A Ameaçada Ditadura de Chaves: Endeavor Global no Ecosistema Millenium

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Continuo atravessando a rede do Instituto Millenium tanto com minhas aranhas robóticas quanto com meu cocoruto nu.

Outro jogador de peso na rede de nossa operação MOSCOU — «Mídia Orquestrada pela Sociedade Civil de Oligopsonias Unidas» — é o Endeavor International , um projeto de educação executiva com filiais em México, Brasil, Colombia, Chile, França, Turquia e Egito, além de Uruguay e Argentina (administrados pelo filial brasileiro).

A organizaçao, de direito privado, é muito parecido com a consultoria Innovation International.

Com base numa instituição de ensino — nesse caso, a Escola Kennedy de Estudos Internacionais — a empresa leva o evangelho de empreendorismo aos tadinhos do mundo em desenvolvimento por meio de parcerias e contratos de consultoria com empresas e entidades de classes — especialmente empresas e entidades de clase de mídia e telecomunicações — locais.

Ainda tenho mais análise a ser feito, mas num primeiro momento, a rede do Endeavor mostra um novo lado das relações entro o instituto milenário e a guerra de multinacionais sobre os espólios de convergência digital no Brasil.

A organização-mãe, situada em Nova York, é liderada por Edgar Bronfman Jr., herdeiro da fortuna de Seagrams.

Alguns anos atrás, ele fez a permuta da empresa de bebidas alcóolicas para ganhar controle sobre a francesa Vivendi-Universal.

Este acaba de fechar a acquisição  do Global Village Telecom, o mais novo jogador no meio-campo de mídia convergente no Brasil, derrotando o lance de Telefônica.

Bronfman vai ser processado esse ano na França por suspeitas manipulações de informação de mercado em proveito próprio.

Divagação: A Lei do Vegetal

(E sim, como consta no mapa, Bronfman é envolvido com a União do Vegetal nos EUA.

Ele vem bancando os processos que recentemente conseguiram tirar os bebedores do Vegetal da fiscalização da FDA — a Agência Federal de Comestíveis e Remédios –com um argumento fundamentada na liberadade de religião. Deu no STF gringo em 2006.

Vemos a mesma coisa no Brasil: A pesquisidora mais conhecida dos grupos neo-ayahuasqueiros, Beatriz Labate, lidera um Instituto em Campinas que advogado pela de-medicalização do regulamento do Chá.

Assim, caberia ao Glauco, sem formação médica, determinar se o assassino dele sofresse de transtorno psíquico ou não.

Isso enquanto pesquisadores da USP dizem que não há dados clínicos suficientes para determinar o risco médico dos psicoativos no Chá.

Segundo uma pesquisadora, os únicos estudos já feitos com sujeitos humanos foram financiados pelo governo norteamericano. (Desde o debacle de Timothy Leary, que dosava sujeitos sem consentimento informado — meu tio, inclusive — os comitês de ética de pesquisa são duros sobre essa questão.

Mais no Brasil, sob o égide de liberdade de religião, parece que vão mandar bala com 60 pessoas, a serem sujeitas a doses altas dadas em intervalos curtos sobre um periodo longo.)

Televisa e Vivendi: Convívio?

Ao lado de Bronfman, o vice do projeto, e presidente do Endeavor México, é Emílio Azcárraga, CEO da Televisa — a rede de TV que fez a presidente dela em 2006, assim como sonha Globo, Abril, et al.

Ainda estou organizando os dados, mais dá para perceber nitidamente as alianças transnacionais em jogo aqui.

Abril e Globo, as máquinas de comunicação no serviço desse sucursal do esquema MOSCOU, são, nesse caso, o que os gurus de Harvard chamam de «coopetidores».

Isso apesar de ser alinhados, cada um, com concorrentes ferozes e históricos pela dominação do mercado mexicano.

De um lado, Telefônica e seu diretor regional, Francisco Gil Díaz, secretario da Fazenda de Vicente Fox (PAN). É śocio na TVA, comprando uma fatia do Abril no ao passado.

De outro lado, Telmex e Carlos Slim, inimigo de Chico Gil desde os dias desse último como diretor-executivo de Avantel.

Globo e Telmex são sócios em Net Serviços S.A. — pela rede do qual está  chegando essa nota.

No meio, Televisa — as ligações com os dois polos do ecosistema mídiatico lusófono são, no mínimo, complicadas.

Espero que veremos outros reflexos desse jogo de alianças internacionais na composição da rede Endeavor.

Em Colombia, por exemplo (acima), um participante estratégico no Endeavor é o Grupo Caracol, dono de rádios, TVs, e jornais — incluindo El Espectador de Bogotá. Este é o principal concorrente do grupo midiático da familia Santos — donos do El Tiempo e fonte de dois ministros em passadas configurações do uribismo reinante.

O dono do grupo é Julio Mario Santo Domingo, famoso por ter dito uma vez — segundo uma biografia não autorizada dele por um repórter do Miami Herald

Jornais são como revólveres. Convem ter alguns à mão quando chegar a hora de abrir fogo.

Caracol é retransmitida pela Internet dentro de Venezuela pelo grupo RCTV, de Marcel Granier — palestrante do Anti-Foro de São Paulo — para equilibrar a influência de TeleSur, tipo o BBC e Al-Jazeera venezuelano-bolivariano.

As mesmice dos sites do grupo — todos utilizando Flash, que impossibilita a busca para texto, com o mesmo «look and feel» e «branding», é mais uma pista da natureza centralizadora da organização.

A presença de James Wolfensohn, ex-Banco Mundial, no conselho global, também reforça essa impressão.

Será que a infraestrutura técnica da rede corrobore isso também?

Na verdade, olhando bem, a presidente do QG internacional do Endeavor tem lugar no conselho do Endeavor Brasil, ao lado de

  1. Jorge Paulo Lemann
  2. Paulo Veras
  3. Antonio Dias Leite Neto
  4. Carlos Alberto Sicupira
  5. Emílio Odebrecht
  6. Fábio Barbosa
  7. Marília Rocca
  8. Paulo Cezar Aragão
  9. Pedro Luiz Barreiros Passos
  10. Peter Graber
  11. Wilson Poit

O conselho consultativo:

  1. Aloysio M. de Miranda Filho ((Ulhôa Canto, Rezende e Guerra Advogados)
  2. José Alberto Aranha (Instituto Génesis, PUC-Rio)
  3. Veronica Allende Serra (conselheiro, revista Forbes desde 2007; MBA, Harvard)

Sim, filha DAQUELE Serra  –que quase morreu no estádio de Santiago quando a direita chilena não soube diferenciar Che Guevara de liberais pacatos leitores de Keynes e sonhando com uma boa e bela bolsa de valores para fazer o desenvolvimento pegar no tranco.

O quê não é um sonho de todo ruim, seja dito.

Serra é também presidente do conselho de Mercadolivre, Inc. de Argentina, segundo seu perfil no site de Forbes. A vida é boa:

Alien-Record x Predator-Globo

Mas voltando a guerra ensandecida entre os titãs mexicanos.

Entres as gargalhadas juvenís do Desciclopedia tem alguns cacos de verdade sobre Televisa.

Para muitos, a Televisa é a Globo mexicana. A Televisa tem interesses no Brasil, infelizmente. A tática deles é comprar 30% do SBT, através de dicas furadas e da substituição do Gardenal do Silvio Santos por balinhas de menta. A preocupação da Televisa é que a Record vire a emissora oficial do Inferno no Brasil, porém quando Roberto Marinho finalmente morreu, fechou um acordo de 200 anos para que a Globo continue sendo a oficial.

A verdade: SBT tem uma relação histórica com Televisa, como importadora de suas telenovelas. Eis a globalização de «Betty a Feiosa», né?

A suposta preocupação com Record, porém, virou uma parceria pela produção conjunta de entretenimento para exportação.

Sobre esse assunto, a Tupiédia de verdade — mais ou menos, levando em conta o Efeito Rashomon — vale a pena, para variar.

A parceria do SBT com a Televisa acabou em 2008. A empresa mexicana então, fez parceria com a Rede Record para produzir remakes das telenovelas, e novamente com a Rede CNT (com quem já havia tido parceria em 1997) para exibir novelas e seriados mexicanos dublados. O SBT ficou somente com os seriados de Chespirito (como Chaves e Chapolin), por terem um contrato à parte.

Eu pagaria para ver de novo todos os velhos filmes de Cantinflás — o Mazarope mexicano.

E os velhos filmes comerciais de Buñuel, também!

Artilharia Pesada Cruzada

Dá para citar alguns exemplos do uso de poder de fogo midiático no campo de batalha assim demarcado.

Quando rolou um manifestação de massa contra a Televisa, rede oficial chapa-branca do governo PAN, o evento deu no Jornal Nacional, por exemplo.

Aquela rede que deu as Diretas Já como festa de aniversário de paulistas pacatos, alegres e contentos.

Deu no UOL que deu no JN:

Na reportagem exibida pelo “Jornal Nacional”, sexta-feira, 1º de maio, os enviados especiais da TV Globo, Rodrigo Bocardi e o cinegrafista Luiz Cláudio Azevedo, mostraram que, apesar do toque de recolher expedido pelo presidente mexicano, Felipe Calderón, devido à epidemia da nova gripe, um grupo de manifestantes e sindicatos decidiram realizar uma manifestação no Dia do Trabalho.

Foi, para ser mais preciso, uma manifestação contra a Televisa, fabrica de mentiras aterrorizadora que detem 75% do mercado nacional — e lá no Brasil, os Marinho morrendo de inveja.

Infelizmente para os filhos do Cidadão Além, o PRI era a «ditudara perfeita», como diz Vargas Llos — enquanto a Revolução do Dia de Mentiras, de cunho nacionalista, nem tanto.

(Tarefa de casa: Volte às eleições de 2006 e veja como a Vénus Platinada cobria as denúncias contra Televisa — e contra a alegada conivência, ou conveniente incompetência, do IBOPE — na matéria de propaganda ilícita e fraude eleitoral em México.)

Do mesmo jeito, quanto à compra de GVT pelo Vivendi, tanto a Exame quanto a coluna «Radar» da Veja — ambas da empresa que abafou com eficiência impressionante a ameaçada CIP de Telefônica-Abril — ficam de olho no potencial escândaloso do negócio.

Será que a CVM vai apurar irregularidades no negócio?

Entretanto, o jornal O Globo indica o gerente-diretor do Endeavor Brasil como empreendedor do ano, segundo um discurso da presidente do Endeavor Global, Linda Rottemeyer.

Sobre a qual mais em seguida.

O fogo-cruzado continuado sobre as ligações — supostas — Dircéu-Slim também deveria ter muito a ver, né?

Eu vou ter que debruçar sobre velhos números de TELETIME para poder saber os nomes e posições do jogadores.

Quem vestirá camisa 10?

Parece que o técnico ainda não resolveu a questão.

Vamos concluir com mais uma tiração de sarro dos Desciclopedistas do Aufklarung Despedeçado:

A Televisa é uma filial mexicana do inferno, que produz as piores novelas de todos os tempos já vistas atualmente de hoje em dia. Seu principal negócio é a televisão. Nos últimos anos o bispo Macedo fez um acordo com o próprio satã, e a Record também está no ramo como a filial direta do inferno no Brasil.

Quer dizer que a parceria Televisa-Record vão co-produzir conteúdo — juntando forças contra a fábrica de ilusões da Globo — enquanto CNT só vai retransmitir, com dublagem.

(Odeio dublagem.

Quem foi que disse que não foi por ocaso que os fascistas de Italia inventaram-na?

Fellini? Werner Herzog? Wim Wenders?

Não me tô lembrando, mais em qualquer caso consta em todos os textos e cahiers do cinema.)

Em fim: Acrescente Record-Televisa ao mapa — com PHA tomando seu devido lugar ao lado de meu amigão Aluizio — e teremos um retrato mais claro do conteúdoduto ligando interesses econômicos  globais com as páginas amarelas e o TelePrompTer do casal Bonner.

Outro aspecto a ser levado em conta: O papel periódicamente anti-Televisa das redes hispanofalantes nos EUA, tal como

  1. Univisión (Hallmark)
  2. CNN Español (CNN)
  3. Telemundo (NBC-Universal)
  4. Aztéca Americana

Televisa foi forçada a vender Univisión em 1989 por conta da legislação americana contra participação controladora de estrangeiros em mídias nacionais. Em plena Revolução Reagan, até.

Hoje, o dono de todos as mídias é um australiano.

Como chegamos a tal passe?

Acrescentando essa dimensão fechará o círculo, eu aposto.

Houve, no filial de Univisión em Los Angeles, se não me engano, a mais escândalosa entrevista durante as eleições de 2006: «As Confissões de um Mapache Eleitoral»

Um fraudador de votos confesso, e se dizendo arrependido — hoje apresentador de uma rádio concorrente em Los Angeles  — contou como funciona o esquema de «mapacheria» desde os bons e velhos tempos do bom e velho PRI.

E deu o palpite — sem entrar em afirmações definitivas — de que o PAN e o PANAL davam muitos indícios de engajarem nessas mesmas práticas durante sua cruzada moral contra «o risco Chávez» posado pelo candidato mais perigoso às ambições continuistas do PAN.

O Risco Chaves

Próximos Passos

Vou continuar a recolher ligações e casos desse mídiaduto que multiplica mensagens provindo da rede do Endeavor International — porta-voz internacional do Vegetal, se bem que acredite.

(É verdade bem-documentada.)

Infelizmente, programas como CMapTools e YaCY rodam no Java, e o Java está trazendo de volta um velho inimigo meu: perda de controle sobre a frequência do CPU, tanto em Debian Sid  — carmenmiranda@127.0.0.1 — quanto em Ubuntu Lucid 10.04 (beta) — macunaimachine@127.0.0.1.

Pensei em escrever um «Ensaio Sobre a Falta de Lucidez» — homenagem ao romance de Saramago e contraponto ao «Ensaio sobre a Cegueira», injustamente negligenciado — com meus resmungos contra Ubuntu.

Más? Por? Quê?

Vou ver se alguém resolva o problema de Java na atualização mais nova antes de jogar a toalha.

(Solução por enquanto: rodando GNOME com xdm no lugar de gdm.)