Diogo Costa, O Recluso?

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Hipotése: Diogo Chiuso é Diogo Costa.

Mas como comprovar ou desmentir?

O método direto — enviando e-mail com o assunto «o Sr. é Diogo Chiuso?» — já fracassou.

Uma comparação entre os escritos dos dois autores talvez ajudaria.

(Ambos figuram na rede do Instituto Millenium em várias capacidades.)

Também é preciso estudar as operaçãões clandestinas e semi-clandestinas de propaganda do Instituto Cato, dada a ligaçãõ forte do autor com ele.

Esse Centro Para Liberdade e Prosperidade Global é uma novidade para mim, por exemplo.

Cabe lembrar que sobretudo, o Cato é um MONGO: media-orchestrating NGO, uma ONG que pauta a mídia.

Sabemos bastante sobre a sua autação dentro da velha mídia, impressa e eletrònica.

Mas e a nova?

Um começo é a lista de site mantidos pelo instituto, no perfil (desatualizado) dispónivel pelo Guidestar, que agrega dados sobre ONGs e fundações.

  1. http://www.cato.org
  2. http://www.elcato.org
  3. http://www.socialsecurity.org
  4. http://www.freetrade.org
  5. http://www.libertarianism.org
  6. http://www.individualrights.org
  7. http://www.cato-university.org

… created others now managed by the Atlas Foundation in a joimt venture,

«… criou outros agora tocados pela Atlas Economic Research Foundation, num empreendimento conjunto».

  1. http://www.cato (Russian)
  2. http://www.misbahalhurriyya.org (Arabic)
  3. http://www.cheragheazadi.org (Persian)
  4. http://www.chiraiazadi.org (Kurdish)
  5. http://www.tiandaocn.org (Chinese)
  6. http://www.Unmondelibre.org (French),
  7. http://www.Africanliberty.org (Swahili)
  8. http://www.Ordemlivre.org (Portguese)

Teria sido mais correto dar o nome em árabe como misbahu(-)l(-)hurriyya(ti).

(O produto da terapia de choque aplicada em Russia pelos adeptos do maiúsculo Mercado — como o assessor econômico de Obama e ex-presidente da Harvard, Lawrence Summers, entre outros — segundo Joseph Stiglitz, foi «um estado mafioso.»)

Tem outros sites, tal como

  1. Cato Unbound
  2. Cato at Liberty
  3. Downsizing Government (enxugando o Estado)

Estou começando uma pesquisa sobre todos os servidores do instituto.

O 72.32.118.6, por exemplo:

Faz clique para ampliar.

O gerente de novas mídias do Cato é Christopher Moody (blog). Ele é colaborador frequente do blog K Street Cafe, administrado pelo Adfero Group, agência de relações públicas «2.0», segundo whois.godaddy.com.

Adfero Group
1140 Connecticut Ave NW Suite 610
Washington, District Of Columbia 20036
United States

Os clientes incluem o U.S. Chamber of Commerce e o Business Software Alliance — leia-se Apple e Microsoft — e várias agências do executivo federal, tal como

  • U.S. Department of Energy
  • U.S. Department of Homeland Security
  • U.S. Immigration and Customs Enforcement
  • U.S. Port Police

Adfero montou a campanha empurrando a legislação que (1) substituiu cédulas de papel com urnas eletrônicas — legislação que levou aos fraudes e falhas envolvendo Diebold — e (2) dificultou o cadastro de eleitores com a obrigatoriedade da habilitação de motorista. Os sem-carro não votariam.

(O partido republicano tem como estratégia assumida a repressão do voto de eleitores pobres. Em Florida, em 2000, por exemplo, onde quem já foi condenado por um crime maior não tem direito ao voto, eleitores com o mesmo nome de pessoas condenadas em outros estados foram impedidos de votar.

Num caso, o criminoso, tipo um John Jones ou José Silva, foi branco e incarcerado em Minnessota enquanto o eleitor em Florida foi negro — e eleitor de Gore.)

Atualmente, Adfero está em campanha para derrubar o voto secreto em eleições que ratificam sindicatos — possibilitando represálias pelo patrão — segundo Moody, no K Street Café:

Regardless of how you feel about card check, take note: The Chamber is using some very neat social media strategies to get the word out that will work for any cause.

«Deixando ao lado sua opinião sobre o assunto, note-se: A Câmara de Commercio faz uso de estratégias bacanas para divulgar a campanha que funcionará para qualquer causa.»

(Ora, eu diria que a gente tem um problema em común, quanto à corrupção política: publicitários ligados aos governos e partidos políticos. Em vez de apurar o «mensalão» e o «mensalão mineiro,»  uma investigação mais útil e honesta seria a CPI do Valerioduto, ou melhor ainda, a CPI da Industria de Relações Públicas.

Duda Mendonça é o Dick Morris tupiniquium.)

Diogo 1.0

Entretanto, esse tal de Diogo Costa que eu notei como responsável do site OrdemLivre.org — cadastrado ao Cato Institute, com endereço em Washington, D.C. — também aparece como palestrante do Cato University e editor do site, identificado como parte do Atlas Global Initiative.

Como tal, ele tem o perfil seguinte no site do instituto americano. Traduzo:

Diogo Costa is the editor of Ordemlivre.org, the Portuguese website of The Global Initative.

«Diogo Costa é o editor de Ordem Livre, sitio em língua portuguesa do Iniciativo Global.»

He was one of the winners of the first Donald Stewart Jr. Award, presented by Instituto Liberal, for his essay on Ludwig von Mises.  ]

«Foi entre os ganhadores do primeiro prêmio Donald Stewart Jr. apresentado pelo Instituto Liberal, por seu ensaio sobre Ludwig von Mises.» O falecido Donald Stewart Jr., dono de uma construtora carioca, foi associado do Cato e a Atlas e fundador do Instituto Liberal do Brasil. Entres os sites e blogs indicado por Diogo Eschiuso é o Instituto Mises do Brasil — além de Olavo de Carvalho.

In 2005 he interned for the Center for Global Liberty and Prosperity at The Cato Institute.

«Em 2005, foi estagíário no Centro para Liberdade e Prosperidade Global do Instituto Cato.»

His articles have appeared in various newspapers, magazines, and websites, including O Estado de São Paulo, O Dia, Diário Do Comércio, Jornal do Commercio, Digesto Econômico, Buenos Aires Herald, (Argentina), El Diario Exterior (Spain), Mmegi (Botswana) and the Panama News (Panama).

«Os artigos dele já apareceram em vários jornais, revistas, e sitios, entre eles O Estado de São Paulo, O Dia, Diário Do Comércio, Jornal do Commercio, Digesto Econômico, Buenos Aires Herald (Argentina), El Diario Exterior (Spain), Mmegi (Botswana) e o Panama News (Panama).»

Costa has appeared on the television show Manhattan Connection on Brazilian network GNT to discuss Ordemlivre.org.

«Já apareceu no program de TV Manhattan Connection, na rede GNT, para discutir Ordem Livre.»

He received his B.A. in Law from Universidade Católica de Petrópolis, and his M.A. in Political Science from Columbia University.

«Formou-se em Direito …»

Diogo 2.0

A dupla Costa-Chiuso não seria inédito na história de autoria clandestina. Como já citei, houve aquela moça do Living Marxism:

Nomes de guerra também servem para compartamentalizar uma vida, protegendo o indivíduo e sua carreira. Fiona Fox, por exemplo, lidera agora o grupo Sense About Science (bom senso sobre a ciência.) Os colegas não deveriam sabe da sua outra vida como Fiona Foster, autora de textos negando a existência do genocídio em Ruanda.

Mais como foi que SourceWatch conseguiu essa informação?

Não para saber. O conteúdo fundamentando a denúncia foi bloqueado por robots.txt

O site proibe qualquer acesso por qualquer «aranha»:

User-Agent: * Disallow: /bots/

(Eu estou pensando em recomeçar minhas experiências com htdig.

Está no repósitorio de Debian.)

Noutros casos de nomes de guerra do marximo vivo, porém, temos Frank Furedi, aka Linda Ryan, aka Frank Richards.

A carreira do professor univeritário inglês e seu partido é tipico do movimento neoconservador — fundado por trotskistas assumidos como Richard Perle.

O Partido Comunista Revolucionário de Inglaterra tem uma das trajetórias ideológicas mais longas na política inglesa, passando por várias reincarnações até desembocar num leque abrangente de organizações da direita libertária, entre elas Spiked Online e o Insitute of Ideas. Furedi continua uma figura importante nessa rede de organizações, que caracteriza-se por uma atuação vigorosa contra ambientalismo e favorecendo os interesses de empresas desenvolvendo transgênicos.

Monsanto, por exemplo.

Uma tática trotskista utilizado pelo Instituto Cato, entretante, e o entrismo:

«… entrismo, tradicionalmente envolvendo a inflitração de um sindicato ou partido para exercer uma influência desproporcional sobre sua direção. O Partido Comunista Revolucionário iniciou um novo estilo de entrismo: De repente, os militantes vestiam ternos e organizavam seminários.»

O grupo do velho partidinho — o LM Group — com várias lideranças que utilizam pseudónimos para divulgar vários tipos de argumento (nem sempre coerentes entre si, mas ditados pelas necessidades do entrismo)  é outro exemplo de um MONGO — media-orchestrating NGO, ou ONG-lobby-laranja que pauta a mídia.

Frank, por exemplo,

e citado com frequência na mída com perito sobre a obsessão social insaudável com risco.

Fascinante, essa campanha: prega pânico moral sobre os perigos de pânico moral.

O pracinha do exército de qualquer MONGO é a cabeça-falante, com uma lenda que destaca as qualificões relevantes e esconde outras.

O pacato professor não divulga suas ligações com grupos que defendem o fim da perseguição de pedófilos na internet, no nome de liberdade, por exemplo.

Meu exemplo preferido: A antropóloga de Intel. Num “video release” da empresa –divulgada como notícia verdadeira sem atribuição à fonte por um filial de Fox — ela é uma antropóloga, pesquisadora independente analizando a nova cultura digital.

O que não consta que ela é vice-presidente de antropologia da Intel.

Então, que nosso Diogo — chefe de instituto de pesquisa independente, entrevistado do Manhattan Connection, articulista do Estadão e Jornal de Commêrcio (e empregado do Instituto Cato que mora no Washington, D.C., e admirador de Olavo de Carvalho) — cabe nesse perfil: cabe.

Até o espirito da esquerda festiva — dos Merry Pranksters e Abby Hoffman — mantem, com isso de quem sou eu?

O Instituto de Ideas, por exemplo, do Grupo LM, e abreviado IoI — em fonte sans serif, cibergíria para “laugh out loud.”

Acho que vocês escrevem «rsrsrsrsrsrsrs» ou «kikikikikikiki»

Mais ainda não entendo como o Professor Furedi, por exemplo, foi desmascarado. Todo o conteúdo apontando com fundamento dessa denúncia já foi retirado do ar.

(Por isso mesmo, não confie em conteúdo na rede.

Baixa o conteúdo e armazene-o, anotando a data e a fonte original.)

Aqui, acho que seria útil estudar os métodos de pesquisa de dois grupos de monitoreamento de lobbies nos EUA

  1. Open Secrets
  2. Lobby Watch

Lá, vou encerrar os trabalhos de hoje para pensar um pouco longe dessa máquina infernal. Tenho orgulho de ter ignorado 579 tuites até o momento em que escrevo isso.

Tantas vozes desesperadas, doidas e mentirosas, reclamando a minha limitada atenção e paciência — e tempo, que vale ouro, uma vez que a vida é curta.

6 comentários sobre “Diogo Costa, O Recluso?

  1. Raphael

    Não é por acaso que o sujeito se intitula “O Bicho Preguiça”. Com alguns reais no bolso e um pouco de disposição, poderia ter entrevistado pessoalmente o Chiuso e acabado com a dúvida.

    Agora, quem ficou com preguiça fui eu. De ler essas baboseiras.

  2. “O método direto — enviando e-mail com o assunto «o Sr. é Diogo Chiuso?» — já fracassou.”

    Se tivesse tentasse isso de verdade, teria poupado trabalho e não faria papel de idiota.

  3. Parabéns, Jack Bauer. Eu acho que sou o Chiuso, aliás, é o que está expresso na minha certidão de nascimento, mas com toda esta estória eu fiquei meio em dúvida. Prossiga na investigação e, por favor, informe-me sobre o que descobrir.

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