Interactive Advertising Bureau: Retrato do Zaibatsu

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Acima: A rede após três comprimidos de Viagra.

Um dos mais poderosos lobbies nos EUA é o Interactive Advertising Bureau.

Tem surcursal brasileiro, o IAB Brasil — hospedado por uma modesta comunidade de Ning.

O IAB é um zaibatsu:

… conglomerados nipônicos, ditos zaibatsus, tidos como estratégicos ao desenvolvimento, tais como bancos, exploração mineral, indústria bélica, têxteis e comércio exterior. Entretanto, ao contrário dos conhecidos atritos entre empresas macro-econômicas e o governo que ocorreram nos Estados Unidos, especialmente entre os anos de 1880 e 1920, houve uma integração quase que total entre os zaibatsus (cliques financeiras) e o governo imperial em Tóquio.

Como exemplo do grau de cartelização dentro de um lobby que se diz ter 85% do mercado de propaganda, tomemos os caso de Simulmedia, representado no conselho executivo da organização em rede.

Na verdade, Simulmedia foi vendido a Real Networks — distribuição sofisticada de conteúdo em rede — e AOL-TimeWarner, para depois virar parte na mega-agência WPP quando este adquiriu Real de AOLTW..

Em Tempo: A Rede Global de WPP

Fiz um análise preliminar da lista de empresas da propriedade da rede WWP, divididas por enquanto por geografia.

Houve algumas surpresas.

Que um projeto da FSA — a CVM dos ingleses — é de fato um projeto da WPP, por exemplo.

Não deverira surprender, talvez, uma vez que o fiscal dos mercados de capital é de economia mista, e muitas vezes tida como exemplar das virtudes desse modelo. Já aprendi muito acompanhando o site dela — assim como o da SEC, embora EDGAR continua um pesadelo de «design» mambembe.

Outrossim que a agência Fitch Ratings seria da empresa, tal como MarketData.com.br. Estou tentando me lembrar. Houve uma venda de Fitch para outra parte …

Quando a MarketData, já vem tarde, suponho, uma vez que a venda de dados é uma das maiores fontes de renda de uma bolsa de valores como a BOVESPA-BM&P — este com participação crescente do grupo Chicago Mercantile Exchange. Me lembro do diretor-executivo da bolsa de valores de Nova York — egresso de Goldman Sachs — dizendo isso: «uma bolsa de valores hoje em dia é uma empresa de mídia». Em 2003, 2004, no congresso mundial de bolsas. Grande congresso, fascinante.

(Eu cheguei a entrevistar o diretor-executivo da CME uma vez, sobre latifúndios de servidores rodando Red Hat e nerdices como isso. Foi na época da «corrida dos nanosegundos», no sentido de minimizar latência de informaçãoes — o tempo preciso para transmitir dados de lá pra cá — pelo benefício de operaçãoes de mercado algoritmica-robóticas.

Tudo o qual realmente é minha praia. Me leva a um central de dados com engenheiros monitoreando fluxos de dados amazônicos e eu fico sinceramente empolgado. Nunca consegui a visita que pretendi às facilidades de SWIFT, por exemplo. Poxa, eu teria gostado tanto.)

Mais um exemplo: Enfatico.com, com sucursal em São Paulo

Avenida Naçőes Unidas, 14.171
4° andar – Torre B
Morumbi – Săo Paulo, 04578-000
Brasil

Acho que o CEP está errado.

A agência naquele endereço ecoa o tema daquele livro de Ali Kamel, Não Somos Racistas — aqui resenhado por Rodrigo Constantino, conselheiro fiscal do Instituto Millenium e filósofo do Objetivismo.

… a elegância do preto e luz do preto, a união das raças, as culturas, os cores …

Ali Kamel, reacionário assumido.

O preto tem estilo mais o branco tem esclarecimento.

Poxa.

Vocês brasileiros são os piores racistas que conheci desde meus dias de faculdade.

Na época, o presidente do Conselho Estudantil — corpo sem poder e militância entre nós — foi um surfista loiro bonito por caralho de Africa do Sul.

Por meio de um intercâmbio estudantil, eu cheguei a compartilhar um suite com um militante do ANC, cuja missão específica foi encarar o surfista e conseguir um uma resolução chamando a faculdade a boicotear o regime de apartheid. Consegui. Eu assisti o discurso dele na sessão aberta, como editor-chefe do jornal do consórcio Claremont.

Coisa mais comovente impossível.

Nunca me esqueçarei disso. Fred Popo.

Cara esquisitíssimo, totalmente viciado em velhos bolachinhos 45 rpm de Motown. Cara, gosto de Marvin Gaye, mas 13 vezes em seguida?

Elementos da MOSCOU

Em geral, eu destaco no mapa mostrado acima o modelo básico de propaganda em rede, a MOSCOU:

  1. Geradora de mensagens e memes (agências do primeiro nível, longe da execução da campanha em rede)
  2. Amplificadora e multiplicadora de mensagens («entrismo» de «gente que nem a gente» dentro dos «latifúndios de faça-clique», aqui Twitter, NewsGator, Facebook e YouTube)
  3. Repercussão de mensagens e memes como «tendências sociais atuais» fabricadas (mídias tradicionais, aqui a rede CBS)

De Volta à Ecologia Digital do IAB

A Simulmedia especializa na promoção de redes abertas de televisão — ABC (Disney), NBC (NBC-Universal/GE) e CBS (National Amusements). Quer dizer, a Santa Trindade dos EUA.

A segunda especialização dela é montando as operações digitais das mesmas.

A terceira é a promoção das MSOs — «multichannel system operators» ou operadores de sistemas multicanal.

Leia-se TV por assinatura com conteúdo sindicado.

Tipo NET ou TVA — para tomar um exemplo completamente aleatório, emergente, e auto-organizador.

Simulmedia é portanto um poderoso agente de convergência digital global, e além disso forma parte de um complexo que conta com 33 firmas de lobby (acima).

Entre os 33, Cohn & Wolfe, que teve que pedir desculpas alguns anos atrás por uma campanha feita por meio de um blogueiro fictício.

Me lembro bem do caso.

O público estava puto de vida, ou assim rezavam as manchetes. Eu achava bem grosseiro.

C&W representa Coca-Cola, Seagram’s, Hewlett-Packard, Merck, Novartis, Pfizer, Sony, e Intel, entre outros. clientes.

Outro exemplo é o bom e velho Ogilvy, que já montava campanhas promovendo ceticismo espúrio sobre os riscos de tabagismo, segundo SourceWatch.org.

Muitos dessas firmas são hospedadas embaixo da guarda-chuva de Young & Rubicam, aliás.

Tem mais. Pretendo fazer um censo dos 33, dia desses.

Último exemplo: o Geppetto Group, nome redolente do clássico de Disney no qual um personagem virtual, que não pode mentir, vira um moleque de verdade — que pode.

Como se fosse mágica! Só Freud explica, né?

Resumindo:

  1. Dois enormes zaibatsus de entretenimento,
  2. dois enormes zaibatsus de TI,
  3. os tres maiores zaibatsus de televisão,
  4. a editora que publica as revistas Wired, Vogue, e tantas outras, e
  5. um dos maiores grupos de pesquisas, propaganda e editorial do setor de TI — edita CIO (UOL), por exemplo —

… controlam 85% do mercado de propaganda interativa convergente, segundo o IAB.

Cadê o CADE de lá, a FTC?

O presidente da FTC agora já era lobista da MPAA, entidade de classe de produtores de cinema.

Três das quatro manchetes de hoje na Wired (acima):

  1. A lenda do iPhone perdido, de novo
  2. Google x governos
  3. Bill Gates promove pesquisas sobre energia

Acha que seja pura coincidência? Eu não.

Acho que vislumbrei a empresa atrás a quarta manchete — Valve Software, inventor da plataforma Steam para jogos digitais — em outro canto da rede.

Trata-se, repito, de uma Mídia Orquestrada pela Sociedade Civil de Oligopólios Unidos.

Uma MOSCOU, se me permitem a inovação.

Leia o relatório de 2009 do grupo IAB, com comentário do diretor-executive Randall Rothenberg — um gênio de verdade, aliás, de grande honestidade intelectual e com um dos blogs mais bem-pensados que eu conheço sobre a propaganda e a convergência digital.

Hoje no blog: a ameaça representada pelo iPad à indústria de propaganda.

IAB: Implantando Agentes no Brasil

A tropicalização do IAB começa com a ligação com IDG e seu sucursal ou franquia Sambodiano, o IDG Now! (UOL).

De propósito, eu anoto aqui que o diretor-executivo e sócio fundador de Ning — que hospeda tanto a comunidade de Nassif quanto várias agências de propaganda virtuais, como , se formou na minha faculdade, Pomona College, da qual é diretor.

A faculdade foi premiada pela maior experiência de educação presencial do Páis e maior retorno sobre o investimento do estudante no ano passado. Tenho orgulho de ser um Sagehen — Centrocercus urophasianus.

.

Agora, o mercado de conteúdo no Brasil é uma oligopsonia — um mercado com poucos compradores. Os mídias que constam na «ecologia digital» da IAB Brasil são os grandes portais, agregando conteúdo de jornais, TVs e radios.

Eu ponho Meio&Mensagem provisoriamente sob a cabeçada ABRIL porque a Veja é «patrocinador master» da revista, assim como é o R7, da Record.

Os portais encaizam-se perfeitamente no modelo de Simulmedia — são redes divulgando o conteúdo multimídia de MSOs e redes abertas com operações editoriais e digitais também.

Também anotamos a parceria Folha-Abril — UOL-MTV — tal como os sucursais locais de MacWorld e IDG.

Provisoriamente categorizadas sob EMPRESAS nos resultados de uma travessa da «ecologia digital» do IAB-Brasil por Trystero, meu robô:

Presta atençaõ naquele azul pastel meio apurpurado.

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Quanto ao assunto de maior interesse aqui, as agências, dá para ver que estou ainda no processo de categorizá-las por modo de atuação, mas eis uma diagramação prelimar.

Para identificar agências estratégicas nesse esquema, eu optei pelos critérios

  1. Destaque aos diretrizes da IAB-Brasil
  2. Entrecruzamento com firmas da rede WPP

Vemos, por exemplo, que o comitê de agências é ocupado por F.BIZ — a agência digital nos servidores do qual fica hospedada a campanha MOBILIZAPSDB.ORG.BR — nosso exemplo-mor da «shopping de inovação» ou «latifúndio de faça-clique».

O presidente e o diretor-executivo da IAB-Brasil são do Grupo Talent e Agência Click, respectivamente.

Ari se diz acumular o papel de coordenador de parcerias do UOL, o que deve ser vantajoso para os clientes da agência ao qual ele se diz consultor.

A Click toma conta dos comitês de Brasilia e Marketing, enquanto RBS toma conta da Região Sul, levantando a ira do pessoal de Zero Fora.

Na defesa do jornal, tem o grande Moacyr Scliar como colunista sindicado, e demitiu Olavo de Carvalho, pelo menos.

UOL, por meio do seu coordenador de parcerias, toma conta de conteúdo.

Google toma conta de marketing de motores de pesquisa.

Microsoft toma conta de veículos.

Sim: Microsoft toma conta de veículos.

Da atuação desta última comitê eu gostaria saber mais.

Lembremos-nos de que Microsoft, segundo CIMA — agência do NED, do governo federal — «mudou a paradigma» na área de formação de novos jornalistas internacionais em anos recentes. Veja

A raposa «filantropreendedora social» virou benefator das galinhas, não lhes parece também?

Em tempo: omiti os nomes dos diretores do meu mapa, assumindo que pessoas fisícas neste contexto se comportarão como assalariados de pessoas jurídicas. Por mais que eles gostariam levar você a acreditar no contrário.

Também foi por pura preguiça.

Agora, quanto ao entrecruzamento de diretrizes e enlaços institucionais com agências da rede WPP — eminência parda de nosso lobby digital — podemos observar num primeiro momento que a Wunderman, com a comitê de métricas, forma parte dessa rede.

Wunderman diz ter rede própria de 15 subsidiárias com 120 gabinetes em 50 países.

Assim, é mais um rede dentro da rede representada na rede do IAB.

Esta é a natureza do «networked organization» hoje em dia — uma organização difusa e nebulosa, com atuação dita emergente e espontânea, ainda que algumas lideranças são representadas em cada célula da pirámide, num processo recursivo.

Mandelbrot explica.

A estrutura se reproduz em cada nível de organização, com cada vez mais capilaridade, ad infinitessimam.

Contagia até os neurônios no seu duro cocoruto.

Tarefas de Casa

  1. Pesquisa de doações políticas e campanhas de lobby do IAB. Fontes: OpenSecrets.org, IAB Relátorio Annual 2009 (PDF, inglês)
  2. Perfil internacional dos 33 da WPP (OpenSecrets.org)
  3. Identificação de pontos de contato entre a rede WPP e a rede IAB-Brasil (cruzamento de dados)

A rede Rapp, por exemplo, destaca seu «serviço sem fronteiras» — eco da lema de EF Education First, «derrubando barreiras»,  assim como o título do livro mais conhecido de Mangabeira Unger de Harvard: «Pragmatismo Sem Limites».

Ora, eu sou estudante dos filósofos de Harvard — alma mater, mais o menos, de Bill Gates e ou moleque de Facebook, este quase expulso por violaçãoes de privacidade e propriedade intelectual — desde o Unitarianismo ao C.S.  Peirce, desde Dewey & James ao Nozick e Mangabeira Unger.

Para mim, pragmatismo sem limites é como neoconservadorismo.

Não tem nada de pragmático nem de conservador.

Agora, dados gerais e alguns dados setoriais. Pode pular se tiver bode de infográficas. Eu as adoro. Já ganhei a vida fazendo.

O que falta, porém, nessas estatísticas, e o fenômeno de convergência entre propaganda, mídia, computadores, telecom, e advogacia ideológica — as sinergias estilo Faith Popcorn que visam, por exemplo, identificar o meme «liberdade econômica» com certas marcas de produtos.

Apple Computers sendo o exemplo mais expressivo.

Eu quase que contribui ao site UnderLinux.

Mais o que tem OS X a ver com Linux, além do fato de ambos descerem da família POSIX?

Assinei os «updates» diários do site, mais sempre chegam vazios de qualquer conteúdo «gerado pelo usuário».

Eu, hein? Mais molecagens do Partido Pirata, eu apostaria — uma fazenda de faça-clique e fachada de Apple.

Como já disse, tenho bom amigo programador de OS X que sempre faz esse marketing comigo quando anoto algum defeito com Ubuntu, por exemplo: «compre um Mac!» E chato, essa conversa. Comecei a evitar o assunto, ficando na esposa gostosona que um careca feioso como ele conseguiu e as tribulações de enteadas gostonas loironas adolescentes. Assunto suficiente por uma épica omérica.

Eu compraria, aliás — é os sonho de consumo da minha mulher — mas são caros por caralha, e não tem edição Terceiro Mundo que seria mais em conta.

Por isso, meu próximo «box» será um, sei lá, Huawei ou YungGeiGai-Tabajara com componentes Paraguayos, rodando Debian ou Gentoo.

Tenho várias máquinas ultrapassadas aqui também — ainda tenho arquivos de tirar do disco da minha torradeira Mac modelo 1984! — com as quais eu sonho um dia fazer um «cluster» utilizando Samba.

Dados Para Futura Referência pelo Índio Tupi

Vou concluir com alguns dados crus.

Note-se que em questões de convergência, trata-se de um lobby coordenado de vários setores, com bastante entrecruzamento. Não chega a ser a soma das doações dessas indústrias — e outras, como investidores de empreendimento e private equity — mas tem sinergias expressivas.

Note-se também que a categoria «ideologia» é de longe o setor mais generoso, alcançando quase $300 milhões no anno mirabilis de 2008.

Aqui também temos que ficar de olho para a convergência de interesses dentro de uma fábrica memeológica estilo — sei lá, digamos, por puro ocaso — «Mac=Liberdade».

É o método Faith Popcorn.

Não é brincadeira não.

A mulher chama-se «Fê Pipoca» e divulga vários casos em bastante detalhe.

Note-se também, sob a cabeçada de «heavy hitters» (pesos-pesados): O JUSTICE.ORG, uma nova marca registrada do bom e velho lobby de advogados de querelantes (?) em casos de abusos corporativos alegados. Tem sucursal no Brasil — no Facebook.

Só tem 4 fãs até agora, nenhum deles tupiniquins.

Pena. É um lobby que podia até ser útil ao consumidor antropófago.

Dos outros doadores peso-pesados entre os lobistas:

  1. Patton Boggs LLC representa Arabia Saudita, Kuwait, Angola, Wal-Mart, e o Open Society Insitute de George Soros, entre outros
  2. Akin, Gump et al. representa Arábia Saudita, a República de Georgia, o governo de Colõmbia, assim como CNOOC, o petroleiro estatal de China, entre outros
  3. O WPP já conhecemos, mais o menos, nos seus contornos básicos
  4. K&L Gates é a firma do pai de Bill Gates e representa, entre muitos outros, a Bolsa de Valores de Lóndres e tudo que é infraestrutura financeira pesada, desde fazendas virtuais de «hedge funds» dentro de «prime brokers» até bancos depositários como Clearstream (este só de exemplo, uma vez que a firma guarda o sigilo da maiora dos clientes …)
  5. DLA Mitchell é do senador Democrata e antigo oficial de inteligência militar George Mitchell, e representa o governo de Afeganistão

Um dos sócios deste último mora lá perto da gente em Brooklyn, nos arredores de Grand Army Plaza — Champs d’Elysses de uma futura cidade independente que nunca se realizou, sendo engolida pela máquina corrupta de Tammany nos últimos anos do século XIX.  Eu não sabia. Interessante.