Hillary, Cidadão Kane e a Nação Zumbi: Ligaçṍes Obfuscadas

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Estou interessado em mudanças nas estratégias e táticas de comunicação social entres os governos Bush e Obama.

Por isso, estou ficando de olho no gabinete de comunicações eletrónicas do Burô de Relações Públicas do Departmento de Estado.

Como já notei, a secretára-adjuvante desse burô tem no currículo

  1. 20 anos como fundador e diretor-executivo do canal Discovery, e
  2. vários anos como assessora jurídica principal da MTV, responsável pela expansão internacional da rede, que tem como afilado brasileiro o Grupo Abril

(Minha mulher adora os dois. Eu sou mais para um homem do History Channel.)

Fazendo anotações hoje, cruzei com um novo programa no site do Itamarty gringo — conhecido de Foggy Bottom pelo local do QG: Mande um torpedo para Hillary!

Numa sessão interativa durante sua visita ao Brasil, dia 3 de março, consta que

… Secretary Clinton answers questions taken during her trip to UruguayArgentinaChileBrazilCosta Rica and Guatemala from February 28 – March 5, 2010. Secretary Clinton selected frequently asked questions and answered them here.

Ele responde perguntas recibidas durante sua viagem a Uruguay, Argentina, Brasil, Costa Rica e Guatemala, e selecionadas por ela pessoalmente. Exclusivamente na TV Globo e G1/Globo.

Todas as perguntas vêm de brasileiros participando numa entrevista virtual-real montada no site G1/Globo que aconteceu na Faculdade Zumbi dos Palmares em São Paulo dia 3 de março.

So uma pergunta vem de um torpedo, de um brasileiro.

Todos são covardes anônimos.

Nenhum é uruguaio, argentino, guatamalteco, ou costariquenho.

Um levantamento de bola mais amigável por parte desses brasileiros anônimos — com um inglês bem encima da média — não pode-se imaginar.

Não consta que as perguntas foram traduzidas, e eventuais deslizes de gramática sugere que o inglês não é a língua-mãe da pergunta. Por exemplo:

First of all, good night, Hillary.

«Good night» é sempre uma despedida enquanto «good evening» é um cumprimento.

Vá saber porque. Linguagem maluca, nossa.

É como começar um discuro com «Para começar, não tenho mais nada a dizer. Tchau!»

Estou com polegar atrás a orelha.

Tem cheiro de vilarejo de Potemkin.

Globo: a rede exclusiva de propaganda da diplomacia norteaméricana?

A Rede Zumbi

E esse Instituto Afro Brasileiro?

Ora, eu acho a ideia de uma faculdade privada reservada para afrobrasileiros meio esquisito, na luz da campanha venenosa contra cotas para faculdades públicas que levam raça e condição socioeconômica em consideração.

Hillary não podia montar seu papo íntimo com o povão afrodescendente na Universidade Federal de Bahia, por exemplo? São Paulo não é exatamente a capital nacional da negritude.

Nós tinhamos e temos institutos de ensino excelentes nos EUA reservados para negros — mas só por causa do apartheid no sul do país, as chamadas Leis Jim Crow.

Ainda existem hoje como faculdades tradicionalmente afrodescendentes, mais não admitem candidatos mais com base puramente na raça do candidato.

Tio Sam e o Brasileiro Cordial

Qual, portanto, a ligação Tupi-Iánque? Como foi que Hillary acabou monopolizada pela Globo?

Se fizesse isso em coletiva lá em casa — só falo com a MSBC num evento fechado e controlado na faculdade de direito de Harvard — o mundo acabava.

Ora, estou aprobando as initiativas de Hillary até agora, e teria votado nele se tivesse vencida as prévias. Sou cético quanto ao Obama — embora a reforma do setor de saúde descongelou meu coração um pouco. O cara lutou e fez. Provou seu valor.

Eu gostaria de saber, porém, como foi montado esse teatro, esse vilarejo Potemkin pra Hillary ver? Que tem a ver Globo com Zumbi dos Palmares? Que tem a ver Palmares com Globo? Existe um rede ligando Globo, a faculdade, e o Departamento de Estado do meu páis?

As respostas, me parece, ficam sistematicamente obfuscadas, pelo ponto de vista da devida divulgação dos envolvidos.

Veja

Esse Instituto Afrobrasileiro de Ensino Superior, ou Instituto Afro Brasileiro de Ensino Superior? Nenhum dos dois constam na Junta Comercial.

So constam nos cadernos do judiciário do e-DO como parte em causas tendo a ver com fornecedores caloteiros e credores. Por exemplo (aleátoriamente escolhido), a condenação por má fê processual em 2007:

Como sempre, resultados de uma busca no caderno executivo do DO eletrônico de São Paulo nuncam chegam.

Portanto, do teor da Portaria nº 3.591, de 13/12/02, ainda não conheço nada. Entre os resultados de Google para essa portaria, porém, o blog de um jornalista de Florianópolis — hospededo no Blogger.com, nos EUA — que relata:

Hillary visita Afrobras

Tirando Férias em Texas

Por quê será que o site da faculdade passa por uma serie de servidores anonimizados nos EUA?

Apesar de aparentemente ser hospedado em servidores dentro do Brasil?

As informações seguintes vêm do registro.br, e mosta os pulos que o site faz para chegar aos servidores do responsável pelo domínio ponto-bé-ere.

Quer dizer que uma busca traceroute — rastreamento de rota — feito do servidor do registro.br tira feiras nos EUA e não volta.

Entretanto, uma busca desse tipo feita de São Paulo pela rede NetVirtua (Globo-Telmex) dá ainda menos informações.

Uma busca WHOIS no site tanto da faculdade tanto do Instituto mantendor não retorna endereço de correio, telefone, ou e-mail do responsável.

O responsável pelo cadastro do domínio consta como

Net4 – Serviços Editoriais S/C Ltda

Também não consta na Junta Comercial, embora constam duas empresas com razão social semelhante, mais dois MIREs distintos:

Vôo de Volta Cancelado

Mais: um rastreamento feito desde um servidor nos EUA tem o mesmo resultado.

Nesse caso, o servidor é de You Get Signal e fornece a rota seguinte até os sites da faculdade e seu instituto mantenedor.

Quer dizer que naõ chega ao site.

Compra passagem para Guarulhos, mas fica aguardando o próximo vôo da TAM no aeroporto de Houston. Esperando Godot.

Entretanto, os servidores nos quais as pegadas sumiram na república de uma estrela só — «the Lone Star State» — são duplamente obfuscados.

O registro do site afrobras.org refere o usuário ao uxo9.com.br e net4.com.br, ambos os quais o referem ao cluster01server.com.

Como se tratasse de anonimidade transparente.

Este último refere o cliente à página WHOIS de theplanet.com.

Resultado:

WHOIS theplanet.com, você pergunta?

A pergunta leva você à página de WHOIS de SRS Plus.

Resultado:

Conexão recusada.

Razão: Não consta.

É o mesmo servidor com que cruzamos no rastreamento de diogochiuso.com, aliás.

Tem mais aros na corrente. Network Solutions, por exemplo:

A empresa refere o usuário a whois.moniker.com, que ainda fornece anonimato parcial porém transparente:

Consta, porém, um endereço de correio:

Network Solutions LLC
13861 Sunrise Valley Drive, Suite 300
HERNDON, VA 20171
US

31 km:

Que a CIA tenha algo a ver seria uma ilação indevida por enquanto.

Só tenho que admirar o toque de bom humor: Entra «U.S. Central Intelligence Agency» no Google Maps e a algoritmo retorna «farmboys of Virignia» (caipiras das roças de Vriginia).

Empregados da agência chama o QG do «farm» (fazenda), como todos sabemos de romances baratos.

Papo sério agora: quem é o dono de Network Solutions LLC?

O fundo de investimento privado General Atlantic, financeiro dos Atlantic Philanthropies.

Eu conheço o fundo por causa da sua atuação no ramo de bolsas de valores, e redes eletrônicas de transações internacionais em geral.

O fundo investe no BM&F-Bovespa, por exemplo — que deveria ser mais um ponto de orgulho. É um reflexo de confiança nos mercados de capital do Brasil.

Banca projetos enormes de TI do tipo que me faz babar.

Fascinante por si só. Isso é realmente minha praia, profissionalmente falando.

Consultores especiais do fundo em São Paulo: Mario Beltem (ex-IBM Brasil) e Alexandre Bourgeois (Lutèce Investimento).

O chairman (president do conselho), Steven A. Denning, figura entre os diretores do Council on Foreign Relations. Tupipédia:

O Council on Foreign Relations ou CFR é uma entidade sediada em Nova Iorque, EUA, voltada para a política internacional. Segundo seus representantes, trata-se de uma entidade dedicada a aumentar a compreensão norte-americana sobre o mundo e contribuir com idéias para a política internacional dos EUA. A entidade é responsável pela edição do periódico Foreign Affairs. A entidade foi fundada por David Rockfeller.

Agora, com tudo isso, com quem deveriamos entrar em contato para saber donde veio o dinheiro? O apoio? A coordenação? O planejamento?

Não sei não.

Não consta.

Em termos técnicos, pelo menos, o que podemos dizer, sem ilações, é que temos uma série de servidores aparentemente oferecendo anonimato transparente.

Na prática, porém, oferecem anonimato obfuscado múltiplas vezes — uma reductio ad absurdam.

Compare usp.br.

Como instituto avançado de pesquisa e ensino, naturalmente tem seus próprios servidores.

Está na espinha dorsal da rede desde o começo.

Pule na lotação na estação Vila Madalena (Linha Verde) e desce na Cidade Universitária (CPTM). Atravessa a ponte sobre o cheiroso Pinheiros. Está lá.

Conclusão Não Conclusa

Isso é puro palpite, viu?

Pode tratar-se de duas coisas:

  1. Um verdadeiro vilarejo Potemkin para a Imperatriz do Norte ver, comprovando a hipotése Ali Kamel: Não somos racistas; ou
  2. O resultado de algum lobby em Washington com interesse em fazer negócios com o Globo que nem o Time-Life nos anos 1960s, após eleger um governo disposto a rever os limites sobre a participação de capital estrangeiro (mantidos até pelos generais da geração de 1964) em empresas de comunicações nacionais; ou
  3. Uma mistura dos dois.