O Diogo Recluso: Esboço de uma Memeografia

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A mídia corporativa toda destacava hoje um terremoto em Java. Popurls menciona o evento em alguns lugares, mas enterrado muito fundo dentro da agregação de agregadores de notícias como Google News. A razão por essa mínima menção so pode ser descoberta excavando todas as camadas de agregação para em fim chegar as fontes originais — que são aqueles raros exemplos de reportagens criadas por profissionais que assinam embaixo. No nível de popurls, no entanto, o comilão recordista de sorvete e o terremoto são, no máximo, tratados como igualmente importante, sem contexto nem autoria.

Fonte: Jaron Lanier, «O Maoismo Digital».

A notícia mais importante da secção «Multimídia» da Folha de S. Paulo hoje:

Gatos também gostam do iPad

Entretanto, meus robôs trabalham noite e dia.

Se ainda cabe dúvida de que o blogueiro Diogo Chiuso, do Instituto Millenium, seja na verdade Diogo Costa, funcionário do Cato Institute e residente em Washington, D.C., um análise da «ecologia digital» do Demônio Escondido mostrará suas afinidades electivas com o coração das trevas da mídia da ultradireita estadounidense.

Pode-se observar algumas categorias nesses dados brutos:

  1. Mídias comerciais na ecosistema de clientes da consultoria Innovation International
  2. Mídias comerciais na ecosistema de Rupert Murdoch
  3. Institutos de pesquisa do movimento neoconservador
  4. Samizdat do movimento neoconservador
  5. O lobby de Israel
  6. Apple.com

Eu fiquei interessado na referência a «minha coluna na Folha de S. Paulo», mais infelizmente, a Folha mudou sua página de «login» e esqueci-me da senha da minha mulher, pois é ela que assina. Portanto não dá para ver se a Folha publicou a referida coluna sob o nome Costa ou Chiuso.

A relação do blog com Daniel Pipes nos leva a um dos movimentos mais asquerosos das últimas décadas: O patrulhamento ideológico de professores por meio de estudantes-ativistas que identiquem «perigos à segurança de Israel», os quais depois são alvejados por campanhas difamatórias.

Nota-se aqui que tanto o Diogo quanto Pipes apoiam as mesmas candidaturas políticas, entre muitas ligações em común:

As campanhas são:

  1. Williams for Texas
  2. McGlowan for Congress

O grau de diretórios entrecruzados entre os dois «ecosistemas» é bem marcante — quase como de saissem da mesma fabríca de ideologia. Será?

Entetanto, no mundo de Pipes — se bem que isso seja o nome verdadeiro dele — bastava e ainda basta se dizer neutro na questão Palestina-Israel para ser declarado um inimigo do Estado.

Eu fiz um levantamento nos bases de dados académicos uma vez sobre Pipes e descubri que os credenciais do auto-declarado perito na Oriente Média são modestos ao ponto de ser humildes: Um estudo sociológico mambembe sobre islamistas e cristãos em Beirut, só.

Eu tive um calouro uma vez que apresentou um primeiro ensaio, de avaliação, que veio plagiado de um dos sites de Pipes. Foi flagrado pelo método mais simples de todos: uma pesquisa Yahoo (Netscape foi a grande novidade ainda naquela época).

Nota 0.

Eu disse a ele que podia refazer a teste, sobre o mesmo assunto, mas com argumentos próprios e com fontes identificadas — Pipes, por exemplo — e com a plena refutação do contraditório. Ou ele podia desistir do meu curso.

Ele desistiu do meu curso.  Eu podia ter iniciado uma ação disciplinar, e pensando bem, eu deveria ter feito. Fui influênciada pela sombra de represálias? Honestamente não sei.

Tem nomes aqui que eu tinha achado ultrapasssado, como Powerline Blog.

Entre meus pŕimeiros estudos de autoria ofuscada, de fato,foi uma nota — capaz de ter sido de um blog antes do NMM — mostrando que Powerline não passava de uma fachada para integrantes, escondendo-se atrás nomes de guerra, do Claremont Institute –este  fundado pela igreja de Sun Myung Moon e uma fábrica estratégica da propaganda clandestina e nhemnhemnhem histérico do movimento neoconservador.

Outro nome é Ann Coulter — uma Diogo Mainardi feminina e, alliás, fortemente armada e orgulhosa do fato — substituido hoje em dia pela ex-candidata Sarah Palin.

Sobre Sarah Palin, o autor do artigo na Tupipédia é Ninguém — o Capitão Nemo — e entre os revisores são o notório Dantadd e uma variedade de robôs controlados por nomes de guerra não-confirmaveis.

A página vem com dois avisos — falta de fontes e dados de confiabilidade duvidosa.

É obviamente uma cola seletiva do artigo em inglês, que fornece os mesmos factóides, embora sem avisos:

Omite-se para Tupi ver que além de política, Sarah é «jornalista» contratada pela rede Fox.

Também consta a atividade de traduzir o artigo para — ou desde — outras idiomas.

Aqui vemos o hebreu e o chinês, por exemplo. O robô de um editor russo entra depois para colar o artigo para quem entende do alfabeto cirílico.

Não houve nenhuma discussão pública sobre o teor do artigo.

No Google Brasi, esse é o primeiro resultado de uma busca para “Sarah Palin” — o segundo sendo a Folha de S. Paulo.

Quer dizer que a fonte mais autoritativa — segundo Google, que você pode pagar jabá para aumentar seu perfil — sobre o assunto foi redatada por robôs contralados por fantasmas, sem debate transparente.

Olá Turista e o Jornalista Roberto Marinho

Outra rede interessante: A Fundação Roberto Marinho.

Brincando com a diagrama interativa, descubri um fato para mim inédito: O patrocínio pela FRM do programa Olá Turista, em parceria com o Ministério de Turismo, e montada pela empresa Trigger Soluções R/C Ltda.

Já sabemos que a empresa EF Education First Brasil — multinacional que fez programas parecidos durante as Olimpíadas de 1988 — e um jogador de peso, mas eu não consegui entender as ligações institucionais dela com esse lobby pesado nas áreas de mídia e educação.

O fato dela ser empreiteira de uma parceria pública-privada explica muito.

Veja também

No mesmo ramo, um projeto principal da FRM é o Telecursos — mais um site completatemente inacessível com máquinas  insuficientemente robusta para exhibir conteúdo apresentado com Flash, de Macromedia.

Disso, mais, logo em seguida.

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