Teorias de Conspiração e o Análise de Redes Clandestinas

Padrão

Idiota que sou, eu divulgei uma política de comentários — só aceito trackbacks e comentários por e-mail, devido ao volume de nonsense que me bombardeia.

«All things can tempt me from this craft of verse»

Mais esqueci-me de configurar o WordPress para tal.

Portanto, os três últimos comentários são aquilos mostrados acima. Benoni Marinho traz uma explicação sobre um domínio esquisito que eu identifiquei mas não soube explicar. Muito obrigado! Ouvi falar de «SQL injection» mais permanece confuso com a rebimboca da parafuseta dentro da minha cabeça bagunçada.

Eu gosto de bancar o Professor, mais nesse de tecnologia de ponta, sou mero amador-entusiasta. Entendo das coisas que esses caras fazem, mais não pudesse realmente fazé-los.

Entretanto, Andre de Moraes, o levantador da bola do meme «equipe de Obama trabalhará na campanha de Dilma» traz um argumento que anticipei no raschuno do meu pretendido guia para analistas de redes sociais:

«uma teoria de conspiração das grandes!»

Está na hora de escrever o capítulo sobre como evitar caindo na «teoria conspiratória» e como refutar a atribuição sofística da mesma — da qual esso caso é um exemplo meio cru e burro.

O argumento de Andre consiste em uma mera rotulação, alvejando um «homem de palha».

Não disse que o cara não existisse.

Disse que a persona virtual dele tem tudo para ser uma lenda visando o Efeito Kassab-Kassabinho — uma construção virtual feito de meio-verdades que visam ser aceitas pelos otários como uma transparência louvável.

Kassab and L'il Kassab, 2006 mayoral campaign

Nem de «petralha» chamei o cara.

Eu levantei a hipótese dele ser o levantador de bola pela indignação de Aze(ve(ja)do, o Cujo-Mor da antipetralhice.

É muito moleque, esse cara.

Tem aquela hubris da juventude, achando que ela já sabe o secreto do universo e tem desdenho do todos nós «otários». Bah, tchê. Eu estava lendo 200 releases de empresas de Internet por dia quando você ainda estava de fraudas — se bem que já saiu. Conheço esse discurso, e a evolução dele durante a última década, de primeira mão. Conheço pessoalmente alguns dos autores e arquitetos dele.

Ensaio Sobre Método Anti-Cartesiano

Como disse no começo desse projeto, o primeiro passo nesse método é fundamentar o análise estreitamente no que a fonte divulga sobre si, utilizando os termos que a fonte utiliza para descrever-se.

Em seguida, considere o que a fonte não divulga sobre si.

Sempre haverá algo, até no caso de identidades virtuais que pretendem ser transparentes.

Até eu não tenho divulgado o cliente para quem fazia freelance por quase ano e meio, e com que posso colaborar no futuro.

Foi MergerMarket, uma subsidiária de Pearsons, editora do Financial Times. Preparei um «briefing» ou resumo diário — um «clipping» crítico — sobre os mercados de fusões e aquisições, private equity e empresas endividadas, de todos as fontes abertas locais disponíveis.

Foi trabalho divertido. Aprendi bastante. Não trabalho mais para eles. Gostaria de voltar a trabalhar. Mas as opiniões desse blog são da minha inteira responsibilidade.

Na minha página de LinkedIn, consta uma recomendação do chefe, Charlie Walsh — gente fina, e digo isso sem puxa-saquismo — altamente elogiosa, assim como um aval de outro cliente meu, de quando eu fazia um bico escrevendo textos de marketing para um fabricante de celulares.

(A empresa pratica propaganda clandestina, pois eu não vou divulgar o nome, pelo fato do compromisso profissional com o sigilo do cliente. Meu trabalho foi aberto, porém: Eu fiz argumentos, encima de fatos, de que tal bugiganga para tal aparelho já foi baixada por tantos usuários e faz as seguintues coisas bacaníssimas, e portanto você talvez gostaria de baixar também. )

Sim, trabalho às vezes com marketing. Sou muito bom de adjetivos – em inglês, pelo menos.. Minha regra pessoal: Jamais trabalhe como jornalista e propagandista ao mesmo tempo. Tira um chapeu antes de pôr outro. Simples.

Também tenho uma carta de recomendação de uma vice-presidente de Forbes, me chamando de «profissional exemplar da velha guarda.» Já trabalhei em Artforum International e GQ — onde quase consegui carteira assinada, mas a revisora que saiu para outra revista voltou quando a revista não deu certo.

No caso de Andre de Morães, eu boto o nome dele e de quem o moraliza — quem sustentam seus «morais», plural — entre aspas porque ele faz uso de divulgação estrategicamente seletiva — uma tática muito familiar em inúmeros casos documentados de propaganda clandestina que já estudei.

Da empresa Oncovô Propaganda, por exemplo, quase nada — algumas menções en passant em um punhado de documentos do governo de Goiáscorrijo: leia «artigos na imprensa de Goias e releases da indústria de eventos» — e as contas de Twitter.

Está sem site institucional, muito menos a divulgação de clientes, sócios, parceiros, quadros, endereço, telefone, ou qualquer outra informação que costumamos ver em sites de agências de propaganda.

Atualização, 10/4/10: para mais informações leia

Em vez de me mandar o CNPJ da empresa com aval da sua confiabilidade, ele me manda uma conta de Twitter, com o aval dos outros sócios dessa empresa-fantasma — os dois se dizendo especializados na otimização de resultados de busca (SEO) e presentes virtualmente principalmente como contas de Twitter.

Portanto, tem muitos indícios de um típica campanha de marketing guerrilha.

No caso de Faith Popcorn, por exemplo, os «pares» na rede social de mulheres empreendedores se identificavam como «mulheres empreendedoras, que nem você».

Era verdade, mais ou menos.  Omitida, porém, foi o fato delas serem vendedoras do patrocinador clandestino da «rede social aberta» — que na verdade foi algo parecido com o «curral eletrônico» do «coronelismo 2.0».

No caso da campanha de «fake news» de Intel analizado por SourceWatch — «vídeorelease» travestiado de jornalismo independente da rede FOX (NYSE:NEWS), sem atribuição à fonte — cita-se uma antropóloga da cultura digital.

É verdade. O papo dele é realmente interessante.

Só que omite-se o fato dela ser antropóloga assalariada da própria Intel.

O caso da campanha de propaganda clandestina de Popcorn-GEFA não é ilação minha.

Tudo vem do «case» oficial divulgado pela agência Faith Popcorn como amostra da eficâcia das suas campanhas.

Também estou começando a localizar as ramificações da campanha de «movimentos da juventude» bancada pelo AYM e seu projeto brasileiro.

Esse modelo também é de longa data. Exemplo, do Dossiê Reich:

Em depoimento ao Congresso, Reich admitiu que o anúncio encima, pago pela Juventude Republicana, foi propaganda clandestina, com a Juventude utilizada como fachada do National Security Council — o chefe do qual, o tenente-coronel Oliver North, pegou cadéia no caso.

(A secretária dele, Fawn Hall, que denunciou o chefe, tirou a roupa nas páginas de Playboy — sendo assim a mãe de Mônica e Soninha.)

O Lado Escuro da Força

Após identificar o agente com identidade ofuscada e clara-escura, tenta identificar o contexto em que esse agente atua — sua «ecologia digital».

Leva em consideração a tecnologia disponível de «gestão de identidade».

Eu, por exemplo, criou a identidade seguinte utilizando DigitalMe — «eu digital»

Se eu divulgasse essa identidade, ligada e essa máquina macunaímica e a várias redes sociais, eu seria uma pessoa feminina, nascida no dia do golpe de estado de 1964 e trabalhando no Elvis.com.

(Minha mãe — é verdade, esse fato — nasceu dia7 de dezembro de 1941, dia do ataque japonês na frota americana em Pearl Harbor. Ele brinca que isso explicaria todo o azár dela na vida.)

Numa maquina «multiboot» como a minha — tenho uns 8 sistemas independentes cadastrados com GRUB — eu podia facilmente multiplicar identidades virtuais capazes de serem apuradas até a máquina individual que deu origem ao conteúdo sob estudo.

A próxima edição de Ubuntu terá gestão de identidade embutida, aliás — UbuntuOne.

Como já disse, este conceito de «ecologia digital» não é minha invenção.

Consta em inúmeros textos de marketing e a gestão de «organizações em rede», lidos assiduamente pelos MBAs formandos de Harvard. A bíblia dessa tendência, com o aval de Bill Gates:

Gestores planejam esse tipo de organização em rede e divulgam estudos de caso sobre o que deu certo e o que deu errado. Ja entrevistei vários. Tenho uma boa ideia de como pensam.

Disso mais em seguida. Mais primeiro, a refutação mais básica a uma rotulação de «teoria de conspiração», escolhida mais ou menos aleatoriamente.

Como aponta o Blog de Washington — covarde anônimo de Blogspot — o contraponto é

  • Já sabemos bastante sobre conspirações verdadeiras e de como funcionam, em detalhe

Da CPI do Escândalo Irã-Contra e do Dossiê Otto Reich,por exemplo, sabemos da atuação desse modelo de governo paralelo, que seria reaproveitado depois no caso das bombas nucleares de Saddam e a campanha clandestina para desmoralizar o ex-embaixador  que atacou o factóide central, o urânio de Niger.

Foi uma verdadeira conspiração. Houve pessoas sussurando em cantos escuros e destruindo as provas das conversas depois.

A sofisma crua e burra utilizada contra meu trabalho é tratar complôts em geral como se fossem da mesma categoria ontológica de Oliver Twist, o Chupacabras, ou Chapeuzinha Vermelha.

Além disso, as redes que aponto geralmente não são conspirações clássicas, completamente fechadas, como o lendário El Yunque de México é dito ser

São redes com responsibilidade difusa e ofuscada, mais deixando disponveis as informações mínimas, em lugares dispersos, precisas para satisfazer uma regulamentação frouxa sobre a divulgação de patrocínio.

Cabe anotar o desfecho do caso mais recentes dentro de nosso governo.

Scooter Toma Uma Pelo Partidão

O homem de confiança principal de Dick Cheney — esee um veterano dos dois primeiros governos paralelos, de Nixon e Reagan, o terceiro sendo aquele montado dentro do gabinete do vice-presidente, com justificativas jurídicas mambembes e anticonstitucionais — foi condenado criminalmente no caso de uma campanha estilo MOSCOU visando a desmoralização do embaixador que apresentou um fato chave que abalou o caso contra Saddam Hussein.

Muitos jornalistas repercutiram as maluquices desse cara — inclusive Judith Miller do New York Times, que logo depois aceitou uma aposentadoria adiantada e sumiu da face da Terra. Esses jornalistas chapa-brancas acabaram revelando que a mulher do embaixador foi agente clandestina da CIA e perita na programa nuclear do Irã — pondo a vida de muitas pessoas em risco., e roubando o governo dos serviços de alguém posicionada para saber os verdadeiros fatos da situação.

Foi perdoado por Bush.

Mais pelo menos o caso botou os fatos no domínio público, e levou — espero, rezo — à morte política desse tal de «Scooter» Libby.

Sabemos agora, por exemplo, que uma fonte essencial do argumento de que Saddam tivesse um programa de bomba nuclear — chamado de «Curveball» — foi identificado pelo serviço de informações de Alemanha como um mitomano incoerente e sem nuance. Inventou contos de fada nem minimamente plausiveis.

A explicação mambembe do crédito dado a essa fonte foi que o tradutor da CIA estragou a tradução. Se não me engano, utilizaram um tradutor algorítmico.

(Em beiseból, «curveball» é um lance da bola com uma moção giratória, que faz o lance imprevisível e esquivo, dificultando a vida do batedor. Tambem tem «spitball» — lance ilegal, usando uma bola coberta de cospe e outra gosma, que alteram as propriedades aerodinámicas da bola.)

Em menor escala, temos disponivel o mesmo manual para campanhas de desinformação na blogosfera e o marketing-guerrilha. São livremente disponiveis e detalham os métodos utilizados.

O contexto maior, entretanto, é uma certa militarização da indústria de relações públicas e propaganda desde os cortes no setor de informações no governo Clinton. Tratarei de alguns casos depois como parte dessa série.

Peritos em «operações psicológicas» foram para o setor privado para coordenar «guerras de ideias» sob a bandeira de grandes empresas — as mesmas guerras, empregando as mesmas táticas, antes coordenadas sob as Listras e Estrelas — listras vermelhas e brancas, quer dizer.

.

As treze listras com campo estrelado no canto superior à esquerda a gente inventou. Vamos entrar com ação na OMC: Vocês paulistas são uma nação de plagiadores de patrimônio cultural alheio! O número 13, entretanto, vem dos 13 assentamentos originais. Talvez deveriamos cobrar o PT, também, para equilibrar o caso politicamente.

Fifty nifty United States
From 13 original col-o-nies!

… é Guerra é Comêrcio é Guerra é ..

«Comêrcio é guerra» é outro conceito — provindo de uma certa criativa leitura de Clausewitz — amplamente divulgado e figurando com destaque na caixa de ferramentas intelectuais de tantos MBAs de elite hoje em dia:

Agora: Após recolher e estudar um número suficiente de casos, é possível construir um perfil do marqueteiro guerrilheiro.

(Ele é provalmente leitor, e até colaborador, de Piauí, para começar — com aquela piada pronta repetida ad nauseam sobre ⓒhe Guervara  …)

O que tem de muito típico no perfil do levantador de bola que me rotula de teorista de conspiração e, por implicação, um terrorista de pânico moral?

Primeiro, ele me acha otário o suficiente para aceitar uma conta de Twitter, com o aval de outras tantas contas de Twitter, como bona fides suficiente.

Eu, hein?

No Twitter, eu sou um personagem chamado de Boi Zebu.

Meu retrato mostra um belo de um bos taurus indicus.

Tempo preciso para estabelecer essa identidade fictícia: 30 segundos. (Tenho 70 palavras por minuto de dactilografia). Jamais divulgo nada de nenhuma importância. Meus seguidores deveriam ser masoquistas.

O fato de eu seguir alguém no Twitter tampouco representa um endossamento daquele personagem.

Acompanho uma amostra de Serristas e Dilmistas, por exemplo, como parte deste estudo. Não endosso candidatos. Eu acompanho o César Maia faz tempo por este ser tão nitidamente um Dick Morris tropical — e portanto uma patologia política virulenta e fascinante.

Acontece que no perfil eu divulgo meu nome, mais não precisei fazé-lo.

Podia ter dito que sou um espirita canalizando a fantasma do grande cantor Marvin Gaye, ligado a um site divulgando novas composições de Marvin. «Groovin’ on Your Higher Love», digamos.

Ou melhor, do grande cantor Joey Ramone, uma vez que músicas dos Ramones são mais simples de compor. Três acordes, se tantos, e letras como «Lobotomia! Lobotomia! Lobotomia! Lobotomia!»

Repetindo: Como construir um «bloco de eu sozinho».

  1. Criar os 999 contas de e-mail que meu hóspede me permite
  2. Convidar cada conta ao GMail para não deixar rastros do domínio BOIZEBUEDITORIAL.COM
  3. Cria 999 contas de Twitter e 999 contas de Blogger

Eu já uso esse método faz anos para criar várias instâncias do meu «Open Source Bloomberg Box» — rastreadores de vários assuntos de interesse tanto pessoal quanto profissional, que funciona algo como os terminais de Bloomberg, Reuters ou Thomson utilizados por operadores de mercado. Isso foi antes da chegada do Reader e coisas parecidas no Yahoo e outros.

  1. Cria uma conta de BOIZEBUEDITORIAL
  2. Convida essa conta a GMail
  3. Estabelece Google News Alerts, digamos, sobre empresas em certo setor

Voilá! Um clipping em tempo real para todos nós. Eu tenho, por exemplo, a conta boi.zebu.editorial.services@gmail.com que agrega fluxos de notícias sobre empresas do Novo Mercado da Bovespa.

(A ser continuado após mais café e alimentação de bichos — o boi zebu, inclusive)

Evitando «Culpa por Associação» e «A Falta de Prova é Prova»

O que pretendo aqui é refutar um argumento que podia ter sido feito por esse guerrilheiro virtual mas não foi — uma vez que ele não oferece nenhum «warrant» para seus «argumentos».

Leitura obrigatória sobre o Esquema Toulmin e o «warrant» — os fatos alegados em apoio:

Toulmin foi o pai do metódo de «estudos de caso» que fundamenta a pedagogia do programa de MBA de Harvard. É basicamente uma versão deste método que estou desenvolvendo aqui.

Duas das falácias da teoria de conspiração a serem evitadas são «culpa por associação» e «a ausência de provas é prova do abafamento das provas».

«O Guru do PT é Laranja de Tio Sam» parece ter sido um exemplo da primeira.

  1. O Guru do PT participava no Campus Party
  2. O Blue State Digital participava no Campus Party
  3. O Guru do PT «trabalhava com» o Blue State Digital
  4. O Guru do PT é laranja dos gringos

A segunda falácia é especialmente delicada quando o assunto é a atribuição de psuedotransparência esquiva a algum personagem virtual, por tratar-se de inferências sobre fatos não-revelados.

O invisível é sempre difícil, mais ainda tem microscôpios, que podem ajudar.

Um exemplo clássico desta falácia foi a resposta de Donald Rumsfeld, Secretário de Defesa de Bush ibn Bush, sobre a falta de confirmação de alegações feitas antes da invasão sobre o posse de armas de destruição em massa pelo regime de Saddam.

Disse, na maior cara de pau:

A ausência de evidência não é evidência de ausência

Não me acredita? Está no domínio publico. Faça um google.

Donde tirou isso? As disputações de Ramon LLull contra o Islã, do Século XI?

Acontece que é um assunto debatido muito por estatísticos — e portanto um argumento do reino de raciocínio probabilístico — «modal logic» — aplicado, sofisticamente, a uma questão de fato retrospectiva.

«Tinha ou não tinha?»

Não tinha. E no reino do provável, é axiomático: Tudo que descubrirmos ser um não-fato nao foi possível quando anteriormente levantamos a possibilidade da sua possibilidade.

Em nosso caso, temos uma ausência de provas que queremos explicar — a falta de atribuição do factóide, espalhado principalmente pelo Estadão, de que integrantes de Blue State Digital trabalhariam na campanha da candidata de continuismo.

Eu tenho a hipótese de que esse blogueiro foi quem levantou a bola desse factóide, ou pelo menos participou no cordão de foliões que amplificou o «meme».

Voltemos, por exemplo, ao caso do escândalo iminente sobre o governador de Nova York. Veja

Nesse caso, o dito jornalista idiota do New York Observer que «lavou» um meme provindo dos tablóides por meio do Twitter confessa a sua participação, mas deixa de fechar o círculo. Eis o mapeamento que ele fez da trajetória do meme:

The Fake News Cycle

O que ele omite é o fechamento do círculo, no qual ele figura como otário-chave. O meme

  1. Começa no New York Post e passa ao concorrente, o New York Daily News
  2. De lá entra na «câmara de eco» por meio da conta de nosso «twit» do Observer
  3. Ganha destaque por meio dos efeitos manada e multiplicador
  4. Reaparece no New York Post como boato fundamentado em uma nébula de fontes do Jornalismo 2.0  … como se o boato não fosse com eles.

No caso do «Guru Laranja de Tio Sam», é verdade, ainda temos que rastrear a trajetoria do «meme» em mais detalhe para ver se reproduza esse mesmo modelo. Todos inícios preliminares são que o reproduz á pé da letra, sim senhor.

Mais vale a pena fazé-lo?

Eu odeia a caça de fantasmas — mas também gosto, obviamente. Quem não adorei o filme?

Mais quais os indícios que levam a acreditar na utilidade de correr atrás essa possibilidade?

Para mim, o primeiro indício de algo errado foi a brecha da ética de pesquisa, como consta, por exemplo, no Chicago Manual of Style (eu traduzo)

“A ética, as leis de direitos autorais, e a cortesia devida ao leitor mandam autores identificarem as fontes de citações textuais e de qualquer fato que não seja de conhecimento geral ou facilmente corroborado.”

Nosso guerrilho não observa esse princípio básico.

Vamos voltar a matéria em questão.

Revisionismo Lava-Rápido

Opa. Não consta mais no site.

Uma busca geral só retorna mina nota sobre o caso.

Mas perai, permanece sim no site, só que está escondida agora do robô de Google.

Aqui tenho que confessar uma falta de rigor.

Esqueci-me de tirar um «snapshot» do site que teria comprovada se esse texto foi alterado desde minha primeira visita ou não.

O texto como consta agora não peca gravamente — e não contêm a menção ao Blue State Digital que eu anotei antes.

Cheguei ao site por meio de uma busca em Blogsearch sobre «+”blue state” +dilma», mais deixei de documentar a busca. Consta na minha história de navegação, mas agora o link aponta uma nota de teor diferente.

No entanto, tem outros sinais de revisionismo histórico no caso.

Tem mais um recurso para tentar sarar minha omissão, por exemplo.

Nessa caso, porém, não adianta.

Em qualquer caso, o base de dados de Archives.org só consegue divulgar dados de páginas passadas após seis meses.

Mas é interessante que o site não consta. Meu velho blog, agora extinto, ainda consta. Infelizmente, quando deixei o domínio vencer, virou um site de pornô de travestí, aproveitando um perfil razoavelmente valioso de trâfego associado com o blog.

No fim, só consegui tirar da lixeira de historia o logotipo do site, na sua primeira incarnação.

O «globo ocular cabeludo» e uma expressão gringa para ficar com polegar atrás a orelha.

Estreitando o olhar, gesto de desconfiança, aproximam-se as pestanhas ao globo. Coisa de irlandeses e ecoceses, se não me engane. Dito de um vigarista de rua ou vendedor nigeriano de Rolex paraguayo: «Eu deu-lhe ao cara o globo ocular cabeludo».

Voltando ao assunto: Vamos dar uma olhada no robots.txt do site de ADM.

Ops. Infelizmente, não consigo lançar uma busca «site:andredemoraes.com +”robots.txt”».

A busca é redirecionada ao motor de pesquisa interno do site — o autor do qual, aliás, se diz mestre na arte de SEO.

Ops de novo. Parece que robots.txt está blindada, e portanto não podemos  estudar a política de transparência-opacidade quanto aos robôs que catalogam sites.

Que o site dá acesso limitado ao Googlebot, dá:

Mais agora sem menção alguma de Blue State no site — menção que eu juro que vi, mais da qual deixei de registrar com «screenshot». Meio frustrante. Eu confio na minha memória, mais o leitor não deveria acreditar em mim sem provas documentais.

Resumindo

Ora, para sustentar a identificação desse personagem como ora a origem ora mais um elo na «corrente de tolos» circulando o meme «Blue State», eu vou ter que saber mais sobre essa profana trindade — Moraes, Castelo, e Gabriela.

Palpite sem provas nenhumas, de natureza literária: Não descarto a possibilidade de haver algum nom de guerre em jogo aqui.

Quem não conhece a boa mulher Martha, irmã de Lázaro, por exemplo?

E quem não conhece Gabriel, arauto do fim do mundo?

Considere também a tradição literária vindo do rebaptismo dos «cristãos novos» ou, na Espanha, os conversos — o romance do picareta, o picaresco.

Estamos ainda na fase investigativa, mais tem comportamentos concretos e muito esquivos aqui — medidas proativas de desconversar, despistar, e alterar políticas de transparência — que sugerem que valdrá a pena.

Dicas para futuras investigações: Tem algo acontecendo em Goias de movimentos samizdat de juventude, com indícios de marketing-guerillha alvejando essa demografica.

Oncovô Propaganda, por exemplo, consta em alguns eventos da indústria (Correio de Uberlândia, 12/9/2009):

A Cannes Publicidade recebeu o prêmio Roberto Lima de Agência do Ano no 2º GP de Comunicação. O evento foi realizado no dia 4 de dezembro, pela “Revista Marketing” em Goiás, Contato Comunicação e Oncovô Propaganda na Prática. No total, foram 12 prêmios para a agência.

Também consta como participante num seminário de Webjornalismo na Faculdade Sul-Americana em 2008:

Estou compilando uma lista de atividades dessa firma de marketing pela rede sem presença na rede. Os indícios que me interessam são a concentração em duas áreas: desenvolvimento de Webjornalistas e «guerilla youth marketing».

Atualização: veja

A ligação da Dra. Gabriel com Anhembi Morumbi, que tem um programa financiado pelo projeto Youth Action Net, ainda está tênue, mais o padrão de atividade nessas duas áreas reforça a impressão que haverá mais a dizer sobre o assunto.

Outra pista de midia guerrilheira em Goias é o caso de Larissa de Morais — uma jornalista com muito moral, ou melhor, muitos morais — que, além de praticar propaganda clandestina no OI, também aparece como pseudônima num samizdat de Goiás.

Uma certa Larissa Gonçalves consta com o e-mail larissa.morais@usa.net.

Curioso.

Para mim, isso é um indício do uso de pseudônomia tal como é praticado pelo LM Group — o movimento Living Marxism, do qual falei em outras notas.

Não trata-se de uma comparação sem mutatis mutandis devidos entre dois fatos isolados.

Tem uma metodologia reproduzível aqui, os manuais da qual são livremente disponíveis.

Mais informações na medida que consigo progredir nessa caça a fantasmas.

Com os dados já agregados, porém, parecer realmente verdade o que disse o presidente do PSDB, Sérgio Guerra — que pode dispensar o nom de guerre, sendo isso o sobrenome dele — outro dia:

«Nós somos a esquerda de verdade hoje».

Acrescento isso ao Observátorio de Memes.

Um fato pouco apreciado sobre o movimento neoconservador nos EUA — do qual o Instituto Cato, patrocinador da MOSCOU do Instituto Millenium — é que é, de fato, um movimento idealizado por trotskistas professos.

Um fato também pouco apreciado, mas perigoso se ignorado: a «Revolução Reagan» não foi uma metáfora.

As táticas dela são revolucionárias mesmo.

Uma revolução divulgado pelo hotmail.

Amanhecer do Paraiso-Perdido: O Entrismo de Dawn Eden

Mais um caso para ilustrar esses métodos, antes de fechar: a revisora do tablóide New York Post, Dawn Eden.

Dawn Eden=«Amanhecer do Paraiso-Perdido».

Era uma lenda, mas conseguiu emprego como revisora no jornal — com poder de compor e modificar manchetes.

Foi demitida após alegadamente assumir a autoridade do redator, que faz a revisão substantiva do textos, segundo Gawker — que não apresentou os fatos direto. Ela

[A]pparently embellished a Jan. 18 editorial about stem-cell research during the editing process. Her version of the story which slammed New York Senate Minority Leader David Paterson s plan for a state-sponsored stem-cell institute as a harebrained scheme …

«… ela parentemente enfeitou um editorial sobre pesquisas de céula-tronco durante o processo de revisção. A versão dela do texto fustigou o plano do lider da oposição no senado estadual, David Paterson, chamando-o de doido …»

Isso não a versão certa da história.

Ela foi demitida por ter revisada uma manchete de capa e manchetes interiores sobre o mesmo assunto, para promover um compromisso pessoal anti-aborto, utilizando um discurso inflamatório.

Sabe aqueles casos notáveis de mancheters doidas acompanhando textos razoalmente bem-feitos?

Eis uma possível explicação.

Dawn virou uma heroina da ultradireita pela fazanha, e continua em atividade até hoje.

Recentemente lançou um livro sobre o movimento de castidade entre a juventude da direita.

Recentemente promoveu o livro no noticiário de manhã de MSNBC — o dize ter feito isso.

O livro foi lançado pelo W Publishing Group — editora da extrema direita religiosa-apocalíptica.

Está presente no Brasil (acima).

Os avaliadores da editora no site de Submarino são unânimes na premiação de cinco estrelas.

Delta Dawn
What’s that flower you have on?
Could it be a faded rose from days gone by?
And did I hear you say
He was a-meeting you here today
To take you to His mansion in the sky?

5 comentários sobre “Teorias de Conspiração e o Análise de Redes Clandestinas

  1. André de Moraes

    Não, Edward Brayton… a notícia não foi alterada. O que aconteceu é que optei por alterar a estrutura dos meus links. Antes, era http://www.dominio.com/categoria/post.

    O que fiz?

    Tirei a “categoria” da estrutura e deixei apenas o “título do post”.

    Apenas por achar que é mais amigável uma estrutura mais simples.

    Simples assim.

    Achei ruim o fato de você me chamar de “moleque”. Quê isso, cara? Você nem me conhece. Já parou pra pensar que não sabe onde nasci e o que passei na vida?

    O que eu queria era entender como é que você resolveu botar meu nome numa história maluca dessas?!?!

    Levantei pra Azevedo, é isso? De jeito maneira… o que fiz foi antever uma coisa que já era sabida por qualquer um que tivesse um pouco de perspicácia. Lembra que a Dilma foi na Campus Party? Pois é… achei aquilo muito estranho porque a Dilma nada tem a ver com o evento. Nem nunca teve. Aliás, evento que sempre tive vontade de ir, mas nunca tive condições.

    O que acho interessantíssimo é sua forma de ligar as coisas, sem nenhum critério. Usa apenas ligações sem nenhuma investigação profunda.

    Tenho 27 anos, moro em Goiânia, sou casado, ganho a vida de maneira honesta, com muito trabalho e vejo no blog uma forma de expressar o que vejo, o que questiono… o que penso.

    Aí vem você e me chama de moleque sem nem ao menos me conhecer.

    Respeito é coisa pra se usar.

    Se você tem um currículo cheio de recomendações e blá, blá, blá, parabéns! Se teve oportunidade de conhecer pessoas bacanas da Forbes, Financial Times etc, parabéns também.

    E você nem conhece a proprietária da Oncovô também, ué. É uma pessoa simples, que tenta viver trazendo conhecimento pra Goiânia. Aliás, isso é outra coisa que você deve saber: Goiânia ainda é uma cidade muito provinciana e o acesso a cursos e palestras aqui é parco.

    Ah… nem sei o que dizer.

    Talvez minha inteligência seja muito pequena pra acompanhar seu raciocínio que vai além de qualquer compreensão.

    Decidi que a partir de hoje vou encarar o seu blog como ficcioso.

    E, de qualquer forma, já printei as telas onde tem meu nome nos seus posts…

    E de qualquer forma, valeu demais!

    E no mais… muita paz!

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