Reportajabaganda Pura: A Lenda do iPhone Perdido

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Estão surgindo os anti-segredos, que existem para serem revelados, e não guardados realmente. A internet se tornou a praça para todos contarem esses anti-segredos.

Fonte: NewronioESPM.

Repercutida hoje na mídia brasileira é uma história cabeluda de como Gizmodo — do empresário Nick Denton, ex-Financial Times — encontrou, por puro ocaso, o novo modelo do iPhone, disfarçado de um modelo antigo e perdido por um engenheiro da empresa em um bar em Palo Alto.

Repercutindo estão os suspeitos de sempre: Globo, Veja, RBS (leia-se Globo) — a diretoria superior de circulação do IVC, de fato. É o resultado mais destacado de uma busca em Google Notícias agora.

Se isso não fosse o suficiente, eu também não acredito nesse conto de fadas porque que o sucursal brasileiro de Gizmodo confessa ser uma agência de propaganda.

O Gizmodo é o nosso primeiro produto. Mas a Spicy Media desenvolve projetos ad hoc para clientes e agências de publicidade. Nosso negócio é colocar excelência editorial e administração de relacionamento com consumidores a serviço de nossos parceiros.

A excelência editorial não inclui a identificação de fontes e patrocínios clandestinos. A reportagem do G1/Globo tem como fonte, então, uma agência especializada em propaganda clandestina travestiada de jornalismo.

Patrocínio assumido:

  1. Trendy House (Pepsi)
  2. Philips («Cansei»)
  3. Sony Ericsson

Quem cuidam da franquia Gizmodo no Brasil são Adriano Silva, ex-Abril e ex-Globo, e Andre Chaves, que acumula a chefia de agência FI Net — a qual você precisa gastar energia considerável antes de identificar.

Entes os comentaristas que mais comentam, um bando de covardes anônimos nos moldes de «iMojo», este com quase 4.500 comentários.

Gawker: A Mãe de Mentiras

Conheço Gawker Media, a empresa de Denton, de longa data.

Foi um pioneiro da propa(jaba)ganda guerrilha clandestina em Nova York durante a Bolha da Internet, ADDCNCD — antes do dia cujo nome custa dizer.

Até cheguei a ter uma reunião com ele na companhia de um colega — hoje de Nokia — querendo fazer uma proposta de negócios ao inglês, logo antes dos atentados do 11 de setembro — o DCNCD.

O modelo de negócios do grupo GawkerMedia é pura «reportajabaganda» e sempre era.

Tal como Consultor Jurídico, acumula os papeis de agência publicitária e redação jornalistica — prática que a empresa chama de «inovação» e comentou abertamente conosco na época.

Gawker, por exemplo, tem um canal de Twitter só de Steve Jobs, incentivando pessoas que vislumbram o presidente de Apple Computers a alimentarem o rastreamento «jornalismo-cidadão» ao vivo de seus movimentos, como se fosse Gwyeth Paltrow.

Não somente é o furo um cadeia de coincidências a mais — porque você iria fazer uma engenharia analítica de um celular achado num bar? como é que hackers divulgaram um desbloqueio com tamanha rapidez? — mas o mesmo Denton está contando histórias incoerentes sobre o suposto furo de reportagem à revista ComputerWorld.

Gizmodo, which posted photos today of what it said was the next-generation iPhone, paid $5,000 for access to the smartphone, said Nick Denton, head of Gawker Media, which publishes the blog.

Gizmodo, que postou photos hoje do que ela afirma ser o novo iPhone, pagou $5.000 para ter acesso ao aparelho móvel, disse Denton, editor do grupo que edita o blog.

In an e-mail reply to questions, Denton said “$5k” when asked how much Gawker paid for access to the purported iPhone. Earlier today, Denton had tweeted, “Does Gizmodo pay for exclusives? Too right!”

Em um e-mail respondendo nossa perguntas, Denton respondeu «$5 mil» à pergunta sobre quanto pagou por ter acesso ao aparelho. No Twitter hoje, Denton tinha escrito, «Gizmodo paga por furos? Podes crer!»

Denton repeated what his Gizmodo reporter, Jason Chen, had said in his story, that the disguised iPhone had been found in a Redwood City, Calif. bar by the person or persons whom Gawker paid. “[It is] our understanding that the phone was lost,” he said.

Denton repetiu o que repórter Jason Chen disse na sua reportagem, que o iPhone disfarçado foi encontrado num bar em Redwood City por uma pessoa ou pessoas que Gawker pagou. «Que saibamos, o aparelho foi perdido,» disse Denton.

Acompanhando a reportagem, uma carta de um advogado da empresa, dando aval ao posse do aparelho mas não às afirmações de como a editora chegou a ter posse dele.

Não duvido que Denton pode produzir o cheque. Mas cê acha que não haveria outra cheque também, de Apple Computers para GawkerMedia?

Lição de casa: quem dedica um volume de cobertura esmagadora a uma empresa com 8% do mercado e acumula o papel de agência de propaganda não merece confiança.

Outro exemplo: O site LANeros, uma entrada antiga na minha lista de blogs que acompanho — que não mantenho atualizado, como muitos blogueiros — mudou de donos no entretanto, aparentemente.

Antigamente foi um foro de donos e gerentes de LAN house, muitos na informalidade.

Hoje é um site cadastrado com GoDaddy — política de privacidade mais abrangente do mercado — e sem reposta à pergunta WHOIS.

LANeros está repercutindo o vídeo viral de YouTube da reportagem de Gizmodo hoje.

Está cheia de reportagens sobre eventos no modelo Campus Party, com patrocínio do mesmo.

Virou um vetor viral de «reportajabaganda».

Está saindo da minha lista.

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