MSM¹ x MSM² x MSM³: MOSCOU x MOSCOU?

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Bob quer saber qual seja o melhor distro de Linux para suas necessidades.

Ele pergunta a Oliver, que não sabe — ele é artista gráfica e usa o Mac OS X — pois pergunta a sua mulher, Alice, que trabalha com informática.

Ela diz Red Hat, e Oliver passa o recado para Bob.

Entrentanto, porém, Bob conversa com Carl, que menciona Debian Lenny.

Agora, Bob precisa decidir quais das duas respostas seja mais confiável.

Uma vez que Carl é programador independente com conhecimento de muitos distros, enquanto Alice faz relações públicas para Red Hat, ele opta pelo conselho de Carl.

(Nada contra Red Hat. As grandes bolsas de valores usam, o que diz muito ao respeito. Mas eu tenho a impressão — justificada ou não — que não pensa muito no usuário caseiro, simplesmente por esse mercado não ser sua praia.)

Hoje, quero simplicar o pensamento de ontem, meio atolado em nerdices, sobre o equilíbrio de forças póliticas virtuais nas eleições brasileiras desse ano.

Vamos enfocar dois núcleos de ativismo cujas mensagens eu acho fundamentais à questão dos papeis respetivos das mídias 1.0/2.0.

São os dois MSMs.

  1. Mídia sem Máscara (MSM¹)
  2. Movimento dos Sem-Mídia (MSM²)

O que esses núcleos têm em común e a estratégia de minar a confiança pública na MSM³ — inglês «mainstream media», português «mídia corporativa predominante».

(Que tal «Mídia Subjugando/Servindo Massas» para MSM³?)

Dentro desse marco, será possível aplicar os modelos de confiança em redes sociais levantados ontem — especificamente a aplicação do  modelo L.I.A.R. aos dois.

Segundo Mídia sem Máscaras, a rede entorno da candidatura de continuismo seria um MOSCOU¹.

Segundo os Sem-Mídia, a rede entorno da candidatura de mudança seria um MOSCOU².

  1. MSM¹: Mídia Orquestrada por Sindicatos Coordenando ONG-OSCIPs Unidas
  2. MSM²: Mídia Orquestrada pela Sociedade Civil de Oligarcas Unidas

(Segundo os gramscianos do PT, trataria-se de um MOSCOU³ — «Movimento Orgánico de Sociedade Civil Oposto ao (neo-)UDENismo».)

Ambos são núcleos pequenos de cibermilitantes buscando aproveitar, com métodos distintos, o efeito multiplicador de redes eletrônicas.

Ambos buscam despertar ceticismo sobre a confiabilidade das mesmas fontes de informações.

Em pauta para hoje, portanto:

  1. Um mapeamento do complexo PT-CUT-FPA-FSP (Fundação Perseu Abramo, Foro da São Paulo) para poder entender a dinámica da rede Anti-Foro de S. Paulo refletida no Instituto Millenium
  2. Na luz desse análise, uma avaliação das táticas vis-a-vis a mídia de ambos os lados

Primeiro, porém, algumas considerações preliminárias.

Para mim, o motivo atrás o esforço da MSM¹ no sentido de desmoralizar a MSM³ é claro.

Pretende promover a noção de uma MSM³ assolado por dois radicalismos, e portanto ocupando o terreno de uma posição admirável contra radicalismos em geral.

Faz parte da guerra de manobra pela conquista do centrão moderado.

Assim, o argumento de nosso blogueiro da Associação Nacional de Blogueiros Anônimos:

Minha lista de blogs está uma geleia geral. Só hoje entraram dois novos blogs: o do Instituto Millenium e o Conversa Afiada de Paulo Henrique Amorim. Ou seja: as duas fases do PiG: o Golpista e o Governista. Eu não confio em nenhum dos dois. Mas estou botando os dois para se digladiarem na lista de blogs. Que os tolos do Brasil escolham seu lado nesta arena. Que os não tolos façam como eu: metam porrada em ambos.

Tanto esse equilíbrio quanto essa dicotomia são confessadamente míticos.

(Aqui estou tentando achar as palavras daquele executivo da MSM³ dizendo que seria o dever da mídia assumir o papel de partidos políticos enfraquecidos como oposição democrática. Fiquei pasmo. Ah, aqui ô, deu no Comunique-se:

Segundo o jornal O Globo, Judith [Brito da FSP e presidente da ANJ] ]declarou que “a liberdade de imprensa é um bem maior que não deve ser limitado. A esse direito geral, o contraponto é sempre a questão da responsabilidade dos meios de comunicação. E, obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada. E esse papel d e oposição, de investigação, sem dúvida nenhuma incomoda sobremaneira o governo”.

Uma vez que a oposição está pisando na bola, o tjuiz de campo tem que dar uma força, dar um cartão vermelho ao craque do outro time. Têm un efeito de «moral hazrard» aqui.

Não há explicação por um partido liberal não poder jogar um papel significante nesse país, senão que nunca assume a responsibilidade de seus próprios fracassos. A artilharia pesada da mídia veio a substituir o trabalho duro de pensar num projeto e defendé-lo com anticipatio — a antecipação de contra-argumentos e desenvolvimento de refutações sólidas e convencentes.)

O efeito pretendido, no entanto, é convencer o consumidor de informações que deveria buscar o produto, não nas bancas de jornais controladas pelos carteis de informação, mas no «livre mercado» do «segundo superpoder» — como a turba de Harvard costuma chamar a blogosfera.

(Comprando o Windows na loja é caro demais. Compre a edição Paraguaya!)

Lá, encontrarão os mesmos factóides da MSM³, mas despidas de autoria e contexto por um processo de «churn» anônimo-anomico em série — uma  «lavagem de reputação»

Lá na blogosfera, haverá uma luta nas trevas, uma briga arruaceira lembrando o movimento anti-OMC nas ruas de Seattle de 1999 — ou as brigas de rua em Madrí, Roma e Berlim nos anos 1930.

A MSM³ repercutirá e lamentará essa briga arruaceira e tomará atitude contra, numa tentativa de revertir sua desmoralização tão visível desde as últimas eleições nacionais.

Essa tática se encaixa numa estratégia maior de provocação, com o us liberal de agentes-provocadores.

O PT em poder rapidamente desenvolveu uma estratégia no sentido de desautorizar seus próprios radicais — vai lá pro PSOL, adeus, companheiro — e de evitar reações acirradas às provocações da imprensa marrom.

Vem dando certo, e portanto é preciso miná-la.

Confiança e Desconfiança, Cega e Crítica

Vamos tentar aplicar o modelo «L.I.A.R.» à questão de como promover confiança ou desconfiança em relação a fontes divergentes de informação numa rede aberta.

«L.I.A.R.» é uma sigla recursiva — assim como GNU — para «Liar Identification for Agent Reputation».

Tradução: «Identificação de mentirosos para estabelecer a confiabilidade de atores em rede».

Primeiro, uma explicação para idiotas totais — eu prefiro a série de guias «para todos nós» — dada por esse idiota quase-total, mais nem tanto.

O que me falta nesse momento é uma boa tradução pelo termo «feedback loop».

Vamos chamá-lo do «circúito crítico».

Segundo nossos estudiosos franceses, Muller e Vercouter — citados por nossa perita militar estadounidense, Bowman — esse «circúito crítico» é o mecanismo básico para construir confiança numa rede aberta, multi-agente, e virtualizada — na qual nenhum ator tem uma visão da rede como um todo, e ninguém tem contato físico com outros atores.

Idealmente, cada agente da rede teria o direito, e o dever, de denunciar agentes divulgando informações mentirosas ou equivocadas aos outros agentes na sua vizinhança.

Também teriam o poder de elogiar e avalar quem fornece informações confiáveis.

As agentes-vizinhos que recebem essas avaliações aplicarão, em torno, avaliações prévias do relator da avaliação.

Faz parte do processo de decidir se a avaliação do terceiro pelo relator deve ser acatada ou não.

Eles chamam Nassif de mentiroso. Mais apurou as denúncias dele, e os fatos que ele alega se confirmam.

(Quem já fez a teoria de jogos reconhecerá aqui a estratégia recomendada para o «n-dimensional zero-sum game»).

Assim, formam-se na rede aberta núcleos de auto-regulamentação para impedir o entrismo de agentes hósteis aos objetivos do grupo.

Esses mecanismos de controle social espontáneos — necessários ao bom funcionamento da rede, segundo as forças armadas dos EUA —  buscam eliminar agentes contraprodutivos — tanto os malévolos quanto os incompetentes.

Nesse conceito, portanto, a questão de «quem merece minha confiança» é resolvida por uma meritocracia espontánea e colaborativa.

Fazendo Virtudes de Vícios

No modelo baśico mostrado acima, o ponto de maior vulnerabilidade é provavelmente a definição de valores compartilhados pelos integrantes da rede aberta.

Não é por outra razão que vemos tanto menosprezo para valores não muito controvertidos, como a transparência, junto com a exaltação de valores como anônimato e pseudônomia — ditos essenciais à liberdade — entre agentes-provocadores operando na rede clandestina do  complexo Endeavor-Harvard-Cato-Atlas-Millenium-UNOAmerica-RELIAL.

Basta por enquanto um preceito, ou preconceito, pessoal: Não existe tal coisa como um nietzscheano praticante confiável.

Dos heideggerianos professos tenho sérias dúvidas também.

Acho que Hayek concordaria comigo.

Próximos Passos

Eu fico satisfeito de que as táticas da rede PSDB são projetadas propositalmente para provocar um curto-circúito nos mecanismos de controle social espontáneo necessárias a uma rede aberta.

Mas isso não quer dizer que o partido da situação e a campanha do continuismo sejam paladinos desses valores.

Isto é para determinar após um análise mais detalhado.

Ainda assim, quis concluir com uma esquematização que fiz ontem encima daquela tipologia de redes segundo os eixos abertas/fechadas e hierárquicas/não hierárquicas.

Os quatro modelos ou «ideal types» são

  1. O círculo elite (fechada, hierárquica)
  2. O shopping de inovação (aberta, não hierárquica)
  3. A comunidade de inovação (aberta, hierárquica)
  4. O consórcio (fechada, não hierárquica)

A rede de redes do PSDB envolve modelos (1), (2), e (4).

O (2) shopping democratico-participativo é uma fachada para o (1) círculo de elite nativo e o (4) consórcio de pessoas júridicas internacionais.

(E a rede (1)+(4) nesse caso? Hierárquica ou não?)

O shopping e projetado para facilitar o curto-circuíto dos mecanismos fundamentais capazes de fazer de uma rede aberta uma comunidade, com hierarquia realmente emergente e meritocrâtica.

Aqui são diagramadas as redes públicas assumidas dos dois polos da disputa eleitoral, segundo suas auto-divulgações.

(Precisa-se de outra diagrama para as redes físicas dos dois, uma vez que os domínios virtuais do PSDB, fortement blindados contra ciberguerra, são altamente virtualizados — especialidade técnia de IBM — e ofuscados.)

A vir, então: A rede do petralhismo — complôt bolschevista ou esquerda democrática? Ou algo mais complexo?

(Portanto, o mapa encima deveria apresentar a ligação entre «PT» e «comunidade» como uma linha quebrada, como hipótese a ser apurada. A organização comunitária é a metodologia assumida do partido. Mas é o praxe?)

É uma questão honesta.

Eu tenho suficiente experiência com sindicatos e sindicalismo para saber que de um lado, tem sindicatos, enquanto do outro lado, tem sindicatos.

Se queira falar de uma ditadura dos sindicalistas, vai aprender algo do SNTE — o Sindicato Nacional de Trabalhdores de Ensino, liderado por «La Maestra» Gordillo — de México, por exemplo.

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