O COMPOLITICAR-EDUTENIMENTO e a Virtualização da Educação

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A rede de propaganda clandestina que identificamos no caso de YouthActionNet e Oncovô Propaganda em Prática — parte de uma rede «guarda-chuva» montada pela Blue State Digital — tem a ver com uma ramificação do que eu cheguei a chamar, estilo Novilíngua, do COMPOLITICAR-INTOTENIMENTO.

Isto é, o complexo político-militar-infotenimento.

CIMA, do Fundo Nacional para Democracia — o NED, um PONTOGOV disfarçado de um PONTOORG — é um exemplo geral.

Mais também tem um braço de EDUTENIMENTO.

O melhor exemplo isolado talvez seja a parceria entre o Grupo Abril e Vivendi-Universal — agora NBC-Universal, de General Electric, se não me engane — nas editoras escolares Attica e Scipione.

Abril é uma empresa de INFOEDUTENTIMENTO que vilifica pequenos concorrentes sob o pretexto de um patrulhamento ideológico mambembe, e está determinado de tirar a liberdade de escolha das mãos da professoriada sob o esquema presente do MEC.

Outro exemplo específico seria o Homeland Security High School em Baltimore, um colégio de economia mista, montado por  Sylvan Laureate e o complexo de segurança nacional, que chegou a receber grande destaque nacional no que infelizmente tem virado o Fantástico da rede CBS, 60 Minutes.

Acontece que eu fiz um baita de um estudo sobre a convergência de TI e educação no setor de e-learning em 2000 para a falecida revista Internet World — que deveria estar em algum tijolo de gigabytes que tenho escondido em algum lugar.

Portanto, o assunto me interesse, e portanto, eu acho a seguinte tendência realmente estarrecedora:

Eis a virtualização da educação brasileira.

Vocês têm que entender que eu mocinho tive a sorte — e uma bolsa de estudos generosa — de me formar numa pequena faculdade «fundada no modelo Oxford».

Diferentemente de Berkeley, onde o professor internacionalmente famoso lecionava em auditórios de 500 pessoas — falando as coisa mais abtrusas que depois nós administradores do curso fomos obrigados a explicar para todos nós — eu fui forçada a reunir-me uma vez por semana com meus orientadores para justificar as coisas que eu estava fazendo para fazer minha cabeça.

Portanto, como pedagogo, fico com pé atrás quanto à qualidade de ensino à distância. Para mim, nada substitui ensino presencial — uma opinião fortalecida pela comparação de experiências pessoais de e-cursos e cursos de educação continuada presenciais, por exemplo, os cursos do Centro Editorial de NYU.

Lá, cheguei a conhecer a jornalista russa Anya Politkovskaya, antes da sua execução covarde em Moscou. A lembrança dela viva e elegante é muito mais emocionante do que ler sobre o caso no site dos RSF ou a CPJ.

Mas que é um mercado atraente aos grandes jogadores de convergência digital, sem dúvida é.

Em geral, parece que a lema da empresa EF Education First (acima) — contratado para fornecer treinamento em idiomas para a Copa de 2014 — tem duplo sentido:

  1. Quebrando barreiras de linguagem, e
  2. quebrando barreiras à entrada de novos jogadores nos mercados de países em desenvolvimento.

Como mostrei ontem, um jogador de peso nesse memsmo sentido é o Education Development Center LLC:

Num primeiro momento, a EDC não parece ser muito presente no Brazil:

Mais seus patrocinadores são.

Quem digitalizou o arquivo da iFHC, por exemplo, com mão-de-obra e acesso a tecnologia doadas, foram IBM e Cisco.

iPhone.

iPad.

iFHC.

Parece mágica.

Um velho secretário do governo FHC II e ex-presidente de GE Brasil — com matriz dono de MSNBC, CNBC e NBC-Universal («House M.D.»!) — é a ligação-chave com o projeto YouthActionNet no Brasil.

Agora, a questão será quais são os jogadores nacionais de peso, e onde encaixam-se em relação a esse lobby de cunho neoliberal de infoedutenimento?

Eu acompanhei os movimentos e fusões nesse setor nos últimos dois anos, no meu trabalho freelance, mas só de uma ótica vertida ao curto- e meio-prazo, para investidores com um certo perfil. É o jornalismo de serviço. Eles pagam pagar informações uteis a eles, pois é isso que você produz. O freguês sempre tem a razão.

Acho que ainda tenho acesso ao base de dados, mais não posso divulgar a informação. Os direitos autorais são do meu cliente. Ainda tenho os velhos números de Relatório Reservado, porem, indexados com GREP.

Uma leitura preliminária mais ampla e muito útil, enquanto isso, foi um relatório de BNDES Setorial (30, p. 103-156) de 2007:

Aqui, os Rodrigos de BNDES são uteis. Agradeço muito!

Onde consta nesse quadro instituições como Zumbi de Palmares e Anhembi Morumbi, me pergunto? Tenho que ler em mais detalhe sobre o critério da classificação.

Em fim, estou recolhendo novos dados para serem ligados a uma rede, se tem fundamentos para tanto.

Esqueci-me de Kroton.

E como anotação final: Tem algo parecido entre esse esquema e a pessoa jurídica do promotor Blat, lembra-se daquele caso?

Tal como Gilmar Mendes, o promotor tem uma empresas de ensino a distância que fornece conteúdo ao portal OUL, entre outros, e também ganha fazendo palestras — inclusive no IBMEC.

Veja

MPD.org.br

O Ministério Público Democrático, o qual Blat integra, fornece materiais didáticas à faculdade de direito da MacKenzie — aquela faculdade o reitor do qual escreveu no blog dele, após a ratificação do continuismo nas eleições de 2006, que deveria ser uma punição de Deus por causa de nosso pecados.

Juro. Tenho anotado para inglês ver.

Veja

(a ser continuado, após meu desjejum de café e Marlboros paraguayos, e conversa com o cão, Corisco.)