A CPI das ONGs e a CPI da ESPM: A Questão de Autoria Virtual

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Um sinal de teste enviado ao dominio DEM.ORG.BR ligou para casa de Houston, Texas e depois sumiu sem deixar rastros.

Estou preocupado com meu mensageiro.

Cidade fronteiriça com México é capaz de ser uma Zona barra pesada hoje em dia.

Uma amiga nossa, bêbada e triste, fala sobre o Congresso Nacional no boteco de esquina:

«CPI! CPI! Tem tanto problema e gastam seu tempo fazendo o quê? Aparecendo na TV na CPI! CPI! CPI!»

In Brahma — ou Bohemia ou Antártica Original ou Itaipava, tanto faz — veritas!

Eu sempre digo que se quisesse realmente aprofundar nos problemas de governança na Brasil, hão haveria as CPIs do Mensalão do PT, Mensalão do PSDB e Mensalão do DEM.

Haveria uma CPI da Indústria de Propaganda e Marketing, visando legislação regulamentando o setor.

A autoregulamentação do setor hoje é uma piada, apesar de existir modelos de governança sensatos, nos moldes dos padrões de transparência de ABONG.

Até a associação de profissionais de marketing político dos EUA tem uma regra contra «push polling» no código de ética, mais no Brasil é praticada na maior cara de pau.

A natureza partidária de investigações distintas sobre o mesmo mecanismo, com os mesmo jogadores, orquestrado pelo mesmo publicitário mineiro, não podia ser mais nua e crua.

A entrada na Wikipédia, a enciclopédia livre, sobre a atual CPI das ONGs, desinforma.

A CPI das ONGs é o nome dado para investigações sobre repasses de dinheiro ocorridos no primeiro mandato do governo Lula (entre 2003 e 2006) para ONGs ligadas tanto ao governo federal como ao Partido dos Trabalhadores (PT), e à oposição.

A CPI investiga repasses tanto no governo FHC II quanto no Lula I.

O jeito de descrever o caso aqui é como se dizesse:

Os dois finalistas de American Idol são José Feliciano, um cantor-compositor cego tão corajoso quão talentoso que já lançou 65 discos entre 1970 e hoje, entres os quais o grande sucesso «Light My Fire» — uma música originalmente de Jim Morrison — e o outra finalistas, de cujo nome não me lembro.

Como é de esperar, o autor da entrada é o mundialmente famoso Ninguém.

Houve pouca participação de outros revisores entre a primeira versão e a presente versão — a maior intervenção sendo o aviso sobre a falta de fontes para fundamentar as afirmações:

Quem é o autor 189.12.220.8?

Usuário qualquer de Telemar, que, sendo um mero contéuduto, não assume qualquer responsibilidade pelo conduto dos usuários.

Quem inseriu o aviso sobre fontes foi um tal de Rei-Bot, um robô do revisor Rei-Artur — um Atlas que ainda não deu de ombros:

O único revisor com nome é João Paulo Chagas, sobre o qual consta somente que é paulistano e «quase 20».

Em fim, a fonte de informações sobre o assunto com mais peso no «ranking» de Google é de autores com a mesma idade dos calouros aos quais eu lecionava sobre redação de textos e ética de pesquisa por sete anos na Universidade de California.

Eu, hein?

Adoro aquela molecada como se fosse minha própria cria, quase, mais invariavelmente entram sabendo aquém de nada e achando que saibam além de tudo.

Autoria Virtual: Dois Modelos

Não confio em autores anônimos ou fontes anônimas até eles comprovarem sua confiabilidade.

Não acredito em fantasmas.

Olha a fonte anônima da séria Veja de Nassif:

Virou testemunha pela acusação no processo de calúnia contra o jornaleconomista pacato por conta da série.

Identificação não é garantia alguma que  o rapaz  não mentirá na sua cara, é claro — estou pensando em amigo meu, que não vou constranger aqui apesar de estar realmente puto de vida com ele —  mas pelo menos você pode cobrar o rapaz depois. (Estou cobrando você, amigo.)

Vamos lembrar que tem cinco modos básicos de identidades virtuais.

  1. Identidade transparente e direta
  2. Identidade por procuração transparente
  3. Transparência por procuração anônima
  4. Procuração distorcedora
  5. Procuração de máxima anonimidade

Meu domínio pessoal, por exemplo — meu playground ou caixa de areia para testar várias ferramentas de gestão de projeto ou conteúdo, ou qualquer outra bugiganga programada em PHP+MySQL+Apache — é um exemplo de (2).

O cadastro é com Tucows e a hospedagem de LunarPages. WHOIS.TUCOWS.COM retorna

Eu assino meu nome e forneço meu endereço de correio. (As meninas da Columbia alugando o apartamento mandam um pacote cada mês, COD.) Para contatos mais imediatos, tenho um agente, que filtra os idiotas mas entrará em contato comigo se houver problema, que ainda não houve. Isso me protege de assêdio eletrônico.

E o Andre de Moraes, que me rotula de «teórico de conspiração»?

O mesmo — só que se tem ligações institucionais não os divulgam.

É verdade e confesso: BOIZEBUEDITORIAL.COM é o site de uma pessoa jurídica ainda ficticiosa.

Eu comprei o domínio para hospedar uma empresa com CNPJ quando meu visto de permanência chegar, para eu poder tirar RG.

Eu esperava a entrega dos documentos 18 meses atrás. Entrentanto, meu advogado original foi preso — mafia dos fiscais No. 47 — e pessoas do balcão de permanência da PF foram presos — abuso de poder, enriquecimento ilícita.

Poxa.

Existo num limbo virtual, portanto.

Meu cunhado tem um CNPJ de artes gráficas. Eu sou Boi, ele é Bisonte. Acho graçinha. Não sei como ele faz, mais é muito comun pessoas jurídicais tipo Você S.A. emprestar o CNPJ para amigos precisando de sei lá o quê, nota fiscal para ainda não entendo direto o quê. Todo meu trabalho , quase, vem de Lá, onde pagio quase o duplo em imposta de renda. Porra.

Também tenho a opção de cadastrar a empresa em Nova York. Boi Zebu LLC, digamos. E só que não voltamos para lá faz três anos por causa do meu processo de permanência e a doença do meu falecido sogro, Deus o abençoe. Nossa contadora nos aconselha a fazer isso.

Modelos de Autoria Partidária: Quem é Responsável?

Agora, vamos comparar o grau de transparência virtual dos quatro maiores partidos do Brasil.

O PT tem site hospedado pelo UOL e assinado pelo presidente nacional do partido, Ricardo Berzoini — réu inocentado de corrupção no caso provindo do seu mandato como prefeito de — deixa-me lembra — Ribeirão Preto.

O PSDB tem servidores próprios — um modelo utilizado também pelo menos um dos partidões dos EUA hoje em dia.

Ainda têm polêmica sobre a prática.

A Casa Branca de Bush utilizou contas do partido para fazer trabalhos do governo, assim driblando a lei que manda arquivar mensagens eletrônicos refletindo ações e deliberações do governo.

Uma crítica contra o governo de Obama é que seu plano de informâtica — preparado por CIO.GOV — não toma atitude em relação ao problema. Isso me preocupa também. Eu culpo o presidente nacional do partido, Howard Dean — um neocon Democrata e principal arquiteto do meme do «segundo superpoder»

Em fim: O presidente do PSDB não assina embaixo.

O site tem autor coletivo.

Quem assina e »Administrador TI»

Quanto aos DEM, utilizam hospedagem comercial também, é quem assina é alguém com o nome, de tanto renome dentro das familias paulistas de quatrocento anos, David Baker.

Filho de Chet, por ocaso?

O hóspede é um tal de OPENDF SERV DE INFO INTERNET E TELECOM LTDA, responsável Marco Antonio Quinta.

David Baker realmente consta entre a diretoria nacional do partido como representante do Distrito Federal — vitrine da campanha de moralização nacional pela qual o partido é merecidamente conhecido.

Como no caso do PT, não há biografia dos diretores nacionais.

Esse David Baker representou o partido na ação de cassar Arruda por infidelidade no TSE:

A audiência ocorreu às 10h20, no Salão Vermelho do Tribunal. Além do ministro José Delgado, estiveram presentes o subprocurador-geral da República, Francisco Xavier Pinheiro Filho, o advogado do Democratas, Thiago Fernandes Bovério, o representante do partido, David Baker, e a advogada do deputado Walter Brito Neto.

Em uma palestra de 2002, do congresso «América: Terra de Utopias», David Baker aparece como responsável pelo site do antigo-mesmo PFL.

Era uma vez um portavoz do governo israelense do mesmo nome, mais não deveria ser o mesmo cabra. Também um ufólogo-ovnista gringo atuando no Brasil nos anos 1970s.

Queiroz faz um bom análise de «information design»:

No ar há 3 anos e meio, o site do PFL (www.pfl.org.br) segue o mesmo padrão do site do PSDB. O logotipo do partido e o número 25 estão presentes em, praticamente, todas as páginas, servindo, inclusive, de segundo plano em várias páginas, como é o caso das notícias. Por outro lado, as cores azul, amarela e verde, que identificam o partido, estão menos presentes do no site do PSDB.

Segundo David Baker, responsável pelo site do partido, 3 pessoas trabalham na manutenção do site, cujos custos podem chegar a R$ 3.500,00 por mês. Em entrevista concedida, ele revelou ainda que cerca de 550 pessoas visitam o PFL na internet diariamente.

Poxa, eu recibia mais visitas diárias no meu blog em 2002 — a maioria de buscas irrelevantes, é verdade.

Se você tem um corpus de textos de tamanho suficiente na Internet, você sube nos rankings.

Meu recorde para um nota individual, se me lembra bem, foi uns 10,000 num só dia. Cheguei a ser repercutida por uma grande chefão da turba de Harvard e RSS Investors. Nem me lembro de que se tratava.

Uma nota que eu fiz sobre uma experiência pessoal da qualidade de serviço de Citibank, na qual comentei um movimento de consumidores ao redor do trocadilho «Shittybank» — «o banco é uma merda» — atraiu o maior número de comentários, centenas deles. Em pleno crise da bolha da internet, muitos contavam pesadelos envolvendo hipotecas exóticas, bem antes do crise imobiliário.

O SEO funciona assim: se você faz referência irónica a «pornô» ou «travestí», receberá certo volume de trâfego de pessoas que se sentirão enganadas por não encontrar um site dedicado ao pornô de travestís.

O Googlebot não tem senso de humor. Ainda é léxico mais não semântico, apesar de fãs de William Gibson que acha-o o HAL de 2001.

Da home page do partido é possível fazer uma série de links que permitem uma
visão global do PFL, da sua história aos dias atuais, passando, evidentemente pela sucessão presidencial. No período estudado, especificamente, um dos links de destaque diz respeito ao noticiário. Tudo girava em torno de Roseana Sarney, nome forte do partido no Maranhão e que ganhava destaque nacional na corrida pela presidência da República. Além de fazer muitas referências ao seu Programa de Governo, o site apresentava pesquisas apontando Roseana em segundo lugar e com presença garantida no segundo turno das eleições.

Uma profecia auto-realizadora fracassada?

É importante destacar:

É importante destacar, que o PFL também possui uma “agência” própria, que contribui na alimentação de notícias para o site. Informações e matérias oriundas de outras agências e mídias também compõem a página de notícias, como é o caso do “O Estado de São Paulo” e “Folha de São Paulo”, sem um período específico de atualização.

Poxa, esse estudo é exemplar. Vou disponibilizar um cópia e colar a metodologia para minhas próprias divagações sobre redes.

Agora, o PMDB:

Também utiliza hospedagem comercial — LocaWeb deve ser entre os maiores — e quem assina é Gilberto Júnior de Loyola e não Michel Temer.

De Gilberto Júnior — com se Júnior fosse o sobrenome do guri — nada consta de imediata segundo o Googlebot:

Modelos de Autoria  «Made in the USA»

O PT parece seguir um modelo inédito entre os quatro partidos de peso maior. Cabe aqui completar o censo, incluindo partidos da base aliada dos dois polos. Tenho preguiça de fazer agora, porém. Faça você e mande um e-mail com os resultados.

Agora, um pano rápido de modelos «made in the USA» de autoria virtual.

O PSDB de Sérgio Guerra tem algo em común com os Democratas de Howard Dean: autoria coletiva.

O site é hospedado em servidor dedicado próprio também:

O site institucional da Comitê Nacional tem URL próprio, embora redirecionado ao site do Partidão:

Provavelmente é um servidor dedicado para e-mail, como foi o caso antigamente com GOP.ORG.

Hoje em dia, um pedido WGET para GOP.ORG é redirecionado ao GOP.COM:

A hospedagem é de um servidor virtual dentro dos servidores de SMARTECHCORP, subsidiária de Airnet Group, Inc.

Segundo SourceWatch, SmarTechCorp recebeu $2.275.000 para consultoria durante as eleições de 2004 e $3.320.000 em 2006.

Airtech tem como cliente o site OHIO.GOV — ainda hoje objeto de um processo para fraude eleitoral, no caso em que o Secretário de Estado mandou resultados eleitorais para a servidor GOV.COM antes de divulgá-los ao público. Um empregado da empresa — um «apiteiro» — deu depoimento jurado sobre algumas atividades realmente chocantes. Um dia dará no jornal.

Veja também

SmarTechCorp trabalhou na campanha de Michael Bloomberg quando este ainda era do Bom e Velho Partidão. Hoje em dia, o site da prefeitura é NYC.GOV, com informações do serviço WHOIS de InterNIC:

Eu nunca consigo informações do WHOIS de PONTOGOV.

Deixa ver se uma sessão «incognito» consiga:

Não, não consegue. Um sinal de teste some na rede de AT&T.

O PONTOGOV é um domínio blindado — como é de esperar.

Também protegido atrás a segurança de .GOV, porém, é o site dos Republicanos no Congress, GOP.GOV.

Que eu saiba, os Democrats não tem site parecido de .GOV.

O domínio normalmente é reservado para agências do Estado, como no exemplo da Prefeitura de Nova York.

Como é que foi que um partido político chegou a ser abrigado dentro do Estado?

Conclusões

A modelo de «autoria virtual» do PT é inédito dentro da amostra analizada aqui.

Ricardo Berzoini é o portavoz nominal do Partido. Se não gostar do partido, fala com Berzoini.

Se o Instituto Millenium quer responsibilizar alguém como indíviduo — responabilidade do indivíduo sendo um dos chavões dessa guerrilha fachada mal-disfarçada do movimento neocon — é aquele companheiro lá com barba cortada rente e meio corpulento, saindo da luxuosa mansão de Dilma.

O site do PSDB está dentro de um padrão que parece normal hoje em dia.

Curioso, porém, é que se você fosse ao balcão de TAM e pediu um passagem para PSDB.ORG.GR, a moça diria que não existe tal destino.

O terceiro servidor DNS, DOMINAL.COM, manda meu mensageiro de volta salvo e são, porém.

Nada sinistro nisso necessariamente, cabe dizer. PSDB.ORG.BR deve ser um servidor virtual dentro de DOMINAL.

Só que se eu fosse o PSDB, partindo para uma campanha de reconquista do Nordeste — uma nova coluna Prestes — eu teria contratado um hóspede que não era de São Paulo.

Sinceramente: às vezes tenho dó da cegueira demográfica e sociológica da oposição.

Para mim, uma eleição mineiro-mineira com aquele bonitão com maneiras de cavalheiro teria sido ideal. Ainda não ganhando, aposto que melhoraria a márgem de 20 pontos observada tanto em 2002 quanto em 2006.

Candidato usado para uma campanha de mudança? Vix.

Gasta uma grana em Bahia com empresa de caboclo dos mais caboclo, e espalha a notícia com alarde

Está vendo? Tucano investe no Nordeste!

Papo sério. Não sou anti-tucano. Nem eleitor brasileiro sou.

Mas do ponto de vista técnica, puxa, caras, aquilo não presta.  Pergunte ao FHC, aposto que ele — sociólogo consagrado e vencedor de duas eleições — esteja pensando a mesma coisa.

A regra dourada: se quiser ganhar eleições, escute os conselhos de ganhadores de eleições — que não chegaram a ser cassados depois.

Por quê vemos Ronaldo do Timão no BBB 10 vendendo guaraná Antártica por R$10 milhões no lugar do craque da Associação Atlética Cori-Sabbá, de Piuaí?

Quando este grêmio produze um craque para a seleção nacional, o clube e o craque ganharão. Boa sorte! Seria um conto de Cinderela milenar.

No entretanto, é o Dentuço.

A autoria virtual do DEM é uma ofuscação total, me parece.