De(N)únci(a)(ssif): “Putas Somos Todos Nós”

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Luis Nassif se defende mais um vez de denúncias de que negocie a sua opinião e sua pautação de assuntos em troca de favores fisiológicos.

Comunique-se repercute e resume, dando o outro lado que a Folha sonega:

A Folha de S. Paulo desta quinta-feira (11/03) questiona o motivo que levou a estatal Empresa Brasil de Comunicação (EBC) a contratar o jornalista Luís Nassif sem processo de licitação. Segundo o jornal, a Dinheiro Vivo Agência de Informações, empresa de Nassif, recebe R$ 1,28 milhão anuais para a realização do programa Brasilianas.org, que consiste em um debate semanal, de uma hora, e cinco filmes semanais de três minutos. … O texto da Folha também afirma que, em seu blog, Nassif adota uma postura pró-governo “em várias polêmicas, discussões e escândalos”, com críticas a repórteres e jornais. Nassif contesta a matéria e diz que o processo de contratação foi legal, sem nenhuma orientação política. …

Assim, voltamos ao assunto daquela antiga coluna de Diogo Mainardi na Veja, “Chega de Ética, Nassif.” Se uma tática falhe várias vezes, o melhor seria ficar com a mesma tática.

A empresa de Nassif assinou contrato com a TV Brasil para o programa Dinheiro Vivo, antigamente na TV Cultura — $100,000 por mês, do qual a empresa recebe R$39,000 líquidos.

Nas mãos da Folha de S. Paulo, o contrato vira o tesouro que Ali Baba roubou dos quarenta ladrôes. Como se Nassif pessoalmente receberia todo o dinheiro, para depois lavá-lo no Valerioduto.

Nassif aponta uma vingança infantil como o motivo. Convence.

No próprio texto da matéria fica explícito o motivo da escandalização do factóide: o desmonte do falso escândalo que a Folha criou sobre a Eletronet.

Assim como fez na Veja, Aith sonegou a fonte da denúncia original.

Foi o mesmo velho cliente de Dirceu denunciado como o beneficiado da suposta lobby.

O único jeito de faturar sobre seu investimento em Eletronet seria se o PNBL não andasse, fazendo que ele podia negociar a empresa com os teles.

Aith admite depois que falou com o empresário antes de fazer a primeira denúncia. É uma questão simples de cui bono.

Do mesmo jeito, a Veja sonegou a fonte da sua denúncia contra o senador Renan, que foi o advogado da Mônica — o mesmo que depois negociou a “revelação nua e crua” dela no Playboy Brasil (Editora Abril.)

A única vez que eu sentia que Nassif talvez estaria indevidamente sonegando informações de mim sobre fontes foi em certos trechos do Caso da Veja, onde às vezes ficava implícito que tinha fontes dentro da própria Veja. Eu queria pelo menos uma afirmação de que havia fontes internas que pediam não ser identificadas.

Agora, Nassif sara esse defeito de vez:

Apenas adianto que ele [Márcio Aith] foi testemunha de acusação contra mim em um caso – a série sobre a Veja – em que tinha sido minha fonte.

Uai. Uau. Uá?

Quem nos opõem estão com as FARC!

Nassif é culpada pela Folha por associação com o “folk devil” (demônio folclórico) Zé Dirceu.

Fala em defesa de José Dirceu. Falso!

Essa turma da imprensa marrom brasileira tem uma lema cansadíssima que colou dos neonservadores: Se não estejam conosco, estão com os terroristas!

Foi assim que Bush definiu a questão de apoio pela guerra de Iraque em 2003.

Países europeus que ficaram fora — espiões de Alemanha, por exemplo, sabiam de que uma fonte-chave chamado de “Curveball” foi um mitomano — foram tachados da “velha e ultrapassada Europa” por Wolfowitz e os outros velhos trotskistas no Departamento da Defesa.

A nova e dinámica Europa seria o antigo Iugoslávia, com suas milícias e atos de genocídio — aquele que fugiram depois para ficar com parentes no departamento de Santa Cruz, na Bolívia.

Eu Sou Traidor da Pátria

Tornariam a mesma tática contra o “inimigo interno.”

Eu — que trabalhava na Torre Norte do WTC até 2000 — era traidor porque não vi provas de que Saddam tivesse algo a ver com a chacina lesa-humanidade de 3,000 dos meus concidadãos.

Ceticismo naquele momento seria antipatriótico.

Eu precisava ter fé absoluta em Bush e Cheney e Condoleeza e Colin Powell, apesar deles não oferecerem provas concretas de nada.

É o que a Veja está pedindo de nós agora no caso de Bancoop.

Não faz nenhum trabalho no sentido de corroborar sua fonte, o promotor Blat, mais ainda assim apoia a credibilidade dele — após ter deconstruida essa credibilidade anterioramente.

Hoje temos mais um indicío disso:

A Justiça de São Paulo negou nesta quinta-feira (11) o pedido de bloqueio das contas da Bancoop e não autorizou a quebra do sigilo bancário do ex-presidente da cooperativa, João Vaccari Neto, atual secretário de Finanças do PT.

Em seu despacho, o juiz questionou porque o pedido de bloqueio só veio agora, passados mais de três anos do início da investigação. Quanto à quebra de sigilo, determinou ao promotor aponte, nos autos, os indícios que o levaram a fazer tal solicitação.

Em bom e simples português: Faltam provas.

Se faltarem facilidades lá encima, vamos ver agora.

“Putas Somos Todos Nós”

Durante a primeira campanha da Veja contra Nassif, eu observei uma forma de argumentação que eu batizei de “putas somos todos nós.”

Vem de uma velha música punk dos anos 1970s, do Pop Group:

Putas somos todos nós
Todos temos nosso preço

É uma versão daquele dito brasileiro, “ladrão chamando ladrão de ladrão.”

Todos nós trabalham para interesses. O “jornalismo de serviço” seria uma piadas. Não existe “interesse público” fora do complexo partidário-empresarial.

Por sua sua vez, o ditado também é uma reflexão do Efeito Rashomon — sendo o argumento utilizado contra o lenhador pelo plebeu quando esse último deduz que foi o lenhador que roubou o adaga do samurai morto.

Depois, o plebeu terá que explicar porque o roubo da joia e kimono por ele, o plebeu, não deveria ser sujeito à mesma lógica.

A regra aplica-se seletivamente.

A explicação do plebeu, portanto, segue outro ditado da imprensa marrom brasileira:

Para nossos amigos, tudo; para nossos inimigos, a Lei.

Mais lembre-se do que no fim do filme, o monge conclui que a natureza humana inclui, sim, a capacidade para atos altruistas. O lenhador comprova isso.

Para mim, Nassif continua o lenhador — o Lignator Stanneus do Mago Mirabilis in Oz — e os críticos dele nesse caso, o sofístico plebeu.

Simpatia pelo Cujo

Como eu sempre digo, eu não sou eleitor brasileiro — apesar de ser contribuinte — e sempre parto da premissa de que a política de cá não tem nada a ver com a política de lá. Ingenuidade minha, talvez.

Dado os instintos políticos formados lá, onde sou eleitor independente (sem partido), seria natural uma certa simpatia pelo PSDB por minha parte, sendo que sempre inclinava para uma democracia social equilibrada que deixaria o mercado livre para fazer o que os mercados fazem bem (que não é tudo, como rezam os sacerdotes do maiúsculo e singular Mercado.)

Sou jornalista de negócios. Até as empresas mais demonizadas pela esquerda tem muitas pessoas de bem fazendo coisas socialmente úteis, na minha ótica. Todo mundo no Enron não era um bando de ladrões.

Mais tenho que confessar um sentimento que acho que compartilho com muitos brasileiros: Quanto mais a mídia conduz essas campanhas asquerosas contra o PT o qualquer outro inimigo interno do momento, tanto mais simpatia tenho para o demonizado.

Até Zé Dirceu. Tenho que me esforçar para manter um atitude crítico. Que ele fez mal com uma certa falta de transparência sobre sua atuação, não duvido.

Enxergo Dirceu como um acolito do modelo de política seguido pelo New Labour de Inglaterra — que ainda hoje está tentando defender a decisão de invadir o Iraque. Com suas vantagens e desvantagens, mais isso de Iraque realmente deixa as falhas escancaradas, né?

Realmente, a raiva da direita brasileira contra o governo Lula e sua candidata de continuidade é a mesma raiva que os republicanos tinham de Clinton.

Quase fez seu successor, Al Gore, que conseguiu mais votos do que Bush Filho mais perdeu no Colêgio Eleitoral. Nossa democracia em ação. O resultado da eleição foi determinado por um STF politicizado, a maioria estreita toda nomeada por Reagan e Bush Abu Bush.

Clinton ganhou do Bush Pai colando as propostas conservadoras daquela fatia “paleoconservadora” do partido Republicano. Sendo sulista, “Bubba” estragou a “estratégia sulista” de Reagan, que era revertir o quadro de intervençaõ federal que levou ao fim da leis Jim Crow [apartheid], e que privelgiava o setor industrial do Nordeste sobre o setor rural do Sul e Meio-Oeste. O eleitor afrodescente — um eleitor altamente religioso — se mobilizou em massa, apaixonado pelo Clinton.

Após o boquete que quase abalou a ordem constitucional, quando Clinto foi às igrejas evangélicas de Harlem e Detroit e Birmingham e Watts e Brooklyn, confessando, “Sou pecador,” foi perdoado.

Por Jesus.

Mais no final de contas, para mim, Clinton representou a convergência do duopólio existente num novo núcleo, um novo consenso — conservador, pro-negócio e neoliberal, mais socialmente liberal também — mais afastando os radicais de ambos os partidos.

Não existe mais — se já existisse —  um partido mais socialista e um partido mais pro-mercado e -Estado mínimo. Muito menos uma articulação política da terceira via, que falta representação. (E assim que eu me enxergo.)

Os dois são lutadores numa luta livre mexicana enceneda que leva no fim à mesma coisa.

(Tanto no regime Bush quanto no regime Obama, por exemplo, donos da grande mídia foram nomeados a liderar a “diplomacia pública” — propaganda aberta e semi-clandestina — da República.)

Para voltar ao poder, entretanto, os radicais precisavam escandalizar e polarizar a política de novo. E conseguiram.

Ariana a Maquiavélica

Um bom exemplo disso é a Ariana Huffington do Huffington Post, inspiração do Conversa Afiada de PHA, o homem do PIG e Zé Serrágio-Pedágio.

(Teve graça por alguns 30 segundos. Agora é chato.)

Ariana chegou à atenção pública pela primeira vez como a esposa neoconservadora falastrona de um candidato ao Senado pelo GOP — o grande e velho Partidão da República! — no estado de California, Michael Huffington.

Durante a campanha, apareceu que seu marido é gay.  O casamento, uma triste fachada.

(Hoje em dia tem os Republicanos “Log Cabin,” tentando comprovar que é possível ser gay e careta-conservador à mesma vez. Têm meu apoio moral.)

Ela abandou o marido mais manteve seu nome — para não levantar a pergunta sobre como uma romêna com forte sotaque virou figura importante na política americana — e descampou pro outro lado do campo ideológico.

Ainda assim, manteve o mesmo estilo de comunicação escandalosa.

Agora, por exemplo, está dilacerando a imprensa e a blogosfera conservadora pelo tratamento sensacionalista de um caso de assédio sexual. O acusado é deputado federal Democrata.

Antes, quando um senador republicano foi flagrado solicitando sexo num banheiro público, o partido dele seria o partido de discurso moral e praxis pervertido.

Entretanto, um voto na Câmara sobre a permanência de tropas no Afeganistão.

Quase sem cobertura.

Eu nesse caso sou Mercútio, de Romeo e Julieta: “Amaldiçoadas sejam ambas suas casas!”

Eu guardo minha simpatia para Michael Huffington.

Coitado do cara, caindo nas mãos de uma mulher dessas!

O Senador Sensual

Eu até defendia Renan Calheiros quando todos vocês não defendiam — sabendo mais sobre a história dele do que eu, é verdade.

(Coitado do cara, caindo nas mãos de uma mulher dessas! Que chegou a gravar conversas de cama do casal!)

Ou melhor, eu questionava a legitimidade das denúncias contra ele, deixando aparte a questão dele ser ou não ser bandido asqueroso e coronel pós-moderno herdeiro daqueles responsaveis pelo atraso do País.

Se existam provas de malfeitoria por parte do senador e aliado alagoano de Sarney e Collor, não foram apresentadas. Só isso.

Se mereça meu escarnho, pode ter.

É só explicar direto por que.

No fim do episósdio, mais um anticlimax clássico do escandâlo à brasileira: A única coisa que foi apresentada de concreta foi a tatuagem na bunda de uma jornalista de Globo virada mercadologista política.

A tatuagem foi a marca registrada de BBB 10.

Rezava “[o ator-jornalista (?)] Pedro Bial esteve aqui.”

Até Nassif admitiu que não lhe interessava muito a defesa do Senador Sensual.

Deveria ter.

Não pergunte quem fica na mira do pistoleiro.

Você que fica.