As Redes Hoje: Espelhos, Nuvens, Tuiteiros, Shiitas, Caciques, Formigas

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Imagem: CMP-UBM

Nota sobre Autoria e Infraestrutura

Recibo uma boa lição do hóspede de sites Fatuch.net, em Curitiba, sobre a primeira nota em que pretendo rastrear a identidade do «Demônio Oculto» Diogo Chiuso.

Educadamente, e com toda razão, a empresa destaca que não faz nada de ilícita, que é uma empresa comercial normal que serve qualquer freguês, e divulga sua política de privacidade.

Naturalmente, como qualquer empresário desse ramo, o cara não quer ser responsibilizado «solidariamente» pela autoria do conteúdo dos fregueses — como o iG foi solidariamente com Nassif. Seu eu fosse do ramo, eu também preferia essa interpretação júridica. Na verdade, não acho justo responsibilizar o ISP como editor responsável do conteúdo.

WordPress não é uma empresa burra porque eu divulgo eventuais burrices, por exemplo.

O conteúdo desse blog é da minha inteira responsibilidade pessoal.

Com isso, o empresário discretamente denuncia o que podia ter sido um sabor de sensacionalismo na minha nota.

Mea culpa. E verdade que utilizo propositalmente a palavra «nebulosa» na aceitação moral, mas também no sentido técnico de «computação em nuvem». Mas se a nuvem passar a simbolizar algo ruim para alguém, não a culpa da nuvem.

Confesso também que sou meio novo — e talvez meio velho demais — nesse jogo de bancar o «hacker» e ir atrás redes clandestinas.

Estou fazendo o trabalho com o manual na mão, sem ler até o fim antes de começar.

Vou fazer erros, e espero que eu os percebirei e darei o Erramos.

Deveria ser esclarecido, portanto, que tem usos legítimos de todos os mecanismos de segurança apontados nesses análises.

Eu nem chamaria o site de Diogo Chiuso de ilegítimo simplesmente por causa da sua infraestrutra informática. A presença virtual dele é distribuida e virtualizada globalmente, como é o caso com muitas empresas distribuidoras globais de conteúdo que «espelham» o conteúdo, por exemplo.

A diagrama acima mosta uma rede desse tipo.

Explicação para todos nós: Digamos que eu divulgue minha programa de TV «Zeitgeist Tupiniquim: A Ecologia Digital Brasileira Hoje».

Eu quero que meu programa chegue aos amigos em Índia, pois espelho o conteúdo em vários servidores na rede do qual Fatuch é revendedor de domínios e «edge router». Assim, em vez de viajar 20.000 km desde meu site hospedado em Londres, viaja, sei lá,  500 km de Bangalore para, quem sabe, Goa, onde falam uma versão de português.

Covardice anônimo em geral nem crime é.

É covardice — uma questão moral.

Mas também pode facilitar a calunia e a desinformação.

Esses guerrilheiros virtuais, no entanto, não estão escondidos nas cavernas de Tora Bora.

Estão engarrafados no Marginal — o Beltway, no caso do Diogo Recluso —ou superlotados no Metrô — de Washington, D.C., no caso do Diogo Recluso — como todos nós.

São caras anônimas na Multidão.

MoblizaPSDB: Amostra Modesta

Fiz uma experiência no outro dia.

Resolvi pegar uma amostra dos tuiteiros políticos opositores desse ano e tentar medir a atividade deles.

Busquei nos «hashtags» #PSDB e #Dilma — a sigla PT é curta demais — e escolhi uns 20 de cada lado que pareciam ativas.

Não tem nada muito interessante acontecendo tanto entre os grego quanto os troianos.

Molecagens do tipo mostrada acima e abaixo. Ponto.

Ontem, de uma amostra aleatória informal dos 547 tuites que recebi — e ignorei! — quase nenhum veio de um «multiplicador» do projeto MoblizaPSDB.

Tudo mundo entrou, entusiasmado, criou a sua conta — e agora não atualiza mais.

Vai lá vocês, reproduzam a experiência. Estou enganado?

A experiência deveria ser repetida com mais formalidade, claro, mais tende a confirmar um efeito também já observado na história do IBOPE da Blogosfera, Technorati.

Cada ano, Technorati divulga um relátorio do «estado da blogosfera», documentando o crescimento dela como «o segundo superpoder».

Só que o relatório não mede a atualidade dos blogs que inclui nas estatísticas, como apontou um crítico alguns anos atrás.

No ver desse nerd numerólogo, a vasta maioria de vehículos pessoais contados nesse «censo» seriam abandonados mais jamais tirados do ar.  O crescimento do partido da blogueira é devido ao cadastro de eleitores mortos.

Eu registrei a leitura dos números no meu velho blog, The New Market Machines:

Basicamente, na medida que cresce o estoque de blogs, cai a atividade mediana em termos de postagens por dia por blog — assumindo que a figura de 50 milhões seja legítima.

O autor de STATS é eloquênte, eloquência que eu vou estragar com minha tradução mambembe:

… essa medida, a diminuição de postagens por dia por blog, é um reflexo do fato de que os 50 milhões badalados por Sifry não é o verdadeiro número de blogs. É um número sem sentido, artefato de blogs passados e presentes, derelitos e moribundos, de entusiasmo virtual e preguiça manifesta.

Veremos o mesmo efeito com os «multiplicadores» de MoblizaPSDB?

A campanha reclamará de tantos e quantos milhares de militantes que, de fato, não militam e talvez jamais militavam após estabelecer a conta?

Aposto que veremos isso.

A ser medida.

O que pode ser dito com confiança é que quem mais está no Twitter são os DEM-PFL, liderados por César Maia «Nua».

O «Churn» de Links

Outra medida para a avaliação de campanhas em rede é a densidade de links mandando usuários de outros sites para o seu.

Desde o início, houve essa ideia do LinkExchange — intercâmbio ou bolsa de valores de links (atalhos).

Ainda hoje recibo mensagens propondo a troca-troca de links. Eu divulgo um atalho para Viagra 4Ever e Viagra4Ever mandará trâfego ao meu site.

O Google tem uma ferramenta simples para medir isso — basta entrar uma busca na forma «site:uol.com.br», digamos.

Operadores de pesquisa avançados (inglês) estão aqui.

Os resultados conseguidos até agora pela campanha MobilizaPSDB: 10 atalhos.

  1. Ao site do IMIL: 577
  2. Ao site de Midia sem Máscaras: 660
  3. Ao site do PSDB: 272
  4. Ao site do PT:  925
  5. Ao site do Brasil de Fato: 1.610
  6. Ao blog de Nassif: 2.050
  7. Ao Carta Maior: 6.830
  8. À revista Carta Capital: 2.140
  9. Ao Conversa Afiada (PHA): 1.300
  10. Ao Vio O Mundo: 1.930
  11. Ao blog de Aluizio Amorim: 1.200 (maioria internos)
  12. À revista Veja: 2.270 (vários, talvez a maioria, de outros sites dentro do Grupo Abril)
  13. Ao jornal Folha de S. Paulo: 4.270 (ibidem)
  14. Ao site Globo.com: 2.530.000 (ibidem)
  15. Ao blog de Reinaldo Azevedo: 56.000
  16. Ao podcast de Diogo Mainardi: 1.430
  17. Ao DiogoChiuso.com: 175 (a maioria internos)
  18. Ao site do Foro de São Paulo, hospedado no servidor do PT: 5 — dos quais quatro do site satírico Vanguarda Popular, outro projeto de Olavo de Carvalho.
  19. Ao Associação Nacional de Blogueiros Anônimos: 157

Um caso interessante seria o «outlier» necess cenário, os 56.000 do Tio-Rei.

Quantos são atalhos internos dentro do grupo Abril e quantos de outras fontes, por exemplo?

Ora de ligar o YaCY. Tem «churn» acontecendo.

Em fim: Uma campanha para moblizar os internautas que so tem 10 pontos de autoridade — como é definido por Technorati — é uma campanha má idealizada é falhada.

As Formigas do PT

Entretanto, estou trabalhando em meu análise do poderio do império midiático dos petralhas, testando a Conjetura Aluizio Amorim: que haveria 500.000 guerrilheiros bolshevistas pagos pela caixa 2 do Bancoop na rede, fazendo lavagem cerebral de crianças ainda não nascidas.

Num primeiro momento, o PT lembra o Papa na pergunta desdenhosa do máximo líder dos alemãos: «Quantas divisões blindadas têm?»

Mas vamos ver.

Num primeiro momento, fazer um mapeamento do PT e sua «ecologia social» é muito chato.

A taxa de caciques por índio parece muito elevada — e cada um com nome, biografia, afiliações … informações demais. Eu so quis chegar ao império midiático do partido e as ligações com nucleos bolchevistas no mundo inteiro.

Do mítico Foro de S. Paulo, só consta a planilha de particpantes e os pronunciamentos de consenso de cada ano, além do estatuto do foro e tal.

Não foi dificil de achar. O  site do Foro, hospedado pelo PT, é o terceiro resultado de Google, logo embaixo o blog de Blogspot «Anti-Foro de São Paulo» e logo encima da Revista Veja, YouTube, e Olavo de Carvalho:

Basta você achar que o Foro de São Paulo existe e é perigoso.

Basta você achar a terra oca e — abracadabra! — é oca.

Eu farei o mapeamento hojem, mais num primeiro momento, os partidos e movimentos abrigados dentro do Foro de São Paulo não são candidatos ao domínio total sobre a orbe terrestre na semana que vem.

Cuba é sempre o integrante mais polêmico — enquanto Vietnã jamais é.

Por quê não? Porque os filhos de Tio Ho estão fazendo experiências com economia de mercado, tal como China.

Se bem que o Foro seja o vehículo do modelo PT de transformar movimentos radicais em partidos com projetos de chegar lá por via eleitorial — é o que dizem — talvez o primeiro passo seria a democratizaçao interno do Partidão Único.

Uma nota interessante sobre esse assunto deu no Voice of America ontem — ainda o melhor orgão de propaganda dos EUA por fazer bom jornalismo e dizer a verdade na medida possível.

Ah, e também fui lembrado da coordenação com o Fórum Social Mundial.

Acrescento isso ao mapa.

Importante: O site do FSM não é fsm.org.

O seguinte é FSM.org:

Shiitas do PT

Se quiser provas do que a democracia interna do PT é a obra de «terroristas», essa nota na Voice of America fornecerá munições.

VOA continuo o melhor vehículo de propaganda pró-EUA no mundo — por produzir jornalismo excelente e por não abafar verdades inconvenientes.

Por exemplo: É possível um grupo revolucionária praticar democracia?

É possível que um partido democrático podia opor-se à maior democracia do mundo?

Infelizmente, parece que sim

Os apoiadores do clérigo anti-EUA Muqtada al-Sadr começaram a votar sexta-feira num plebiscito para resolver quem o partido de al-Sadr deve apoiar como o próximo primeiro-ministro do Iraq. O partido religioso shiita de Sadr ganhou 39 vagas nas eleições parlamentares do dia 7 de março, fazendo o clérigo o provável homem-chave na formação de uma nova coalização governante.

Seguidores de Sadr se reuniram na sexta após votar no referendo em Bagdá. … O porta-voz do partido defendeu o referendo e observeu que seguidores do partido receberam os nomes de cinco candidatos.

Segundo ele, o referendo dá cidadãos do pais inteiro o chance de indicar o novo primeiro-ministro, acrescentando que o método acabará com as pressões políticas sofridas pelo partido.

Você acha que o novo governo de um país invadido pelos EUA, que procede a tomar conta do recurso nacional principal e provocar caos em escala maciça, tem condições de ser uma unanimade pró-EUA?

Eu também não acho.

Talvez não deveriamos utilizar mais o adjetivo «shiita» no sentido negativo.

No mesmo momento, en Venezuela, uma racha dentro da aliança de oposição UNT, como relata Venezuelanalysis (16 de março)

Uma controvêrsia estorou nessa semana dentro do maior partido de oposição venezeulana, a UNT, sobre a falta de democracia no processo interno de seleção de candidatos para as eleições estaduais e locais de Novembro.

Na terça-feira, o presidente do partido, Omar Barboza, anuncio à imprensa que o partido tinha escolhido candidatos para 314 dos 335 municípios do páis «por consenso».

Entretanto, numa coletiva paralela, Emilio Graterón, pre-candidato do partido em Chacao, município rico na zona leste de Caracas é uma região fortemente oposicionista, denunciou o apoio à candidata Liliana Hernández como a imposicção de um «acordão de caciques.»

Graterón acusou o diretor de uma emissora de TV privada, cujo nome não divulgou, de ser quem decidiu o apoio a Hernández.

«Não podemos cair na arapuça de utilizar unidade como um pretexto pela imposição de acordões de caciques à revelia do povo», declarou.

Não sei da democracia interna do movimento bolivariano no país — Brasil e complicado o suficiente, mal consigo me manter atualizado sobre ele — mas tem partidos de oposição no Brasil que também escolhem os candidatos pelo bom e velho método do acordão de caciques.

Eu sempre acho isso altamente chocante.

Nós gringos temos muitos defeitos, mais as prévias públicas dos partidos póliticos são muito importantes.

Eu nunca teria votado em Bloomberg se não fosse que os Democratas, que normalmente têm meu noto na maioria das vezes, pisaram na bola e escolheram o que eu considerava o candidato errado.

Se eu fosse eleitor brasileiro, talvez um debate público Aécio-Serra teria despertado meu interesse no partido, ao ponto de votar no Aécio caso vencesses, por exemplo.