Fluxos Subterrâneos: A Lenda de Peña Esclusa

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Eu ainda tenho esse palpite, essa coseira que preciso cosar.

O palpite é que Alejandro Peña Esclusa, dito — por Olavo de Carvalho, seja dito — um antigo presidenciável venezuelano e «principal opositor» de Chávez, seria uma lenda, no sentido dado a esse termo na gíria dos arapongas.

O fato do militante nebuloso ter foro privilegiado no Washington Times pesa muito na minha avaliação preliminar.

O jornal e a propriedade da Igreja Unificação do auto-proclamado messias Sun Myung Moon, para começar.

Traduzida de SourceWatch:

Num discurso no dia do vigésimo aniversário do jornal, Moon explicou seu motivo para estabelecé-lo: «Fundou-o como uma expressão de meu amor para os Estados Unidos e para cumprir a vontade de Deus, que quer estabelecer o País no seu reino do Céu. … no contexto da vontade de Deus, precisava-se um jornal com os alicerces filosóficas e ideológicas para estimular e esclarecer o povo e as lideranças do país.»

A matriz do jornal é o News World Communications, que comprou a velha agência de notícias United Press International em maio de 2000.

Outros jornais da corrente incluem Tiempos del Mundo, um jornal em espanhol que circula em 18 grandes cidades estadounidenses.

Outros:

  1. The Middle East Times
  2. Segye Times (Korea)
  3. Sekai Nippo (Japão)

Os diretores da matriz são todos integrantes da igreja, assim como é o diretor-executivo da UPI.

Um método de rastrear esse autor, portanto, seria ver se os vehículos que divulgam seus textos tem algo em común.

Com algum trabalho de pá, por exemplo, pode ser dito com confiança, por várias fontes de mídia profissionais, que á firma de alguém com esse nome apareceu na «Acta de Toma de Posesión de Pedro Carmona» — ata da fracassada golpe de estado de 2002.

Na lista de assinados-embaixo divulgada pelo governo Bolivariano, porém, o nome dele não consta.

Mas começemos com um simples busca no Google, como sempre.

Nos esbarramos imediatemente nos limites desta ferramenta. Ué.

Tem sinais óbvios de uma campanha SEO — otimização de resultados de pesquisa.

Nas primeiras seis páginas de resultados de Google, nenhuma nota critíca até a aparência da minha nota introduzindo o palpite em questão aqui.

A segunda nota de discordo, na sétima página de resultados, é o anúncio oficial de que o Ministério Público de Venezuela entrou com uma ação contra o portador desse nome por suposta subversão. A data é o dia 3 de dezembro de 2007, a fonte o governo bolivariano.

O Ministério Público (MP) iniciou uma investigação contra Alejandro Peña Esclusa e Carlos Guyón Celis pelos chamados formulados a traves de uns vídeos difundidos pela Internet e nos quais ambos os líderes da oposição, supostamente, instão a povoação a se colocar a margem do Estado de Direito.

A averiguação se abriu de conformidade com o estabelecido no artigo 283 do Código Orgânico Procesal Penal (COP), e, a tal efeito, foi designado o fiscal 41 nacional, Cristian Quijada, para dirigir a investigação, quem solicitou aos funcionários da Direção dos Serviços de Inteligência e Prevenção (DISIP) recavar o material difundido, assim como outros elementos de interes criminalístico para determinar as prováveis responsabilidades a que tenham lugar.

Pôde-se conhecer que os mencionados vídeos foram difundidos a traves das páginas da Internet, nos quais aparecem Carlos Guyón Celis e Alejandro Peña Esclusa conversando com diferentes grupos de cidadãos e cidadãs, nos quais formulam diversas asseverações dirigidas, supostamente, a gerar violência e subversão da ordem estabelecido com motivo do processo referendario que se produziria o próximo 2 de dezembro.

Também tem uma nota esquisita sobre um suposto complôt para assassinar o Papa em 1984, no VoltaireNet — uma fonte meio nebulosa também, seja dito.

Além disso, porém, o fluxo de notícias sobre esse nome tem perfil nítido de uma «câmara de eco» — um punhado de textos multiplicados-clonados em vários sites anônimos, ou pelas ONGs-laranjas principais desse personagem, UNOAMERICA e Fuerza Solidária — pela boa e velha combinação de teclagens, Ctl-C seguida por Ctl-V.

O primeiro resultado de todos é uma entrada em Yahoo! Answers de abril de 2007 tratando-se exatamente com a pergunta «Quem é Alejandro Peña Esclusa?».

Como chegou a ter um «page rank» tão prestigioso?

Votada a melhor resposta por 35% dos participantes foi a de um tal de Bráulio, o covarde anônimo de sempre.

Alejandro Peña Esclusa tem 52 anos, é engenheiro de profissão, porém dedicou quase a metade de sua vida à política. Em 1998 foi candidato à presidência da Venezuela. Nessa ocasião advertiu que Chávez era “o candidato de Fidel Castro e da guerrilha colombiana”. No ano de 2001 iniciou as primeiras marchas de protesto contra Chávez. Atualmente dirige uma ONG – Fuerza Solidaria http://www.fuerzasolidaria.org – que promove a desobediência civil na Venezuela e luta para evitar que o modelo castro-comunista se expanda na região. Seu mais recente livro se intitula “O Continente da Esperança”, que circula em espanhol, inglês e português, é dedicado “a todos os povos da América, em desagravo pelos males que o regime de Hugo Chávez lhes tenha podido ocasionar”.

Tá errada.

Foi em 1988, não 1998, que o nome apareceu na cédula.

Exatamente o mesmo texto tinha sido divulgado num blog brasileiro em 2006, citando como fonte — e colando por inteiro — uma entrevista como o militante reclusivo. Uma busca no texto integral identifica a fonte como um jornal argentino, La Nueva Província.

O curisoso, porém, e o perfil do nome nos arquivos de Google News.

Antes de 2007, só consta uma referência ao «principal opositor de Chávez» — um samba de uma nota só no portal G1 (Globo), colado da agência EFE,  no qual o governo venezuelano acusa alguém com esse nome de planejar o magnicídio do corpulento falastrão em El Salvador.

No Google News Venezuela, entretanto, só tem uma citação do nome entre 2000 e 2008 que é matéria feita por jornalista profissional — no jornal El Mundo (Espanha) — e só seis menções em todo.

Se bem que se candidatasse pela presidência de Venezuela em 1998 — ou melhor, 1988 — não conseguiu gerar uma única matéria na imprensa que consta no arquivo de Google News.

Mais ele realmente foi candidato, ganhando 2,168 dos 7.300.000 votos e aparecendo em décimo-sexto lugar.

Fonte: J.A. Lazcano, «Los números electorales», SIC 52(511): 4-7 (1988).

Para mim — de gustibus non disputandum, «of course» — a entrevista mais interessante seria com um opositor de Chávez que já consegui uma votação expressiva — mais expressiva do que os primos e antigos companheiros de colégio do candidato —  em eleições mais recentes, aplicando uma avaliação inteligente das fraquezas políticas do boliviariano beiçola.

No fim do ano passado, Peña Esclusa — «Peña Esclusa» — é entrevistado pelo jornal La Prensa de Honduras, elogiando o golpe de estado militar que acabou de rolar.

Dia 29 de dezembro do ano passado, ele seria condecorado pelo «governo» «interino» de Micheletti, segundo Politica y Desarollo (Argentina).

Ele é agora Comendador da ordem hondurenha «José Cecilio del Valle»  — este um filósofo de história hegeliano eleito presidente nos meiados do século XIX, que eu consigo saber de uma busca preguiçosa na rede.

Também aparece entrevistado pela rede Univisión, um vehículo da mídia hispana estadounidense, durante o mesmo periódo.

Recebeu o endossamento de um candidato ao governo de Alabama, Robert Bentley — uma notícia repercutida pela Mídia sem Máscara de Olavo de Carvalho.

Uma pesquisa no site do candidato hoje, porém, parece indicar que a matéria elogiando a luta corajosa de Peña Esc(l)usa já foi tirada do ar.

El Universal — aquele de Venezuela e não aquilo de México — relata as denúncias feitas por um congressista federal bolivariano contra ele, dia 28 de julho de 2009.

El diputado Mario Isea se presentó hoy en la Fiscalía General de la República para interponer una denuncia en contra de Alejandro Peña Esclusa “por promover que los hechos ocurridos en Honduras se repitan en Venezuela y en los países de la Alianza Bolivariana para las Américas (ALBA)”.

“Peña Esclusa ha venido actuando, de manera persistente, dando declaraciones a los medios de comunicación, planteando que debe interrumpirse el comunismo, los planes de los países del ALBA a quienes califica de capos y mafiosos, a los presidentes que conforman la OEA porque tomaron por unanimidad la decisión de rechazar el golpe militar hondureño“, dijo Isea a la salida de la Fiscalía.

Ora, pode-se continuar desse mesmo jeito, estudando em mais detalhe o «newsflow» sobre esse personagem, mais o fato novo para mim e para meu palpite é esse nome ser o objeto de denúncias formais na Justiça.

Isso pesaria contra a hipótese de Peña Esclusa ser um nome de guerra, talvez.

Na outra mão, uma vez que o nome tem um histórico que vem dos anos 1980 — com menção quase alguma dele no período 1980-1999 (se bem que os arquivos de Google são completos quanto ao período) — é impressionante que o nome surge de quase nada para alcançar certo destaque só nos últimos 12 meses.

Também tem várias refêrencias históricas, no Google News, a esse nome como militante no sucursal  venezuelano do movimento brasileiro Tradição, Familia e Propriedade.

Lá, podia ter adquirido uma nova identidade, talvez, mas nessas alturas do campeonato, seria puro chute afirmar isso.

Também curioso foi a menção desse nome no «fluxo de notícias» do século XIX, segundo os arquivos de Google News.

Trata-se de um erro do algoritmo, porém.

A matéria em questão, de Wikio Espanha, está numa página de conteúdo agregado por algoritmo que tem referência ao Movimento de 1810 (data da revolução venezuelana contra Napoleão — o Tio Hugo de então.)

Por UnoAmérica

6 de marzo de 2010

Bogotá, 5 de marzo.- La Unión de Organizaciones Democráticas de América, UnoAmérica, presentó ayer un informe sobre la investigación realizada por sus delegados en la zona del Urabá, [Colômbia] relacionada con los asesinatos de Manuel Moya y Graciano Blandón el pasado 17 de diciembre de 2009.

El acto se llevó a cabo en la Universidad Sergio Arboleda, y la presentación estuvo a cargo de quienes participaron en la investigación: Jaime Arturo Restrepo (Director Jurídico de UnoAmérica), Miguel Fierro Pinto (Presidente de la Fundación Un Millón de Voces), Jorge Mones Ruiz (Delegado de UnoAmérica en Argentina) y Alejandro Peña Esclusa (Presidente de UnoAmérica).

En el curso de la investigación, los delegados de UnoAmérica no solamente recabaron testimonios y constataron los hechos denunciados in situ, sino que detectaron otros graves problemas en la región, como la existencia de zonas liberadas (mal denominadas comunidades de paz), donde las FARC actúan con absoluta impunidad, con la complicidad de ONGs nacionales e internacionales, sin que el Estado pueda intervenir.

Quem é esta fundação de milhões de vozes que mandou representantes a uma província de Colômbia sob o controle das FARC — fortemente armados, deveriam ter sidos?

Não consta, mais é interessante ver mais uma vez uma trilha de ofuscação técnica que começa com a empresa GoDaddy, no estado de Arizona.

São milhões de vozes anônimos, como é de praxe.

Se chamasse todos esses milhões a aparecem no Zócalo, Cidade de México, provavelmente quem compareceria seria Olavo de Carvalho, Peña Esclusa, e um punhado de outros integrantes do Comitê Central Maoista da Revolução do Dia das Mentiras.

Na página institucional do site — sem informações financeiras, como é de praxe — consta um factóide interessante, porém:

El pasado septiembre de 2008 [la fundación] se presentó en las instalaciones centrales de Facebook en Palo Alto, California, por invitación de Mark Zuckerberg, CEO y creador de la Red social Facebook, considerada la red social más grande de todo internet.

Zuckerberg, daquela turba de Harvard, é natural:

… Facemash.com … foi um site de votações de fotos similar ao Hot or Not exclusivo para estudantes de Harvard. Uma versão do site foi ao ar por quatro horas antes do acesso à Internet de Zuckerberg ser revogado pelos administradores oficiais. O deprtamento de serviços de computador levou Zuckerberg ao Conselho de Administração de Harvard, onde ele foi acusado de infringir regras de segurança na Internet e de privacidade e propriedade intelectual.

O resultado da ação disciplinar não é registrado por Wikipédia, naturalmente.

Vou buscar nos arquivos do Crimson — ainda um ótimo jornal estudantil na maioria de vezes.

Trocadilhos Guerrilheiros

Ainda tenho esse palpite quase puramente literário de que o nome deve ser um nome de guerra — um trocadilho bilíngue de ES «peña» e IT «escluso» — «clube ou quadrilha fechado(a)».

A afinidade entre esse nome e o nome «Diogo Chiuso» chama atenção pela afinidade tanto léxica como ideológica, a não falar em modus operandi.

O blog desse último faz questão de exibir sua mestria de várias línguas, com trechos de Dante e citações de philosophes franceses.

Se fosse leitor assíduo de Guimarães-Rosa, saberia que «Diogo» é um dos infinitos nomes do Não-Diga.

Portanto, seria um nome de guerra querendo dizer «Demônio Escondido.»

Será?

Por enquanto não importa.

É mais um Zé Ninguém nebuloso vagando pelas ruas de Miami ao lado da fantasma de Lee Harvey Oswald, escondendo-se dentro de um labirinto de becos sem saída dentro de becos sem saída: .

O sinal some em Miami, num servidor cadastrado com GoDaddy e dirigindo o sinal  WHOIS a uma nébula de outros servidores, a não falar em servidores vrituais hospedados por outros servidores:

  1. NETFIRMS.COM
  2. SECURESERVER.NET.ANTIGENICA.COM
  3. SECURESERVER.NET.ALTAOWBA.COM
  4. DOTREGISTRAR.COM

… ad infinitum.

ALTAOWBA?

Consta como uma produtora musulmana na cidade de Jedda, na Arábia Saudita.

Será que ainda sei apresentar um texto árabe?

(Tem que ver a página utilizando a codificação UTF-8)

هل لديك تصور شرعي واضح يحدد موقفك تجاه ما يجري حولك من أحداث في العالمالإسلامي

Eis a pergunta da pesquisa no site hoje. Traduzo:

Você tem uma conceição clara e bem-informada que define sua posição pessoal relativa aos acontecimentos no mundo islámico?

Não, não, nesse caso «poética» não é a tradução certa.

Deve tratar-se de conteúdo distribuido sobre vários servidores virtuais no mundo inteiro.

Conclusões

Não tenho muitas conclusões aqui, só dados que tendem a confirmar a atuação de um MOSCOU aqui.

MOSCOU, ou Mídia Orqeustrada pela Sociedade (Anônima) Civil de Organizações da Ultradireita.

Outra definição: samizdat digital repercutido por mídias tradicionais com os quais tem afinidades ideológicas ou pragmáticas.