Verde Como a Maçã: As Orígens do Ambientalismo de Roberto Civita

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Corrijo a manchete: Marinho > Civita. Confundi meus Robertos.

Falando em propaganda clandestina, no filme Lula: Filho do Brasil, sindicalista só bebe Brahma, é o sapo barbudo — me desculpe, presidente — não aparece sem cigarro na mão.

Patrocinadores do filme incluiram Sousa Cruz e Brahma.

No filme An Inconvenient Truth (Uma verdade incómoda) — o documentário da famosa palestra «high tech» de Al  Gore sobre aquecimento global  — o candidato à presidência mais votado nas eleições de 2000 não aparece sem seu Mac aberto e exibindo várias funções bacanas.

Tem razão para isso também.

Al Gore é um diretor de Apple Computers.

E aí vem mais um dos meus mapas malucos.

É um jeito de pensar fazendo que eu sempre acho muito estimulante.

Cada mapa usando CMapTools começa com uma pergunta a ser respondida.

Minha pergunta para hoje foi:

  1. Como é que o Grupo Abril podia aliar-se com o Cato Institute e a Atlas Economic Research Foundations — ambos nótorios por serem a mão escondida de ExxonMobil na promoção de ceticismo espúrio sobre aquecimento global — no Instituto Millenium e, na mesma hora,
  2. patrociniar a Iniciativa Verde, por meio do Diretório Academico Roberto Marinho — me corrijo: Civitá — da Escola Superior de Propaganda e Marketing — a antiga Escola de Propaganda do MASP?

Golbery teve mão naquela massa, não teve?

É uma bela de uma pergunta.

No processo de respondé-la, acho que consegui aprofundar ainda mais na interpretação de uma das reportajagandas mais abjectas que já vi em todos meus (resmungos) anos de viver bombardeiado de MIDia.

Estou falanda daquela capa da revista Veja «parece mágica!» — sobre o lançamento do iiPhone.

Com o lançamento do iFHC em segundo plano.

Eu explico.

A nova aliança entre a diplomacia e o complexo militar dos Estados Unidos tem abraçado a indústria de marketing  como um parceiro estratégico no projeto de — a lema é da empresa suiça EF Education First — «derrubar barreiras» ao modelo neoliberal no mundo inteiro.

Acima: Helmus, Paul & Glenn, «Convocando a Avenida Madison: O Modelo de Marketing Como Método de Angariar Apoio em Teatros de Operações Militares», RAND Corporation, 2007.

Tudo vem empacotado bonitinho e pronto para montar.

Eis a  «democracia- pipoca de microondas».

Portanto a explicação mais simples para a Iniciativa Verde seria que é: para inglês ver.

Mais que  inglês é esse?

Baixei o documento que pretende explicar o projeto para inglês ver.

Encontrei um texto escrito em um inglês mambembe e gozado, muito provalmente simplesmente passado por um algoritmo de tradução.

Ele lembra o famoso livro escolar do começo do século vinte que, chegando a atenção do grande humorista Mark Twain, virou uma lenda mundial de humor desproposital — «English As She Is Spoke, sendo um guia a língua inglesa por um autor sem conhecimento algum da idioma»

Não exagero. Segue um trecho escolhido à toa.

Following the environmental conditions’ aggravation on our planet, a significant part of our society already know the importance of such questions and are engaged on change their predatory approach which the human relate to mother Earth. Inserted on this philosophy, our group searches its well being considering it relations with our fellows and the environment,expanding the next generation’s perception of responsibilities.

.Puta que pariu. Carmen Miranda tinha melhor inglês do que isso. Muito melhor. Aquele sotaque cucharacha dela nos filmes dos Irmão Marx foi exagerado, em grande parte. Eu tenho viés pessoal — sendo um tradutor — mas eu sempre acho um texto mal traduzido assim mostra que uma empresa realmente não liga para o visto do estrangeiro.

O Coador de Carvão Verde e Jornalismo Amarelo

Nós o chamamos de «jornalismo amarelo», o que vale para seu «jornalismo marrom», e pela mesma razão: o cor do papel barato no qual vem impresso.

Como venho argumentando nesses dias, o «empreendedorismo social» na moda hoje no Brazil é um produto da Avenida Madison, a Rua K, e os grandes inovadores de Opus Dei e Harvard.

Para não falar na entrada pesada na área de «desenvolvimento de mídias livres e independentes» pela Fundação Gates nos últimos anos.

Veja também:

A mídia livre livre e independente do Brasil — tanto a mídia comercial quanto uma fatia importante do submundo de samizdat eletrônico — não passa hoje em dia de uma enorme amplicadora de propaganda clandestina para iPad, iPhone, iTunes — tudo organizado pelo «meme» de MEdia, ou «eu, a mídia».

O Samba-Enredo

O samba-enredo reza mais ou menos assim: Na esteira de eventos como Campus Party e o mais discreto World Camp — ambos parte do projeto YouthActionNet — a ESPM hospeda uma reunião de sub-cúpulas ex oficio sobre relaçãoes internacionais.

O palestrante principal foi Jospeh Nye do Kennedy School, ex-subsecretaria de Defesa de Clinton, ao lado de um general de divisão, um general geral, e um coronel das forças armadas brasileiras — este último veterano da missão de ONU em Mozambique.

Como símbolo virtual da nova parceria, um blog, naturalmente, montada pela ESPM.

Já tem jogo para o iPhone? Tem!

O evento teria tido, portanto, uma certa importância diplomática, no contexto dos novos laços de cooperação militar entre nossos paises, negociados por seu Ministro Jobim.

Presidindo as solenidades foi Sérgio Wollmann — mais um brasileiro aparentemente obceçado com a Leviatã de Hobbes.

No estado de natureza segundo o anti-Rousseau, a vida é asquerosa, bruta e curta.

Um pouco parecida com a vida de um haitiano, para falar verdade — apesar da pesada importação de democracia por MINUSTAH e o governo Bush.

Angelí: Brazilian Army in Haiti

Carvão e «DARC Matter»: O Imprimatur do Diretório Civitas Dei

Entretanto, a consultoria ESPM Social tem ajudado o Diretório Civita — que nome sinistro — montar seu projeto de premiar várias empresas e diversos eventos, notavelmente o São Paulo Fashion Week, como o selo de … como se traduziria?

Neutro com respeito a emissões de carvão?

O contexto maior da rede de parcerias deste empreendimento socialmente responsável é a rede de BINGOs — «big international NGOs» (grandes ONGs internacionais) no qual está embutida.

Ambos os sócios de Finanças Sustentáveis, por exemplo, são egressos, mais ou menos, da mesma rede.

Victório Matarozzi — um Mazarope paparazzo de Matarazzos? Me desculpe — está no conselho consultativo do Instituto HSBC Solidáriedade — o iHSBC!

Este financia, ou pelo menos financiava — não temos relatório annual da ONG desde 2008 — o ISA, o Instituto Socioambiental.

Esta, segundo o último relatório que temos, recebeu um aporte de US$2 milhões em 2007 da Fundação Woods, melhor conhecida pela contribuição à oceanografia.

Recebeu outro aporte — a montante não consta — do USAID no mesmo ano.

O Sr. Trunkl veio de várias ONGs na rede de RAN, Rainforest Action Network, o conselheiro presidente do qual é mais um empreendedor social do mundo de «venture capital» e o Vale de Silício.

A Worldwatch Institute — autor do relatório annual meio pomposo «O Estado da Planeta» — e presidida por Christopher Flavin, também do New Uses Council e o American Renewable Resources Council. Quer dizer: é lobista atrás várias camadas de camuflagem institucional. Pode ser lobista de bem ou mal, ou além do bem e mal, mas lobista é.

Também é diretor no fundo de «venture capital» social de uma das mais poderosas firmas de advogacia no capital federal — no qual  o ex-vice de Clinto, Al Gore, nosso diretor de Apple,  é sócio agora.

Um detalhe interessante sobre o documento do DARC sobre seu projeto de carvão — o site do qual tem o mesmo «design» que o novo site de Al Gore, aliás.

Imagino que Al Gore trabalharia com Blue State Digital. A estética bate, decerto.

Vou conferir.

Acho que tudo mundo dessa escola de samba usa uma ferramenta de gestão de conteúdo chamado de TypoLight.

Ora, não foi o Tio-Rei que ficou indignado sobre a boataria fr que Blue Street ia consultar pela campanha da candidata do continuismo?

Foi.

Não trata-se de semelhança casual.

O código-fonte de ambos é muito parecido nas suas funções de Javascript — que vem com uma licença de software livre do modelo MIT — assim como são a tipogafia e CSS.

Atrás a bela fachada, o interior do site da IV, no entanto, é uma porcaria.

Em Chrome, um dispositivo de Javascript entra em parafuso, um curto-circúito infinito que pisca como quem sufra de um transtorno neurológico grave.

Em fim.

Onde era que eu estava, e o que estava fazendo?

Ah, sim.

A Cimeira do COMPOLITICAR-EDUINFOTEN

Um sócio fundador da firma Kleiner Perkins é o conselheiro jurídico do NEWS Corporation — Fox News, Wall Street Journal, Sky-TV, MTV e tudo mais — enquanto outro é diretor da poderosa Council on Foreign RelationsForeign Policy Review sendo leitura obrigatória para quem saber da cabeça política de nós gringos.

Anexa, a lista de patronicadores corporativas do CFR — começando com ExxonMobil, Merrill Lynch e Goldman Sachs.

Portanto, eu acho esse evento na ESPM foi estratégica. Alguém noticiou?

Vou ver.

Ministro Jobim com o equipe de ENERI, 14 abril. Fonte: ENERI

Entretanto, estou lendo uma cordilheira andina virtual de relatórios annuais.

Nossos são melhores de longe.

Ah, foi isso que ia comentar.

O relatório sobre a Inciativa (in)Verd(ad?)e do Grupo Abril tem a mesma diagramação e tipografia do que o último relatório financeiro que eu vi do grupo — um balão de ensaio em 2007.

Cadê aquilo?

Será que o grupo está cristão novo nesse evangelho de aquecimento global — apesar da sua aliança com o cujo de ceticismo maoista-sofística e seus milicianos tipo O Diogo Nem Tão Recluso Como Ele Pode Achar — por necessidade?

Está dividindo suas apostas?

Eu gostaria de tomar café com um gestor de risco da empresa um dia para saber o que faz a cabeça dele.

Sinceramente.

Entretanto, esse tal do Partido Pirata.

A promoção dela pela ESPM não ser por puro ocaso.

Bem podia ser muito parecido com a parceria que o CPLabs — Campus Party e World Camp — mantêm com grupos de «hackers».

Eu jantei uma vez com Kevin Mitnick, sabia?

Ele e o pessoal de cibersegurança de várias empresas de cujos nomes o sigilo de fontes não me permite mencionar,

Eu e meu nnvo chefe, egresso de Institutional Investor. Foi uma noite esclacedora — e um pouco assustadora também. Vix.

Ainda tenho a cópia do livro, com autógrafo. Quer que eu tire uma foto?