«Transparência Radical»: A Volta do Flagelo de Anônimos Covardes

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Recentemente o presidente de México, Felipe Calderón, decretou o cadastro de todo aparelho móvel no país pelo dono. O objetivo foi impedir o uso da rede celular pelo narcotráfico.

Quem não conseguisse comprovar a sua identidade teria sua conta bloqueada. Chegou o dia e 26 milhões de usuários não tinham cadastrados seu celular.

Isso aí é uma violação do direito ao sigilo de comunicações privadas dos piores  — coisa que gringo não aguento quand apareceu que Verizon, AT&T e outros estavam colaborando com a NSA — mas não deu muito nos jornais.

Que eu sou bajulador sem vergonha da minha sogra ou brigo com minha mulher sem jamais ter razão não é da sua conta, nem as piadas obscenas que eu conto a minha colega e amiga virtual a Seréia Enigmática.

Em 2006, a empreiteira ChoicePoint subornou funcionários do governo mexicano para entregar o base de dados eleitoral do país vizinho, com informaçãoes sobre 65 milhões de eleitores, à policia federal estadounidense. Os funcionários foram condenados por traíção — e levaram multas.

Isso aí foi uma violação estupidifiante do direito ao sigilo do voto.

Depois, um interface a esse base de dados foi mostrado ao vivo no CNN Español — hospedado por um site com o logotipo do partido politico PAN e montado pela mesma empresa responsável pela divulgação de resultados da eleição.

Deu no CNN Español, ao vivo, em máquinas da emissora. Carmen Aristegui: a anti-Leitão. Foi demitida depois pela rádio onde trabalhava por ter incomodada o governo demais.

Agora: o famoso por 15 minutos Wikiscanner quebrou o sigilo de covardes anônimos na Wikipedia, cruzando dados de duas fontes de informações, uma delas um base de dados utilizado para campanhas de spam e disponível para $1,000.

Isso aí foi uma violação do direito ao sigilo?

Tem quem argumentam que sim. São idiotas.

(Estou psicografando a fantasma irrequieta do fictício Dr. House.)

Quando eu entro na praça pública com megafone e digo que o mundo resta nas costas de uma tartaruga ou que o Holocausto nunca aconteceu, as pessoas tem o direito de me cobrar. Gritando pela megafone é um convite implícito para comentar, ainda que o comentário seja «chega com a cantoria de pamonha, pamonha, pamonha!»

O projeto, que se diz pronto para voltar com uma versão 2.0, é prova contundente que a juventude é mais inteligente do que nós velhotes.

O autor teve 25 anos quando criou a coisa entre seminários em física quântica, como parte de uma campanha de fazer seu nome, Virgil, o primeiro resultado pelo nome no Google.

Lá começou sua aprendizagem no submundo de litígios estilo SLAPP — «strategic lawsuits against public participation», ou litígio estratégico de má-fê contra a participação pública.

Ora, o que descobriu o robô de nosso doutorando de CalTech?

A revista Wired ainda mantem a página com alguns resultados obtidos por seus jornalistas.

Alguém acessando a Wikipédia dentro do Departamento de Justiça norteamericano mudou a referência a uma crítica feito contra George W. Bush por Hugo Chávez, apagando o parágrafo e acrescentando o adjetivo «o ditador» ante o nome do boliviariano bocudo.

Alguém acessando a Wikipédia desde APPLE.COM vandalizou a entrada sobre a plataforma JAVA de Sun Microsystems.

Para ser justo, o perfil de SUN incluía frases de marketing — «programe uma única vez, roda em qualquer plataforma». Os vândalos acrescentam a paródia dessa lema  — «programe uma única vez, debug em todo lugar». A verdade, como de praxe, está no meio. A lingua de programação é bacana, so que as programas não rodam bem em certas plataformas. Eu consigo usar programas entre os muitos de grande utilidade na minha plataforma, mais às vezes vira um bandeirante do CPU, monopolizando memoria dinámica.

A Historia de um Plagiador

Alguém acessando a Wikipédia de certo  jornal tirou informação do perfil de um repórter de alto perfil — que tinha assumido que publicou um artigo não de sua autoria sob seu próprio nome.

Lembra o caso do repórte de TV Globo Rio, Xavier Messias ou Messias Xavier, preso por ter espionado a polícia para bicheiros. No dia seguinte, toda referência ao repórter sumiu dos servidores de Globo.

«APPLE.COM.PWNED.BY.M1CROSOFT.COM»

E o exemplo clássico: Alguém acessando a matéria sobre «copyleft» desde MICROSFT.COM tira os argumentos em favor e substitui um argumento muito mais extenso contra:

De Volta às Trevas

É muito fácil evitar sendo flagrado assim, porém.

Muitos redatores do site hoje em dia fazem revisões por robô de IRC, por exemplo.

Mais para todos nós, é só fazer o serviço sujo de casa, onde o IP registrado por Wikipédia será aquele de qualquer usuário de, digamos, Net Virtua, sendo que a maiora de conexões são de IP dinámico, que nem aqui em casa.

O rotador — 192.168.0.1 — pega um endereço diferente cada vez que faz a conexão.

Portanto, o projeto 1.0 ficou mais para uma obra de arte conceitual do que um Grande Irmão eficiente.

Ainda assim, vale a pena lembrar este raio-X, porque a prática continua a todo vapor.

Prometido para Wikiscanner 2.0, ainda nesse ano, é um projeto de investigação coletiva de propaganda clandestina.

Recomenda a ferramenta GATE — programado en JAVA, é claro, e ainda sem «port» para Python, Perl ou Ruby — que eu tenho e estou tentando aprender a usar.

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