Desenvolvimento da Mídia Global: De CIMA para Baixo

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As novas plataformas e as novas tecnologias de informação não representaram qualquer melhoria na oxigenação do sistema midiático. O poder interno continua centralizado, monolítico, impermeável ao pluralismo. —Alberto Dines

Para resumir: Estou fazendo uma série sobre as redes internacionais no qual o Instituto Millenium do Brasil é embutido.

Tenho descrito o IMIL como uma MOSCOU: um complexo de «Mídia Orquestrada pela Sociedade Civil de Oligopólios Unidos».

Essa MOSCOU padece do sindrome de «maoismos digital» apontado por Jaron Lanier.

MOSCOUs desse tipo utilizam um complexo de ONGs, empresas, partidos políticos, advogados-lobistas e agências governamentais, amplificado e multiplicado por poderosas empresas de comunicação, para influenciar políticas públicas em mercados-alvo.

Por exemplo, dentro do «ecossistema» do IMIL, eu notei um MOSCOU meio pé-de-chinelo no caso da agência de publicidade Professa Propaganda. Veja

O propagandista criou a campanha publicitária  Pequenas Empresas, Grandes Negócios, que depois virou programa de TV Globo e revista da Editora Globo. Agora, ele trabalha como locutor nas redes de rádio da Globo na capacidade do sócio-fundador de uma ONG na ecosistema do IMIL.

Novo detalhe: o patrocínio de Pequenas Empresas, Grandes Negócios a um projeto do Endeavor Brasil — patrocindador do Instituto Millenium.

A campanha é «como a Geração Ypsilon está mundado o mundo de negócios.»

Uma cromosoma Ypsilon à mais — o sindrome XYY — é associado com força física e dificuldades com aprendizagem, linguagem, e socialização. O empreendedor do futuro trabalha hoje em dia na ROTA.

As Organizações Globo abrem espaço para uma campanha publicitária de uma organização representado interesses empresariais,  fornecendo uma fachada jornalística para tal..

Eis o famosa «desintermediação» e a morte do papel do jornalista como «guardião do portal».

Em vez de fazer uma avaliação independente da publicidade — não tem nada de errado em fazer uma pauta jornalística a partir de um «release» interessante, com a devida apuração independente e atribuição à fonte — Globo simplesmente entrega o microfone ao publicitário, sob o pretexto mambembe de que ele representasse a «sociedade civil».

É uma prática corrupta, mesquina e burra.

Sobre o Endeavor e seu MOSCOU mexicano, veja:

Enfocando o Complexo NED-CIMA

Meu objetivo nessa série é entender melhor os mecanismos dentro do National Endowment for Democracy para a exportação de modelos políticos «made in the USA» ao resto do mundo.

Eu não concordo com algumas das práticas deste fundo, que recebe verbas do erário público — dinheiro do contribuinte — mas deixa o controle efetivo sobre esses gastos nas mãos de partidos políticos, fundações privadas, e multinacionais.

Especialmente preocupante são os casos documentados de jornalistas «independentes» trabalhando na imprensa norteamericana enquanto constam na folha de pagamentos do NED — uma relação jamais divulgada.

Após  a revelação, em 2005, de que Regine Alexandre — colaboradora da agência de notícias desde os anos 1990 — tinha sido assalariada clandestina do NED, a Associated Press deixou de divulgar suas matérias mundialmente, como antes.

Isso é jabaculê, nu e cru.

Nos EUA, tem legislação criminalizando essa prática pela mídia eletrônica faz meio-século.

É uma forma feia e tola de corrupção, ao não falar da manipulação do livre funcionamento do minúsculo mercado.

O Contrato Social «Turnkey»

Em um contrato «turnkey» — o diretor regional brasileiro do Banco Mundial recomendou um contrato desse tipo para a Linha Amarela (o «buraco fumegante») de São Paulo — o comprador contrata o fabricante e não tem mais envolvimento na fabricação até o fabricante «entregar as chaves».

Um bom exemplo dessa tendência seria a previsão futurista de que um dia carros serão vendidos com o compartamento do motor selado, não precisando mais de manutenção.

Com avanços tecnológicos, a caixa preta cuidará de si, e será perfeitamente confiável.

Windows é um produto caixa-preta, por exemplo — bom para donas de casa que nem chave de parafuso sabem usar — enquanto Linux é o sistema operacional do «hot rodder», o entusiasta de carros «envenenados».

A democracia como é exportada pelo NED também é «turnkey» e «caixa preta».

É so botar na microondas e pronto!

Só que na Russia, por exemplo, esqueceram-se de tirar a folha de aluminio, causando um curto-circúito feio.

O forno explodiu. O incéndio consumiu a casa.

Falando no qual:

Meu velho chefe trabalhava na revista Institutional Investor.

A matéria foi prêmiado como melhor análise do ano pela ASBPE — da qual eu saí, devo dizer, para me afiliar à SABEW.

Dois acontecimentos me alertaram logo no começo sobre a presença desse modo geral de exportação ideológica aqui no Brasil:

  1. Um seminário hospedado pelo consulado estadounidense em São Paulo com apresentações por representantes do IRI e NDI — as fundações partidárias dos partidos hegemônicos, com verbas do NED — sobre o sistema partidário de nosso páis, para Tupi ver
  2. A palestra do então presidente Fernando Henrique Cardoso sobre «Apoio Transnacional aos Partidos Politicos e ONGs» no Congresso do World Movement for Democracy 2000, patrociniado pelo NED, em São Paulo.

Hoje, portanto, eu quero tornar minha atenção ao funcionamento e o «ecossistema» de um projeto relativamente novo do NED: O CIMA, ou Center on International Media Development («centro pelo desenvolvimento internacional de mídia»).

Partindo para CIMA

Para começar, vou usar quatro relatórios lançados pelo CIMA,em 2008-9, em inglês, em formato PDF, com livre tradução dos títulos:

  1. Autorizando Mídia Independente: Esforços dos EUA Para Alimentar e Proteger Notícias Livres e Independentes no Mundo Inteiro | Relatório Inaugrual (2008))
  2. O Papel de Organizações em Apoio à Mídia e à Alfabetização Midiática no Fortalecimento de Mídia Independente no Mundo Inteiro | Anne C. Olson, Consultor, Internews (Ukraine)
  3. Financiamento do Setor Privado Estadounidense ao Desenvolvimento Internacional de Mídia
  4. Desenvolvimento de Mídia: Fontes de Finaciamento Fora dos EUA | Mary Meyers, France Coopération Internationale (Congo)

Sobre o assunto de financiamento privado dessas inciativas, o relatório destaca a «chegada de Bill Gates» como uma mudança de paradigma nessa área, e anota uma tendência geral de aumento na participação do setor de TI no financiamento de initiativas quase como se fossem públicas como CIMA.

Finaciamento de projetos desse tipo, por país, 2008:

Os Laranjas Tropicais de Redmond

Ja vimos pelo menos um caso de propaganda clandestina como instrumento infiltrado do governo.

Acontece no setor privado também.

Um exemplo do uso amplo de «stealth marketing» — propaganda clandestina — por Microsoft, sob o argumento de que «a nova mídia muda todas as regras», é o caso de InfomediaTV, produtora independente gaúcha e patrocinadora oficial do FISL 2006, o congresso do movimento software livre.

Mas aconteeece que InfomediaTV teve um contrato não-divulgado de propaganda e marketing com Microsoft, e durante o evento, lançou uma manifestação «espontânea», um debate «realmente aberto», ao mando de Bill. Um relato de Indymedia na época resumiu:

O clímax aconteceu em abril, no Fisl 7.0: sem que a organização do evento tivesse sido avisada o estande da empresa de comunicação virou palco para seu principal patrocinador. O público foi avisado que ali haveria um debate “realmente aberto”. A InfomediaTV só se esqueceu de dizer que o fabricante do Windows sempre foi convidado a entrar pela porta da frente e sentar na sala de estar. Preferiu a janela.

InfomediaTV servia do que chamamos — na gíria do vigarista, documentada no grande livro de David Maurer The Big Con («O grande golpe»)  — do «shill».

O Grande Golpe

«Testa-de-ferro » e «laranja» são equivalentes lusófonos.

Ele é o cúmplice clandestino do «pitch man», o comparsa que faz o discurso sobre as virtudes do produto.

Vendedor: Esse remédio deixará você com pau sempre duro e aumentará seu QI por 50 pontos!

— «Shill»: Meu primo tentou! Disse ser uma maravilha! Sua mulher tá grávida e ele se formou na física quântica! Dá-me oito garrafas!

Eis a problemática.

O Mapa e o Terreno

Agora, vou passar um tempo fazendo o mapameamento com CMapTools. Depois eu volto com um resumo de pontos observados.

Entretanto, a diagrama do círculo vicioso que me preocupa. Fala para si.

Ora, eu concordei no começo com a invasão de Afeganistão para fazer justíca num caso de um crime lesa-humanidade e para niquilar quanto antes o comando e controle de al Qaeda — o quê jamais aconteceu.

Eu não concordei com uma invasão para estabelecer um governo disposto a gastar grana pública com uma empresa de TI ou outra — Microsoft ou Apple ou Lenovo, Intel ou AMD, Sony ou Panasonic ou Gradiente, Symbian ou iPhone ou Android ou que seja, a mim não me importa muito, tenho certeza que todos são produtos bons.

Fala com Hamid Karzai sobre o assunto.

Mas nada de propina.

Tem legislação contra práticas corruptas no estrangeiro.

O Ecosisstema de CIMA Para Baixo

O esboço até agora:

Deve ser dito que esses relatórios são de excelente qualidade. Não dá para dizer, num primeiro momento, que o progama não é bastante transparente.

O conselho consultativo («advisory board») é interessante por ser constituido por pessoas indicadas pelos governos de Bush Pai, «Bubba» Clinton, e Bush Filho, com mandatos fixos ainda a vencer. Ainda não vemos um conselho refletindo as escolhas do governo Obama.

Também acho curioso nenhum dos conselheiro ter currículo ou de mídia ou de relações públicas, como em outras instâncias relacionadas durante o regime de Bush ibn Bush. A TI reina suprema.

Não mostrado: a maioria tem experiência diplomática em embaixadas sem grande destaque (Mauritius, por exemplo). Nosso último embaixador ao Brasil, lembre-se, era um magnato de e-comêrcio e campeão de angariar doações dos amigos para Bush 2000 e Bush 2004.

A Imperatriz de TI

A pessoa mais interessante aqui, de longe, porém, é Leslee Westline, antiga «liaison pública» da Casa Branca de Bush ibn Bush.

Consta na biografia dela que servia Bush como interface a 20,000 grupos de interesses especiais — leia-se «lobistas».

Como sócia-fundadora do TechNet — comitê de ação pólitica (PAC) de altos executivos do Vale de Silício — ela deve ser a lobista mais poderosa do mundo para essa indústria.

O perfil das doações de TechNet entre 2000 e 2010, apesar de pífias no grande esquema, mostram como o PAC bipartidária jogava as cartas.

  1. Uma aposta equilibrada nas eleições de 2000, mais como apoio completo ao candidato Bush Filho (estranhamente, consta um débito de $1 conta a campanha de Al Gore)
  2. Uma aposta pesada na reeleição de Bush Filho em 2004, com nenhum apoio ao opositor.
  3. De volta a uma aposta relativamente equilibrada em 2008, mas com apoio à candidatura presidencial de Rudolph Giuliani e apoio nenhum a candidatos Democratas.

Os dados são de OpenSecrets.org.

Mais interessantes são as doações recibidas de e distribuidas a outros PACs.

Esse tipo de transação em rede é o que faz a transparência dificil, porque redes de redes de redes parcelam as doações entre vários PACs doadores aos PACs. Mais um exemplo do efeito «churn» — alto volume de transaçãoes pseudônimas mascarando o efeito líquido pretendido. 2000:

Entre os doadores são

  1. Associação Nacional de Capital de Empreendimento  («venture capital») (NAVC)
  2. Genentech (transgênicos)
  3. J.P. Morgan (banco de investimento)
  4. Accenture (consultoria, ex-Andersen Auditoria — essa última apagada da face da terra pelo escândalo Enron (me lembro do dia que aconteceu, eu estava trabalhando numa consultoria concorrente, fazendo frila)
  5. A bolsa de valores de Nova York — na época ainda não sonhando com a fusão NYSE-Euronext.

Carly Fionna, CEO da Hewlett-Packard — uma das fundações da qual entrou na área de «desenvolvimento de mĩdia» com $3 milhões em 2008 — consta como doadora individual.

Atualização — a Carly se candidataria ao governo do estado de California em 2010.

2004:

Mais uma vez, a associação de «venture capital», e agora, Sun Microsystems. Houve mais doações de executivos, consultores e advogados como pessoas físicas nesse ano.

Em 2008, nos Democratas, uma aposta forte pelos PACs de TI nessa rede :

A Sociedade Civil de TIo Sam

O novo esboço do análise em progresso é o seguinte:

Já consta, acima, o desequilíbrio entre gastos por outros governos e entidades internacionais e os gastos dos EUA na área de «desenvolvimento de mídia livre».

Antes de passar aos gastos públicos nessa área, eu resolvi diagramar o cenário relativo às fundações da sociedade civil que mais gastam nessa área. Primeiro, uma visão geral:

Ainda não há um contrapeso à presença do Open Society Institute nessa área, mas há sim uma tendência notável nos últimos cinco anos de alianças entre mídia tradicional e o Vale de Silício.

Fiz um análise das relações externas da Fundação Knight alguns anos atrás, mostrando essa rede de alianças jornal-TI, ao qual voltarei dia desses.

O OSI precisará de um capítulo aparte.

Entretanto, eu quis destacar dois projetos de interesse, ambos relacionados com a fundação  Knight.

O primeiro é a aliança com a fundação Carnegie, talvez a maior filantropia no país, e decerto a mais histórica.

Duvido que eu teria a formação acadêmica que tenho se não existisse.

A aliança envolve o desenvolvimento de novos currículos para as faculdades de jornalismo — os quais, lembre-se, costumam ser programas de mestrado nos EUA, embora algumas faculdades oferecem  o bacharel.

Diploma? «We don need no steenkin diploma! Vamonos muchachos!»

Pelo que eu consigo entender, o Carnegie fornece a bufunfa é o Knight fornece a pesquisa e o projetação de novos currículos a serem instalados nos 12 prestigiosos «centros de inovação» mostrados acima.

A montante mostrado como gastos de Carnegie em 2008 reflete programas internacionais próprios e não gastos com a parceria, se não me engano.

Portanto, a liderança intelectual da fundação Knight, com gastos de R$10 milhões por ano na área de jornalismo global, me parece estratégico.

Nesse sentido, é importante observar o quanto o conselho de jornalismo da fundação é pouco tradicional.

Aparentemente tem três representantes do jornalismo «tradicional» — leia-se «ultrapassado» — contra dois da Nova Mídia, mais cabe destacar que Gannett é um pioneiro na «nova paradigma» do jornal eletrônico.

A empresa e seu jornal nacional mais prestigioso, USA Today, são clientes de Innovation International, aquela consultoria da Univerdad de Navarra — Opus Dei que paga as contas — que tem como clientes brasileiros o Estadão e as Orgs Globo, portavozes oficiais do movimento Millenium.

Entre os diretores, um executivo egresso da Editora Abril, como apontei antes:

Veja

Sussman, por exemplo, trabalhava na agência internacional UPI — propriedade desde 2000 do auto-coroado messias e condenado a cinco anos de prisão por crimes fiscais koreano Sun Myung Moon.

Como reflexo dessa aliança entre o Jornal 2.0 e TIão,  basta a notícia do dia no site corporativo do grupo Gannett:

Gannet lança aplicativo para o iPhone

Compare:

«Aponte erros?»

Quem, eu?

O conteúdo entregado à bugiganga «mágica» é uma mistura de propaganda é informação prática, ambas com um «look and feel» igual — que nem na inserção sobre o Brasil naquele número famoso de Paris-Match, sob a batuta de Jean Manzon.

Nóticias e anúncios deveriam ter projetos gráficos distintos. Coisa de calouro. Ah, mais o Webjornalismo muda tudo!

Na verdade, então, esse conselho de jornalismo representa.

  1. Jornais 2.0 da primeira e segunda onda, aliadas com o Vale do Silício e promovendo seus produtos — muitas vezes com propaganda clandestina, como no caso Libération em França.
  2. Um agregador de agregadores de notícias robótico do tipo criticado como ilusório e enganoso por Jaron Lanier no ensaio «Maoismo Digital»
  3. Uma empresa de entretenimento, MTV, ainda em franca expansão internacional.

E para concluir, a arquiteta da expansão da MTV nas últimas décadas é hoje a subsecretária de diplomacia pública do Departamento de Estado.

A CIMA do COMPOLITAR-INFOTEN

Os contornos de um certo «complexo político-infotenimento-militar» começam a aparecer.

Para tirar sarro da natureza soviético-maoista desse complexo, vamos chamá-lo do COMPOLITAR-INFOTEN

«Infotenimento» — minha tradução do inglês «infotainment» — ainda não aparece no léxico lusófono, que eu consegui descubrir. Eu traduzo duas definições para Índio Tupi entender:

Uma forma de programação — de cinema, televisão, rádio, eventos ao vivo, etc. — que fornece tanto informação quanto entretenimento; também conhecido como «notícias lite», a informação apresentada por esse tipo de programa é preponderamente fofoca de celebridades e drama humana.

Fonte: Wiktionary. Exemplo:

Note-se aqui o uso da chamada «realidade aumentada» — as barras do xilindrô superimpostas sobre a cara do novo maniáco de Guarulhos — truque que qualquer um com duas horas de treinamento em Photoshop podia reproduzir.

(Também no GIMP, que não custa nada.)

Outra de um dicionário padrão americano:

Progamas de televisão, rádio ou cinema que trata assuntos de fato de uma maneira divertida, como por exemplo com a inserção de elementos dramáticos …

Tragédia. Comédia. Tragicomédia. Romance.

Leitura imprescindível:

Eugene Vinaver, The Rise of Romance (1971)

Contabilidade e a convergênica de padrões internacionais sendo assuntos extremamente chatos, por exemplo, vamos fazer o noticiário de economia uma questão de conflitos pessoais entre os titulares do BC e a Fazenda — instituições montadas para ter uma certa tensão institucional saudável.

Quantas vezes já vimos isso?

«Mantega comete gafe enquanto Meirelles é diplomático» é uma manchete do que me lembro, no Globo.

Tem dois «elementos dramáticos» que eu pessoalmente acho completamente anti-jornalístico.

Não assisto noticiário que os usam.

  1. O uso de trilhas sonoras em reportagens — a tema de «Psicóse» no fundo de uma reportagem sobre o assassino de Glauco, digamos.
  2. O abuso gratúito de recriações de eventos utilizando software de «realidade virtual».

Muitas vezes, esse último método é utilizado como um fim em si, sem a riqueza de informação necessária para fazer uma reconstrução realmente informativa. Dá a ilusão de realidade a casos no qual a polícia ou outros investigadores ainda não recolheram dados suficientes para formar uma teoria coerente e bem-fundamentada do caso.

Pior exemplo: a queda do võo de Tam em Congonhas no Jornal Nacional. Vix. Uma porcaria incoerente das maiores.

Mais eu vou deixar meu desabafo sobre o assunto para outro dia.

Termo relacionado: «edutenimento», ou programação que entretem enquanto ensina.

Veja também:

A Fundação Carnegie, por exemplo, foi o primeiro patrocinador do Children’s Television Workshop, que criou Sesáme Street e suas incarnações internacionais, como Vila Sésame. No Brasil, o maior trunfo do «ator-jornalista» Marcelo Tas foi a criação do «Castelo Rá-Tím-Búm» na TV Cultura. (Adoro aquele show.)

Tem quem tratam os dois neologismos como  sinónimos. Eu não.

«Infotenimento» do tipo praticado pela Rede Globo é tantas vezes absolutamente anti-educativo.

Conclusões Provisórias: Três Desequilíbrios

  1. O avanço da industria de TI sobre o terreno de jornalismo: «você precisa de um Kindle ou iPhone (R$500) para poder ler textos»
  2. A influência desproporcional do USD na área de «desenvolvimento global de mídias livres»
  3. O contrapeso que George Soros representaria à aliança entre o Jornal 2.0 e o Vale de Silício — e à sociedade civil organizada da lista Forbes 500 em geral

Desequilíbrio (3) talvez seria um bom próximo passo — após terminar com meu mapeamento da «ecologia digital» das «petralhas».

Primeiro palpite sobre essa última questão: O partido ainda investe pesado na rede de contatos olho-a-olho, em «meatspace», como a hackeirada costuma dizer — quase como um investidor conservador que ainda investe em imóveis que pretende manter por 20, 30 anos, menosprezando o «churn» do mercado imobiliário.

Os resultados políticos dos últimos oito anos levantam a possibilidade de que o Cujo, o Não-Diga, o Diogo, o Capeta — o primeiro Estadista Global de Davos — do movimento politico em questão não seja tão burro, cabeça-chata e bebúm assim.

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