Definição: O Shopping de Inovação é um Latifúndio de Faça-Clique

Padrão

Voltamos agora (acima) a nosso modelo básico de redes

  1. abertas e fechadas,
  2. hierárquicas e iqualitárias, e
  3. de pessoas ora físicas ora jurídicas

O modelo gera quatro categorias básicas:

  1. O círculo de elites (fechada, hierárquica)
  2. O shopping de inovação (aberta, não-hierárquica)
  3. A comunidade de inovação (aberta, hierárquica)
  4. O consórcio (fechada, não-hierárquica)

Faz sentido que se levamos em conta a terceira dimensão — CPF x CPNJ — teriamos oito modelos básicos, pelos quais teriamos que inventar novos nomes coloridos. Um consórcio de pessoas — eleitores cadastrados do PT, foi o exemplo do que pensei — não é igual a um consórcio de empresas, por exemplo. O Business Software Alliance, digamos.

Hipóteses:

  1. O Shopping de Inovação e um Latífúndio de Faça-Clique («click farm») automatizado, e
  2. O Partido Pirata é seu partido de vanguarda

Corolários

  1. A propaganda clandestina de consórcios de pessoas jurídicas é uma forma de spam
  2. Esse tipo de spam é uma forma de corrupção
  3. O Partido Pirata é mais um lobista covarde-anônimo não-assumido dessa indústria de spam

Perguntas orientadoras:

  1. Como encaixam-se
  2. (a) o samizdat digital anônimo-covarde e
  3. (b) marketing no estilo ©he Cola e a ®evolução ®eagan?
  4. E a lojinha do PT? Como classificá-la?
  5. Quem é o Partido Pirata?

Explico.

Depois. Quero café

Quanto a aliança Carliso2.0-PP², tenho robôs cuidando do recolhimento de dados ciberambientais.

( … progressando no sentido de ordem dentro do meu cocoruto … )

Pirate Party é um Avatar de Campus Party

Campus Party tem uma consultoria, CPLabs, se dizendo a ponte entre o empresariado e o submundo de hackerlândia.

Tem várias semelhanças entre os ecosistemas submundo-empresariado dos dois «parties» — inglês «festa», com direito ao trocadilho, «partido».

(detalhes)

Jorge Roriz: O Bloco de Eu Sozinho do Homem no Meio

Em um primeiro momento, Jorge Roriz fornece um elo em común entre as várias «ecosistemas digitais » em jogo na câmara de eco do Instituto Millenium

Ele é, por exemplo, o responsável pela rede Blogs Pela Democracia — várias integrantes em común com a lista de blogs em apoio do IMIL — e autor de blog próprio no WordPress.

Um indício que levanta suspeito imediato de termos aqui mais um Diogo Chiuso, miliciano-Contra de propaganda clandestina do Cato Institute, é a manchete gritante:

SERÁ O AQUECIMENTO GLOBAL UMA FARSA?

O Cato é seu parceiro-laranja Atlas são os principais promotores de ceticísmo sobre mudança climática no mundo, eu apostaria. Especializam na montagem de MOSCOUs — «mídias orquestradas pela sociedade civil de oligopólios unidos» — para dominar todos os canais em todos os meios.

A repetição ad nauseam do meme «farsa» e «propaganda» em toda que é lingua humana apoiada pela Wikipédia — minha identidade ficticiosa no Blogger, Olavo Foster Dulles de Carvalho, se diz criado com a língua wolof — é o shibboleth do catoniense.

Quando rolou o congresso da ONU sobre desenvolvimento sustentável em 2002, Atlas escreveu para Bush Filho aconselhando ele a boicotear o evento. Bush não assistiu.

Fonte: ExxonSecrets.org (Greenpeace).

Jorge Roriz é um bloco de eu sozinho e um multiplicador de mentiras.

Factóide repercutido aqui: uma pesquisa contratada do Instituo Análise pelo Instituto Millenium mostrou que o nível de aprovação do governo entre jornalistas em geral é bem menor do que entre a população geral.

Nas mãos de Roriz, porém, o fato de só 8% da classe estar chamando o exercíto às ruas para purificar a nação vira a aprovação de 92% da classe. Como num passe de mágica.

Neste sentido, Roriz — se bem que isso seja seu nome — apoia o mito central común à Mídia Sem Máscara e suas comparsas do neoconservador AIM: O jornalista tem um viés esquerdista natural que precisa da mão de ferro em luva de pelúcia de um Ali Kamel.

Exemplo hoje: O Reinaldo Azevdo dos EUA, Glenn Beck — aquele radialista chamando cristãos a deixarem igrejas apregoando justiça social por isso ser, segundo ele, um sintoma e uma faceta de nazismo — em uma guinada repentina à esquerda!

A suposta guinada esquerdista consiste no convite dado a um porta-voz do Cato Institute — identificado como um lobby da esquerda — para ser entrevistado na programa dele.

Eu, hein?

Resumindo: Jorge Roriz é um capataz de um latifúndio midiático produtor de adubo natural em escala industrial.

O Que Tem de Lobby Transnacional

Meu tempo sendo curto, eu vou resumir minhas observações e palpitese deixar a explicação detalhada para outro dia.

Multinacionais de TI, entretenimento, e educação visam a convergência de marcos regulatórios nacionais no sentido de um padrão internacional que os deixará com livre acesso aos mercados emergentes.

O model PROMEDIA foi desenvolvido pela USAID para facilitar este fim. Veja

O modelo fornece a ONGs locais — laranjas de mídias dominantes — uma visão do padrão desejado na forma de um base de dados mantido pela IREX.

Também fornece um mecanismo de moblização e amplificação de mensagens desproporcional ao verdadeiro estado de opinião pública para pressionar parlamentos e tribunais a aderirem as doutrinas pretendidas.

Vemos a mesma coisa acontendo no Partido Pirata.

O que eu enxergo nesse cenário é o mesmo complexo de

  1. Empresas donas de tecnologias proprietárias ou semi-proprietárias  — Macromedia, Microsoft-XML, Sun-Java
  2. Centros de inovação acadêmicos promovendo essas tecnologias — Harvard, ESMP, FGV
  3. A fiscalização de perto do legislativo e judiciário estadounidense em relação a política públicas alvejadas por esse lobby.
  4. Grandes mídias promovendo as mesma tecnologias com reportajagandas na base de jabá — o onipresente iTudo nos jornais de clientes de Innovation International
  5. O uso de redes sociais para divulgar opiniões e informações favoráveis à reforma legislativa e jurídica alvejada em todos os canais disponiveis, simultâneamente
  6. O uso de samizdat — propaganda clandestina divulgada por redes de redes de blocos de redes de eu sozinho — para lavar a cara, amplificar e multiplicar mensagens provindo de fontes interesseiras, escondendo sua verdadeira autoria e promovendo a impressão falsa de consenso

©he Cola e a ®evolução ®eagan

Outro componente em común é demográfica por natureza e visa a mobilização de juventudes com o apelo emocional ao desejo de mudar o mundo.

Al Gore está mudando o mundo, por exemplo, com seu Macbook — do fabricante da qual ele é diretor.

Assim como o Jornalismo 1.0 seria ultrapassado, a informação — reza o mito não pode mais ser consumido com inteligência sem os «aparelhos mágicos» da nova tecnologia.

Assim, só comprando um iPad de R$2.000 você poderá ler esse texto.

(Se falta eletricidade na sua zona, é só dizer.

Eu imprimo e manda o texto pelo correio.

Se for necessário — quando rolam panes de Eletropaulo aqui no bairro, me sinto de volta às Idades Médias — eu copio o texto em pergaminho com pena de ganso e envio com uns boiadeiros amigos daqui na pousada de Sancho Panza.)

O Shopping de Inovação é um Latifúndio de Democracia Faça-Clique — um curral eleitoral onde a manada é tocada por meio de agitprop incoerente mas constante.

Do ponto de vista dessas empresas, não importa se o produto seja ©he Cola ou a ®evolução ®eagan.

A agitação e confusão são fins lucrativos em si.

Mas em um país que tem a taxa de analfabetismo funcional que Brasil tem, é um absurdo dar-lhe a algúem um aparelho com teclado para ajudá-lo aprender a ler e escrever.

Brazil é um  país com um mercado editorial tão cartelizado que Livros 1.0 aindam custam uma fortuna relativo à renda mediana do brasileiro no centro do curvo de sino. A proposta é um disparate quixotesco total.

Um dia eu conto para vocês o debacle do projeto Enciclomédia e seu base de dados cental de informações civilizatórias, a Megabiblioteca  — mais um benesse e benfeitoria de Bill Gates  — em México.

É uma história cabeluda, mas talvez meu episódio preferido foi a usina clandestina de Tijuana convertindo as máquinas em caça-níqueis.

É uma história que chegou a ser contada graças tão-somente à corajosa Imprensa 1.0 Investigativa de México — a I1II.

São os jornalistas com o maior risco de serem executados por agentes do poder no mundo, fora os russos.

Anotações da mesma época, resumidas para inglês ver.

As bugigangas chegaram a ser distribuídas a professores da rede pública em lugares sem matriz de energia elétrica, sem treinamento, sem conteúdo adequado, sem tradução completa para espanhol, e sem apoio técnico para lidar com a ínfame «tela azul da morte» se bem que o profissional conseguisseplogar e  inicializar o trêm:

Na mesma época que estourou o escândalo até nas páginas dos grandes jornais mexicanos, a BBC ainda estava divulgando  «puff» — «reportajagandas» — produzidos pelo governo mexicano e seu parceiro, Microsoft.

Foi um Vilarejo Potemkin total.

Houve satélites dedicados ao projeto — empreiteiras de TI do Pentágono receberam a grana toda antes de começar, assumindo risco zero —  emitindo sinais no sentido de aparelhos sem fonte de energia.

Em certa altura do campeonato, o governo do estado de Puebla teve que divulgar o seguinte aviso:

La Secretaría de Educación Pública advirtió a los directivos de todas las escuelas de la entidad a no dejarse sorprender sobre la presunta donación de equipos Enciclomedia por parte de la Universidad de Harvard de los Estados Unidos; la dependencia desconoce cualquier donación de equipos e informa que todo proceso en el que se tenga que depositar recursos para obtener dichos equipos es un fraude.

Triste dia para Harvard, tendo seu bom nome utilizado para moralizar um golpe tão cru.

O que lhes faltam a vocês Índios Tupi são recursos humanos recebendo salários dignos para poderem dedicar-se à ùnica solução eficiente que o problema tem, apesar de qualquer expectativa ilusória e apocalíptica.

Isto é: um corpo docente dedicando toda uma vida à formação de seres humanos socializados, autosuficientes e dotados com a capacidade crítica necessária para construir seu próprio futuro.

Pós-Desabafo

Saí pela tangente lá.

Por final, eu simplesmente direi que na medida de que o marketing de ©he Cola e a ®evolução ®eagan não passa da máscara «livre», «alternativa» e «militante» de enormes complexos de mídia cartelizados, seria justo chamar o «shopping de inovação» tocado por eles de «o latifúndio de faça-clique».

Uma «fazenda de faça-clique» é aquele negócio de marketing do Terceiro Mundo onde pessoas são pagas para gerar trâfego fictício em sites, aumentando a renda do site de anúncios. É ágio puro e simples: Você pago menos ao internauta que você ganha.

Eis a interface dessa urna eletrônica de livres escolhas, onde escolhas de mercado e escolhas políticas são anivelados ao denominador mais baixo:

Reduz o engajamento político ao «clicktivism», ou «militância de faça-clique», como se fosse nada mais ou nada menos que a mesma coisa como a escolha de uma marca de refrigerante.

Mas se eu bebo Coke ou Pepsi, tanto faz, né?

Já tive várias Volkwagens e várias Chevrolets.

Ambos foram bons carros.

Tenho uma máquina AMD e outra Intel. Não percebo a diferença que realmente importa a mim.

Ao lado do aumento de impostos que sofri pessoalmente por causa da eleição de Bush — e sua aprovação de Kassabinho, ô eleitor Índio Tupi — estas escolhas não têm tidas o mínima efeito sobre minha vida como homo economicus.

Portanto, eu acho que o efeito líquido desta moblização de «movimentos de juventude», orquestrada por mercadologistas de grifes multinacionais, tem, de fato, o efeito contrário: a desmoblizição de pessoas, que gastam seu tempo em blogs e Twitter discutindo com agentes provocadores virtuais em vez de conversar com seres humanos reais.

Poxa, acho que vou passeiar o cachorro!!

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