para mudar o teor de alguns dos depoimentos mostrados.

Lá no site do Jornal Nacional, o CBS Evening News With Walter Cronkite do Brasil.

Isso tem o mesmo cheiro da truculência tosca e crua do bom e saudoso regime Carlista, que jamais preocupava-se com a fragilidade da mentira por ter toda confiança de que ninguém se atreveria a questioná-lo.

Não têm?