Instituto Millenium: Grileiro de Conteúdo

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É o seguinte, meu baião:

É uma cópia não autorizada de uma nota minha pra inglês ver, comentando a tropicalização do pensamento e praxis de um dos consultores políticos mais disparatados dos EUA.

Título: “A cabeça política brasileira e os inimigos da civilização ocidental,” com direito ao trocadilho.

“Westen” em vez de “western” (ocidental) por tratar-se do modismo do livro lançado pelo “programador neurolinguístico” Drew Westen:

É isso: a diferença entres os dois partidos hegemônicos é uma mera ilusão ótica. (E aquele caro do A Cabeça do Brasileiro — dos Instituto Análise e Millenium — plágiou o título.

Ou talvez fosse o co-autor, aquele gringo do Bradesco e uma grande empresa de pesquisa em Chicago, com o nome em letras minúsculas meio escondido na capa, com se sofresse de modestia que beira a vergonha.)

Eu considero que os grandes bandeirantes do Instituto Millenium de familia, tradição e, encima de tudo, propriedade  —  tanto material quanto intelectual —  dentro do Estado de Direito Democrático —  me plagiaram.

Não considero a provisão do URL cru, na pé da paǵina, que leve a minha nota, suficiente para satisfazer o dever de atribuir a obra ao autor dela.

Reza o Chicago Manual of Style — bíblia do redator de textos em inglês Atlântico:

“Ethics, copyright laws, and courtesy to readers require authors to identify the sources of direct quotations and of any facts or opinions not generally known or easily checked.”

“A ética, as leis de direitos autorais, e a cortesia aos leitores mandam autores a identificarem as fontes de citações ipsis litteris e de qualquer fato não de conhecimento geral ou facilmente corroborado.”

O princípio abrange não somente as palavras mais também as ideias e conceitos de obra alheia: analogias, metáforas, e coisa e tal.

A convenção “manchete seguida pela identificação do autor ” — inglês byline — não mudou, que eu saiba, com a metamorfose de ensaios, crónicas, reportagens, desabafos, poesias, cartas abertas às autoridades, et cetera, da velha imprensa de tinta e papel nos fluxos pós-modernos do conteúdo digital.

Fui eu, C. Brayton, o “empreendedor intelectual” que sou, cujo nome consta no lugar tradicional, usando os dedos das mãõs desse corpo de antigo corredor de 800m agora caindo em pedaços, que escrevi o texto.

O contexto do texto é um projeto continuado de tradução, e tem nome: The New World Lusaphone Sousaphone — inspirado na idéia da minha amiga, cantora das Mercenárias, de fundar um jornal chamado da Corneta de Cracolândia.

Com verbas da prefeitura, é claro.

Deveria rezar, então:

The New World Lusophone Sousaphone | The Political Brazilian Brain and the Enemies of Westen Civilization, by Colin Brayton (Instituto Millenium, Clipping, 15/03/10)

(Eu costumo assinar “C. Brayton” por ter vivido a vida inteira com un nome escocês que ninguéum conseguia pronunciar ou lembrar. Meus amigos gringos me chama de Cíbí.)

O fato de tratar-se de um “clipping” também não perdoa o deslize.

Cada manhã de quarta-feira de cinzas eu navego ao site do Ministério de Planejamento, cuja página de “clipping” é realmente um dos melhores blogs do Brasil.

Sem frescuras — ou melhor, todas as frescuras lado a lado, para fácil comparação.

Na página de abertura, o vehículo devidamente identificado:

Na página de matérias individuais, a manchete e depois, o(a)(s) autor(as)(es):

(Talvez a CPI do Bancoop tambérm desafiará o promotor Blat e Diego Coste …. Costag …. aquela vasco da Veja a detalharem as provas das própinas também.)

Se quiserem saber mais sobre a fonte, meu nome e um breve currículo constam ná página “about.”

Não divulgo meu endereço, telefone ou CPF porque não quero qualquer maluco podendo vir atrás de mim. Olhe que aconteceu com Glauco e o filho.

(No entanto, cada santo site no Brasil — o Diário Oficial de São Paulo, inclusive — quer saber tudo isso, e mais, só para se cadastrar no site. Sem dúvida para vender depois para os bons e éticos marqueteiros atuo-regulamentados do Brasil.)

(Meu SSN — CPF-RG gringo — eu guardo com sete chaves, e ninguém salvo vigaristas nigerianos tem a audácia de pedi-lo.)

Tire aquele conteúdo do site, gente.

Ou pelo menos tire a sua marca registrada do meu trabalho.

Eu não endosso o projeto do Insituto Millenium.

Se tivessem a mínima sensibilidade à ironia — ou um inglês do mais básico — teriam reconhecidos que foi uma tiração de sarro maciça.

Na Idade Média, quando livros foram copiados à mão por monges enloquecidos de tédio, um nobre castelano, parente do grande don Affoso o Sábio, reconheceu a problema da deturpação de textos, e escreveu algo assim em cada um dos seus livros:

Quem achar que recebesse uma má cópia desse livro pode achar o original completo e perfeito no Convento de S. Raul Seixas no vilarejo de Novo Lacerda. Honi soit qui mal y pense.

Eis a orígen dos direitos autorais — o autor tem não somente o direito mas também o dever de zelar pela integridade da obra e as informações contidas nela.

Olhem o que aconteceu ao presidente da OEA, Gavíria Trujillo.

Eles botaram o nome dele num texto e conseguiram um jornal muito nova-mídia 2.0(alpha) — com redatores deficientes nas sutilezas da arte antiga e honrada de redação cuidadosa de textos.

Eles botaram-no no ar sem confirmar a sua autoria.

Amadores.

O amadorismo perde seu charme quando a hora chegar de papo de gente grande.

Eu sempre trabalho com a premissa que ainda vale nos EUA: Ausente outra licença explícita, a legislação sobre copyright prevalece.

Tasini v. New York Times. Letra morta da lei.

Eu recebi uma vez um pedido do autor de uma biografia, sobre uma jornalista do MSNBC que cobria a guerra no Afeganistão para a TV estadounidense nos mêses que seguiram, sabe, aquele dia ruim para Nova York. Melhor não dizer o nome.

No blog que mantinha naquela época — a Mexerica Cega (Blind Tangerine) — eu tinha composto uma música caipira tipo irlandesa com letras tirando sarro dela, vagando pela roça e as papoulas de heroína, buscando Osama, em vão, no seu Range Rover blindado.

Oh, we’ll roll through Aghan passes
With our grrrl in hipster glasses
In an armor-plated Range-o Rover-ee (yaw hee!) …

O cara pediu educadamente — e eticamente — se pudesse reproduzir, e eu disse que sem, com atribuição.

Bota meu nome aí, para eu ter do que me jactar lá no boteco.

Aquí no Brasil, se está na internet, é só copiar, colar, e pôr meu nome, e pronto!

Em efeito, eu dou permissão de reaproveitar esse contudo sob os termos da licença Creative Commons 2.5, com algumas ressalvas. Pode reproduzir, uma vez que atribuía o texto de forma adequada.

Mais nada de remix, viu?

Só citando textualmente, em contexto, para que as minhas palavras e intenções não estejam deturpadas ou má-interpretadas maliciosamente.

Uma vez que a Fundação Getúlio Vargas elaborou a versão brasileira da licença CC — e tomou parte no evento do Instituto sobre, entre outras coisas, o respeito para a propriedade alheia — estou achando tudo uma farsa das mais grotescas.

Usucapião é uma coisa, grilagem é outra, mais os donos na mídia e o droit du seigneur não se preocupam muito com detalhes meramente jurídicos — como os direitos do indivíduo criativo.

Latifúndio forever.

Estou cada vez mais comprometido com a luta daquela tradutora e profissional exemplar, Denise Bottman.

Kick ass, Denise! You go, girl!

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