Chicologia: O Instituto Cato e o MONGO Mexicano

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Vocês brasileiros não prestam a devida atenção ao México.

México México México México linduuu …

É o país do seu futuro na visão do Instituto Millenium.

Durante minhas vagabundagens pela rede social do Millenium, eu comecei ontem anoite a preencher algumas das lacunas na rede RELIAL.

RELIAL é aquela rede de redes de partidos políticos, ONGs e institutos de pesquisa que patrociniou o famoso (anti-)foro de São Paulo sobre a democracia e liberdade de expressão.

Ora, eu fiz uma baita de uma nota sobre a conexão mexicana da RELIAL, mais perdi durante a postagem.

WordPress me ferrou — coisa rara, mais acontece.

Vou tentar recriar a nota com mais brevidade e melhor organização.

Trata-se dos seguintes assuntos:

  1. A venda do padrão eleitoral de México (Caso ChoicePoint)
  2. O Caso Hildebrando
  3. IFE e IBOPE
  4. O Caso PREP
  5. O Caso ISOSA
  6. A Toma de Posse de Calderón
  7. Gil Diaz, o Auditor de Ferro
  8. A Lei Televisa
  9. O Mexico Business Forum como MONGO
  10. Hipótese: O IMIL é um MONGO

A conclusão à qual quero chegar, se houver argumentos coerentes para tal, é que o IMIL brasileiro seria um MONGO muito parecido com o MONGO representado aqui como parte da rede RELIAL.

Um MONGO — termo da minha invenção, que eu saiba — e a sigla para media-orchestrating NGO … ONG que pauta a mídia. (Pode também ser um MINGO — uma ONG que infiltra e/ou influe a mídia.)

A atuação do Cato Institute é o estado da arte de MONGOlismo.

Dick Morris — assessor da campanha do PAN em 2006 — é o MONGOlóide por excelência.

Num primeiro momento, então, aponto novo elemento no mapa da rede social do RELIAL, a Red Liberal de la América Latina, financiada pela Atlas Economic Research Foundation da Rua K, a indústria de lobby dos EUA.

Trata-se do Mexico Business Forum, uma empresa de direito privado com os clientes mostrados acima (faça clique para ampliar).

Os clientes incluem (1) empresas norteamericanas, (2) o Instituto Cato, (3) instituições de pesquisa e ensino superior, e (4) o governo federal de México, especificamente a secretaria da Hacienda (Fazenda).

Haveria vários focos de organização deste tipo “quase não-governamental” (quaNGOs) que finaciariam a campanha de Rob Allyn durante a temporada eleitoral: que o opositor principal de Calderón seria “un peligro para México.”

A Televisa, com 75% do mercado nacional, divulgaria a campanha.

Um jornalista chapa-branca do Wall Street Journal, John Lyon, espalharia a campanha tanto nas páginas do jornal quanto na rede pública de rádio, onde seria descolado como “perito regional.”

A autarquia IFE, instituto federal de eleições, julgaria a propganda irregular, e mandaria a rede deixar de divulgar.

Mas só após várias semanas de saturação do mercado nacional com imagens do candidato ao lado de Fidel, Che, Mão, Chávez, e Hitler.(Hitler, não, mais em inúmeros vídeos de YouTube, vídeos amadores com cortes rápidos entre os discursos de Hitler e López Obrador, e como trilha sonora a música “Puto,”  de Control Machete.)

Os conselheiros do IFE, segundo várias fontes jornalisticas mexicanas, foram quase todos protegidos políticos de La Maestra, a Sra. Gordillo, assentados antes da expulsão da presidenta-vitalícia do sindicato SNTE do PRI.

Depois, ela fundaria o partido PANAL — afiliado da rede RELIAL, assim como os Democratas do Brasil.

Entre as ações mais polêmicas da autarquia foi a contratação sem licitação de uma empresa de informática, Hildebrando, para fazer a contagem e divulgação dos resultados do pleito em tempo real.

A empresa pertence ao irmão da mulher do candidato do PAN, Felipe Calderíon.

Enquanto isso, em 2005, a empreiteira de processamento de dados ChoicePoint tinha sido descolada pelo FBI e Homeland Security para conseguir o padrão eleitoral de México, base de dados com fichas de 65 milhões de eleitores mexicanos.

Conseguiram, subornando servidores públicos do governo federal mexicano.

Esses servidores foram julgados culpados de traição à Pátria e corrupção passiva.

Levaram multas. Um burlesco grotesco.

Depois, a jornalista Carmen Aristegui da CNN Español mostraria no show dela um site que dava acesso ao padrão eleitoral de 65 milhões de eleitores mexicanos.

O PAN denunciou uma armação, um site fake.

Depois, abandonando essa teoria, disseram que o site foi deles, sim, mas não passava de um base de dados de militantes do partido.

Mas os peritos de TI convidados pela Carmen mostraram um site, com o logotipo do PAN, registrado no nome de Hildebrando, e com o usuário e senha Hildebrando117, que realmente apresentou um interface a um banco de dados.

Mostraram, ao vivo, uma pesquisa para o cadastro do presidente e candidato do PRI, que não seria militante do PAN.

Conseguiram seus dados, inclusive seu cadastro eleitoral.

Tal acesso por um partido político é ilegal.

Apresentava-se na época, então, o cenário seguinte:

O FBI, como parte da comunidade de informações, contratou ChoicePoint, que subornou servidores públicos — depois condenados no incidente — para receber os dados.

Isso seria uma violação da legislação norteamericana sobre práticas corruptas no estrangeiro. O congresso dos EUA investigou.

O nexo que eu, pelo menos, ainda não entendi direto, seria aquele entre a comunidade de segurança nacional dos EUA e os consultores políticos que asssessoriam a campanha do PAN daquele ano — Dick Morris e Rob Allyn.

Se passasse pelo Departamento de Estado e o National Endowment for Democracy, aos quais os dois consultores são afiliados, não me surpreenderia.

Mais sigamos adiante. ¡Arriba! ¡Andale!

Quem foi contratado para fiscalizar os “spots” — breves anúncios de 30 segundos na TV e rádio — foi o IBOPE.

Isso. Seu IBOPE brasileiro.

A fiscalização de IBOPE falhou.

Não entegaram um sistema de monitoramento de mídias que funcionava. Portanto, muita propaganda ilícita podia circular em rede nacional sem fiscalização ou consequências jurídicas.

Os Resultados do PREP

Estatísticos mexicanos, porém, monitoreavam com bastante sucesso a chegada de dados do sistema PREP, montado por Hildebrando.

Acharam anomalias estatísticas no fluxo de dados que indicavam a intervenção de um algoritmo na entrega de dados.

Uma distribuição normal de dados recebidos, em ordem cronológica, teria sido:

A distribuição observada foi:

A repentina reviravolta na tendência de voto nos dois candidatos principais, observada durante as últimas horas da contagem de PREP, foi descrito por um estatístico mexicano como astronomicamente improvável:

Um blogueiro e executivo do ICANN, presente no IFE naquele dia, forneceu testemunha ocular de que a contagem foi parada por várias horas por razões jamais explicadas.

Vou botar o link.

Depois, o IFE contataria Nielsen Net Ratings — um parceiro internacional do IBOPE — para explicar as anomalias de outro jeito. Lá o debate caiu num buraco negro de matemática avaçanda, mas o IFE e o TRIFE se deram por satisfeitos.

Resumindo, então: empresas, o governo federal, e nosso MONGO, o Instituto Cato, bancaram uma campanha de propaganda clandestina à qual um IFE politicizado fez vista grossa, com a ajuda da incompetência do IBOPE.

Um parceiro do IBOPE foi descolado a buscar uma explicação para anomalias estatísticas no fluxo de dados do PREP — montado pela Hildebrando, firma com óbvios conflitos de interesse.

Não dava para negar que houvesse anomalias porque o fluxo de dados foi fornecido pelo próprio PREP em tempo real. Buscou-se então uma explicação tendo a ver com a natureza quántica da realidade para explicá-las.

Chicologia: Apresentando Gil Díaz

Agora enfocamos esta outra figura inédita em nossa rede social do RELIAL: ex-Secretário de la Hacienda mexicano e hoje diretor regional da espanhola Telefônica, Francisco Gil Díaz — autoentitulado durante seu reino como O Auditor de Ferro.

Entre as denúncias contra Gil Díaz é a suposta lotação de cargos de geréncia na alfândega (aduanas) mexicana com parentes e protegidos.

Tem indícios claros disso. Os bois tem nomes.

A denúncia mais grave é que essas pessoas controlassem e tributassem a contrabanda internacional em vez de fiscalizá-la.

Chicologia

O maior Chicologista mexicano deve ser o jornalista Miguel Badillo, do blog Ofício de Papel e diretor da revista Contralínea.

Manchete de Contralínea hoje:

Las administraciones de Vicente Fox y Felipe Calderón benefician a empresarios afiliados al Partido Acción Nacional con más de 37 mil 600 millones de pesos mediante nueve Proyectos de Prestación de Servicios licitados en las secretarías de Salud y de Comunicaciones y Transportes. Los esquemas de negocios implican una deuda pública a pagar en más de 20 años. La fiscalización de la Cuenta Pública 2008 revela incumplimientos de los empresarios en los contratos; además, censura que la deuda millonaria no fuera consultada ni aprobada por el Congreso de la Unión, como lo ordena la Constitución.

A soma constatada lá seria uns US$350 milhões ou R$650 milhões.

Jornalistas brasileiros querendo aperfeiçoar-se na investigação financeira deveriam acompanhar o trabalho desse colega mexicano.

O Caso ISOSA

Badillo é talvez mais conhecido pelo livro-denúncia ISOSA: Fraude Transexenal de la Nación.

(Não estou achando o livro à venda mais nas livrarias virtuais. Preocupante.)

No livro, ele apontou um esquema no qual Gil Díaz contratou, sem licitação, uma empresa pertencendo a uma laranja dele, em parceria com o Oracle, para fazer uma reforma radical e informatização de fundo dos processos de contabilidade e fiscalização na Hacienda.

O projeto falhou e dinheiro sumiu. Muito dinheiro.

Segundo o Badillo, o ASF, auditoria superior federal, fez vista grossa.

No fim do mandato Fox, o Auditor de Ferro foi convidado a juntar-se a diretoria de pelo menos três firmas: Telefônica, HSBC e o banco de investimento J.H. Edwards.

O caso de HSBC foi polêmico porque o banco tinha sido beneficiado pela gestão de Gil Díaz, e acabou tirando o convite.

Gil negou que ia pro setor privado — o código de conduto de servidores públicos proibe isso por um período de dois anos, se não me engano — dizendo que ia lecionar na universidade Stanford, em California.

Badillo contesta as negações de Gil nesses casos:

El ex secretario de Hacienda está dispuesto a desafiar las leyes de la tolerancia política y social, pues la jurídica es la que menos le preocupa. Francisco Gil Díaz piensa que los ciudadanos somos tan estúpidos que le van a creer cuando dice que su inclusión como consejero en HSBC sólo responde a intereses profesionales y no a intereses creados con prebendas y beneficios otorgados desde su responsabilidad como titular de las finanzas públicas del país.

Otra brutal declaración de Gil Díaz la hizo apenas la semana pasada, al afirmar que él nunca tuvo acciones de la empresa ISOSA (Integradora de Servicios Operativos S.A.), desde donde desvió miles de millones de pesos, como si no supiéramos que esa empresa se creó por instrucciones de él y de su secretario particular Lorenzo Hernández, primero director general del Fideicomiso Aduanas I, de donde se desviaron los recursos públicos a ISOSA y de esto, contrario a lo que dice Gil Díaz, hay pruebas documentales.

Antes de servir no governo Fox, Gil tinha sido o diretor-executivo de Avantel, e portanto inimigo jurado de Telmex e Carlos Slim. Mais quando assumiu como titular da Hacienda, minimizou o conflito:

Francisco Gil Diaz, who on Wednesday was named Finance minister in the incoming administration of Mexican President-elect Vicente Fox, denied he has an antagonistic personal relationship with Mexico’s richest man, Grupo Carso and Telefonos de Mexico (Telmex) Chairman Carlos Slim Helu. Gil Diaz on Dec. 1 leaves his post as head of long-distance telephone carrier Avantel, a Telmex competitor that has battled the nation’s dominant carrier …

Não sei muito sobre o caso, mais cabe dizer que incluindo esse jogador em nosso análise certamente dá uma dimensão internacional a rinha Abril-Globo — que na verdade é uma rinha globalizada de Abril-Telefônica(-Naspers) com Globo-Telmex.

E não nos esqueçamos da Televisa.

A Toma de Posse de Felipe Calderón e a Lei Televisa

Resumindo de novo: Nas eleições de 2006, a Televisa fez o presidente dela.

Não houve maior indício disso que a aprovação, em regime de urgência, da chamada Ley Televisa — fazendo automática a renovação de concessões de emisoras.

É uma reclamação também da dupla Globo-Abril, que até trouxeram o Granier da RCTV venezuelana para dramatizar o perigo da estatização — na verdade, cassação de concessão — nas mãos de um governo disposto a lutar contra a cartelização do setor.

«¡Dilma es un peligro para el Brasíl!»

Quando o senador de PAN, Santiago Creel, denunciou negociatas escusas nos bastidores da Ley Televisa, foi sujeito ao martírio reservado por traidores no nono círculo do inferno de Dante.

(O PAN estaria rachado hoje em dia, segundo minhas pesquisas, entre o paleo-PAN, fiel aos princípios de um partido tradicional democrata-cristão, e o neo-PAN, com inspiração no extremismo religioso da confraternidade nebulosa, quase lendária, El Yunque.)

Foi denunciada pela Televisa que o Creel, secretário de estado no governo Fox responsável por questões de imigração, teria facilitada a cidadania do bandido e demônio folclórico do momento, Ye Gong Li, reputado o maior contrabandista de insumos para a produção de metanfetamina — um negócio crescente dos carteis de entorpescentes mexicanos — no mundo.

Vasculhando a casa do chinês, foi encontrada uma verdadeira montanha de cédulas bancárias de Tio Sam: $250,000,000.

A defesa de Ye Gon Li afirmou que não passava da caixa dois do PAN, deixado com ele por um alto funcionário PANista do governo.

As denúncias contra Creel não tinham nenhum fundamento, mas o masscare continuava.

Não apurado, porém, foi a atuação de protegidos de Gil Díaz, com controle sobre todas as aduanas estratégicas do país, na facilitação de importações irregulares.

Para nossos amigos, tudo; para nossos inimigos, a Lei.

A Photo Op Armada de Meia-Noite

Antes de fechar, vamos anotar as circumstâncias da toma de posse de Felipe Calderón.

Um minuto após a meia-noite no dia do posse, entrando pela porta de trás de um congresso esvaziado e rodeado por círculos concéntricos de tropas de elite das forças armadas mexicanas — reprimida brutalmente qualquer manifestação contra — o Calderón fez o juramento ante um punhado de apoiadores.

Um “photo op” (embaixo) foi montado às pressas, e tudo mundo sumiu na noite para um baile de inauguração limitado aos militantes do PAN.

O MBF e o IMIL como MONGOs-Padrão

Aqui virá um relato mais detalhado das atividades dos MONGO — ONGs e OSCIPs que pautam a mídia — nas eleições de 2006 no México e, talvez, nas eleições de 2010 no Brasil.

Por isso, tenho que recolher e revisar mais anotações para poder dizer exatamente como o Mexico Business Forum atuava naquele tempo.

Mais dado o apoio aberto do Cato Institute ao Anti-Foro de São Paulo do IMIL — os sites de alguns parceiros são hospedados nos servidores do Instituto em Washington — estamos para assistir a re-encenação de um procedimento-padrão muito parecido.

Isso é: Eu diria que a arregimentação de comentaristas “independentes” como “guardiões de portal” do debate — a especialidade do Cato Institute, — foi parte imprescindível da campanha de Televisa para fazer o presidente dela, e de outros aliados empresariais seus nas Américas.

O caso mais visível na época foi a montagem de propaganda da campanha do PAN dentro das lojas mexicanas de Wal-Mart. A prática foi duplamente ilícita, primeiro, por tratar de pessoa jurídica estrangeira, e segundo, por ser proibida a manifestação política por empresas nacionais desse jeito.

Mais para fechar, a rede é algo assim:

Aqui introduzo dois elementos novos:

  1. El Yunque
  2. Coopetição

Esse último — a mistura de cooperação e competição — é o título de um livro mais vendido por dois professores de Harvard adeptos do conceito do “ecosistema empresarial.”

Se soe exorbitante, uai, a culpa não é minha.

É REVOLUCIONÁRIO!

VEM DA RAND CORPORATION!

MUDARÁ TUDO!

Realmente, eu não consigo enxergar a diferença entre as táticas descritas e a boa e velha formação de cartéis — so que agora relança-se com nova marca registrada sem a mancha associada com os maus percebidos de cartelização.

Quando ao grupo religioso-autoritário-criminoso semi-mítico El Yunque — símbolo: a bigorna — vai precisar de um capítulo a parte.

O Resumo Lulistico

O mais sábio comentário sobre essa situação toda foi — eu serei massacrados por meus amigos tucanos e brizolistas igualmente — do bebúm marxista em chefe do Brasil.

Lula, essencialmente:

Ô, cumpanheiro Flipe, eu acho que se t’vesse segundo torno, não t’ria esse pobrema da credibilidade de um governo fortemente presidenthialithta mais com o apoio de tão somente 35% dos eleitores.

E não diz mais nada.

Ainda por fazer: Se o Foro de São Paulo seja uma vasta e nefasta conspiração e ameaça à civilização ocidental que justificaria a mobilização maciça da histérica ultradireita golpista que vemos encenada na mídia nesses dias..

Estou começando:

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