A Rede CIGP: Quatro Consultores Contemporáneos

Padrão

Corrijo a manchete, 2010/28/5. A sigla é CIGP — «gerencia politica» em espanhol e não «politícas de gestão». Também corrijo: Maranhelli > Manhanelli. Não sei porque, eu assisto os vídeos desse cara e penso em Maranhão. O nome parece italiano, mas têm aquele éneagá de Lusitânia. O cérebro linguístico: vai saber.

Continuo aprendendo, fazendo, sobre redes sociais e seu análise, um assunto que estudava alguns anos atrás mas deixei de lado por um tempo.

Após mapear uma rede social, a próxima tarefa é achar os pontos chaves daquela rede.

Tem software que faz isso. Acima, por exemplo, uma rede “mundo pequeno” — seis graus de separação — gerada aleatóriamente, com um análise matemático de centralidade. Não sei explicar direto o cálculo disso, mais nesse caso, participante 3 seria do maior interesse. Se não me engano, vemos a rede «egocéntrica» de 3 aqui, mostrando quem fica visível por ele e quem fica conhecido so de segunda mão.

Outro análise automática da mesma rede mostra a força de grupos e identifica “outsiders” e “insiders” — os de fora e os por dentro.

O programa é SOCNETV, e consta nos repositórios de Ubuntu e Debian Linux.

Ora, no meu projeto amador de mapeamento das redes sociais na qual o Instituto Millenium é embutido, cheguei à conclusão que precisamos saber mais sobre as redes internacionais de consultores políticos.

Consta, por exemplo, que James Carville, responsável pela eleição do presidente Clinton, aparece no Brasil em 2004, prestando consultoria de imagem ao FHC:

Como mostrou Expedito Filho (1994), citado por Almeida (2002, p. 104): “Uma outra questão fundamental no decorrer da disputa simbólica: quem mostrou uma saída para enfrentar o fato de FHC não ser popular foi o marqueteiro da campanha de Bill Clinton, que veio ao Brasil em maio de 1994. James Carville sugeriu que ao invés de tentar aproximar-se dos pobres, assumisse ‘o papel do homem preparado para solucionar o problema dos pobres’. Estava resolvido. A partir daí, deixava-se de lado a tentativa de transformar FHC naquilo que não era. Reforçava-se o entendimento geral que o tucano era mais preparado para assumir a Presidência da República.”

Bons conselhos, e nada de baixaria nisso. Carville não é burro, não.

Fonte: Paulo Henrique dos Santos, “Estratégias de marketing utilizadas nas campanhas presidencias de FHC em 1994 e 1998: uma análise a partir do surgimento do real,” sem mais informações bibliográficas no texto. Terei que rebuscar o URL. Chato. O autor é português de Portugal.

No fim, eu quero entender melhor as ligações entre partidos políticos, ONGs e OSCIPs, consultores, lobistas, empresas multinacionais — de mídia e TI, especialmente — e governos.

Esse approach não é nenhuma inovação minha. São os “ecosistemas” pregados pelos professores da faculdade de gestão de empresas de Harvard, os livros dos quais são lidos e seguidos à pé da letra pelo empresariado.

Aqui, porém, sem talento matématico e sem ter acabado o trabalho de mapear a rede do Centro Interamericano de Gerencia Política (CIGP), da Florida International University, eu fiz duas escolhas mais ou menos na base de um palpite.

Escolhi o grupo de consultorias associadas com o Centro, e dentro delas, pessoas de interesse que eu já conhecia (J.J. Rendón, Dick Morris) ou que apareceram com destaque durante o análise (Cathy Allen, Manhanelli).

Dick: Intérprete do Mundo para Inglês Ver

A escolha de Dick Morris é óbvio.

Diferentemente de muitos consultores, geralmente de perfil discreto, é uma figura mídiatica de grande destaque nacional.

Já era estrategista de Clinton, mas depois externou seu desilusão com Bill e Hillary, e já publicou, por exemplo, um livro repleto de sarcasmo em resposta à autobiografia de Hillary candidata.

Agora, está em campanha contra as reformas no setor de saúde de Obama — uma política desenvolvida com bastante coragem, eu diria, por Hillary.

O “ex-blog” de Cesar Maia faz menção elogiosa da sabedoria de Morris de vez em quando.

Além disso, tem prestado serviços a várias candidaturas sudamericanas de alto perfil durante a última década, as mais importantes sendo de Vicente Fox (PAN) e Felipe Calderón (PAN) em México.

Esse último foi polêmico porque a legislação mexicana — assim como a brasileira, que eu saiba, e me corrijam caso contrário — veda tal participação de pessoas físicas e jurídica estrangeiras. A legislação dos EUA decerto proibe.

O Wal-Mart, por exemplo, foi alvo de protestos por ter feito propaganda eleitoral por Calderón e contra seu opositor principal em suas lojas mexicanas.

Foi Morris e Rob Allyn — esse último introduziu a lema num artigo no New York Post em Abril de 2006 — que cunharam a campanha “um peligro para México,” bancada por entidades da classe empresarial multinacional, por meio de fachadas, e divulgada noite e dia na rede Televisa, que detem 75% do mercado.

Após meses dessa campanha, o IFE, instituto federal eleitoral, julgou a propaganda irregular — e proibiu futura divulgação. Só.

A atuação de Morris na Quênia precisa de esclarecimentos.

Pesquisas de boca de urna patroniciadas pelo International Republican Institute foram duvidosas — quando divulgadas — alimentando a clima de violência após a votação.

Uma situação atroz, no qual membros do governo foram apanhado em carros oficiais encarregados de cassatetes e armas brancas. Armavam milícias para fazer a limpeza étnica de nómades cadastrados em distritos eleitorais estratégicos.

Morris representava a oposição, mas também apoiava a solução mambembe na qual o presidente atual ficava e o opositor virou primeiro ministro. (Lembra o breve período de parlamentarismo no Brasil, né?)

Morris tem defendido pesquisas de boca de urna dente e unha em alguns casos, e atacados tais pesquisas como a fonte de toda corrupção em outros.

Morris é onipresente na mídia nacional dos EUA, com blog, livros, programa de rádio, comentário de televisão, e projetos de internet. Tem estreitos enlaços com NEWS Corp., de Rupert Murdoch — dono da SKY TV, além do Wall Street Journal e o New York Post.

Com o sumiço de verbas para correspondentes estrangeiros, notícias de além são progressivamente sujeitas ao efeito “guardião do portal” — gatekeeper. Cada vez mais, peritos de institutos de pesquisa com ligações nebulosas pautam essa editora.

Morris é o cacique e shamã desse tribo.

Tem muito mais a dizer sobre essa figura, mas por enquanto, eu diria que será interessante ver se Morris e associados chegarem a bater a boca sobre o governo terrorista por vir no Brazil.

Esse lance atrevido do governo brasileiro na Oriente Média já despertou a raiva do AIPAC, o todo-poderoso lobby pró-Israel.

A Feminista Discreta

Agora, em contraponto, temos Cathy Allen, figura discreta e Democrata leal do Noroeste do Pais, a terra da alta tecnologia (leia-se Microsoft).

O lance mais visível da firma dela, o Connections Group, é ampliando a participação política das mulheres — fato que ainda não acrescentei ao mapa.

O grupo presta consultoria sobre políticas públicas ao governador do estado de Washington, que ele ajudou a eleger, e consultoria de campanha a candidatos locais.

Ele também presta serviços ao jornalão da região, o Seattle Times. De qual natureza ainda não sei.

Uma atuação modesta, so que Cathy parece ter participação crescente em assuntos estrangeiros também. Liderou, por exemplo, uma iniciativa do National Democratic Institute, fundação partidária bancada pelo National Endowment for Democracy — bancado em torno pelo contribuinte.

Foi um projeto de apoio a candidaturas de mulheres no Maroccos, nas primeiras eleições após a passagem de uma lei estabelecendo cotas no parlamento para representantes femininas.

Tem denúncias — fundadas ou não, ainda não sei — da firma Connection atuar como virtual parte do governo, representando o governo em eventos pagos com verbas públicas, que segundo os códigos éticos não deveriam ser utilizados para fins partidárias — a mesma praga que vimos com o governo Bush ibn Bush.

Cathy chegou a ser vice-presidente da IAPC, a associação internacional de consultores políticos, e portanto, mereceu destaque, achei.

Manhanelli: Aquela Velha Emoção

Entretanto, no gigante pela própria natureza, a firma de Manhanelli Associados tem orgulho do convite recente a juntar-se à IAPC.

Do Maranhelli — me corrijo — Manhanelli (8/4/10) –não consta muitas informações disponíveis ao robô de Google.

Só que é presidente da ABRACOP, o autor do livro Eleição é Guerra, e tem feito 256 campanhas — não citadas por nome que eu consegui descobrir até agora.

Tem um site de TV por internet também, onde eu assisti alguns discursos dele.

Está papagaiando o evangélio do “cérebro político” e o apelo as emoçĩoes primitivas do eleitor, assim como pregado pelo Instituto Análise, que papagia o livro de Drew Westen.

O apelo emocional, na verdade, e um a velha tática udenista-midiática-fascista. Eu sempre aponto a campanha institucional da Globo dos anos 1970s nesse sentido: “Emoção, amor, alegria, informação.”

Naquela ordem de prioridade e naquela exata proporção.

//i113.photobucket.com/albums/n216/cbrayton/Stuff/emocao.png?t=1198324601” cannot be displayed, because it contains errors.

Vistas no G1, por exemplo, lado ao lado no mesmo dia, duas manchetes:

  1. Eleições de Honduras começam em clima de tranquilidade
  2. Eleições de Honduras começam em clima de medo e incerteza

Rendón: O Novo Rasputin

Chamado do «Novo Rasputin» pelo semanário colombiano Semana após tentativas de chantagear integrantes da coalição do governo Uribe — ele teria dito em conversa gravada com um congressista que tivesse o poder de lançar um escândalo de pedofilia na mídia que destruiria a carreira política do homem — Rendón é a figura que mais me intriga.

Que eu consegui entender, tratava-se de uma certa autofagia dentro da aliança uribista — assim como foi o caso da Primeira Leitura e a alianças PSDB-DEM, parece. Não sei não.

Alguns quadros da base começaram a ter ideias próprias. Era para tocar a manada de volta ao caminho certo, inclusive com ameaças de chantagem. Até o El Tiempo — da familia Santos, dois primos do qual eram ministros no governo Uribe — reclamava de Rendón, talvez um reflexo de um elemento de uribismo reagindo à jogada suja de outra.

Tenho aqui em algum lugar o texto de um seminário sobre boatos e pânicos morais, conduzido pelo consultor e colegas dele.

Conta um caso muito famoso, de México, onde especuladores imobiliários espalhavam boatos sobre a iminente explosão de um vulcão, à pé do qual situava-se uma grande favela.

Um jornalista local engenhoso conseguiu rastrear os e-mails espalhando o boato até suas fontes — especuladores imobiliários com ligações políticas, quem diria — e deu no jornal.

México lidera o mundo no número de jornalistas mortos por causa do seu trabalho.

A lição de casa, para Rendón: cíbersegurança de comunicações para evitar deixar rastros.

Isso é, o “ontopsicologista” e adepto do budismo zen estuda as fraquezas do ser humano para melhor explorá-las.

Nesse sentido, a prática de política eleitoral seria essencialmente anti-educativa.

Em vez de ensinar os facilmente iludidos a pensar criticamente, a satisfação do Schadenfreude.

Como eles são faceis a enganar.

Portanto, minha própria superioridade.

Já temos um ótimo manual nesse sentido em bom português: Como Ganhar um Debate sem Precisar Ter Razão.

Olavo de Carvalho traduz e lança sob título mais popular o anti-sofístico de Schopenhauer como um manual prático da arte negra de confundir, iludir e desconversr.

A mudança de título faz explícita a inversão de valores. Leiam o prefácio do original. Apesar de sua fama de pessimista, Schopenhauer ainda escreveu o tratado na tradição de Maimonides e O Guia dos Perplexos.

Mas voltemos ao Novo Rasputin social nas redes.

Não tem muitas informações concretas. Ele se diz

Psicólogo, publicista, con postgrado en Ontopsicología y Desarrollo Organizacional, además tiene amplios estudios en Psicología de la Comunicación, Rumorología, Mémetica, Cinésico-proxémica, Liderística, Planificación Estratégica, Gerencia, Publicidad, Mercadeo Político y Estrategia de Campañas Electorales. Ha sido Profesor Universitario de: Investigación de Mercados y Opinión Pública, Creación de Campañas Publicitarias, Psicología de la Comunicación, Mercadeo, Teoría de Historia de la Opinión Pública y Producción de Mensajes Publicitarios y conferencista en temas afines en múltiples foros, instituciones, universidades internacionalmente. Más de 17 años como Consultor Estratégico Integral para campañas presidenciales, provinciales, municipales y legislativas en Sur América, Centro América y el Caribe. Trabajó en la campaña presidencial de Carlos Andrés Pérez y Rafael Caldera a la Presidencia de Venezuela. Es miembro de AAPC [EUA], la IAPC y Asesor del Centro Interamericano de Gerencia Política. En el 2000 recibe el premio de la Asociación Latinoamericana de Consultores Políticos (ALACOP) por “Su contribución al desarrollo de nuevas técnicas de comunicación política en América Latina”

“Cinésico-proxémica”?? Amoxicilina cuida daquilo?

Também é presidente do AVACOP, associação de consultores políticos de Venezuela. Se auto-intitula um “guru” no site dele.

Em Venezuela, após a vitória de Pérez,

Manejó la imagen de los cuatro ministros de la defensa durante ese mismo gobierno, con énfasis en lo relacionado al control de seguimiento o ataque de rumores.

Durante a campanha de Caldera,

Fue el vicepresidente creativo y gerente general Chiripa Publicidad grupo de comunicación marketing político responsable de la victoriosa campaña presidencial del Rafael Caldera en el año 93.

Também é ou já foi

catedrático en las universidades Católica Andrés Bello, Simón Bolívar, Central de Venezuela y la del Zulia, además del Instituto Tecnológico de Monterrey, en México,

Atualmente:

Actualmente reside en México, donde ha realizado una reconocida labor para el Partido Revolucionario Institucional (PRI)

Sem, mais desde quando, e para quem? Disso eu gostaria de saber mais. Existe polêmica sobre a questão de trabalhos reconhecidos e não reconhecidos, embora feitos sim..

Na eleição do estado de Guerrero em 2005, segundo um relatório do CSIS (Center For Strategic and International Studies, Washington, D.C.), o candidato do PRD

.. also argues that the PRI hired Venezuelan political consultant Juan José Rendón to provide advice to its campaign. The PRI denied hiring Rendón, who had worked for Venezuelan politicians Carlos Andrés Pérez and Hugo Chávez.
«… alegou que o PRI contratou Rendón para assessorar sua campanha. O PRI negou empregando Rendón, que já trabalhou para os políticos Venzulanos Pérez e Hugo Chávez
Jura? Tio Hugo? Disso eu não sabia. Vou tentar confirmar. Duvido.
Mais pode ser, uma vez que o MVR de Chávez apoiou a Convergência Nacional, em troca da anistia promulgada por Caldera em favor dos golpistas de 1992.

Segundo a agência Notimex, Rendón dirigiu a candidatura de Porfírio Lobo em Honduras após o golpe:

El conocido estratega político venezolano, JJ Rendón, es el diseñador de la campaña del candidato presidencial del opositor Partido Nacional, Porfirio Lobo Sosa, quien según encuestas es favorito para ganar hoy las elecciones en Honduras. Juan José Rendón dijo en entrevista con Notimex que asesora a Lobo desde junio de 2008, pensando en las elecciones primaras de febrero pasado y a nivel interno del Partido Nacional, uno de los dos institutos políticos tradicionales, con más de un siglo de fundado.

Todas as infomações gerais de JJRendon.net, site oficial da consultoria dele, ou de perfils dele disponíveis em vários sites de universidades onde lecionou, salvo no caso de outras fontes explicitadas.

Não há divulgação de quaisquer serviços prestados em Colômbia, apesar de reportagens na imprensa de lá sobre essa atuação.

Nota Final

Concentrados no CIGP, então, achamos lideranças de associações nacionais de consultores políticos que também são reunidas em outras tantas redes internacionais e regionais de consultores políticos.

É por isso que eu acho o CIGP tão central para nossa análise de redes sociais.

Do mesmo jeito, por ser o único participante brasileiro, o Manhaanelli seria o portal (“gatekeeper“) dessa comunidade no Brasil.

Mais ainda há muito trabalho de pá a ser feito.

2 comentários sobre “A Rede CIGP: Quatro Consultores Contemporáneos

Os comentários estão desativados.