Loops de Loops: Fortes Sobre os Núcleos de MobilizaMudancismo

Padrão

Leandro Fortes da CartaCapital é um dos feras do jornalismo investigativo nativo. A reportagem da semana passada sobre O Jugo Sujo na Rede, que finalmente cheguei a ler ontem anoite, contem muitos pontos essenciais sobre núcleos de ciberativismo na campanha de mudancismo esse ano.

Com licença, eu vou reproduzir e anotar alguns trechos que identificam alguns núcleos de comando e controle dessa guerrilha virtual.

Depois eu mando meu robô TRYSTERO atrás.

(Está navegando uma rede de samizdat petista no momento, mas pode-se ativar até dez instâncias à mesma vez antes de fritar a máquina.)

Quem cuida do conteúdo de internet para o PSDB é Arnon de Mello, filho do ex-presidente, atual senador e aliado recente de Lula, Fernando Collor de Mello (PTB-AL). Arnon é um dos donos da Loops Mobilização Social e se apresenta como economista formado pela Universidade de Chicago e mestrado em Harvard, diretor do jornal Gazeta de Alagoas e funcionário do banco americano Lehman Brothers, epicentro da mais grave crise econômica mundial desde o crack de 1929. Um de seus sócios é João Falcão, ex-secretário de Cultura de Olinda (PE), filho de Joaquim Falcão, ex-diretor da Fundação Roberto Marinho e ex-integrante do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Falcão pai também é um dos autores do livro Dr. Roberto, de 2005, uma biografia autorizada do falecido fundador das Organizações Globo.

De Loops consegui sabe que é hospedado com LocaWeb e que tem vários outros sites com o mesmo IP:

  1. GUIADATEVE.COM.BR
  2. LOV.COM.BR (outra agência que encontrei recentemente; clientes NET, Sony, filmes de 007, filmes de Harry Potter, TAM, et al)
  3. SLUSHODIET.COM (domínio sem conteúdo HTTP)
  4. ICECREAMNOW.COM.BR («sorvete agora!»)

Deste último, aprendo que LOV, SINC, ONLYU, WIKITORIA e MOBILEMEN são subsidárias do GRUPO OON. Sinc, antigamente, foi parte de EURO RSCG 4D — clientes IBM, Peugeot, Charles Scwhab, Reckitt Benckiser, e EDF.

Mais para baixo:

A empresa não terá plena autonomia na campanha tucana. Estará subordinada à agência de publicidade digital Sinc, do empresário paulista Sérgio Caruso, ligado ao publicitário José Roberto Vieira da Costa, o Bob, homem de confiança do ex-governador. O nome de Caruso foi avalizado pelo ex-deputado do PSDB e atual presidente da Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (Emplasa), Márcio Fortes, um dos responsáveis pela arrecadação de fundos no comitê serrista.

Não gosto muito da brincadeira do site da agência. Clicando em «quem somos», você é apresentado com uma pesquisa: «quem somos nós para você?»

«Anônimos covardes» não está entre as opções.

Respondendo uma pergunta com outra pergunta é muito mal-educado, vocês não acham?

Clientes assumidos:

Leandro continua

… Participam da tropa virtual as empresas Knowtec e Talk Interactive. A primeira, com sede em Florianópolis, tem uma longa lista de serviços prestados ao antigo PFL, atual DEM, por meio de uma ligação histórica com o ex-senador Jorge Bornhausen. Em Brasília, tem como cliente a Confederação Nacional de Agricultura, presidida pela senadora Kátia Abreu. Quando o PFL mudou de nome em 2007, o novo portal do partido na internet foi montado pela Knowtec.

De KNOWTEC descubri que o servidor de correio é FLORIPA.COM.BR. Os dados são um pouco confusos, mas acontece que o FLORIPA é hóspede de vários sites partidários dos DEM. Por exemplo, PAULOBORNHAUSEN.COM.BR.

As duas empresas são administradas pelo mesmo executivo, o engenheiro Luiz Alberto Ferla. Ex-presidente do PFL Jovem e atual conselheiro político da Juventude DEM, Ferla está à frente do Instituto de Estudos Avançados (IEA) de Florianópolis, ONG dona de um contrato de 4,6 milhões de reais com a prefeitura de São Paulo assinado sem licitação. O contrato prevê uma consultoria voltada à reformulação do portal de notícias da prefeitura paulistana, obra que, no fim das contas, saiu por cerca de 500 mil reais. Após o contrato vir a público, o prefeito Gilberto Kassab decidiu cancelá-lo.

Já tenho dados sobre a Juventude Democrata, filtrados pelo modelo MOSCOU: Ideologia e samizdat coordenados por profissionais e disseminados e multiplicados em redes para criar «tendências espontâneas atuais», justificando a cobertura pela mídia tradicional.

Interessante: Enquanto o PT faz sites de candidatos individuais tipo NOMESOBRENOME.COM.BR, o DEM faz samizdat tipo NOMESOBRENOME.WORDPRESS.COM — hospedado em outro país.

Entre os portais do e-governo do estado de São Paulo, alías, o da Prefeitura figura entre os mais adequados, tal como está.

O Grupo de Inteligência de Arruda

Jornalistas e o GDF

Aliás, a inclusão de Knowtec acrescenta algo a meu análise do «grupo de inteligência de Arruda» — acima, faça clique para ampliar. Veja

Eu não soube na época quem era Fernando Câmara. Agora fico sabendo.

O Que Tem os Gringos a Ver Com Isso?

Agora, voltamos a questão de se consultores estadounidenses estão consultando com campanhas políticas no Brasil.

Eu escrevi à assessoria de imprensa de Blue State perguntando sobre isso, e eles jamais responderam.

Quando eu escrevi para James Carville em 2006 com a mesma pergunta, a organização dele respondeu de imediato, querendo divulgar que o Cajun Raivoso não estava trabalhando do lado debaixo do Rio Bravo naquele ano eleitoral em vários países.

Existe legislação nos EUA contra práticas corruptas no estrangeiro. Não sei comoDick Morris escapou sendo julgado sob essa lei após a campanha de 2006 em México.

Ora, o projeto YouthActionNet ainda está hospedado embaixo da guarda-chuva de MOVEMENTS.ORG, plataforma de Blue State, por exemplo. O discurso deste projeto no Brasil é muito Blue State, enquanto o financiamento vem de verbas públicas, em parte, do estado e prefeitura de Sambodia.

Uma perplexidade.

De YouthActionNet.org eu soube que tem vários sites no mesmo IP:

  1. BILGIGGO.COM
  2. PREMIOUVM.ORG.MX
  3. JUSTMEANS.COM

A Knowtec foi a primeira empresa brasileira a ir aos Estados Unidos, no ano passado, em nome dos tucanos, para tentar contratar os marqueteiros virtuais que fizeram sucesso na campanha do presidente democrata Barack Obama. Joe Rospars, da Blue State Digital, e Scott Goodstein, da Revolution Messaging, acabaram, porém, por fazer uma opção ideológica. Preferiram negociar com a Pepper, de Brasília, para então fechar um contrato de consultoria para o PT. Alegaram não trabalhar em campanhas de partidos conservadores.

Eu ainda não acredito nessas afirmações, pelas razões dadas acima.

Desde então, a dupla tem aparecido na capital federal para opinar na estrutura de internet da candidatura petista.

Ai, que bom: Até Leandro confunde o gênero de nomes às vezes: «a dupla … aparecido». É meu pecado constante contra a boa lusofonia.

Agora é aguardar o relátorio de TRYSTERO. Entretanto, vou fazer algo útil.