Democracia Digital: A Vanguarda dos Tecnorati

Padrão

Para mim, o auge da democracia digital no Brasil foi a «eleição» para compôr a lista das novas sete maravilhas do mundo.

The New7Wonders Foundation claimed that more than 100 million votes were cast through the Internet or by telephone. Nothing prevented multiple votes, so the poll was considered “decidedly unscientific.”

«O patrocinador da pesquisa, a fundação New7Wonders, afirmou que mais que 100 milhões de votos foram contados, entre torpedos e votos pela Internet. Mas uma vez que nada impedia votos múltiplos, a pesquisa foi considerada “enfaticamente não-científica.”»

O Globo e outros jornalões não podiam ter sidos mais explícitos, divulgando instruções detalhadas sobre o melhor jeito de votar quantas vezes que queria.

O jeito mais sub-reptício de passar a informação foi pela pesquisa mostrada acima — bom exemplo do “push poll” — pesquisa inútil senão para passar uma mensagem indireta.

Assim, a fraude eleitoral levou o Cristo Redentor à vitória.

E o filho do carpinteiro? O que teria pensado?

O UNESCO emitiu uma crítica cortante, enfatizando que não houve nenhuma ligação entre a campanha e seu programa de preservação de partrimônio cultural:

The list of the 7 New Wonders of the World will be the result of a private undertaking, reflecting only the opinions of those with access to the Internet and not the entire world. This initiative cannot, in any significant and sustainable manner, contribute to the preservation of sites elected by this public.

«A lista dos sete novas maravilhas do mundo será o resultado de uma inicativa particular, refletindo a opinião tão somente de pessoas com acesso à internet e não do mundo inteiro. Essa initiativa não pode, de maneira significativa e sustentável, contribuir a preservação dos sitios elegidos por esse público.»

Outro exemplo notável desse tipo de «democracia digital,» eu achava, foi o PL do governo colombiano uribista que convidou a internetada para participar na elaboração do projeto.

Olha como a gente é democrática-participativa!

Penetração da Internet no país em 2006: 16%.

Vemos um efeito parecido na campanha eleitoral na Internet no Brasil desse ano, assim como vimos nas eleições nos EUA em 2008: a amplificação das vozes de uma pequena minoria, um pequeno conventículo radical de inspiração ideológica cujo uso de múltiplas identidades espúrias, como diz o Sourcewath sobre o grupo Living Marxism,

… permite ao grupo a ampla divulgação das suas ideias na mídia sem ser reconhecido como um conventículo relativamente pequeno de inspiração ideológica …

Melhor ainda quando a mídia está disposta as seleccionar suas «personagens» dentre essa multidão de fontes nebulosas e aparentemente independentes para fundamentar sua própria visão do estado da opinião pública, com pleno direito ao que os homens de Nixon e Reagan chamavam de “plausible deniability”:

The organization of a clandestine military operation in such a way that knowledge of its existence may be denied by those in authority …

«A organização de uma ação militar clandestina de tal jeito que os comandantes podem plausívelmente negar ter conhecimento da sua existência …»

In political campaigns, plausible deniability enables candidates to stay “clean” and denounce advertisements that use unethical approaches or innuendo based on opposition research.

«Em campanhas políticas, essa estrutura permite aos candidatos ficarem com mãos limpas enquanto denunciam propaganda anti-ética e feita encima de dossiês [pelo próprio equipe da campanha].»

Parece paranóico, mas não é. Consta em inúmeros textos sobre técnicas tanto de markeing quanto de guerrilha psicológica.

Trata-se de uma certa militarização do marketing nos últimos anos. Com as cortes na CIA na época de Clinton, muitos peritos nesse assunto foram ao setor privado.

Um exemplo muito simpĺes: Editoras que aproveitavam a rede «leitores-críticos-cidadãos” da Amazon.com para infiltrar pessoal de marketing, dando uma força para o produto sob nomes próprios, mas sem divulgar quem pagava o salário.

Deu até no Wall Street Journal. O W$J 1.0, quer dizer, antes da chegada de Murdoch.

A Nebulosidade dos Covardes Anônimos

Com isso, passo agora à tarefa mais difícil desse mapeamento da rede do Instituto Millenium, por tratar-se da porção clandestina dessa estratégia de comunicações sociais.

Impressionante, eu achei, por exemplo, foi a ausência quase perfeita de concidências entre a rede dos 115 blogs em apoio assumidos pelo site do IMIL — seu “blogroll” — e os 138 blogs da rede Blogs Pela Democracia — ligado ao IMIL pelo endossamento do blog do covarde anônimo “Diogo Chiuso.”

De todos estes 153 blogs, só há um nome em común emtre as duas listas: Aluizo Amorim, também conhecido como colaborador frequente da ONG-OSCIP Terrorismo Nunca mais.

Assim, estou trabalhando hoje no sentido de navegar a rede TERNUMA-Clube Militar do Rio para tentar explicar a importância dessa ligação tão aparentemente tênue num primeiro momento.

Conclusão preliminária, para quem tenha preguiça de acompanhar as nerdices a seguir: Um brasileiro da extrema direita residente no estrangeiro faz lobby entre os pesos-pesados do movimento neocon, segundo seu próprio relatório.

Fundações da extrema direita canalizam dinheiro para uma rede de partidos políticos e institutos de pesquisa afiliados — o DEM do Brasil e o PANAL de México, inclusive — que patrocinia o evento do Instituto Millenium.

Post hoc ergo propter hoc? Duvido.

Mais uma vez: Meu interesse nesse fato é que não concordo com ingerências em democracias soberanos, ou pelo governo do meu país, ou por partidos políticos e interesses empresariais conduzindo uma política externa paralela.

Quero saber se entre dinheiro do contribuinte gringo nessa merda toda.

Faça clique para ampliar.

Meu palpite desde o começo tem sido que um dia veriamos os frutos da cruzada solitária-heroíca do ubermensch nietzscheano Olavo de Carvalho entres os círculos neoconservadores de Washington, como consta num relatório ele mandou de volta logo após sua demissão como colunista do jornal Zero Hora.

Já identificamos vários MONGOS — sigla em inglês para media-orchestrating NGO.

ONG que faz a orquestração do ES miedo-medio e a PT mídia-MÍDia — sigla de “medo, incerteza e dúvidas.”

Entre eles, o mais ativo é o Cato Institute, em cujos servidores em Washington, D.C. fica hospedado o site do Instituto Liberal do Brasil.

Entre os atores mais notáveis deste estilo de campanha: Dick Morris do International Republican Institute, entidade partidária exportadora de democracia, capitalizada pelo contribuinte — quer de um partido, quer do outro, quer independente e sem partido, como eu.

O Facebook de Amorim

Quem é Aluizo Amorim?

Qui parle?

Até agora, so posso dizer que o nome refere-se a uma rede social de uma foto de um carioca de boteco de esquina, sem biografia, o blogue do qual ecoa-se numa nuvem de sites nebulosos no Blogspot (EUA) que praticam o jornalismo-cidaão de «Ctl-C, Ctl-V» no mais puro, sagrado e soberano anonimato.

Na rede de Facebook desse significador sem significado, porém, consta a espinha dorsal dessa rede. O Esfinge é fá de

  1. Olavo de Carvalho
  2. O Instituto Millenium
  3. Andres Oppenheimer, jornalista do Nuevo Heraldo de Miami
  4. A rede global CNN
  5. A revista Veja
  6. Uma piada pronta anti-Obama

Reinaldo Azevedo da Veja também consta entre os colaboradores da TERNUMA, segundo o sitio da ONG.

(A Editora Abril não tem política sobre bicos?

A maioria de vehículos que eu saiba tem isso: Se você está fazendo bicos, você não está agregando valor à empresa. E além disso, esse tipo de atividade extracurricular pode implicar que você está falando no nome da linha editorial da empresa, minando a credibilidade dessa última.)

Tem várias curiosidades na informação livremente disponível sobre o grupo, que conta entre os colaboradores esse tal do Grupo Guarapes:

A coisa mais surpreendente para mim foi a falta de indícios de obfuscação na hospedagem dos dois sitios ligados ao CNPJ da TERNUMA.

Parece tratar-se de hóspedes comerciais com bastante clientes comerciais normais, banais. (Existem servidores dedicados para campanhas desse tipo, como vimos no caso do ciberestrategista de Bush.

Nesse sentido, um passo futuro será avialar, por exemplo, GoDaddy e Gandi.net na luz dessa possibilidade.)

O sitio do Clube Militar de Rio fica hospedado também no Infolink.

O sitio de Grupo Guarapes — «consta como hospedado no site fortalweb.com.br — agora inexistente, embora constar no Google como atualizado 13 horas atrás.

No caso de TERNUMA, uma busca whois resulta em contatos anonimizados — gmail.com, por exemplo — ou ficticiosos. Aaroldo Prado, contatos de ambos os sitios, não tem e-mail, mas provávelmente é o mesmo coronel pijamado Haroldo Prazo de Azevedo, com conta de Gmail.

O domínio grupo.org.br inexiste.

Em Tempo: Lá Vem o Medo

Ensaiando esse argumento para minha mulher, ele comenta, meio brincando, meio não: «Talvez seria melhor você nã falar sobres esses assuntos até sua papelada da PF e Itamaraty chegar.»

É verdade: ainda existo aqui num estado de limbo burcrático — o que não impede o pagamento de 12% mais IPTU nesse ano, porém.

Eu sabia: Vocês têm medo, não têm?

Corte meu coração ver isso na minha mulher, que trabalha como jornalista freelance após a demissão em massa — pelo QG na Rua K em Washingon — dos brasileiros no equipe da ONG onde trabalhava.

Até com clientes grosseiramente caloteiros dentre as grandes editoras, ele não atreve-se dar queixo. Ela é perfeitamente competente, não trabalha com politica, mas está com medo.

Vocês tem medo de dizer, então eu digo: O jornalista brasileiro está com medo. O jornalista brasileiro é um servo medieval.

As Obfuscações de São Olavo o Gnóstico

A infrestutura informática de Olavo de Carvalho, porém, tem todos os indícios esperados de obfuscação — salvo a inesperada adesão pública e notória ao sitio Mídia sem Máscaras, na forma de anúncios da Livraria Cultura e o escritório de advogacia Penitente & Spalenza.

O sócio-fundador desse último se diz especialista em direito internacional e direito tributário. A firma não consta no Diário Oficial desde 2003.

(Tenho dificuldades lembrando o nome da firma. Sempre penso em Bufo & Spallanzani, de Rubem Fonseca, roteirista do IPES.)

Curiosamente, o site principal do filósofo — onde promove seus semanários de filosofia no agreste de Virginia, rumo ao Kentucky e a Serra Appalachia — é cadastrado por um (ficticioso) Instituto de Humanidades de Rio de Janeiro, com endereço físico em São Paulo.

Telefone DD 99 número 9999-9999. Liga aí, veja quem responde.

O sitio é hospedado no notório GoDaddy — do qual mais nos proxímos passos deste estudo.

Todos as organizações na qual Dr. Olavo se diz militar são sistematicamente obfuscadas.

ORVEX, organização de veneuelanos em exílio em Miami, e um dos grupos anti-qualquer coisa mais porra-louco que já vi: Obfuscada.



UNOAMERICA, integrante da rede RELIAL, com direito à tradução e divulgação dos releases no site do Instituto Millenium: Obfuscada por Privacy Protect, na Holanda, mas cadastrado por Directi Internet Solutions — aquele que hospeda, por meio de um revendedor, o sitio de Diogo “O Recluso” Chiuso.

Fuerza Solidária,

… una asociación civil sin fines de lucro, registrada en mayo de 2001 [que] tiene sus orígenes en la acción política desarrollada desde 1983 por su fundador, Alejandro Peña Esclusa, quien avizoró desde entonces una crisis social  en toda América, producto de modelos económicos equivocados …

… gritando que o mundo está para acabar: com endererço e telefone em Caracas, mas hospedada por siteground.com em Panamá.



Funciona no mesmo endereço físico do servidor panamenho uma faculdade, West Coast University — instituto “global-virtual” com 6,000 cursos de e-aprendizagem (ensino à distâcia) — e o site SpainExchange.com, agregando informações sobre intercâmbio estudantil na Espanha.

Registro também com Directi, empresa de serviços terceirizados de TI sedias em Australia e China, além das capitais mundiais da terceirização, Mumbai e Bangalore.

O contato financeiro é com uma empresa panamenha que especializa na incorporação de empresas e fundações privadas em paraísos fiscais.

Próximos Passos

Vamos acrescentar nslookup e host, da linha de comando em POSIX e Windows, a nossa caixa de ferramentas.

A missão: detectar servidores dedicados a campanhas desse tipo.

Suspeitos (em observação, como diz Nassif): gandi.net e godaddy.

Em minha plataforma — Debian Sid 2.6.32-trunk-686 com GDM — trata-se da ferramento GNOME Net Tools:

Por exemplo:

Donde veio essa nota?

Tem ferramentas de mapeamento visual para traceroute. Pesquisando.

Tem ferramentos online também: