Redes de Redes de Redes, e no Centro: Rendón

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Estou no meio de um projeto de mapear a rede social do Centro Interamericano de Gerencia Política.

Lá, na Florida Internacional University, têm uma forte concentração de consultores políticos dos mais experientes, e lá, ensinam-se muitas das técnicas de comunicação que estamos testemunhando na (pré?-)campanha aqui no Brasil nesse ano eleitoral.

Se houver semelhanças com o “estilo neocon” apontado com muita razão e perspicácia por Luis Nassif, não é por ocaso.

O presidente do CIGP, Mario Elgarresta, cubanamericano, por exemplo, trabalhou na bem-sucedida campanha “Reagan 1980” — eu me lembro de Reagan dizendo durante a campanha que árvores poluam mais do que a indústria pesada — e depois, segundo ele, em sete campanhas presidenciais na América Latina que chegaram lá. (Se o Fujimori fosse entre elas, não sei.)

Se quiser ler um manual de campo, explícito e técnico, da infoguerrilha ultradireitista, é pra lá que você deveria navegar.

Tenho interesse especial em J.J. Rendón, de J.J. Rendón Asociados, consultor ao governo Uribe de Colômbia (apesar de ser venzuelano).

Entre as fazanhas atribuidas ao consultor —  embora ele não comenta  —  foi a divulgação de um editorial da autoria de Cesar Gavíria Trujillo, ex-presidente (1990-1994), secretário-geral do OEA (1994-2004) e liderança liberal, no site de opinião — Comment Is Free — do jornal inglês The Guardian.

Só que Gavíria negou a autoria do texto.

Depois, o Ministério da Defesa colombiano, atingido na honra pelo editorial, admitiu que tratava-se de um fraude — mas só após uma surrada midiática na cabeça de Gavíria por causa das posições defendidas no texto.

O ministro de Defesa na época é da familia Santos, donos do jornalão metropolitano de Bogotá, El Tiempo.

Rendón também trabalha muito no sentido de levantar a bola de fraude no sistema eletrônico de votação na Venezuela — uma bola chutada até estourar por grupos anti-Chavistas como ORVEX. Acima, um editorial nesse sentido que apareceu no jornal venezuelano La Razón, dado como amostra do poder da consultoria de fazer os argumentos do cliente dominarem a imprensa.

A guerra de factóides entre ORVEX e a advogada estadounidense Eva Gollinger — agora redatora de um jornal bolivariano em inglês, com patrocínio governamental — continua acirradíssima. Nunca vi nada igual. Deixaram cair a metralhadoras e brigam agor com canivetes, punhos e pedras, como nas ruas da República Weimar.

Mas deixa-me terminar o trabalho de organizar as informações disponíveis.

Enquanto isso, eu achei legal mostrar algumas das possibilidades do Cmap Tools, software de “mapeamento conceitual,” o qual é tambem muito útil para diagramação de redes sociais.

A coisa mais legal é que a ferramenta tem sua própria rede, onde pode hospedar seus mapas par poder colaborar com outros.

Baixando a ferramenta gratís (programada em Java, e portanto tecnologicamente católica no sentido genérico) pode-se interagir com as mapas em várias maneiras, em vez de ficar com as imagens fixas que apresento aqui. Pode-se até exportar em formal XML para poder utilizar ferramentas mais avançadas de analise, se você tiver a matemática. (Eu me formei em poesia.)

Aqui, eu vou mostrar como pode capturar as redes dentro de redes de pessoas com laços a determinado foco de organização.

Quase qualquer organização hoje em dia precisa de:

  1. Quadros (praças)
  2. Governança (coroneis)
  3. Dinheiro (generalíssimos)
  4. Infraestrutura física (escritórios, servidores de rede)
  5. Parcerias e alianças (redes de apoio)
  6. Presença na internet (facilitação de atuação coordenada)

Acima, então, a ossada básica do CIGP, utilizando os mesmos termos de relacionamento que o site do centro divulga.

A descrição da relação que liga duas caixinhas (o verbo ligando sujeito ao objeto) sempre deveriam ser concretos: Grana, contratos, folha de pagamento, ou outro fato concreto.

Eu uma vez fiquei no mesmo hotel que Lula, em Porto Alegre. Foi puro ocaso. O dólar era poderoso na época, pois eu pude pagar o preço de um hotel quatro-estrelas.

Nem por isso sou “ligado” ao “bebum marxista,” anta de Larry Rohter.

Tirei foto dele no saguão e compartilhei uma mesa de bar com um homem lugubre, tomando um chopp, quer depois eu soube era Genoino. Me lembrava dos polacos com que convivia em Greenpoint, Brooklyn. A mulher dele arrumando a gravata vermelha que nem galinha.

(Isso foi logo após a tentativa de golpe em Venezuela. Ainda assim, o FSM não deixou o Chávez entrar. Não permitia-se governo. Tecnicamente, Lula lá era pré-posse.)

Agora, com a função de nodos aninhados, podemos ampliar a perspectiva para estudar, digamos, as parcerias do CIGP.

Faz clique para ampliar.

(Dica: Clique-direita, abre em nova aba, tire o parâmetro de tamanho — ?w=300 — do fim do endereço (URL), e recarregue a página, ou salve a imagem.)

Da empresa Grupo UpDate S.A. não tem muitas informações num primeiro momento, a não ser que monta o site El Salvador Update, em inglês. Do site, consta a informação do base de dados whois:

Domain Name: ELSALVADORUPDATE.COM
Registrar: GODADDY.COM, INC.
Whois Server: whois.godaddy.com
Name Server: NS61.DOMAINCONTROL.COM
Name Server: NS62.DOMAINCONTROL.COM
Status: clientDeleteProhibited
Status: clientRenewProhibited
Status: clientTransferProhibited
Status: clientUpdateProhibited
Updated Date: 09-nov-2009
Creation Date: 12-dec-2008
Expiration Date: 12-dec-2010

O registro é sigiloso, feito por Domains by Proxy (domínios por procuração).

(Acontece que fico de olho faz tempo nesse ISP por ter hospedado várias campanhas clandestinas de inspiração direitista. O labirínto de servidores DNS que consta no whois do ISP, por exemplo, inclui THEYOUNGCONS.COM — rapeiros neocon de Dartmouth College, um dos berços de neoconservadorismo. Merece mais apuração.)

Ou, se quiser, o conselho consultivo, cada nome de conselheiro consultivo com sua pópria rede de relacionamentos fora desse foco institucional. O CIGP é uma rede de pessoas que sirvem de nodo-chave em muitas outras redes.

Entre o conselheiros, por exemplo, vemos o filho do romancista e presidenciável peruano Mario Vargas Llosa.

(Quem ainda não leu Conversación en La Catedral ou La Guerra del Fin del Mundo, leia.)

Lembramos que Vargas Llosa (pai) apareceu ultimamente com nova organização ligada à rede RELIAL — (1) um patrocinador principal do Congresso Sobre Democracia e Liberade de Expressaõ do Instituto Milennium em São Paulo, e (2) patrociniado pelo Atlas Economic Research Foundation da Rua K, Washington, D.C.

Veja

O filho é colunista lido em 20 países.

Agora falta rastrear a rede de jornais pelos quais escreve. Quantos são clientes, por exemplo, do Innovation International, consultoria fundada por professores da Universidad de Navarra (Opus Dei)?

Ou tomemos o caso do conselheiro Jaime Nabot de Equador.

Ele é atualmente o prefeito de Guayaquil.

Notamos que a Universidade Técnica e Empresarial de Guayaquil é um parceiro do CIGP.

Será que tenha o mesmo de tipo de ligação aqui que o sociólogos e economistas da USP historicamente tem com o PSDB? Vale a pena investigar a hipótese.

Agora, falta adicionar as ligações empresariais e partidárias do prefeito, e outros detalhes desse tipo.

Pode-se também inserir atalhos ou a URLs na internet ou a outros mapas dentro do mesmo conjunto. Note-se a posição do cursor aqui:

E por fim, pode-se acrescentar anotações que aparecem quando passa-se o rato sobre determinado nodo:

Tem verificação ortográfica também, mais como sempre, esqueci-me de aplicá-la.

Sou revisor de textos profissional. É uma vergonha!

Passos Futuros

Na próxima nota, eu vou estreitar o foco para ampliar o análise de quatro personagems-chaves no âmbito das consultorias associadas com o CIGP. São:

  1. Cathy Allen
  2. Dick Morris
  3. J.J. Rendón
  4. Carlos A.B. Manhanelli (presidente, ABCOP e o único consultor político tupiniquim associado com o CIGP)

Dick Morris, conselheiro  de Clinton e autor da estratégia de “triangulação” e a “terceira via” — misturando políticas públicas dos dois partidos — criou uma baderna no México em 2006 após confessar que ele assessorou o PAN e Felipe Calderón, e desenvolveu a campanha “un peligro para México” que rotulou o candidato do PRD de comunista.

Fidel, Chávez, AMLO, Che, Fidel, AMLO, Chávez, Hitler, Mão, em “spots” inumeráveis — IBOPE foi contratado pelo instituto federal eleitoral (IFE) para contabilizar e fiscalizar os “spots,” mas fracassou — apresentados na Televisa (75% do mercado nacional) e pagos por várias entidades do classe empresarial.

Muito do qual é completamente contrário à legislação mexicana.

Morris estreiou a campanha num artigo no New York Post, 3 de abril de 2006 — antes de assumir o contrato com o PAN, e portanto escrevendo como (se fosse) um observador neutro.

Depois, eu vou começar atravessar a rede do outro lado da questão: A Fundação Perseu Abramo, o PT, e o CUT. Qual modelo de organização utilizam?

Eles seguem o mesmo modelo de fundaçãoes ligadas ao partido desenvolvido em Alemanha e copiado pelo Reagan quando fundou o National Endowment for Democracy?

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4 comentários sobre “Redes de Redes de Redes, e no Centro: Rendón

  1. Jotavê

    Maravilhoso o blog. Adorei. O problema, você sabe, é o português. Num texto impresso, os erros não incomodariam tanto, pois a leitura é mais confortável. Num texto eletrônico, isso é fatal. O leitor fica “correndo atrás dos sentidos”, e se cansa. Se quiser, faço a revisão para você, sem problema nenhum. Basta você se comprometer e me enviar o texto até as oito da manhã. Uso o horário das seis às oito para ler jornais e escrever um pouquinho, de todo modo. Não seria incômodo.
    Abraço.

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