O Menino Bizantino Constantino: Tradição, Familia e Propriedade Resurgente

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No filme Bowfinger (Steve Martin, Universal, 1999) — aqui, «Os Picaretas» — Eddie Murphy faz o papel de um astro do cinema reclusivo, meio doido, e seduzido pelo sempre enigmático Terence Stamp.

O ator inglês e santo do movimento Pop faz o lidér de MindHead — culto exdrúxulo que Martin negou ser uma paródia de Cientologia.

O culto envolve o uso de chapéus em formato de uma píramide e informações privilegiadas sobre as verdadeiras pretensões dos OVNIs.

Eu sempre confundo o MindHead com uma paródia que deu na série The Simpsons, envolvendo um culto genérico chamado de «Movementarianism».

Pode aprender quase tudo sobre nós só dos Simpsons, se preste atenção.

Que bom que graças a NET e TVA e os outros, podemos compartilhar essas joias da cultura gringa! Sinceramente, nossa TV produz programação boa com bastante regularidade. Até programas dos quais eu não sou a audiência-alvo. Minha mulher adora «The Good Wife». Eu também, por partir da mesma premissa do que o escândalo de Elliot Spitzer em Nova York. É já era tempo para uma série sobre Chicago, a Segunda Cidade e Cidade de Ventania pra Caraca.

Eu sempre comento com minha mulher, por exemplo, que «Law and Order» preenche um vão na cultura popular brasileira — o espectáculo da Justiça. Cada episódio é cheio de problemas difíceis de ética. O promotor e a policia nem sempre se comportam bem. São pessoas. Captura-se sua humanidade.

O episódio que estou assistindo agora mesmo trata de um assassino cuja defesa é que ele sofreu uma lavagem cerebral pela violência gratúita na TV.

E vocês, que têm de parecido para preencher a cota mínima pífia de conteúdo nacional?

São Paulo 9mm, de HBO? Eu achava a série a mais pura porcaria e desliguei após uns 7 minutos.

(A melhor da TV tupi? Casseta e Planeta, cacete!)

O problema é que o espetáculo da Justiça no Brasil, infelizmente, teria que lidar com casos como os milicianos de Rio e Inspector Tostes, a não falar em nosso advogado, da Policia Civil, preso no meio do meu processo de permanência por alegações de envolvimento em mais uma »mafia dos fiscais». Um bom filme neste sentido: Achados e Perdidos, com o grande Fagundes, do romance do grande Garcia-Roza.

Sinceramente, eu não passava por tamamha burocracia — e corrupção — tirando meu visto de permanência  para sentar no sofá chupando uma Devassa e assistindo reprises de séries que já assisti uma década atrás, sem dublagem idiota.

Cadê a brasiliandade? Cadê o Archie Bunker bem brasileiro? Uma nação de 185 milhões de vivalmas não pode sustentar um cinema popular? Triste e frustrante e um produto de burrice total. Isso aqui não é os EUA e jamais será. Graças a Deus. Essa diferença tem valor considerável, e constitui patrimônio cultural público.

Moção Perpétua: Movimentarianismo

O que me lembrou do Movimentarianismo hoje foi a releitura de notas prévias sobre o AYM — no começo a «Alliance of Youth Movements» — de movimentos da juventude — e depois «for Youth Movements» — para movimentos da juventude, devido ao fato de que não há e jamais houve um movimento de juventude de verdade entre os aliados.

Todos são mercadologistas, e o propósito deles e puro agitprop.

Faça a juventude acreditar que são parte de um movimento — qualquer movimento, não importa — e que não podem participar nesse movimento sem Twitter e o iPhone. Forneça uma cabeça-falante — não importa se real ou virtual — para provocar uma identificação emocional primitiva. É assim que se faz a cabeça da juventude brasileira.

(Eu era punk com uma coletânea de jazz para fechar comércio naquela época.

A gente resolveu, solenamente, num CONFECOM de bom gosto, que áte Led Zeppelin III, manda bala. Depois, com aquele misticismo todo, nem tanto. Ao vivo, solos de Jimmy Page de 30 minutos, totalmente.

Lembro de uma vez ficando doidão e escutando The Who: Live at Leeds em som quebrado, com só o baixo e batéria. Putz grilo, mano. O demi-Who 2.0 de hoje  — rescuscitado, me lembro, para um festival estilo Woodstock para «hedge funds» — não é o que era. Cara, Roger Daltrey ganha a pão hoje em dia fazendo Scrooge durante Natal. )

Em Tempo: Osho é o Fim do Mundo Postergado

Eu tive um amigo em São Francisco nos anos 1980 que era integrante do culto do Baghwan Sree Rajneesh — hoje em dia reinventado como Osho. Em 1984, o Baghwan chamou todos seus filhos e filhas para o ashram em Oregon, dizendo que o mundo ia acabar. Ah, e não se esqueçam de esvaziar suas contas bancárias, viu? A gente faz fogueira de dinheiro vivo!

Nosso amigo sumiu.

Uns seis meses depois, apareceu de novo, duríssimo, sem a camisa cor-de-laranja e o amuleto com o retrato do Mestre.

Não quis tocar no assunto.

Virou caixa em uma loucadora e passou a dançar no Firehouse e Crystal Pistol conosco, como gente que nem a gente.

Espero que desse bem na vida depois.

O Shopping Espiritual

Todo isso veio a minha cabeçamente quando recebi um relatório de um dos meus robôs — acima — sobre a presença virtual de Rodrigo Constantino, conselheiro fiscal do Instituto Millenium.

No «shopping de inovação» de Rodrigo o Objetivista, oferece-se um cardápio teologicamente e ideologicamente ecléctica — uma cuisine estilo fusão, como dizem.

Eu tentei fazer uma classificação mais detalhada dos elementos dessa «ecologia digital». Aos quatro elementos básicos de uma MOSCOU — «mídia orquestrada pela sociede civil de oligarcas obtusas» — eu acrescentei uma quinta categoria

  1. MIDIA
  2. PROPAGANDA
  3. SAMIZDAT
  4. MULTIPLICADORES
  5. MOVIMENTARIANISMO

Nesta última categoria cabe todo o que o projeto OpenSecrets chama de «ideológico ou assuntos isolados» na sua classificação de grupos de «lobby » — a categoria mais generosa de todas.

GUESS está comportando-se mal hoje — preciso dominar a linha de comando, mas como de costume tenho preguiça de ler o manual.

Ainda que feioso, porém, o movimentarianismo bizantino é algo assim:

A leque de opções vai de feminismo — um movimento ao qual eu tenho certeza que Hayek estava completamente contrário! — até o bom e velho Tradição, Família e Propriedade.

Para La Bohème, tem pontos de entrada culturais.

Eu mesmo acompanhava o AL Daily no passado, é estou alegre de vé-lo sobrevindo.

Será que continua o mesmo, no entanto?

Muitas marcas passam por uma mudança de dono e introduzem ingredientes antes não presentes. Exemplo: Libération, o jornal de Sartre.

Criei cinco baudes na tentativa de categorizar as tendências em jogo aqui.

  1. NEOUDENISMO
  2. NEOCONSERVARDORISMO
  3. NEOTFP
  4. RELIGIOSO
  5. CULTURAL

Eu também gosto muito do escritor inglês G.K. Chesterton, mas mal consigo imaginar como pode-se extrair uma doutrina filosófica sistemática das sátiras do autor, que lembram as do Petronius Arbiter, com um poquinho de Kropotkin, molho de Lewis Carroll, e a pimenta de um Celine inglês antecipado.

Também sou leitor assíduo de Harold Bloom — que fala bem de Machado de Assis — e tenho uma boa formação nos clássicos, mas sempre no contexto de modernidade.

Mas ora, só porque Bloom identifica uma forte tendência gnóstica na cultura americana não quer dizer que ele é um sacerdote do gnosticismo, ou nos recomenda virarmos gnósticos, que nem Olavo de Carvalho.

Bloom tem toda razão sobre o «cânone», eu acho: é a tradição de nossa bárbara língua germánica. Sou conservador cultural neste sentido. Wordsworth vale a pena porque era bom pro caralho e digno de imitação.

Vocês jamais entenderão Beowulf ou Chaucer como eu os entendo. Inglês arcaico é difícil até para nós!

Na romaria de Canterbury, eu sou o Clérigo de Oxford, ou gostarias ser.)

Mas não acredito num cânone global. Cada língua tem o seu, mas algum conhecimento de outros é importante para poder entender o cânone nativo. No entanto, o trabalho de pá é fazer a filologia da língua-mãe — se bem que não tiver complexo em relação com esta mãe.

Tantas vezes se ouve, Ai, se eu tivesse nascido nos EUA! Não nasceram. Vocês não passam de cucarachas, quem nem Henfil, me desculpem. Mas aceitem: Vocês são nem mais nem menos do que um bando de lusófonos tropicais.

Não é tão mal assim. Eu realmente gosto da lusofonia tropical.

Tem admiráveis trovadores de pura tradição com rabecas e violas caipiras vagando pelas ruas!

Um preconceito que tenho formado aqui no Brasil, portanto: fique de olho em qualquer pessoa levando o nome de um imperador romano ou outra eminência greco-romana. E sim, isso inclui o exaltado Protôgenes e os vários Marcos Aurélios prominentes.  Pior ainda são nomes cheirando de saudades do Império Bizantino.

Lembre-se dos bizantinos no filme italiano O Incrível Exército de Brancaleone.

Era mais ou menos isso, gente. Perderam o império por devassidão e decadência, provocando o monoteismo radical dos seguidores do profeta

(Por puro ocaso, estou bebendo uma cerveja Devassa nesse mesmo momento. A patroa está economizando.)

O que não entendo nesse componente da MOSCOU bizantina é a forte presença de orgãos da imprensa polaca ao lado de institutos religiosos daquele páis com os presidentes gêmeos.

Que polacos são católicos dos mas católicos eu sei muito bem. Antigamente eu morava em Greenpoint.

As procissões medievais cada santo — literalmente — dia!

A MOSCOU Bizantina

Gnosticismo: Católico ou Luterano, Tanto Faz

O neo-udenismo parece ter laços tanto com o neoconservadorismo gringo quanto com a sonhada  FTP resurgente para propalar o Fim dos Tempos.

A proximidade com a campanha do ínfame NRA — o direito à porte de armas, um poderoso e completamente irresponsável lobby liderado pelo Cato, que também defende os setores de petroleo e tabaco  — com Pela Legítima Defesa é marcante, por exemplo.

A Igreja Heliocéntrica dos Economistas Liberais Neoclássicos é um laço em común também, obviamente.

Mais os neoconservadores sempre tinham que lidar com o fato dos EUA ser uma nação fortemente protestante-evangélico.

Brasil ainda não é, embora os evangélicos estarem em rápida ascensão.

Portanto, o neo-Udenismo Tupi é cheio de radicalismos exaltados em defesa da verdadeira fé, ameaçada como Ela é por hereges e fazendo uma santa guerrilha contra o Diogo — que até utiliza padres fracos para atingir o Pai Santo, segundo os exorcistas do Vaticano.

A Mídia de Constantino

Rodrigo é muito ligado aos projetos de mídia de Dick Morris.

Veja também

Eu sempre achava Reuters suspeito, por vários razões — seu patrocínio ao projeto Global Voices Online, por exemplo, quando este não podia nem confirmar ou negar que foi um projeto financiado pelo contribuinte estadounidense. Eu perguntei na cara dos cara.

Eu prefiro meus dados financeiros sem ideologia de Bloomberg — apesar de ter trabalhado no Thomson, que tem grande competência, não há como negar. Muitas vezes eu deixo o Bloomberg Brasil ligado enquanto trabalho.

Veja-Folha-UOL.

Sem surpresa alguma lá

Reason e BlogTalkRadio são, respectivamente, os orgãos de doutrinação de (1) colarinhos brancos formados na Liga de Hedra e (2) «Joe Six-Pack» — caminhoneiro colarinho-azul e semi-analfabeta.

A mensagem é a mesma em ambos os casos. Transcenda a luta de classes!

O Economist é parceiro de conteúdo agora da Carta Capital, que eu faço questão de comprar na banca.

Era uma vez que eu assinava a revista inglesa também, mas evoluiu no sentido da escola de jornalismo Walter Lippman — mais um Phi Beta Kappa dos pragmatistas de Harvard — e deixei de ler.

Samizdat Movimentário

O samizdat movimentário é notável pelo tema «saudades das Idades Médias» e «ciencia confirma as doutrinas da igreja» — este último o enredo daquele ridículo romance de Dan Brown. Eu gosta de ficção popular, mas realmente, o cara não sabe escrever uma prosa decente ou criar personagens com semelhança alguma com a complexidade de carne e osso.

Mas em fim: Mino Carta vive chamando a ultradireita de «medieval».

Parece não exagerar. Digo isso como medievalista de formação.

Lá têm os céticos de aquecimento global de sempre também.

Cato é um «clearinghouse» das teorias conspiratórias sobre Al Gore, os Illuminati, OVNIs, e a natureza quántica de Deus, tudo para livrar a cara de clientes poluidores sem-vergonhas do setor petroleiro.

Eu e o Físico-Teólogo

Um autor foi me referido uma vez com um livro sobre exatamente isso: A natureza quántica de Deus refuta Karl Marx!

Jamais li tal coisa. Ele quis traduzir para inglês ver e botar no site dele. Eu educadamente informou o senhor que uma tradução de um texto denso com gerigonça teológica e científica de 125.000 palavras adequadamente ia custar-lhe uma fortuna. Ele foi muito zangado comigo e insistiu tomar a cópia do livro de volta.

Deveria ser acostumado ao latifúndio medieval que é a profissão de tradução no Brasil. Provávelmente botou tudo no Google Translator para produzir mais um English as She Is Spoke.

A Câmara de Eco

Estou começando a pensar que a infraestrutura de um site desses pode deixar pistas sobre autoria. Quais fornecedores de métricas e widgets são utilizados? Qual a orígem do CSS e Javascript? Quais mecanismos de divulgação e hospedagem são usados? Estou começando a poder identificar, de forma geral, as assinaturas de alguns arquitetos de sites.

Blogger e WordPress são as plataformas mais acessiveis hoje em dia. Realmente não entendo porque Typepad não chegou a tanto. Eu comecei com Moveable Type e ainda tenho saudades. Foi um produto na vanguarda de CMS para todos nós na época.

Rodrigo não aproveita múltiplos canais de multiplicação-repercussão, como Digg, Facebook, Technorati, e tudo mais. Ou talvez é porque eu fizesse besteira e parou o robô antes de registrá-los.

A referência ao GoTime é meio confundente. Trata-se de um guia tipo TimeOut ou Veja Sampa-Rio com eventos, boates, bares, a balada noturna. Não tem edição Sambodiana, só de cidades estadounidense. Nossa autor está morando fora do país, pode ser?

Em Fim

Em fim, no ecosistema de Millenium, Rodrigo — formado no IBMEC em finanças e conselheiro fiscal do Instituto — é um nodo de Tendênica. No modelo MOSCOU, a criação de uma Tendência se faz por meio de uma câmara de eco no submundo de samizdat digital, para depois ser repercutido pela mídia como um factoíde espontânea e passível de ser medida e comprovada.

Esse país vai acabar com meus nervos.

Eu sou jornalistas financeiro, e tenho respeito e grande curiosidade sobre o trabalho de operadores do mercado. Minha inspiração sempre foi a série Working, de Studs Terkel, sobre a experiência vivida de trabalhadores. O trabalhador colarinho-branco oferece a mesma fascinação. Eu acho o trabalho deles socialmente útil. Conheço pessoas de alta integridade na indústria. Se eu tivesse a mesma experiência após nascer brasileiro — uma impossibilidade, lamentávelmente — eu provavelmente seria liberal por caralho

Mas poxa, este pessoal de FTP e a teologia do Monopólio Merecido?

Os maus do meu pais na última década eu atribuo à pólitica de cotas da Liga de Hedra: a matriculação automática de filhotes de ex-alunos peso-pesados. W — «o primeiro presidente MBA» — jamais teria sido aceito por Yale e Harvard seu o pai dele não tivesse sido senador e chefe da CIA.

W foi um fracasso total no mundo de negócios antes de receber o time de beiseból, os Texas Rangers — um negócio sólido e estabelecido, uma vez que beiseból é nosso futebol (eu sou Yankees-Mets-Giants-Athletics) — como presente de bajuladores do Nome-do-Pai.

E deu que deu — Katrina, por exemplo. PQP.

Quem foi o exemplo citado sempre do pai bilionário que fez os filhos trabalharem e estudarem e ganharem a própria pão, por mérito próprio? Warren Buffet? Espalhem esse mito no Brasil. Estão precisando dele.