A Rede Soros: Primeiro Passe e Duas Novas Leituras

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Comecei hoje explorando a rede do Open Society Institute, de George Soros — que consta em um relátorio do governo americano como o maior doador, de longe, para programas de «desenvolvimento de mídias livres e independentes».

O credo da turma do OSI acrescenta «diversas» a definição.

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Acabei escapando pela tangente um pouquinho, enfocando a rede do que parece um parceiro menor na rede do OSI, mais que achei intereessante por ter mais atividade em América Latina, com um leque de doadores internacionais notávelmente diverso.

Trata-se da APC, a Association for Progressive Communication, que conta com página em português e parceiro no Brasil, o RITS — velho conhecido dos Foros Sociais, nem sempre sem polêmica.

Eu assisti uma sessão em Porto Alegre — eu estava fazendo umas frilas, mais o centro de mídia foi completamente accesível e por isso tive a chance de observar as grandes emissoras internacionais em ação — que passou o tempo inteiro fustigando o representante do RITS.

O pecado dele foi o argumento de que os pobres deveriam ser treinados em software comercial porque esses são os softwares utilizados no mercado de trabalho. Os mais zangados, embora educadamente, não foram os bichos-grilo do software livre, mas esses indianos caretas, com mal cara de jovens executivos.

Isso foi quando? 2003. Desde então, virou cada vez mais possível argumentar que quem aprende com OpenOffice, por exemplo, pode facilmente transferir esse treinamento aos produtos de Microsoft.

Quanto à APC, acho que tenho uma velha amiga em San Franciso que já trabalhava no projeto. Vou escrever para ela.

As duas organizações colaboram na África em projetos apoiando a instalação de infraestrutura de rede.

Cada um tem seus próprios programa na Ámerica Latina — obviamente a região que concentra minha atenção.

Moro, em fim, num pais tropical.

No primeiro momento, tentei organizar a mapa para concentrar nos assuntos que me interessam: Ámerica Latina, mídia, e a construção de instituições democráticas.

Acho que será interessante comparar os trabalhos dos dois complexos.

O trabalho da APC em América Latina principalmente tem a ver com a democratização de acesso à rede. Além do RITS, tem vários «nodos» , com aqueles em Colômbia em Argentina, e as outras organizações mostrada acima.

O site tem um mapa interativo da rede mondial, que eu achei maneiro.

Ainda estou fazendo a via sacra, visitando cada projeto em torno.

Entretanto, o que excavei de interesse foram duas leituras interessantes.

A primeira é a publicação mais importante do grupo Soros, Americas Quarterly.

Entre os colaboradores:

  1. Fernando Henrique Cardoso (PSDB, Brasil)
  2. Bill Gates (MSFT)
  3. Guilherme Perry (economista-chefe, Banco Mundial)
  4. Ricardo Lagos (Concertación, Chile)
  5. Ira Shapiro (representante comercial, governo Clinton)
  6. Richard Feinberg (APEC-APIAN, Asia)
  7. Almirante James Stravidis (Comando Sul, FFAA-EUA)
  8. José Antônio Ocampo (Partido Liberal, Colômbia)

Um grupo interessante — a presença de um generalíssimo das FFAA-EUA deveria despertar alarme em certos setores — e talvez não muito parecido com o Club de Madrí, já presidido por FHC.

Entres os parceiros do jornal é o Centro para America Latina e o Caribe de Florida International University — uma afiliação que chama atenção pela congregação de consultores políticos de peso nessa faculdade de segunda classe, como Dick Morris e Carlos Manhanelli — este último o São João Batista do Evangelho do Cérebro Político no Brasil.

Para mais informações, veja:

Assim que o nome de Bill Gates é o Diogo e Não-Diga do movimento software livre — e assim que trabalhamos com a hipótese do grupo Soros como contrapeso à aliança TI-Jornalismo 2.0 entre os apoioadores de «mídia livre» —  será interessante também avaliar quem tem influência sobre quem aqui: George sobre Bill ou Bill sobre George?

A outra leitura interessante é a séria de relatórios da parceria APC-HIVOS sobre o desenvolvimento da sociedade de conhecimento na região, com estudos de cada pais. Aposto que terão visões divergentes.

Mais qual deles deveria fazer a cabeça do brasileiro — se bem que o brasileiro realmente precisa de uma reforma do seu cocoruto?

Uma vez que ambos tratam de avaliações de metas e métodos de desenvolvimento, deveria fazer um evangelho sinóptico instrutivo.

Então, vou ler.

Mentira.

Eu vou assistir mais televisão.

Mais vou ler.

Hoje só amanhã.

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