Covardes Anônimos: Os Blogueiros do Millenium

Padrão

ANABA | o blog dos blogueiros anônimos escreve

Informa Fernando Rodrigues, aquele blogueiro da Folha que é um conhecido inimigo do anonimato, sobre a reforma eleitoral aprovada por Lula:” Também foi incluída no caput introdução do artigo 57-D uma determinação vedando todo tipo de anonimato. Essa limitação torna impossível haver comentários livres em blogs, pois todos os internautas teriam de ser totalmente identificados — inclusive para postar comentários inofensivos.”

Cruzei com esse blog no curso de um análise preliminário do “blogroll” do Instituto Millenium.

Ele integra a rede de Blogs pela Democracia, com 137 blogs afiliados, dos quais alguns que também figuram na lista de blogs afilialiados ao Instituto Millenium.

No Slashdot, venerável foro da comunidade de TI, ainda hoje você pode comentar anonimamente, mas seu comentário sairá sob o nome “covarde anônimo.”

Trata-se de um espirito libertário que não quer legislar contra o anonimato, mas faz uma pressão ética contra, destacando que comentários anônimos são menos confiáveis.

É minha solução preferida ao problema, seja dito, mais para tanto, não pode haver impedimentos ao funcionamento do «circuito crítico».

O autor anônimo reclama o direitos de autoria sem assumir as responsibilidades.

Eis a liberdade total reclamado pelo complexo Globo-Abril e seu IPES, o Instituto Millenium.

Quase todos os blogs na minha amostra preliminária e aleatória dos blogs do IMIL são covardes anônimos, ou fazem uso de técnicas para obfuscar a identidade — algumas delas técnicas conhecidamente utilizadas para blindar servidores que divulgam spam.

Spam, que apesar de não ser — e não dever configurar — crime, é chato chato chato e altamente antisocial.

Os primeiros indícios são que essa campanha de jornalismo cidadão será uma clássica campanha de astrotruf:

… apparently grassroots-based citizen groups or coalitions that are primarily conceived, created and/or funded by corporations, industry trade associations, political interests or public relations firms.

«… movimentos aparentemente espontáneos de cidadãos ou coalizações da sociedade civil que são concebidos, criados e/ou financiados por empresas, entidades de classe industriais, interesses políticos, ou empresas de relações públicas.»

Dois indícios primários: primeiro, a hospedagem de muitos desses blog no blogspot.com de Google — diferentemente do blogspot.com.br, hospedado no paraiso regulatório dos EUA, e portanto fora do alcance da justiça brasileira.

(Já observamos isso em vários casos — aquela blogueira anti-Sarney que teve o blog, hospedado dentro do Brasil tirado do ar, para depois mudar para um servidor nos EUA —  mais especialmente durante a campanha de 2006.

O argumento foi bem-sucedido perante a Justiça Eleitoral em 2006 quanto à divulgação de propaganda de TV vedada pelo TSE — a maleta do «donde veio o» dinheiro, com várias ilações sem fundamento, nos ervidores de YouTube no Vale de Silício.)

E segundo, o uso de anonimato, pseudônimos, e a divulgação parcial, enganosa ou francamente ficticiosa-mentirosa da identidade social do autor.

Lembrem-se do caso do dono de uma rede de supermercados natureba.

Ele foi flagrado entrando em foros e blogues e falando mal dos concorrentes numa tentativa de fazer subir o preço da ação.

Foi multado pela CVM gringa, o SEC. O erro dele foi usar o apelido (nick) bem-conhecido da sua mulher — disfarce inadequado que levou-o a ser desmascarado..

Deu no Wal-MartWall Street, quero dizer — Journal. Minha mulher natureba adora aquele supermercado, seja dito.

O exemplo clássico para mim foi um blog de Blogspot (EUA) chamado de Mark in Mexico, aparentemente o blog de um pequeno empresário gringo em Oaxaca, sul de México.

Posicionou-se como testemunho ocular desinteressado aos eventos em torno do levantamento do sindicato local de professores da rede pública contra o SNTE nacional — chefiado pela cacique Esther “La Maestra” Elba Gordillo, também presidente do partido PANAL, da rede RELIAL.

A empresa de turismo mencionada por esse tal de Mark, sem sobrenome, não existia, segundo minhas pesquisas no Câmara de Comércio do local e outras fontes (o endereço dado não existia, segundo o Google Maps.)

O Mark sempre apoiava a propaganda e infoguerra oficial divulgadas pelas rádios de Azteca e Televisa — inclusive que o fotojornalista Brad Wills morreu às mãos do movimento rebelde.

O Mark também chegou a ser uma fonte principal do projeto Global Voices Online (Faculdade de Direito, Harvard) na cobertura dos acontecimentos em Oaxaca.

Brad Will morreu às mãos de um sargento da policia estadual fazendo bico como miliciano e capanga político do governador, Ulíses Ruíz.

O nome do sargento é conhecido.

Ele foi reconhecido no mesmo dia por várias testemunhas.

Ele foi fotografado atirando no sentido do fotógrafo, porra.

Sobre a morte de Brad Will, o “jornalista-cidadão” do GVO, David Sasaki, invocou o Efeito Rashomon com a manchete

«Oaxaca: Reinam o Medo e a Incerteza»

Como desinformação, foi meio transparente demais, uma vez que ecoa o famoso chavão — originalmente descrevendo a estratégia de marketing da IBM: FUD, sigla de fear, uncertainty and doubt.

«medo, incerteza e dúvida»

(Pode dizer-se que aqui no Brasil, vocês tem um a mídia que é na verdade uma MÍDia.)

Se você vai usar a tática, melhor não usar as mesma palavras usadas por críticos desse tipo de desinformação para decrevé-lo.

A cobertura «equilibrada» de David Sasaki fingia ser «isento» e «indeciso» entre a propaganda oficial e o outro lado, embora qualquer fonte divulgando informações mais concretas sobre o fatos médicos e os depoimentos de testemunhas oculares foi excluida.

Um incidente surreal — quando a médica legista do Estado, visivelmente perturbada, disse à imprensa internacional que Brad foi baleado nas costas, apesar de fotos mostrando o corpo dele com ferimentos de entrada na barriga e no centro do peito — foi tratado como mais um caso do “efeito da subjetividade sobre percepção.”

Foi uma vergonha.

Aquela turma de Harvard é realmente asquerosa.

A orientação política de Brad não era a minha, mais era meu vizinho e concidadão de Brooklyn.

Ele foi morto por um terrorista.

E o Departamento de Estado não fez nada.

Tomemos, como outro exemplo, o blog Panfleto Liberal, da autoria de um tal de Fabio M. Ostermann.

Fábio aparece também numa comunidade de Ning, a Rede de Estudos Liberais.

Ele se diz um ser humano masculino de Porto Alegre.

Mais exibe fotos ditas tiradas por ele de uma manifestação anti-Irã frente à Casa Branca.

Por puro preguiça, suponho, o blog de Fábio simplesmente reproduz, na lista de sites que ele recomenda ao leitor, todos os patrocinadores institucionais do Instituto Millenium, inclusive o Instituto Cato, a rede RELIAL, e a Atlas Economic Research Foundation — esse último o granaduto opaco que canaliza dinheiro anônimo a, por exemplo, a rede RELIAL.

Eu não concordo com partidos políticos americanos fazendo uma política externa paralela à revelia do governo democraticamente eleito.

Isso nos leva de volta ao debacle dos Contras — estupradores de freiras e traficantes de pó chamado por Reagan de “o equivalente moral dos pais da nosssa Pátria.”

O governo paralelo, montado por Rumsfeld e Cheney para driblar a proibição do Congresso de qualquer apoio material ao movimento Contra, foi uma conspiração criminosa, mas só o tenente-coronel do esquema, Oliver North, foi culpado e condenado.

Hoje em dia, North é comentarista de rádio numa rede nacional neoconservadora.

Voltando ao Fabuloso Fabio, ora: uma campanha de astroturf depende da aparência de vozes independentes e espontãneas surgindo em apoio ao movimento. O apoio institucional não deveria ser explicitado.

Trata-se de um militante meio burro.

Mais competente na arte de obfusção é a rede associada com vários integrantes da blogosfera do Millenium, Blogs pela Democracia, com 137 aderentes até agora.

Até agora, sou consigo saber do fundador e coordenador que as pessoas da rede chamam ele do “Coronel.”

A chamada aos militantes do blog de blogues invoca, como sempre invocam, as “hordas” virtuais das “petralhas.”

… o centro de uma rede de blogs independentes, em contraposição aos 500,000 guerrilheiros virtuais das petralhas …

Os 300 de Esparta — os espartalhões — contra os exércitos de Xerxes.

Na verdade, pelo menos nas eleições de 2006 — na minha observção não-científica — a petralhada era muito menos presente e organizada do que o tucanato e o Corte do Rei da Cocada Branca.

Talvez estão mais preparadas nesse ano, mais meio-milhão de blogueiros bolshevistas? Duvido.

Obviamente, segundo a lógica da teoria conspiratória, essa dúvida significa que eu seria petralha No. 500,001.

Exagero e sofisma, em qualquer caso, são componentes essenciais em qualquer campanha de pânico moral.

Um terceiro exemplo para nortear um análise mais completo é o multilíngue Shrugged, de um tal de Diogo Chiuso.

O nome do blog, obviamente, invoca o romance de Ayn Rand, Atlas deu de Ombros.

E o nome: será que é pseudónimo?

Chiuso em italiano quer dizer «fechado, trancado.»

«Diogo» sendo um dos nomes do Senhor das Moscas.

O registro do domínio é anônimo, passando por um serviço de cíberanonimato em Holanda.

O site supostamente resida num servidor em Curitiba, da responsabilide de um tal de José Eduardo Fatuch, que dá um endereço em Curitba mas consta como representante da seguinte empresa:

DIRECTI INTERNET SOLUTIONS PVT. LTD.
D/B/A PUBLICDOMAINREGISTRY.COM

Então, parece que ele é um revendedor do Grupo Directi, empresa com sucursais em Mumbai, Bangalore, Delhi, Xiamen (China) e Albion, em Queensland (Australia). Nada de errado com isso, como o empreendor aponta no comentário anexo.

Sobre o autor, nada, só uma piada pronta na página de Facebook dele.

Quem sou eu?

“a mystery wrapped in a riddle wrapped in an enigma.”

Já vi tantas vezes esse mesmo lugar común nos blogs de quem não querem ou não podem divulgar suas ligações institucionais.

É quase um shibboleth dos operadores dos plásticos, fantásticos “raizes do caipim.”

O caso mais impressionante disso, talvez, seria o notório e censorioso editor de Wikipédia, o pseudônimo Dantadd, que se identificava antigamente assim:

“Eu sou a Alfa e o Romeo …”

Apocalipse de São João.

No Facebook do Recluso, entretanto, dá para observar o primeiro ponto de contato entre a Rede Millenium e o ecosistema de jornalistas-cidadãos do núcleo TERNUMA-Clube Militar de Rio.

Diogo Recluso é fã de Glenn Beck — o Reinaldo Azevedo da rede FOX — e de Olavo de Carvalho, além de grupos neoconservadores norteamericanos compartilhando a ideologia da Federalist Society.

Assim, temos outro ponto de contato explícito — não é inferência minha, e uma escolha livre e explícita do liberal-fantasma — entre as ultradireitas gringa e tupiniquim.

Em algum lugar, eu tenho traduzido para inglês ver um relatório do gnóstico brasileiro, residente  hoje em Virginia,subúrbios da capital federal dos EUA, após a sua demissão pelo jornal Zero Hora por ter citado um blog anônimo como fonte de uma denúncia de corrupção.

O blog fez uso de uma montagem fotográfica monstrando impressões digitais no “donde veio o” dinheiro de Alckmin.

Muito provávelmente o blog tinha sido montado pelo mesmo Olavo.

O Grande Gnóstico da Folha de S. Paulo conta vantagens sobre sua campanha entre os pesos-pesados do movimento neoconservador.

Ele pede doações para poder continuar sua cruzada no sentido de persuadir os neocons iánquis que Lula seja o $talinácio de um bolshevismo clandestino e global, vasto e com enorme influência e capilaridade. O Estado láico seria o cerne dessa campanha diabólica.

(Ronald Wilson Reagan: cada nome com seis letras. 666.)

O elemento religioso e apocalíptico, entretanto, está presente em nossa rede no blog Resistência Democrática BR:

Somos um grupo de pessoas que crê em DEUS, na ordem, no equilíbrio, como princípio básico de construção do Universo.

Desse grupo, só consta o nome de uma Marilia “Marverde” Valverde, também no Facebook e também uma enigma embrulhada num mistério.

Se realmente há outros integrantes da rede ou não, não sei. Não há como saber.

A Multidão de Eu Sozinho

É muito facil montar um site no nome de um grupo, criando várias contas de usuário para dar a aparência de uma adesão maior.

O hóspede do meu site pessoal, por exemplo, LunarPages, me dá o direito de criar 999 contas de e-mail. Na verdade, só tem noó dois, eu e minha mulher.

Eu até fez isso no passado (deixando claro que era brincadeira) com minha rede de TV fictícia, NMM(S)NB(B)C(NN)BS-TV.

Um caso interessante desse uso de pseudônimos para criar multidões inexistentes é o Grupo LM — sigla de “Living Marxism” (marxismo vivo), grupo inglês da extrema esquerda.

Como observa o SourceWatch:

The primary function of this would seem to be to allows the group to promote its ideas widely in the media without being recognised as a relatively small ideological clique. Nom de guerres can also compartmentalise areas of a life, protecting an individual and their career. Fiona Fox is now head of the Sense about Science. One can only presume her current colleagues are unaware of her writings as Fiona Foster, denying genocide in Rwanda.

“A função principal [do uso de pseudônimos] seria que permite ao grupo a ampla divulgação das suas ideias na mídia sem ser reconhecido como um conventículo relativamente pequeno de inspiração ideológica. Nomes de guerra também servem para compartamentalizar uma vida, protegendo o indivíduo e sua carreira. Fiona Fox, por exemplo, lidera agora o grupo Sense About Science (bom senso sobre a ciência.) Os colegas não deveriam sabe da sua outra vida como Fiona Foster, autora de textos negando a existência do genocídio em Ruanda.

Eu li recentemente — não me lembro agora onde — como marqueteiros e publicitários de ambos partidos hegemônicos estadounidenses montaram telecentros durante a campanha de 2008,.

Montaram times de blogueiros trabalhando três plantões por dia, monitoreando e respondendo às escândalizações da oposição.

Sem assumir o contrato de emprego ou a afiliação com o partido, é claro.

Dado a modelo adoptado pelo IMIL, eu não espero outra coisa nesse ano eleitorial no Brasil.

Dentro do “blogroll” do IMIL, haverá um deslize que denunciará sem ambiguedade a existência desse tipo de operação. Sempre há.

Também haverá indícios de uma coisa mais sinistra: de operações militares de guerra psicológica por meio da blogosfera.

Já temos a questão, por exemplo, do Coronel, e as semelhanças marcantes do nexo IEE-Millenium com o velho e saudoso IPES de 1964. Não são semelhançãs vagas e gerais. Rezam da mesma bíblia.

Gestão de Identidade

Eu e Neuza viajamos em 2004 para Palo Alto para assistir o BloggerCon III, organizado pelo Centro Berkman para Internet e Sociedade de Harvard e hospedado pela faculdade de direito de Stanford (Lawrence Lessig, guru do movimento Creative Commons, é professor lá, e palestrou, uma palestra que assisti.)

Entre muitas outras coisas, a ética de anonimato foi discutida acirradamente, especialmente pelos defesores.

Ora, eu sou velho conhecedor do movimento neocoservador, uma vez que frequentei uma faculdade do consórcio Claremont, e fiz cursos de pós-graduação no Claremont Graduate University, antes de ir pro Berkeley.

Meu orientador no departamento de filosofia foi um homem que ganhou fama como defesor de Sun Myung Moon, e teve todos os livros publicados por uma editora subsidiada pela Unification Church.

Um dos institutos mais relevantes do movimento neoconservador é o Instituto Claremont — The Claremont Institute for the Study of Statesmanship and Political Philosophy — dedicado ao culto do guru de gestão empresarial Peter Drucker e bancado em parte pelo Reverendo Moon

Entre os projetos do instituto:

  1. A formação de jornalistas internacionais
  2. Movimento contra investimentos em estados patrocinadores de terrorismo
  3. Campanhas pelo direito à porte de armas
  4. Um centro de jurisprudência constitucional ligado ao Federalist Society
  5. Pesquisas sobre mísseis balísticas (com verbas do governo)

Promoveu o movimento Americans for Victory Over Terrorism (filhos de Tio Sam para a vitória sobre o terrorismo), que divulgou a tese de Samuel Huntingon do “choque de civilizações.”

Essa campanha foi muito útil à campanha de pânico moral do governo Bush ibn Bush, que buscava (1) tachar a Islã de uma religião terrorista por natureza, e (2) confundir musulmanos com qualquer árabe.

(Foi terrível a perseguição dos sikh — com grande representação entre os taxistas de Nova York — após o 11 de setembro, devido a associação entre portadores de turbantes e árabes.

Jamais tive um taxista sikh que tentou me sacanear.

Os piores são o nigerianos.)

Assim ajudou a levantar o preconceito geral contra árabes que fez possível a transferência do ódio contra os wahhabistas de Osama — até eu os odeio, mais o Príncipe Bandar, grande amigo da familia Bush, é embaixador de uma teocracia wahhabista — para Saddam Hussein.

Saddam Hussein, ditador do partido láico nacional-socialista Ba’ath que, no entanto, manipulava a religião para angariar apoio ao regime.

(Mandou fazer um Corão escrito com seu próprio sangue.)

Eu vi muitas pessoas no BloggerCon com o perfil tão familiar desse tipo de militante.

Infelizmente, não consta mais a lista de participantes.

Naquele mesmo movemento, em 2004, estava começando o Identity Project, focando a construção e gestão de identidades virtuais e seu corolário no mundo empresarial, a gestão de reputação.

Um exemplo nu e cru desse último: A tradutora Denise Bottman flagra a Editora Landmark em atos de plágio.

A Landmark entra com liminar pedindo a retirada do blog de Denise do ar.

Eis a gestão de reputação.

Se não apareça no Google, nunca aconteceu — como o General Figueiredo disse um vez sobre a rede Globo.

Trata-se, então, de técnicas e tecnologias de branding pessoal.

Noutras palavras, da metáfora Você S/A (Editora Abril) e o poder de auto-reinvenção.

Por exemplo, no Second Life — Vida 2.0 — eu sou uma mulher gorda, negra e pelada e fortemente armada.

No mundo de Second Life, várias leis da termodinâmica são suspensas por decreto, mas no São Paulo virtual, minhas balas são impedidas se surtarem efeito.

Antes dessa metamorfose (acima), eu visitei o sucursal vazio do G1/Globo na Sambodia virtual.

Alguém está gritando, «kem ker emprego?»

Emprego por quê?

Sou imortal, tenho o poder de voar, e não passo fome, como acontece em mundos virtuais menos conhecidos-badalados-promovidos pela mída.

Como disse um critico brasileiro na época:

Bem, o que realmente acontece é que o Second Life está sendo endeusado pela grande mídia e se transformando em uma ferramenta para especuladores e vendedores de realidades virtuais fazerem fortunas. … Há outros mundos do gênero, como o There, onde você também cria um avatar e, partir daí, inicia sua jornada pela sobrevivência tendo que se alimentar, estudar, conseguir um emprego e ganhar dinheiro.

(Eu trabalhava um pouco com garoto de propaganda para ver se eu ganhasse Dinheiro 2.0 suficiente para comprar posições sexuais mais avançadas na Ilha de Surubas. Não ganhei. Perdi a paciência com a brincadeira.)

Eu sempre pensava a mesma coisa: Como assim, uma economia real num mundo virtual sem fome nem a lei de entropia em todas as suas manifestações: terremotos, enchentes, fiscos corruptos, voto de cabresto, e outros exemplos de force majeure?

Uma vida sem riscos, inclusive o onipresente risco da morte?

Mas voltando ao Identity Commons agora.

O projeto colaborava com e contava com o patrocínio do Burton Group (blog sobre identidade e privacidade) — comprado pelo Gartner Group por $58 milhões nas últimas semanas, eu li.

Na pauta da próxima reunião do Internet Idenity Workshop (oficina de identidade na internet): por quê o fracasso do protocolo OpenID no mercado?

Para encurtar o relato: Já ouvi bastante discurso, com justificativas éticas tortas, sobre o uso dessa tecnologia para construir identidades virtuais plausíveis — até contando com a certidão de identidade-confiabilidade que era para ser fornecida por projetos como OpenID.

É perfeitamente possível construir identidades virtuais com uma riqueza de detalhes e bastante coerência sem jamais revelar informações «privadas» — tal como a empresa na folha de pagamentos da qual você consta, com seu CPF.

TI e o Discurso Apocalíptico-Revolucionário

Infelizmente, o SourceWatch não faz monitoreamento de grupos de consultoria de TI como Burton e Gartner, apesar deles serem entre as maiores fontes da “retórica do sublime tecnológico” e partes interessadíssimas nas guerras de convergência digital.

O cerne dessse discurso: pensamento mágico e visões de uma utopia pós-humana ou transhumána, por meio do apocalipse-revolução.

Três exemplos servem para ilustrar:

Que essa capa não passou de uma campanha publicitária da própria Apple foi comprovado depois, quando Steve Jobs andava repetindo ad nauseam a lema, «esse aparelho mágico.»

Um blog da revista Época, quanto ao lançamento da bugiganga, falou da “revolução celular.”

Vai mudar a nossa vida!

E meu exemplo preferido.

Ah, mais com ele, a vida vira um paraíso na terra!

(E Deus é um homem branco parecido com Papai Noel!)

O recorte foi feito por um professor pedetista de informática da Universidade de Brasília, associado com o foro do Voto Seguro, que estudam cuidadosamente a segurança da urna eletrônica brasileira.

O professor — tenho o nome aqui em algum lugar — observou esse mesmo discurso na propaganda institucional do TSE, na promoção da urna eletrônica (porca, na opinião dele) brasileira.

3 comentários sobre “Covardes Anônimos: Os Blogueiros do Millenium

  1. Parabéns pela pesquisa efetuada nessa investigação jornalística sobre anonimato, com a correção de que este serviço de hospedagem está na Califórnia, Beverly Hills, e não em Curitiba, como o sr poderá observar em nosso site fatuch.com. Gostaria de salientar que os termos de serviço da hospedagem de sites na qual sou o Hostmaster (http://fatuch.com/termos.html) são muito claros com relação à proibição de conteúdo ilegal, e também estamos prontamente disponíveis para quebrar a proteção de privacidade de qualquer usuário, se solicitada pela justiça ou até mesmo se solicitada por qualquer pessoa idônea com uma reclamação procedente. Hospedamos milhares de clientes, possuímos hospedados em nossos servidores pessoas muito conhecidas (como atuais e ex big brothers: angelicabbb.com.br) e também pessoas desconhecidas; temos como clientes a igreja católica com diversas dioceses, temos diplomatas e ministros do atual governo (pralmeida.org) policiais militares (diariodeumpm.net), obras sociais que já solicitaram antecipadamente 20 anos de nossos serviços e pagaram antecipadamente (cincominutos.org) devido aos excelentes serviços e custo razoavelmente baixo. Atenciosamente, José Eduardo Fatuch.

Os comentários estão desativados.