A Sombra de Steve Jobs e a MOSCOU Goianiense

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Nem o SourceWatch, observatório de propaganda e publicidade nos EUA, tem sido capaz até agora penetrar a rede do fabricante Apple quanto a sua influência política e sua estratégia de «filantropreendorismo».

No Brasil, porém, é marcante a  enorme influência que têm.

O exemplo mais visível foi a semana em que Época e Veja, assim como as revistas estadounidenses Time e Newsweek, dedicaram as capas ao lançamento do iPhone.

Aquilo foi jabaculê puro e simples, como emergiu depois, quando o Steve Jobs ecoava a lema na capa de Veja — «parece mágica» — en todo que era discurso público dele, chamando a bugigana de «this magic device».

Depois, o Time faria uma galeria de matérias de capa sobre Steve Jobs.

Eu não tenho nada contra o Mac. Tenho amigo programador da empresa, que conta como fizeram o OS X no base de UNIX, o que faz a máquina compatível com muitas das ferramentas de «power user» que eu utilizo em Linux. Se me desse de presente um Mac, eu não virava as costas.

Mas para mim, o discurso de marketing da empresa naquela época teria muito a ver com a influência da propaganda sobre  «a cultura de risco» promovido pelo Grupo LM («Living Marxism») na mesma época.

Frank Furedi, homem-chave do grupo, por exemplo, lançou uma série de livros exaltando a cultura de risco e a figura do empreendedor, enquanto desmoralizava o que ele chamava de «pânico moral» em políticas públicas sobre questões como saude pública e segurança social.

Eis o livro (traduzo) «A Cultura de Medo: Risco e a Moralidade de Expectativas Baixas»

Basicamente, o guru  Furedi fez a carreira dele levantando pânico moral sobre os supostos efeitos culturais deletérios de supostos exemplos de pânico moral.

Muito Furediano, por exemplo, é a campanha da Dra.  Labate de incentivar testes humanos de hoasca sem os devidos estudos médicos de risco.

Furedi ajudou a criar a cultura de risco que levou tantos John Does colarinhos-azuis a apostarem seus futuros, por exemplo, em hipotecas exóticas. E deu que deu.

Essa lembrança do Living Marxism nos leva à tema da nota: marketing guerrilha,  propaganda clandestina, e mais exemplos do «Modelo Fê Pipoca».

Pipocando em Goiânia

Eu acho que descubri, durante minhas pesquisas sobre a agência nebulosa — so existe na «nuvem» de computação em rede — Oncovô Propaganda em Prática, de Goiânia, um braço guerrilheiro do complexo Intel-Apple-Microsoft.

Explico.

A agência despertou meu interesse quando alguém se dizendo um dos sócios da agência divulgou um meme — «A campanha de Obama vai trabalhar para Dilma» — que virou uma coluna indignada de Reinaldo Aze(ve(ja))do.

Fiquei mais interessado ainda quando a matéria em questão foi efetivamente retirada do ar após a minha note, com a página blindada contra motores de pesquisa e revisada, cortando a referência original à agência americana Blue State Digital.

«A Rede é a Organização»

Começo com a seguinte observação sobre a Oncovô –.uma corporação quase sem corporalidade. Nem site tem mais, deixando o domínio oncovo.com vencer. Só existe em redes móveis é nos avatares não assumidos da empresa. O assim reza a lenda.

O site Mobilepedia, por exemplo, cujo dono é citado como referência por Andre de Moraes, sistematicamente promove as campanhas móveis da lista quase inteira de clientes da agência carioca DPZ.

Entretanto, a Oncovô consta como organizadora de um curso da Faculdade Sul-Americana em 2008, o palestrante do qual foi Sérgio Prazeres, dono da DPZ e presidente da entidade de classe Grupo de Mídia-RJ.

Coincidência?

Veja o mapa abaixo. Faça clique para ampliar.

Nota: a orientação vertical não é muito boa para o navegador. Horizontal seria melhor.

Em detalhe (faça-clique para ampliar):

Outos clientes de DPZ que têm suas campanhas «noticiadas» pelo site de «Webjornalismo» são

  1. Sadia
  2. Senac
  3. Vivo
  4. Azul
  5. Bombril

Tem outras campanhas sob o nome de produtos do cliente, como é o caso com Neve, de Kimberley Clark.

Basicamente, qualquer lançamento de aplicativo ou campanha para  aparelhos móveis dessa clientela é divulgado.

Atacadistas fechando parcerias com Itaucard, cliente da DPZ, também recebem destaque: Pão de Açucar, Assai, Lojas Americanas, e a parceria entre Vivo e Itaucard, por exemplo.

Tem uma entrevista com a diretora de Digital do Grupo Abril, outro cliente de DPZ.

O site também repercute «reportajagandas» que a operação consegue infiltrar na mídia para promover a tendência de marketing móvel.

O site é um duto pela divulgação de «releases» de uma clientela limitada e identificável.

O iPhone recebe o maior destaque, mais os projetos de desenvolvimento e distribuição de aplicativos por outros fabricantes — Samsung e Nokia especialmente — também são divulgados.

Não faz mal lembrar:

Vocês não acham o circúito mapeado aqui bem curioso?

Eu insisto: Se acharem o argumento paranóico, asseguro-lhes que estou simplesmente seguindo os conselhos da professoriada de gestão de empresas de Harvard.

Segundo eles, não faz mais sentido estudar empresas como entidades hierárquicas fixas, com nome na porta em praca de bronze e prédio próprio com lanchonete corporativa.

As empresas de hoje são a soma das redes na qual são embutidas.

Posso fornecer bibliografia se quiser.

A Moscou Goianiense

Também temos todos os ingredientes aqui para uma bela de uma MOSCOU — mídia orquestrada pela sociedade civil de oligopólios unidos — goianiense.

A maior marcação de presença da agência Oncovô até agora, por exemplo, foi a premiação da melhor agência e o melhor anunciante do ano no estado de Goias em 2009.

Aqui, a rede patrocinadores do evento, dito organizado pela Oncovô.

Tem um certo cheiro de coronelismo eletrônico no ar, não têm?

Senadores biônicos e universidades donos de concessões públicas cujos donos são familiares de senadores federais. TV Bahia não é o único curral eleitoral eletrônico no país, como vive insistindo o PROJUR (financiamante: Ford Foundation).

Do Diário da Manhã, no site do jornal, na página dedicada à divulgação da empresa, consta o seguinte:

Vou deixar o assunto aí por enquanto.

Tô cansado. Vocês podem preencher os brancos sozinhos.

Outro Ângulo: Edutenimento

Eu também acho interessante a atividade dessa agência nebulosa na área de educação.

Consta numa velha entrada — num foro qualquer de Yahoo! — o endereço físico da empresa.

No mesmo endereço físico, o sucursal da maior empresa de educação do mundo, Education First, com matriz na Suiça.

Dado que a agência trabalha, embora furtivamente, para uma pareceria multinacional com grande investimento no setor de livros escolares — Vivendi-Abril — será que isso também é mera coincidência?

Interessante também é que o sócio do sócio de Abril — General Electic — está ativamente financiando programas de «desenvolvimento de mídias» em Brasil agora pelo Youth Action Net.

Para redes de marketing por meio de  «movimentos da juventude» no modelo «guerrilha», veja também

Em fim: Entre os projetos financiados por GE por meio da Youth Action Net, há um projeto na Faculdade Anhembi Morumbi — onde quem parece ser o integrante assumido mais experiente de Oncovô é professora.

As ativades dos integrantes dessa «célula» do marketing guerrilha tem todos as características de «stealth marketers» — as praças de uma campanha de propaganda clandestina seguindo o modelo Faith Popcorn.

Um dos projetos que constam no currículo de Martha Gabriela, por exemplo — obtido com bastante trabalho do site morto de agência dela, New Media Design — é típico da ofuscação técnica ou «gestão de identidade» que caracteriza tais campanhas.

O registrante e o responsável do site AllHealthNet.com são ofuscados por um serviço australiano de anonimato, aproveitando um marco regulatório favorável  — parecido com a função dos paraisos fiscais.

Eu não tenho mais tempo para perseguir fantasmas hoje, mais seria muito típico de um site informativo desse tipo ter o patrocínio clandestino de Big Pharma — grandes empresas de farmacéuticos.

Desse tipo de campanha há um amplo arquivo de casos bem documentados também.

Mais por enquanto temos que deixar o projeto na zona de FUD, ou MIDia —

  1. «fear, uncertainty and doubt »
  2. «medo, incerteza e dúvidas»
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5 comentários sobre “A Sombra de Steve Jobs e a MOSCOU Goianiense

  1. André de Moraes

    Carácula, bicho! Larga de ser doido e para de distorcer as coisas.

    Eu não sou sócio da Oncovô. Sou parceiro… e é isso o que está lá.

    Tsi…

    Cansei… vou mais dar trela pra ti não.

    Muita loucura pra pouca cabeça.

    E no mais, muita paz!

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