O Novo Estadão e a Obra de San Escrivá

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Bem pode dizer que o Opus Dei utilize o autoritarianismo de uma maneira diferente do que os Jesuitas. Temos que corroborar isso. Mas julgando apenas pelos textos podemos concluir que a obediência de Ignácio era mais fascista. Então, se mantivermos a palavra “fascista,” deveriamos difrenciar entre fascismo bom e fascsmo ruim. Alternativamente, deveriamos também mencionar os Jesuitas e Ignácio de Loyola cada vez que falamos do fascismo católico. — Anónimo, “Diálogo de um Jesuita e um Numerário de Opus Dei” (original em inglês)

Novo e notável: Opuslibros | Los ‘liberales’ del Opus Dei.

Constou em nosso primeiro mapa da rede social do Instituto Millenium que, supostamente, as duas editoras que fornecem o Conselho Editorial do Instituto são “ligadas ao Opus Dei” (acima), com o Carlos Alberto di Franco a alegada ligação chave ou “guardião do portal.”

Dá para aprofundar esta afirmação, aprofundando nas ligações da prelacia do Vaticano, integrantes do qual fundaram a consultora de mídia convergente Innovation International

.

O Estadão foi o primeiro cliente da consultora ligada à Universidade de Navarra, instituição de ensino superior financiada pelo Opus Dei.

Hoje, o Grupo Estado e sua consultora estão promovendo o novo projeto da familia Mesquita, o Peabirus, uma rede social.

Num mapa preliminário, eu mostrei um raio-X parcial dos clientes, sócios, e gerentes regionais da consultora.

Entre os clientes, a Globo, cujo ministro de propaganda é Ali Kamel, notável defesor de Opus Dei nas páginas de O Globo.

Entre a diretoria um diretor — Thomaz Souto Corrêa — egressso da Editora Abril.

Entre os diretores regionais, SEÑOR, com passagenss (1) pela rede pública dos EUA, PBS — pública de economia mista, com dinheiro do contribuinte e de doadores físicos e júridicos da “sociedade civil”; (2) CNBC, informações empresariais do MSNBC, do Microsoft e Universal; (3) o braço international de TV do grupo dono do New York Times; e (4) o braço de TV do Wall Street Journal — agora da NEWS Corporation de Rupert Murdoch, também dono da SKY-TV.

No site Opuslibros.org, por exemplo, consta uma detalhada história da ala “liberal” dos seguidores do Santo José Maria Escrivá.

Conta a carreira jornalística e midiática de muitos numerários e supernumerários desde os anos 1960s.

Tem gente no suite executivo do grupo espanhol Prisa-Santillana, por exemplo — uma editora da qual lançou os livros de Diogo Mainardi, cabe mencionar — e muita gente passando pela porta giratória entre a política, a imprensa, e movimentos religiosos.

Realmente, para fazer jús a a essa história, precisa-se um mapeamento visual dos nomes com seus laços institucionais.

Para encurtar essa nota, porém, vamos enfocar um nome que antigamente — na época em que esbocei a rede social, ou “ecosistema profissional-empresarial”, acima — constava entre os gestores regionais da consultoria do Escrivá: Juan Antônio Giner.

Depois, um relato geral do pensamento de Opus Dei sobre o liberalismo, e uma nota sobre o “jornalismo de innovação.”

A juventude de Giner parece ter sido bem arruaceira:

De los grupos “liberales” es el que se formó en torno a la revista “Gaceta Universitaria”, en torno a jóvenes numerarios como Andrés Garrigó y Juan Antonio Giner. Tuve ocasión de formar parte de la informal plantilla de esta revista que padeció 10 expedientes gubernativos, diversos procesos ante el Tribunal de Orden Público y al que las multas impidieron seguir adelante. “Gaceta Universitaria” fue una aventura similar a la del Madrid, aunque en escala menor y menos moderada. Garrigó se recolocó como corresponsal de “La Vanguadia” en Bruselas …

O Giner recentemente refundou a Gaceta, segundo relato do blogueiro castelano autor de Cuatro Tipos — um ótimo análise de design e tipografia, aliás:

Quanto ao conteúdo que levou o jornal grátis à Justiça tantas vezes, não consta.

Vou pesquisar.

Agora, o Giner:

Giner fue muchos años exitoso profesor de Periodismo en Navarra, hasta que abandonó el OD y se ha instalado en los Estados Unidos, de cuyo sistema democrático fue siempre gran defensor, como buen liberal. La cabecera de la revista ha terminado en manos del grupo “Recoletos” (por cierto el editor de “Telva”) que la ha convertido en un periódico gratuito.

Recoletos, ca. 2003, passou a ser propriedade do grupo inglês Pearsons — Financial Times — até a sua venda para o grupo El Mundo — RCS MediaGroup, dono de 96% de Unidesa– em 2007.

O blog Reunião de Pauta anota uma palestra de Giner no congresso do World Association of Newspapers em 2008, onde deu os conselhos seguintes para seu jornal sobreviver:

  • Seja diferente.
  • Agite um pouco as coisas.
  • Faça o inferno e venda jornais.
  • Faça os leitores sorrirem, não ficarem deprimidos.
  • Publique boas histórias.
  • Seja hiperlocal.
  • Integre (redações) ou morra.
  • Gráficos, gráficos, gráficos.
  • Teste idéias radicais.

Giner foi o fundador e principal dirigente do Innovation, segundo o relato de Suzana Barbosa do Universidade Federal Fluminense sobre convergência digital no 6o Congress SOCOM.

De acordo com o Innovation Media Consulting Group, que possui mais de 15 anos de atuação em vários países, inclusive sendo responsável pela implantação de modelos de convergência jornalística em diversas empresas, a integração de redações éuma estratégia de crescimento. Como explica o seu fundador e principal dirigente, Juan Antonio Giner, a visão que esta consultoria estabeleceu para a indústria dos meios é:―De companhias de meios para engenhos de informação … (Giner, 2009, tradução nossa).

Anote-se que o autor do texto sobre Giner é … Giner.

Falando de si na terceira pessoa, que nem um imperador.

Também e “pesquisador senior” na universidade Harvard, segundo uma palestra que deu em 2009 ao primeiro ENCONTRO ESPM DE COMUNICAÇÃO E MARKETING — o que talvez ajudaria a explicar o patrocínio de Harvard ao evento sobre Democracia 2.0 do Instituto Milennium:

Fundador e sócio-diretor do INNOVATION International Media Consulting Group, empresa global de consultoria e análise de tendências em mídia, com atuação em 28 países. Membro do Conselho Consultivo da World Association of Newspapers (WAN), publica, desde 1999, em co-autoria com Barry Sussman e Claude Erbsen o relatório anual, “Innovations in Newspapers” para essa entidade. É pesquisador sênior da Universidade de Harvard, foi o primeiro Diretor europeu da Society of Newspaper Design (SND) e fundouSpanish Society of Newspaper Marketing (SEMP).

Especificamente, é fellow da Fundação Nieman, comprometida com a formação de jornalistas desde 1938 e liderada por um alto executivo, agora de pijamas, da rede (MS)NBC.

Em fim, trata-se de uma consultoria de alta capilaridade internacional, com lideranças entre associações internacionais do empresariado da imprensa, fornecendo influência á ala “liberal” de uma prelacia do Vaticano fundado por um santo filofascista cuja beatificação foi muito polêmica.

Qualquer referência ao polêmico, porém, não aparece mais na hagiografia do santo na Wikipédia lusófona. Aparece, sim, na versão pra inglês ver, mais com forte viés em favor das refutações do próprio OD:

One of the most controversial accusations made by the opposition to Opus Dei is that Escrivá was active in bolstering the support of Fascist regimes,[42] including that of Francisco Franco and Augusto Pinochet in Chile. Peter Berglar, a German historian and member of Opus Dei argued that connecting Opus Dei with fascist regimes is a “gross slander,”[43] and there were notable members of Opus Dei, such as Antonio Fontan and Rafael Calvo Serer, who were vocal critics of the Franco regime. Journalist Noam Friedlander state [sic] that allegations about Opus Dei involvement [sic] in the Pinochet regime are “unproven tales.”[6] Escriva’s close collaborators were unanimous that Escriva despised dictatorships.

Nenhuma das alegadas provas das denúncias são apresentadas, nem os opositores identificados. Quatro integrantes do própio OD são citados, além de uma jornalista, Friedlander — quena verdade é uma roterista para SKY-TV e autora do livro What is Opus Dei? — e uma unanimidade anónima de colaboradores íntimos do santo.

Opus Dei Liberal

Primero, maticemos, ¿qué se entiende por “liberal”?

Voltamos agora ao cuidadoso relato histórico do site Opuslibros.org.

Contexto histórico: la España franquista del “desarrollismo” (años 60, hasta la muerte de Franco). En este momento histórico, “liberal” podría ser todo aquel defensor de la libertad personal en un régimen que la negaba. Cabrían en este matiz muchas “sensibilidades”, desde conservadoras, democratacristianas, hasta la izquierda clásica. Sin duda alguna en el OD de entonces  encontramos exponentes de las dos primeras y algún simpatizante aislado de la segunda.

Na maioria, filofranquistas e adeptos do modelo tipo “milagre econômico” do regime militar brasileiro. Não marcharam no Diretas Já.

También por “liberal” se entiende el que se adhiere a la corriente política del liberalismo, tanto político como económico. En este sentido, “liberal” se distingue de conservador (aunque cabría la corriente “liberal-conservadora”), de democratacristiano y, por supuesto, de socialista o comunista. Existieron en el OD bastantes defensores de la economía de mercado (liberales en el sentido económico del término) y menos liberales en sentido pleno (político y económico).

Fala por si.

Por último, también podemos hablar más genéricamente de “talante liberal”, concepto más genérico, sin adscripción política y que puede ser atribuido a personas flexibles en lo intelectual y en lo personal, poco rígidas, dialogantes y comprensivas, aunque su adscripción política no sea estrictamente liberal.

Até eu gostaria de ser essa última pessoa. E cheguei a corresponder com um professor de jornalismo da Navarra vários anos atrás que realmente me impressionava assim. Só que sobre alguns pontos era sempre meio esquivo …

O “Jornalismo de Innovação”

Para fechar, volto a algumas pesquisas que eu fiz poucos anos atrás sobre o movimento chamado do “jornalismo de innovação.” Definiu-se, por um instituto dedicado ao novo campo de conhecimento na universidade Stanfored, como “jornalismo sobre a innovação.”

Assim, um blogueiro gringo é um gringo que escreve blog. Uma rosa é uma rosa é uma rosa é uma rosa é uma rosa é uma rosa é uma rosa é uma rosa é uma rosa é uma rosa é uma rosa …

[a vir]