O Ecosistema Millenium: Uma Visão Mais Abrangente

Padrão

Até agora, trabalhamos com as hipóteses seguintes sobre o Instituto Millenium:

  1. É uma «media-orchestrating NGO» — MONGO, ou «entidade da sociedade civil que pauta a mídia»
  2. É um reflexo ofuscado do poderio econômico de interesses cartelizados
  3. É mais uma campanha — Cansei! — de «astroturf» («raizes do caipim» ou «moviemento espontáneo» fictício)
  4. É uma campanha estilo «mil pontos de luz» — um nébula de fontes pseudônimos e aparentemente independentes mais sistematicamente ofuscadas para esconder o planejamento central de pautas e chavões.
  5. É principalmente orquestrado desde a Rua K (Cato Institute)
  6. É montado por uma Jaspora que trabalha fora do Brasil
  7. Segue o modelo básico do grupo Living Marxism
  8. As táticas são inspiradas no trotskismo assumido do movimento neconservador («entrismo»)
  9. É ideologicamente incoerente, descomprometido e oportunista, e apoia-se em um apelo emocional radical («pânico moral») para realizar os fins pragmâticos de um pequeno grupo de interesses.

Está na hora de introduzir novas ferramentas para fazer essa pesquisa progredir.

Acima, por exemplo, os primeiros resultados de um indexação do «link environment» — «ecologia digital» — do domínio vritual do Instituto Millenium.

Eu utilizo aqui a ferramenta YaCy — um «Web crawler» ou «aranha» capaz de produzir

  1. Um registro de ligações em rede
  2. Um «concordance» de textos, que nos deixaria fazer …
  3. … um análise da consistência e coerência léxica do discurso distribuido por meio dessa rede

O que chama atenção imediatemente é a centralidade absoluta do Twitter como ferramenta de coordencação e distribuição de mensagens, assim como da criação de tendências aparentemente provindas da «mão invisível» do «livre mercado de ideias».

Meu tése, porém — melhor dizer palpite nessas alturas do campeonato — é que na verdade trata-se da «mão escondida» da Jaspora — principalmente estudantes e pós-graduados vivendo no exterior.

Aqui, o «Mão Visível», com vista pro Campanile da Universidade de California em Berkeley. Reconheço porque eu lecionava naquele campus por seis anos.

Autor «O» Anônimo.

Para conseguir mais dados apoiando esse tése, eu proponho navegar e indexar alguns dos elos-chaves nessa corrente de tolos — os capitaẽs-da-mata dessa pequenta frota de Narrenshiffen que pretendem abalar o impêrio dos Aztecas mais uma vez.

Depois, vou utilizar software de análise de discurso — em português, por exemplo, tem o DiZer — para, eu espero, poder avaliar a consistência de um discurso distribuido entre diversos a(u)tores, todos rezando da mesma bíblia.

A Geografia do Maoismo Digital

Já tenho alguns palpites sobre a linha editorial desse discurso, por ser tão parecido com o discurso dos neoconservadores norteamericanos.

Assim como grupos mais para á esquerda tacham a grande mídia de conivente com grandes interesses econômicos privados, a ultradireita trotskista tacha-a de esquerdista demais.

O que se produz nos EUA, por exemplo, é a polarização entre FAIR (esquerda) e AIM (direita).

Felizmente, porém, temos uma grande diversidade de observátorios de mídia, entre eles projetos excelentes como FactCheck.org e Regret The Error.

Tome o seguinte exemplo aleatório — tirado do fluxo da «ecologia digital» do Instituto Millenium enquanto minha aranha atravessava-a.

Quem, por exemplo,  é Opinião e Notícia?

Assim como tantos outros milhares de pontos de luz, as pegadas do site somem no beco sem saída dos servidores @theplanet.com.

A partir de lá,  começa uma corrente de ofuscações que desemboca nos subúrbios de Washington, D.C., numa empresa do porfolio do fundo General Atlantic e a rede de «empreededores sociais» a ele ligado.

Desde o gestor de .br, o sinal passa pela espinha dorsal de Telefônica, jamais chegando ao IP-alvo, 74.55.78.10.

Desde os EUA, porém:

As listras na bandeira ao lado do endereço do site não são as pretas-e-brancas sãopaulinas.

São as brancas-e-vermelhas de Tio Sam.

Compare o site do jornal O Globo:

Tão verde-e-amarela na orígem quão couve e farofa — com direito a um almoço com o Clube de Madrí.

A Inversão de Valores do Maoismo Digital

Na luz desses resultados, vamos ler sobre quem o grupo se diz ser:

Somos um grupo de brasileiros que acredita na democracia e na economia de mercado. Embora contemos com alguns órgãos de imprensa tradicionais e respeitáveis, falta na nossa mídia uma voz que defenda as idéias liberais nas quais acreditamos. Sentimos também a ausência de um maior interesse pela conjuntura internacional. Pretendemos oferecer aos nossos leitores links para reportagens e artigos, da imprensa nacional e internacional, que considerarmos informativos e de boa qualidade.

Só alguns meios de comunição divulgand as boas nóticias, porém não suficientemente comprometidos com o evangélio do maiúsculo Mercado?

Cada um das sete famiglias da mídia brasileria é um cristão velho dos mais puros e pios desse missal.

Abril-Telefônica-Naspers, Globo-Telmex, Estadão, Folha-UOL, RBS, quem mais?

BrOI-iG, com certeza.

Além disso, quanto à «conjuntura internacional»: o Instituto Millenium —  grandes partes da rede da qual originam da Rua K — é a ordem jesuita do neoliberalismo pós-moderna, traduzindo a missa de Ludwig von Mises, Ayn Rand e Alan Greenspan para Tupi rezar e lavar a alma.

A camâra de eco que fornece ao discurso de Mídia Sem Máscara, de Olavo de Carvalho, é fácil a perceber. As semelhanças saltam aos olhos, apesar de ser amenizado um pouco.

MÍDIA SEM MÁSCARA é um website destinado a publicar as idéias e notícias que são sistematicamente escondidas, desprezadas ou distorcidas em virtude do viés esquerdista da grande mídia brasileira. Embora sem recursos para promover uma fiscalização ampla, MÍDIA SEM MÁSCARA colhe amostras, que por si só, bastam para dar uma idéia da magnitude e gravidade da manipulação esquerdista do noticiário na mídia nacional.

O site do filosofo-rei também é taõ verde-amarela quanto um jogo de beiseból no dia 4 de julho.

La Transparence, C’est Pour Les Autres

Os adeptos de São Olavo o Slavo também mostram nitidamente a incoerência ética desse tipo de discurso.

Num primeiro momento, os integrantes desse autodenominado «grupo» são — dependendo do nível da sua ingenuidade —  (1) covardes anônimos, our (2) uma(s) pessoa(s) que respeita(m) a privacidade e esper(am) a mesma coisa de você(s).

Só que a política de privacidade do site consiste tão somente em informar você que vão recolher todo que é dado pessoal sobre o visitante, par fins lucrativos.

O Opinião e Notícia preza muito a privacidade dos usuários …

Mais pura mentira!

  1. O Opinião e Notícia coleta informações pessoais capazes de identificar o usuário quando este se registra para, i) receber o boletim do Opinião e Notícia, ii) visitar páginas do Opinião e Notícia, e iii) participar em promoções ou concursos.
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E também para a distribuição de anúncios contextuais pelo programa Google AdWords.

Em português simples, respeitamos sua privacidade salvo cada vez que você acessa nosso contéudo.

Nada contra AdWords, nem contra os fins lucrativos do site.

Inclui-se um «link» às instruções de Google para optar a não ser sujeita a essa devassa.

(Dica: o navegador Google Chrome oferece um modo «incognito» de navegar.)

Só que um diálogo ou negociação na qual uma parte tem o monopólio de informações jamais será equilibrado ou justo.

Em troca dos meus valiosos dados, o que?

Se o produto for quebrado — se as informaçãoes fossem enganosas, digamos — para onde vou para tomar meu dinheiro de volta?

Com quem reclamar?

Não consta.

O nome do responsável é Ninguém.

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