Cuba: Contra-Revolução 2.0 às 40 kbps (Com Sorte)

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Uma jornalista fazendo mais ou menos o tipo de trabalho que eu estou elaborando aqui é Rosa Miriam Elizalde, jornalista cubana e colaboradora com a revista Counterpunch.

No artigo «Cyber Command and Cyber Dissident», ela aponta um estudo elaborado pelo jornal USA Today sobre operações de guerra psicológica das forças armadas dos EUA.

O presidente da commissão das forças armadas no Senado na época — o admirável John Warner dos Republicanos — mandou as FFAA desistir da prática.

O jornal também notou em 2008 que as FFAA — desde aquela época, porém, a NSA estaria tirando o projeto da Aeronáutica por causa do  escândalo de corrupção envolvendo um contrato de $23.9 bilhões que levou à demissão do secretário –eram

“… creating a global network of websites in foreign languages, including a website in Arabic for Iraqis; they hire local journalists to write on any daily event that promotes US interests, and to spread a message against insurgents”

«… criando uma rede global de sites em línguas estrangeiros, inclusive um site na língua árabe para iraquianos; eles contratam jornalistas locais para escrever sobre eventos que promovem interesses dos EUA e espalham mensagens contra os insurgentes.»

O jornalão do grupo Gannett notou que muitos dos sites desse tipo são registrados pelo GoDaddy, propriedade de um colorido ex-fuzileiro de Vietnã que criou polêmica recentemente, dizendo no seu blog que as torturas aplicadas no base militar de Guantanamo eram leves demais.

Minhas pesquisas também terminam amiúde no beco sem saida de GoDaddy — e ás vezes na Oriente Média, como foi o caso do TAOWBA.COM, da Arábia Saudita.

Agora, ela faz uma observação interessante: Vários sites cadastrados pelo Godaddy são identificados como provindo de países com os quais empresas de serviços de rede nos EUA são impedidos de fazer negócios.

Tem um site, por exemplo, supostamente de uma banda de Habana — Pornô Para Ricardo, tipo a volta de Menudo, os Monkees hispanofalantes, com um atitude punk — que é hospedado pelo GoDaddy mas se diz originar de Cuba.

Isso levaria à punição da GoDaddy se fosse verdade.

Tem casos parecidos em relação à Irã.

Naturalmente, nossa cubana está indignada com a «ciberguerra» conduzida contra seu país, mais o porque de mencionar o artigo é que ele descreve muitos das características dos MOSCOUs analizados aqui.

Eu traduzo do bom inglês da jornalista

Quanto à Cuba, vale mencionar a celebridade quase instantânea da blogueira Yoani Sanchez, que preenche todos os prerequisitos dos peritos do Pentágono. Mas o projeto do seu blog é fundamentado em várias falsidades: O nome do site, Desde Cuba, sugere que ela liga Internet dentro de Cuba. O servidor, porém, situa-se em Alemanha, e o responsável é alguém chamado de Josef Biechele. Quem é esse homem e por quê jamais menciona-se seu patrocínio generoso?

O site da Yoani aproveita recursos não disponiveis ao blogueira típico, muito menos a um blogueiro cubano, que não tem as ferramentas administrativas locais necessárias para hospedar um blog, e mais, que tem que lidar com uma rede altamente lenta para conectar a sites internacionais como Blogger e outros.

O apoio técnico fornecido para esse site, quase exclusivamente dedicado ao blog, foi feito sob medida e custou centenas de milhares de dólares. A estratégia de marketing, utilizando Google e outros meios tanto tradicionais quanto digitais, também é das mais sofisticadas.

O blog da Yoani é chamado de «Generación Y» — coincidentamente o mesmo nome do projeto de Endeavor Brasil com patrocínio da revista Pequenas Empresas, Grandes Negócios (Editora Globo)

A jornalist continua — tradução minha — expondo um mistério que eu também não consigo entender:

O conteúdo do blog e manipulativo. A blogueira tenta organizar moblizações em mass por Twitter, redes sociais, e outras tecnologias avançadas da rede que são quase desconhecidas na Cuba, um país com «bandwidth» severamente limitada e uma infraestrutura de informática precária, uma vez que o único jeito de acessar a rede é via satélite.

O embargo dos EUA tem impedido a Cuba de instalar um cabo submarino do que precisa muito, e o governo americano embarga faz anos o comêrcio eletrónico e o acesso a tecnologia digital. O resultado é que internautas cubans ligam à rede com uma velocidade média de 30 kbps a 40 kpbs, e portanto mal conseguem receber correio eletrônico, muito menos os serviços da Web 2.0.

A quem está falando essa mulher, então? Obviamente não é uma audiência em Cuba. Alveja leitores fora de Cuba, que são alvos frequentes desse tipo de discurso viesado que ela prefere? A isenção dela seria avalada por ela estar presente na Cuba?

A resposta é simples.

A lenda da blogueira independente é para ser repercutida pela mídia de massa em outros paises, na tentativa de pressionar a politica externa desses paises com relação ao futuro da República Popular do Velho Barbudo.

Yoani é o que costumamos chamar de «poster child».

Nos EUA, as campanhas do March of Dimes contra o pólio — uma das primeiras e mais bem-sucedidas cruzadas morais na história da nossa cultura de massas — estabeleceu o padrão.

Precisa-se de uma pessoa atraente e vulnerável para angariar a simpatia do doador.

Trata-se aqui, então, de um MOSCOU — Mídia Orquestrada pela Sociedade Civil de Oligopólios Unidos — Internacional.

Tem 2.380 menções do nome Yoanchi Sanchez no dominio Globo.com no momento — contra 825 no site do New York Times, 258 no USA Today, 97 no portal da revista Time, 40 no site do Washington Post, 9 no portal do semanário Newsweek, e 4 no Washington Times do Reverendo Moon (onde era para esperar que haveria mais).

O portal da Veja tem 428 menções do nome.

O Huffington Post tem 1.480.

El Tiempo (Bogotá) tem 213.

El Clarín (Argentina) tem 102.

El País (Espanha) tem 2.360, contra 384 en El Mundo e 110 em ABC.

(El País e Globo tem em común o fato de serem clientes de Innovation International, consultoria de mídia de Opus Dei e a Universidade de Navarra..

Mas  Libération, em França, também é, e só conta com 27 menções, a maioria repercussões de matérias em traduction da imprensa ingliziyya.)

Uma única menção em al-Jazeera, o TeleSur do Golfo.

TeleSur tem 5 menções: uma repercussão da inclusão do nome na lista da revista Time e quatro comentários, três denunciando a blogueira como personagem semi-fictício.

O Times — de Nova York — amplifica o mito de que Yoani está conquistando os corações e mentes dos compatriotas virtuais pela mágica de uma tecnologia que ninguém tem, numa reportagem sobre a prisão de um contratado de uma empresa norteamericana distribuindo celulares e computadores móveis no país:

… Yoani Sánchez, a prominent government critic who keeps in touch with thousands of followers with a blog and Twitter account ….

O novo Baía dos Cochinos, terceirizado às empreiteiras de TI com a promessa de acesso privilegiado ao mercado livre a ser criado como o primeiro ato do Governo Provisório.

O primeiro ato oficial do CPA. governo militar interino de Iraq, foi baixar por decreto uma nova lei de propriedade intelectual.

Não brinco.

Chute

Vou me permitir um chute. É somente um chute. Por favor: nada de apostas. Não assumo o risco de ser errado.

Primeiro: O movimento Generación é um «cordão-multidão de eu sozinho».

Segundo: se desse o microfone ao Zé Manẽ cubando de verdade, este teria duas crenças simultâneas nas quais não enxergaria uma contradição:

  1. Saco-cheismo com a Barba
  2. Saco-cheismo com o Tio Sam.

Uma maldição em ambas suas casas.

Um chute só.

A Resposta do Gringo Safado Traidor

Em sotaque texano puxado: «Ô, Brayton, gringo safado, apontando nossas mentireas, você só está ajudando os turrurista!»

Ao qual eu respondo: «Okay» …

É bem verdade que aquilo dos mísseis russos, um pouco antes do meu nascimento, foi bastante imperdoável — me disculpe, Zé Dirceu.

É só que — faltando outro ditador com pistola apontada a minha cabeça — eu acho que o pós-Fidel deveria ser determinado pelos cubanos, numa «distensão lento e seguro ». Só isso.

Ditaduras se perpetuam exatamente por meio do «crise permanente».

Se não fosse as campanhas contra Chávez vindo de fora, o povo cobrasse mais a colheito do lixo.

Os princípios de jiu-jitsu ditam que uma repentina, inesperada retirada dessa pressão fará o oponente cair de cara.

Democracia não estabelece-se de noite por dia como pipoca de microondas.

Acreditar no contrário, apesar de todas as evidências histórica, é papo de hoasqueiro com patrocínio do maior distribuidor de uisque escocês — mais não do «Islay single malt» precioso — do mundo.