O Grande Irmão e a Guerrilha Global: Mitos e MOSCOUs

Padrão

Igual que en un escenario
Finges tu dolor barato
Tu drama no es necesario
Ya conozco ese teatro

Teatro,
Lo tuyo es puro teatro
Falsedad bien ensayada
Estudiado simulacro

Não tenho mais duvida de que o Instituto Milennium é mais uma articulação de um movimento global orquestrado da Rua K em Washington, D.C. no serviço de grandes interesses econômicos multinacionais — atuando com uma desenvoltura talvez não vista desde o fim do século XIX com a «guerra de eletricidade» entre Westinghouse e Edison.

Eu tenho chamado esse modelo de comunicações sociais ofuscadas, em inglês, de MONGO — uma «Media-Orchestrating NGO», ou ONG que pauta a mídia.

O Cato Institute, cuja missão central criar a «lenda» — na gíria de arapongagem — de  «pesquisadores indepenentes» reclutadas pela grande mídia como comentáristas aos quais não têm que pagar salário, pensão ou seguro médico.

Também podia ser chamado de um MOSCOU — «Mídia Orquestrada por uma  Sociedade Civil de Organizações da Ultradireita».

«Ultraesquerda» tambem caberia nessa definição.

Podia áte terminar com «Oligopsonias Unidas».

Notamos, por exemplo, que

  1. O site OrdemLivre.org — do conselheiro fiscal do IMIL Odemiro Fonseca e o contratado do Instituto Cato, residente em Washington, D.C., Diogo Costa «O Recluso» — é hospedado em Washington e assumido como o site lusófono oficial do Instituto Cato
  2. O Instituto Cato tem uma longa história de defender interesses de petroleiros e a indústria de cigarros, sub-reptíciamente, utilizando pseudociência mercenária e argumentos oportunistas e incoerentes de uma natureza vagamente  libertária.

O mapa acima, por exemplo, preparado por Greenpeace, mostra as diretorias entrecruzadas entre institutos de pesquisa e fundações que servem os lobbies da industria petroleira como laranjas.

Entre esses primeiros é o Instituto Frazer, que conta Alejandro Chafuen, fundador da rede RELIAL — apoiador oficial do Anti-Foro de São Paulo Para o Status Quo, o Nepotismo, e o Latífundio de Ideias Alheias — entre os fidúciarios.

Para confirmar que o esquema continua em atividade, é só navegar ao site de Ordem Livre hoje e ler a matéria em destaque hoje:

«Obrigado por fumar», por coincidência, é o título de um ótimo filme satírico sobre as táticas de comunicação social do lobby de tabaco, dirigido por Jason Reitman, adaptado do romance de Christoper Buckley e lançado em 2005.

Aluga-o hoje (legendado)!

Tarefa de Hoje: Táticas Comparadas

Mais o que me interesse mais hoje são as táticas desse movimento de uma «sociedade civil» cooptada, no mínimo, e também a justificativa libertária pelo uso de ofuscação, pseudonomia, e desobediência civil — o recuso de obedecer leis consideradas injustas.

Eu parto da seguinte premissa: as táticas da organização atrás desse movimemento libertário dependem antes de mais nada de um mito: o mito da multidão revolucionária contra o Grande Irmão.

Faz parte da propaganda das novas tecnologias desde o famoso anúncio de Apple em 1984 — apresentando com tamanha alarde aquela torradeirazinha que nem modem tinha …

Esse mito — esse pânico moral apocalíptico — fornece a suposta justificativa pelas táticas extremas de guerrilha, e especialmente de guerrilha virtual, utilizadas.

Por isso, a centralidade da analogia forçada que vemos estes covardes anônimos insinuando entre (1) as redes Atlas, Cato e RELIAL e (2) movimentos de resistência democrática cibernética como aqueles em China, Irã, e Cuba de hoje — todos acusados de serem chapa-branca do governo dos EUA, aliás — o antigo movimento самиздат da velha URSS, e assim por diante.

Nesse sentido, o movimento atrás o Instituto Millenium compartilha uma justificativa ética com

  1. O autor dos Diários de Turner, livro neonazista que retrata a guerrilha da Organização contra os judéus, Pretos, e traidores de raça que constituem a junta militar do Sistema
  2. O filme V, dos irmãos Wachovski, que retrata a vingança do indivíduo livre contra um estado religioso-totalitário, utlizando táticas como a tortura, e culmina na explosão do Parlamento
  3. Vários grupos radicais de «hacktivismo».

No caso da articulação Cato-Relial-Millenium, porém, o mito do Grande Irmão é exatamente isso: um mito construido por meio de um bombardeio midiático que promove uma campanha de «pánico moral».

Pânico moral:

Fato pouco noticiado:

«A Associação Internacional de Radiodifusão considera o Presidente Lula um exemplo para todos esses governantes. Um político, um democrata que mantém esse espírito de conviver com uma imprensa independente, com o contraditório, e não manifestou em nenhum momento nenhuma incitativa crítica contra os veículos de rádio e televisão, especialmente», disse o Presidente da Abert, Daniel Pimentel Slavieiro.

Curioso, no mínimo.

Lula é democrata exemplar para inglês ver e Luiz $talinácio para consumo interno.

Ao lado dessas imagens, o Lula sentimental, apegada à mamãe corajosa brechtiana,  homem de familia, negociador genial — e fumador maniáco dos produtos de Souza Cruz, um patrocinador do filme.

Cadê o quarto Lula, que arrota, conta piadas obscenas, tem o mau gosto de torcer para Corinthians,  mas ainda assim tem grande talento político — quem nega hoje em dia? — e capacidade de comunicação com a cabeça do brasileiro pé-de-chinelo?

Do mesmo jeito, tanto Olavo de Carvalho quanto outros sites na rede do Millenium retratam a grande mídia como capturado pelo Grande Irmão da esquerda, perseguindo e excluindo o movimento libertador-libertário — como se fossem os fieis do Falun Gong de China.

Quantas vezes já ouviram isso?

Eliane Tranchesi, flagrada comportando-se como se fosse Law Kin Chong, e os gritos são logo ouvidos: «REVANCHISMO DOS TERRORISTAS!»

MÍDIA SEM MÁSCARA é um website destinado a publicar as idéias e notícias que são sistematicamente escondidas, desprezadas ou distorcidas em virtude do viés esquerdista da grande mídia brasileira. Embora sem recursos para promover uma fiscalização ampla, MÍDIA SEM MÁSCARA colhe amostras, que por si só, bastam para dar uma idéia da magnitude e gravidade da manipulação esquerdista do noticiário na mídia nacional.

Como se as obras dos grandes economistas liberais fossem censurados e o corpo docente perseguido por lecionar sobre seus argumentos.

(Quando eu frequentava a faculdade, quase ninguém lecionava sobre Marx. Li sozinho, e li os contrapontos liberais — e não virei marxista. Quase tudo de errado em Marx vem de Hegel, enquanto tudo de bom vem dos poderes de observação empírica do autor.)

Assim, eles procuram encenar uma cisão entre a Grande Mídia, suposta chapa-branca do Grande Irmão, e a cultura de «samizdat » digital — o lado clandestino da campanha midiática.

Como escreve o covarde anônimo autor de Brasil, País de Tolos recentemente:

Minha lista de blogs está uma geleia geral. Só hoje entraram dois novos blogs: o do Instituto Millenium e o Conversa Afiada de Paulo Henrique Amorim. Ou seja: as duas fases do PiG: o Golpista e o Governista. Eu não confio em nenhum dos dois. Mas estou botando os dois para se digladiarem na lista de blogs. Que os tolos do Brasil escolham seu lado nesta arena. Que os não tolos façam como eu: metam porrada em ambos.

Eu também já escrevi uma nota apontando desfavoravelmente as semelhanças entre os Gêmeos Amorim — PHA e meu amigão Aluizio.

Do PHA, pelo menos, sabemos quem é, o que já fez, e para quem trabalha. Tem partido assumido e abertamente anima a torcida.

Assim que não é isso que busco, sou grato pela transparência, pelo menos.

Eu, no entanto, não sou parte da ecologia digital do Instituto Millenium — apesar de divulgar um link para o site. Um link não é um juizo de valores. Só diz «isso aí me interessa» — o caso comigo.

Também não assino embaixo a hipótese Figueiredo de «brasileiros de merda, que não sabem votar».

Tem evidência demais em contra.

O BPT é parte da rede Blogs pela Democracia, coordenado por alguém conhecido somente do «Coronel» — da Associação Brasileira de Blogueiros Anônimos — e portanto parte da rede clandestina do IMIL.

Assim, Globo-Telmex, Abril-Telefônica, Folha-UOL, Estadão, RBS e os outros seriam uma minoria oprimida — reduzida a comunicar por meio da cultura clandestina de samizdat por CONAR não deixar eles mostrar a perereca de Paris Hilton na TV.

Portanto o discurso de Paulo Uebel:

Evidentemente, essa ideia de que a democracia pode tudo é totalmente incompatível com os direitos das minorias. Se fosse aplicada, teríamos uma democracia totalitária. Entretanto, o reconhecimento dos direitos das minorias por si só já anula o entendimento de que a democracia não possui limites … [Quanto à democracia,] não exista um sistema melhor para gerar prosperidade e desenvolvimento humano, [mas] isso não significa que se tenha de aceitar todas as decisões democráticas como legítimas.

Os patrocinadores do Instituto de Estudos Empresariais — do qual Uebel foi presidente até passar a ser presidente do Instituto Millenium — são uma minoria perseguida, como os Tutsis de Rwanda ou os cristãos e animistas do Sul do Sudan.

Isso é completamente absurdo.

Mas é exatamente por isso que a rede em apoio desses interesses sempre tem um ou outro mártir à liberade em pauta — seja um blogueiro anônimo chinês qualquer (que pode merecer nosso apoio, ou não, faltando maiores informações) ou seja Diogo Mainardi, que faz uso exagerado desse discurso apesar de desfrutar, e praticar, a mais perfeita libertinagem, com eventuais multas pagas pelo patrão.

V por Vingança: Anonymous, Cientologia e Irã

O que me interesse últimamente, portanto, são as táticas e atividades do verdadeiro «digital underground».

Grupos como Anonymous, que começou como uma dissidência da Cientologia e chegou a sofrer ações tipo SLAPP — «strategic lawsuits against public participation» (processos estratégicos contra a participação pública, contra os quais vários estados nos EUA já baixaram legislação) — têm documentados suas táticas, justificativas e ações.

Seriam uma valiosa fonte para entender os métodos do «hacktivismo» que podemos esperar da minoria perseguida de oligarquias reunidas na campanha clandestina de samizdat do IEE e IMIL — os Novos Lacerdas do novo IPES.

Por isso, estou estudando o grupo, tentando anotar semelhanças como a campanha da rede clandestina do IMIL — e talvez aprendendo novas táticas, assumidas e ensinadas pelo grupo — para poder reconhecer seu uso em futuros análises.

A página de Wikipédia do grupo tem bastantes informações — fornecidas, parece, pelos militantes do grupo.

(Aqui temos a primeria semelhança — tanto Anonymous quanto o Instituto Cato são muito ativos na Wikipédia.

No primeiro passe, por exemplo, meu robô mostrou que o site do Cato tem a maior conectividade com edições de Wikipédia em várias línguas (acima). Parece que muitos dos «maoistas digitais» apontados por Jaron Lanier trabalham na Rua K.)

Outro mito da Multidão — as obras de Antonio Negri não recolhem poeira nas estantes desse pessoal — é o efeito «mão invisível», a chamada «emergência» da «turba sábia» (smart mob). Disso mais depois.

Para encurtar o relato, porém, um fato curioso: a virada do grupo Anonymous no sentido de hacktivismo político e internacional, com a montagem de um projeto em apoio à oposição de Irã.

Eu também tenho simpatia pela oposição iraniana e gostaria ver uma verdadeira democracia emergir no país, com a força do povo iraniano.

O projeto não é incoerente com a atuação do grupo Anonymous contra outras práticas de censura da Internet. Atacaram e tiraram do ar, por exemplo, o site do primeiro ministro de Australia, acho que foi.

Caberia também, porém, nos moldes de uma operação de infoguerra: provocação, reação e contrareação. Consta nas manuais militares, cópias dos quais são disponíveis na Internet.

O que o projeto iran.whyweprotest.net tinha de diferente, eu acho, foi a ineficâcia total da ação.

Foi apto, por exemplo, que o artigo que apareceu no Slashdot sobre o «netware» de Irã seria sometido por aquele autor onipŕesente, o «Covarde Anônimo», fundamentada no blog de outro covarde anônimo e um relatório da RAND Corporation, agência do governo.

O problema permanente é a credibilidade de denúncias — verdareiras ou não, não importa — de que alguns grupos desse natureza tivessem sidos cooptados clandestinamente por interesses externos.

O ponto fraco de samizdat eletrônico-anônimo sempre era, é, e sempre será a defesa da integridade editorial.

Um boa ilustração da problema é essa sugestão no foro sobre Irã do grupo Anonymous:

I know, it’s a reference to the original anonymous, and yes, the right to post anonymously, freedom, protesting yes, but in a reporting context where there is so much misinformation being spread, is there anything we would consider in terms of requiring registration? or even one section of restricted boards where only registered members can post?

«Já sei, refere-se ao anônimo original, e sei, o direito de postar anonimamente, liberdade, protesto, tudo bem, mas no contexto de reportagem, onde há tanta desinformação sendo espalhada, consideriamos qualquer passo no sentido de cadastro obrigatório? Ou até uma secçao de foros onde postagems são restritas a membros cadastrados?»

Resposta:

We’ve considered making the forums registered users only, as %90 of all of the trolling and misinformation comes from anonymous posters. As you said, the way WWP is tied in with anonymity makes this difficult (and unlikely).

Consideramos fazendo obrigatório o cadastro, uma vez que 90% do «trolling» (provocações) e desinformação vem de anônimos. Mas como você disse, a ligação do WWP com anonimato faz isso difícil (e pouco provável).

Assim, o anonimato — um valor acima de verdade e falsidade, de bem e mal — faz como que ninguém conseque chegar à verdade.

O projeto parece ter sido projetado para ser um moinho de boatos motu perpetuo.

A MÍDia Anônima: Medo, Incerteza e Dúvidas

A Electronic Frontier Foundation também divulga um manual completo sobre como guardar o anonimato enquanto você mantem um blog.

O texto é de Ethan Zuckerman.

Zuckerman — do Centro Berkman, associado com a faculdade de direito de Harvard (e a FGV) e co-fundador do projeto Global Voices Online — é, segundo o site dele, vice-presidente do International Executive Service Corps, ao qual vendeu sua ONG — ou quase-ONG, uma vez que era financiado pelo governo — Geekcorps em 1999.

(Tem quem afirma — Anônimo, por exemplo — que Geekcorps não passava de um GONGO, ou «government-orchestrated non-governmental organization» (ONG orquestrada pelo governo).

Geekcorps foi financiado principalmente pelo USAID e o setor privado — grandes empresas de TI e suas fundações filantrópicas.

Servia como um belo jeito de entrar cedo e capturar mercados emergentes para TI proprietária, sem transferência de tecnologia. Me lembro de assistir um foro no FSM uma vez sobre a questão.

As pessoais de aparência mais radical foram os laranjas das grandes empresas de TI, enquanto os mais vocíferos críticos dessas práticas foram estes Indianos educados, bem falados, totalmente caretas e  discretamente zangadíssimos.

O IESC é financiado com dinheiro do contribuinte pelos Departamentos de Estado, Defesa e Agricultura, além do próprio USAID, e também com dinheiro mole de ONGs e empresas do setor privado.

É parte do enorme complexo de organizações que rodeiam o National Institute for Democracy, que financia o Center for Private Enterprise, braço sem fins lucrativos do U.S. Chamber of Commerce.

Esse último, antigamente um orgão politicamente neutro mas sesquestrado nos últimos anos pelos neoconservadores,  define sua missão como

… to advance human progress through an economic, political and social system based on individual freedom, incentive, initiative, opportunity, and responsibility.

« … avançar o progresso humano por meio de um sistema econômico, político e social fundamentado em liberade, incentivo, initiativo, oportundidade e responsabilidade do indivíduo.»

Quer dizer, defende os mesmos valores promulgados por coletividades nebulosas de indivíduos possívelmente fictícios que tem o sagrado direito de evitar reponsibilidade social pelos atos e ditos.

São valores promovidos também pelo uso de pânico moral sobre o onisciente Grande Irmão.

Capa da Veja: «Grampo no STF! Ninguém está a salvo!»

Consta no estatuto da dita «apartidária» Associação Nacional de Blogueiros Anônimos (ABANA) que

[p]oderão filiar-se somente anônimos independente de idade, classe social, nacionalidade, sexo, raça, cor ou crença religiosa e, para seu ingresso, basta não ser petralha, comunalha, esquerdalha ou gentalha de qualquer espécie.

O documento, na verdade, é nada mais do que uma paródia meio engenhosa (mas nem tanto) de um estatuto social — como outro eu viuma vez .. ah, sim o LibreCommons, uma paródia do Creative Commons.

Tem duas licenças a serem escolhidas, a primeira chamada de Res Divini Juris.

Tradução mambembe (quer dizer, livre):

Essa licença declara que sua obra pertence ao reino dos deuses, onde, num momento de esclarecimento contribuirá para um estado permanente de exceção, rechazando a lei do estado e conceitos liberais do estado-nação.

A outra é licença Res Communes:

Esta obra fica fora de qualquer jurisdição jurídica e toma sua força e ação das constituentes práticas democráticas radicais da multidão global contra a lógica de capital.

A lógica de ambos leva ao fim do estado democrático de Direito. Na prática, são equivalentes. Talvez só leitores de Austin, Searles e Derrida acharão graça.

No reino dos deuses da ABANA, então, os deveres dos anônimos radicais da multidão incluem:

  1. «Denunciar quaisquer atos de ilegalidade cometidos por políticos de qualquer partido, para que a denúncia seja repercutida em toda a rede de associados, sem dó e nem piedade;
  2. Denunciar quaisquer indícios de conluio dos blogueiros não anônimos com políticos corruptos em geral, que sugiram a prática do crime de chapa-branquismo; … »

Não consta o dever de denunciar o conluio de covardes anônimos e o «crime» de chapa-branquismo deles — crime que é muito mais difícil perceber num ambiente de sigilo suiço.

Acima: Samizada, gestor de contéudo «não-GNU», faz uso de protocólos proprietários — os patentes dos quais pertencem à Harvard, se não me engano.

O anonimato é tratado por esse pessoal  — sejam quem for — absurdamente, como uma virtude em si, como se fosse uma garantia contra o crime de chapa-branquismo.

Só os anônimos podem falar a verdade.

Só os anônimos jamais mentem. Não podem ser enganados.

1+1=3.

(Eu me lembro de um dia em que, sendo novato em Nova York, eu queria chegar às Torres Gémeas. Perguntei a um moço gari qualquer, escolhida à toa na rua.

Ele apontou com o dedo. Logo depois, eu virei os olhos pra cima e vi as torres — muito maiores do que eu imaginava. O cara tinha me apontado da direção errada.)

É o equivalente de dizer que o depoimento do delator prêmiado, ou coagido, seria mais confiável do que o depoimento espontáneo — ou em qualquer caso , que as circunstâncias da delação não tem importância júridica ao julgamento da credibilidade das provas em oferta.

Qui parle?

Em fim, uma vez que quem fala é Ninguém — o pseudônimo do ardiloso Ulíses — sinto-me com plena liberade de dizer, e assinar embaixo, ou (1)  que Ninguém deveria pegar mais leve com o Chá, ou (2) que Ninguém é o mais perfeito idiota.

Quem se tomará por atingido na honra?

Ninguém.